Capítulo 5 – Mensagens à Meia-Noite
por FanfiqueiraO caminho de volta ao hotel foi rápido, mas para Jungkook parecia que o mundo inteiro tinha diminuído o ritmo. O olhar dele estava grudado na tela do celular, onde o nome SN ☁️ brilhava no topo da lista de contatos. Ele mal piscava.
No banco da frente, o segurança mais próximo dele — um homem alto, de expressão séria, mas que já conhecia bem os trejeitos de Jungkook — desviou o olhar pelo retrovisor.
— Você tá… sorrindo? — perguntou, desconfiado.
Jungkook ergueu os olhos devagar, como quem foi flagrado assistindo algo bobo na madrugada.
— Hm? — tentou disfarçar. — Não… nada. Tô só conferindo aqui se o contato dela salvou certo.
O segurança riu pelo nariz.
— “Se salvou certo.” Aham. E o ícone de nuvem do lado do nome dela te ajuda a verificar isso?
Jungkook mordeu o lábio sem perceber. Lutava contra o sorriso que ameaçava escapar.
— Você tá diferente, cara — provocou o segurança. — Essa cara aí… é de apaixonado.
— Que exagero. — Jungkook se ajeitou no banco, tentando manter a seriedade. — Eu só… achei que ela podia ter se machucado. Só isso.
— Claro. Por isso você se jogou no chão com as costas pra proteger uma garota que “talvez tivesse se machucado”. Super normal.
Jungkook bufou e enfiou o celular no bolso, preferindo olhar pela janela. Não respondeu. Mas sabia. Estava diferente.
E o pior era que não tinha ideia de como lidar com aquilo.
Quando a van estacionou no subsolo do hotel, ele subiu tranquilo, sem imaginar o que o esperava.
Assim que a porta do elevador se abriu no andar da suíte coletiva, ele deu de cara com um silêncio suspeito.
Todos estavam lá.
Todos.
Espalhados pela sala, fingindo ver TV, de braços cruzados ou com olhares discretos demais para passarem despercebidos. Até Taehyung, que tinha acabado de voltar, estava estrategicamente ao lado de Jimin com uma xícara de chá nas mãos e os olhos brilhando de ansiedade.
Assim que Jungkook entrou, a sala inteira virou o pescoço ao mesmo tempo.
— Olha quem chegou… — disse Yoongi, seco.
— O senhor Jungkook Jeon, herói romântico do dia. — completou Namjoon, arqueando uma sobrancelha.
Jungkook parou no meio da sala, mãos nos bolsos, a expressão de quem pensava: puta merda.
— Tá. O que foi agora?
— O que foi agora? — repetiu Taehyung, teatral. — Você some da van, leva uma garota misteriosa até um hotel e volta com esse sorrisinho escondido, como se tivesse acabado de sair de um dorama. Isso é o que foi.
Jimin, com as pernas cruzadas no sofá, mal conseguia segurar o riso.
— Conta logo. A gente já sabe que você pediu o número dela. E que ela sorriu. E que você ficou olhando o contato como um bobo.
— Quem contou isso?! — Jungkook estreitou os olhos.
— Eu. — respondeu o segurança, entrando na sala logo atrás dele. — Ele tava praticamente flutuando.
Taehyung deixou a xícara bater no pires com um estalo e avançou até o meio da sala, encarando Jungkook de frente.
— Espera. Espera aí. É ela?
— Ela…? — Jungkook arqueou a sobrancelha.
— A dos seus sonhos, idiota! — Taehyung abriu os braços, como se fosse óbvio. — Aquela que você fala desde o ano passado, que aparece sempre mas você nunca vê o rosto. É ela?
O silêncio que se seguiu pesou no ar. Três segundos inteiros.
Jungkook respirou fundo, coçou a nuca, baixou o olhar… e por fim encarou os amigos.
— Eu vi o rosto dela no sonho. Ontem à noite. Pela primeira vez.
A sala congelou.
Até Taehyung explodir, dramático:
— Isso não é um dorama, é reencarnação versão fanfic.
Jimin caiu na gargalhada. Namjoon balançou a cabeça, murmurando baixo:
— Eu não sei se rio ou se ligo pro psicólogo da empresa.
— Vocês são ridículos. — Jungkook bufou, rindo também, e caminhou até o corredor. — Eu vou tomar um banho.
