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A caminhada até a van foi rápida, mas para ela parecia infinita.

Cercada pelos seguranças, pelos membros do BTS e por uma dúzia de vozes e gritos vindos de todos os lados, ela mal conseguia raciocinar. As luzes dos celulares ainda piscavam como flashes de guerra. O som de passos, buzinas, ordens em coreano e inglês se misturavam a um zunido constante nos ouvidos dela.

Mas havia uma única constante.

Jungkook.

Ele ainda segurava a mão dela. Com firmeza, mas sem forçar. Como se temesse que, se soltasse, ela desaparecesse. Ou caísse. Ou simplesmente escorregasse de volta para o lugar de onde veio.

O polegar dele roçava suavemente o dorso da mão dela, um gesto pequeno, quase imperceptível, mas presente. 

A van os aguardava no fim da rua, portas já abertas, ar-condicionado ligado. Assim que os dois entraram, Jungkook a guiou instintivamente para o banco do fundo, mais afastado dos outros membros que se acomodavam aos poucos.

Ela se sentou ainda em choque, sem saber exatamente o que fazer com os braços, com as pernas, com o próprio corpo. O coração seguia descompassado, tentando acompanhar a cabeça.

Jungkook se sentou ao lado dela. De perto. Tão perto que os joelhos quase se tocavam.

E ele não soltou a mão dela.

Em momento algum.

Ficaram assim por segundos — que pareceram um mundo — até que ele finalmente se virou de leve e falou, baixo, só para ela:

— Eu quero ver se você se machucou.

Ela arregalou um pouco os olhos, mas antes que pudesse responder, ele já havia puxado gentilmente a mão dela para mais perto, observando com atenção.

Havia um pequeno arranhão na lateral da mão direita, bem onde o asfalto havia raspado no impacto da queda.

— Droga… — murmurou ele, com um tom de frustração suave. Como se aquilo, mesmo pequeno, fosse grave demais pra ele aceitar.

— É só um arranhão — ela disse, por reflexo. A voz saiu fraca, mas firme o suficiente.

— Ainda assim — ele rebateu, ainda sem olhar pra ela, concentrado no machucado minúsculo como se aquilo fosse uma ferida profunda. — Você não deveria ter se machucado. Nem isso.

Ela o observava em silêncio. A forma como ele segurava a mão dela com tanto cuidado, como se fosse feita de porcelana. Como os olhos dele pareciam insatisfeitos por não ter conseguido protegê-la por completo. Como ele estava ali, tão próximo, como se fosse… dela.

“Por que ele ainda tá me segurando assim?”
“Por que ele parece mais preocupado do que eu tô?”
“Ele me olhou… como se já me conhecesse.”

O rosto dele ainda estava levemente suado. A franja um pouco bagunçada pelo esforço de antes. Os dedos dele eram firmes, mas cuidadosos. Quase hesitantes. Como se ele não tivesse certeza de que podia tocá-la assim, mas também não quisesse parar.

A van começou a andar. Um leve solavanco os fez balançar, e ele reagiu instintivamente, puxando ela um pouco mais pra perto — só por precaução.

Não disse nada sobre isso.

Nem ela.

Apenas ficaram ali.

A van seguia em silêncio, o ronco do motor preenchendo o espaço entre eles. À luz suave do fim de tarde, ela não conseguia desviar os olhos dele. Cada respiração dele, cada gesto, era agora mais que um conforto: era um mistério.

Ela o observava atentamente, ainda segurando a mão dele, consciente da proximidade. De repente, a coragem brotou. Um tanto hesitante, ela finalmente quebrou o silêncio:

— Você… se machucou? — perguntou calmamente, os olhos fixos no rosto dele. — Você bateu muito forte com as costas no asfalto. Está tonto?

Sem tirar a mão, ela deslizou seus dedos delicados pela lateral do corpo dele. Aí, algo aconteceu: ele estremeceu, pequeno, imperceptível — mas suficiente para mexer com o coração dela.

— Hum… — ele murmurou, ajeitando o casaco, sem olhar para ela.

Mas ela não desistiu. Com delicadeza, pediu:

— Posso ver? — E, com cuidado, puxou a barra do moletom que tinha escapado do casaco, descortinando a pele dele nas costas.

A luz suave do ambiente revelou um hematoma roxo, entremeado por um fio avermelhado, como se o impacto ainda estivesse vivo ali. A pele ligeiramente arqueou onde ela tocou.

Ela sentiu o baque no peito:

— Meu Deus, Jungkook… — o susto na voz dela era real. — Isso é pior do que eu pensei.

Ele respirou fundo, desviando o olhar para a janela, como se não quisesse que ela o visse vulnerável. Mas começou a explicar, voz controlada:

— Eu só queria garantir que você não se machucasse… Eu… não pensei em mim, foi um reflexo. Achei que com você correndo risco, não dava pra pensar nos meus ferimentos.

Ela o olhou, coração apertado:

— Mas por que você fez isso por mim? A gente… nem se conhece.

Jungkook engoliu difícil. Não havia resposta fácil, só uma verdade inesperada entre os dois: ela importava.

Atrás deles, o burburinho começou a crescer. Os seguranças trocavam olhares tensos:

— “Ele realmente tomou o impacto por ela…”

E os membros do BTS, reunidos nos bancos da frente, observavam com atenção:

Namjoon cochichou com Suga:

— “Ele conhece ela? Porque parece serem namorados há tempos.”

Suga olhou pra ele sem entender direito:

— “Namorado? Eles acabaram de se conhecer.”

Jimin, que estava mais próximo, se levantou discretamente e se inclinou para ver:

— “Hyung, faz sentido… Jungkook falou que viu a garota que sonha. Essa deve ser ela.”