— Você vai é mandar mensagem pra ela! — gritou Jimin atrás dele.
Jungkook já sumindo pelo corredor ergueu a voz por cima do ombro, ainda rindo:
— Talvez. Não é da conta de vocês.
— Vaaaai simmm — cantou Taehyung, debochado.
A porta do quarto se fechou com um estalo. Jungkook se apoiou nela por dentro, soltando o ar com força.
Pegou o celular. A tela brilhava:
SN ☁️
Online há 3 minutos
Antes que pudesse pensar demais, digitou.
[Mensagem enviada — Jungkook]
Oi… chegou bem?
O coração disparou. As mãos estavam úmidas.
Jungkook ainda estava encostado na porta do quarto quando a tela do celular acendeu com a resposta dela.
[Mensagem enviada — SN]
Eu tô bem graças ao meu super-herói 🦸♂️ que foi rápido o suficiente para me salvar.
Ele piscou, surpreso, e repetiu baixinho, como se testasse o som daquelas palavras nos próprios lábios:
— Super-herói?
Um sorriso foi se desenhando, lento, quase tímido, até que ele se deixou rir. Um riso abafado, meio bobo, que o fez passar a mão pelo rosto na tentativa inútil de se recompor. Mas o sorriso insistia em voltar, escapando de qualquer controle.
“Ela mandou emoji. Ela me chamou de super-herói. Quem é que faz isso logo de cara? Quem é ela?”
Por um instante, esqueceu da bagunça que os membros faziam do lado de fora, da cidade lá fora, da agenda sufocante da gravadora. Esqueceu até de si mesmo.
Tudo o que existia era aquele nome na tela acompanhado de um pequeno ícone de nuvem… e a frase que não parava de ecoar em sua mente:
“Graças ao meu super-herói.”
Ele riu outra vez, mais leve, mais entregue, e respondeu sem pensar muito:
[Mensagem enviada — Jungkook]
Acho que esse é o título mais legal que já me deram.
Mas se você me chamar assim de novo, posso acabar achando que é verdade.
Hesitou por um segundo. O polegar pairou sobre a tela, como se pedisse permissão. E então… enviou.
Ficou ali, esperando. O coração batia acelerado, como quem torce para continuar sonhando — só que dessa vez, de olhos abertos.
Poucos segundos depois, as bolinhas de digitação apareceram na tela.
Jungkook prendeu a respiração sem nem perceber.
[Mensagem enviada — SN]
Hmm… então talvez eu deva te chamar assim de novo, só pra ver se o ego do meu super-herói vai explodir logo no segundo dia. 😏
Os olhos dele se arregalaram, antes de se estreitarem num sorriso que não conseguiu — e nem tentou — esconder.
— Ela é atrevida… — murmurou, rindo sozinho, já se jogando na cama, com o celular apoiado nos joelhos.
“Isso foi flerte? Ou provocação? Ou os dois?”
Deitado contra os travesseiros, ele sentiu o coração disparar, os olhos brilhando. Digitou rápido, como se tivesse medo de perder o impulso:
[Mensagem enviada — Jungkook]
“Cuidado… se continuar me provocando assim, posso aparecer aí pra salvar você de novo. Mesmo que dessa vez o perigo seja só o travesseiro.”
Ela piscou duas vezes como se tentasse confirmar que aquilo não era um reflexo. O coração saltou tão alto que ela recuou o celular, como quem afasta um objeto prestes a explodir. Olhou o quarto — o mesmo de sempre, silencioso — e voltou a encarar a tela. A respiração, curta, parecia não caber no peito.
— Ai… meu Deus… — murmurou para ninguém, absorvendo a realidade simples e absurda de alguém ter acabado de flertar com ela.
Caminhou de um lado para o outro, os dedos apertando o aparelho. As bochechas queimavam; a cabeça, um turbilhão.
Começou a digitar. Apagou. Tentou de novo. Apagou outra vez.
— Não… isso tá muito bobo… ai, que raiva! — resmungou, parando diante do espelho. Olhou a própria expressão refletida: um sorriso que queria parecer casual e uma ansiedade que não se escondia. Fez uma careta.
Pensou em algo fofo, mas não meloso. Pensou em algo impossível, e a vontade de parecer natural a fez rir sozinha. Então a palavra “perigo” voltou à cabeça — e com ela, a imagem de um travesseiro como ameaça iminente.
Pegou o travesseiro, encostou-o meio teatralmente no rosto e abriu a câmera frontal. Bagunçou o cabelo, fez uma expressão de falsa surpresa e clicou: uma selfie boba, urgente e ligeiramente desajeitada. A legenda veio sozinha, como uma sentença escrita por alguém que precisava rir do próprio nervosismo:
[Mensagem enviada — SN]
“Situação crítica. Preciso de resgate imediato.
O inimigo é felpudo, mas cruel.” 😳🆘
Mandou antes que a coragem pudesse se esvair.
Dois segundos depois o pânico instalou-se: ela percebeu o absurdo do que havia feito e apertou o botão de apagar com o desespero de quem tenta desfazer uma risada alta numa sala silenciosa.
— Apagar para todos… apagar para TODOS! — sussurrou, os dedos trêmulos procurando a opção, a garganta seca.
Visto.
Digitando…
O mundo desacelerou. Ela jogou-se na cama, enterrando o rosto no mesmo travesseiro que usara para a foto, desejando um buraco e dez anos de ausência.
Jungkook segurava o celular com o mesmo tipo de atenção que alguém guarda um segredo. Havia algo de novo naquela atenção — um sorriso tenso, um riso abafado que vinha do peito e escapava pela boca.
A notificação apareceu; ele tocou sem pensar. A foto abriu: ela com o travesseiro na cara, olhos entrelaçados de comicidade e timidez. A legenda, doce e ridícula, provocou um riso que ele tentou recolher para dentro.
Mensagem apagada.
Ele franziu as sobrancelhas por um instante, mordendo o lábio, depois sacudiu a cabeça com ar de quem aceita o inevitável.
Digitou.
[Mensagem enviada — Jungkook]
Eu já vi.
E pra ser sincero…
Acho que você sobrevive sozinha. Mas o jeito que você pede socorro é bem convincente. 😏
Deixou o celular de lado. Sorriu, idiota e satisfeito, e tombou de costas na cama como se o mundo pudesse se ampliar só por causa daquele pequeno diálogo virtual.
SN olhou para a resposta dele e afundou o rosto nas mãos.
O celular escorregou do colo e caiu sobre a cama, mas ela não o pegou de imediato.
— Ele viu… — murmurou para si mesma, o coração acelerado.
Fechou os olhos por um instante, respirou fundo e deixou escapar uma risada curta, abafada contra as próprias mãos. Depois, virou-se de lado, puxou o aparelho de volta e, com dedos hesitantes, começou a digitar devagar.
[Mensagem enviada — SN]
Bom saber que minhas habilidades de sobrevivência te impressionaram.
Mas… acho melhor deixar a missão de resgate pra outro dia.
Boa noite, Jungkook.
Ela encarou aquelas linhas simples por alguns segundos, como se pudesse prever a reação dele. Então, sem acrescentar emoji ou qualquer enfeite, apertou enviar.
Do outro lado, Jungkook sentiu a vibração discreta do celular. Pegou o aparelho, leu a mensagem e deixou-o repousar sobre o peito. O sorriso nasceu devagar, iluminando seu rosto cansado.
— Ela fugiu… — murmurou, e a constatação trouxe um calor inesperado.
[Mensagem enviada — Jungkook]
Boa noite, SN.
Ele fechou os olhos, ainda sorrindo. Agora tinha um motivo real para dormir cedo. E, quem sabe, sonhar de novo.
O deboche do querido kkkkkkkkk eu morro gente, ele dando na cara pra geral
Eu amo que o querido além de tudo é fofoqueiro igual a gente kkkkk
Era tudo que ele queria, um convite pra ta na cama dela
— Claro. Por isso você se jogou no chão com as costas pra proteger uma garota que “talvez tivesse se machucado”. Super normal.
Todos ao redor já estavam percebendo
[quote]— Isso não é um dorama, é reencarnação versão fanfic.
Melhor amigo que esse, impossível kllkk
[quote]Um sorriso foi se desenhando, lento, quase tímido, até que ele se deixou rir. Um riso abafado, meio bobo, que o fez passar a mão pelo rosto na tentativa inútil de se recompor. Mas o sorriso insistia em voltar, escapando de qualquer controle.
Todo bobo por elaaa