Olhar de curiosidade misturado com impulso protetor:

— “Tô curioso… Achei que era só um sonho, mas tem algo real aí.”

Ela, ainda segurando a mão dele, ofereceu um sorriso cauteloso:

— Você tá com dor? Deixa eu ver se tenho algo aqui para passar… — Ela diz olhando a bolsa, com um pouco de nervosismo. 

Ele deu um leve sorriso, quase envergonhado, e respondeu quase que num sussurro:

— Ah… estou bem. Só bati as costas. — Ele passou a mão pela lateral do casaco, tentando abaixar a gola, desviando o olhar.

Percebendo a tentativa dele de acalmar a situação, ela inclinou-se para a frente, olhos firmes:

— Você deveria ir ao médico, ou ao menos descansar. Você parece ter se machucado mesmo.

Ele tirou a mão dela delicadamente e desceu o casaco para cobrir o hematoma, tentando chamar outro assunto:

— Olha… — ele começou, inseguro — você, uh, seu nome… qual é?

Ela arqueou a sobrancelha, surpresa. O espaço entre eles ficou tenso e gentil.

Ele repetiu, agora olhando diretamente em seus olhos, com a voz tão suave que quase era difícil ouvir:

— Qual é o seu nome?

O momento em que ela olhou nos olhos dele, agradecida pela preocupação, foi quase silencioso, mas carregado de emoção:

— S‑Sn — ela disse, baixinho. — Meu nome é Sn. E… obrigada por ter se preocupado.

O rosto dele se iluminou e por um instante, o mundo ao redor desapareceu.

Sn resolveu tentar quebrar aquele clima denso que pairava no ar como uma tempestade prestes a cair.

Ela mordeu o canto do lábio, abaixou um pouco o olhar e, com um meio sorriso brincalhão, soltou:

— E… você é o Jungkook?
A voz saiu com um tom leve, quase zombeteiro, mas com uma doçura que não passou despercebida.

Jungkook piscou, surpreso, depois riu baixinho, aquele riso abafado que ele dava quando ficava meio tímido com uma piada inesperada. Seus ombros relaxaram um pouco, e pela primeira vez desde o acidente, ele deixou escapar um sorriso sincero.

— É… dizem por aí que sim.

Sn riu de leve, sentindo o clima mais solto por um instante. Então ela ergueu os olhos para ele — direto, de novo — e perguntou, quase casualmente, mas sem conseguir esconder o toque de curiosidade genuína:

— Você… me conhece de algum lugar?

A pergunta ficou suspensa no ar, flutuando entre eles como fumaça. Antes que ele pudesse responder, ela emendou, arqueando uma sobrancelha:

— Ou você olha com tanta intensidade assim pra todo mundo?

Jungkook abriu a boca, depois fechou. Engoliu seco.

O sorriso que havia dado antes agora sumia, dando lugar a um ar de confusão e leve desconforto — não por ela, mas por ele mesmo. Porque… ele realmente não sabia como explicar.

Ele coçou a nuca, desviou o olhar por um segundo, e quando voltou os olhos para ela, estavam mais brandos. Mais crus. 

— Não — ele disse, a voz baixa, mas firme. — Eu não olho assim pra todo mundo.

Silêncio.

O ar pareceu mais denso. O mundo da van, o barulho abafado da cidade lá fora, os membros cochichando nos bancos da frente — tudo sumiu por um instante.

Sn parou de sorrir.

Jungkook a encarava com os olhos escuros e profundos como a noite. Como se ela tivesse perguntado algo que ele também queria entender, mas não tinha resposta.

Por fim, ele respirou fundo e abaixou um pouco o olhar, como quem se protege sem perceber.

Ainda era cedo demais pra dizer o que realmente estava sentindo.
Porque, sinceramente… ele também não sabia.

Mas uma coisa era clara:

Ele… nunca olhou pra ninguém assim.

6 Comentários

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  1. Iasmine
    Feb 22, '26 at 8:12 am

    A van os aguardava no fim da rua, portas já abertas, ar-condicionado ligado. Assim que os dois entraram, Jungkook a guiou instintivamente para o banco do fundo, mais afastado dos outros membros que se acomodavam aos poucos.

    Hummm por instinto, seii senhor Jeon kkkkk

  2. Iasmine
    Feb 22, '26 at 8:14 am

    O rosto dele ainda estava levemente suado. A franja um pouco bagunçada pelo esforço de antes. Os dedos dele eram firmes, mas cuidadosos. Quase hesitantes. Como se ele não tivesse certeza de que podia tocá-la assim, mas também não quisesse parar.

    A querida vivendo um sonho kkkk eu teria desmaiado ali

  3. Iasmine
    Feb 22, '26 at 8:15 am

    — Não — ele disse, a voz baixa, mas firme. — Eu não olho assim pra todo mundo.

    Só pode olhar pra mim assim e pra mais ninguém

  4. Marcela
    Feb 22, '26 at 3:36 pm

    [quote]— Ainda assim — ele rebateu, ainda sem olhar pra ela, concentrado no machucado minúsculo como se aquilo fosse uma ferida profunda. — Você não deveria ter se machucado. Nem isso.

    O cuidado com ela, como se a conhecesse a muito tempo

  5. Marcela
    Feb 22, '26 at 3:52 pm

    [quote]— “Hyung, faz sentido… Jungkook falou que viu a garota que sonha. Essa deve ser ela.”

    Os meninos são rápidos, se ligaram logo

  6. Marcela
    Feb 22, '26 at 3:55 pm

    [quote]Jungkook a encarava com os olhos escuros e profundos como a noite. Como se ela tivesse perguntado algo que ele também queria entender, mas não tinha resposta.

    Sem entender nada, mas sentindo tudo e mais um pouco

Nota