Capítulo 1 – Coincidências Não Costumam Ser Assim
por FanfiqueiraEla já tinha aprendido a não dar muita bola pros sonhos. Desde pequena, sonhava com tanta coisa estranha que já nem tentava entender. Mas tinha algo diferente agora. Algo que teimava em se repetir com uma precisão desconcertante.
A primeira vez que aconteceu, ela nem percebeu. Sonhou com ele — com Jungkook. E não foi um sonho maluco, daqueles que você acorda sem lembrar direito. Foi real demais. Ele estava sentado no chão, de moletom e cabelo meio bagunçado, rindo de alguma coisa que ela dizia. Como se fosse alguém com quem ela convivia há anos. Ela acordou com o peito leve, coração ainda acelerado, como se tivesse acabado de sair de uma ligação importante.
E então, naquele mesmo dia, ele apareceu. Não pessoalmente, claro. Mas do nada, uma notificação no celular: “Jungkook entrou ao vivo”. Coisa que não acontecia fazia semanas. Ela riu. Achou engraçado. Coincidência, né?
Mas aí aconteceu de novo.
Mais uma noite, mais um sonho — dessa vez, ele estava cantando. Só pra ela. Sentado no degrau de uma escada, com um violão no colo, em um lugar que ela nunca tinha visto antes. Quando acordou, o sonho ainda latejava nos cantos da mente, como uma lembrança boa que não queria ir embora. E naquela manhã… o Weverse explodiu, com uma mensagem do Jungkook para o army.
Foi aí que ela começou a reparar.
Porque depois da terceira, quarta, quinta vez… já não parecia mais coincidência.
Ela sonhava, ele aparecia. De algum jeito. Em uma foto vazada por fãs, em uma mensagem aleatória no Weverse, em um repost sem contexto. Às vezes, era só uma menção, um vislumbre. Outras, ele surgia inteiro — sorrindo, dançando, falando com os fãs como se sentisse a presença dela ali.
Ela não sabia o que pensar. Não era todo dia. Às vezes passava semanas sem sonhar com ele. Mas quando sonhava… alguma coisa sempre acontecia.
E aquilo começou a incomodá-la de um jeito estranho. Aquele tipo de dúvida que mora no fundo da mente, silenciosa, mas insistente. Ela não era o tipo de pessoa que se deixava levar fácil por essas coisas. Mas já não conseguia ignorar.
No começo, ela até tentava ignorar. Afinal, o que ela tinha a ver com Jungkook? Uma mulher comum, no Brasil, tentando pagar as contas, dar certo na vida e, de vez em quando, sonhar alto — mesmo que esses sonhos a levassem pra perto demais de alguém tão fora da sua realidade.
Ela ria sozinha às vezes. Porque era ridículo pensar em qualquer conexão. Ele era um astro mundial. E ela? Ela estava ali, tentando se encontrar. Mas era inevitável: depois de cada sonho, lá vinha ele aparecer — em tela, em post, em vídeo, em live. E por mais surreal que fosse, aquilo se tornava parte da rotina.
Então ela seguiu. Fingindo que não ligava, mas prestando atenção. O tempo foi passando, e com ele, a vontade de mudar de vida crescia. Ela já vinha tentando fazia tempo — postando vídeos, tentando emplacar algum conteúdo, testando formatos, estudando algoritmo, editando madrugada adentro.
E uma hora, aconteceu.
Um vídeo viralizou. Depois outro. E outro. De repente, ela não era mais uma desconhecida tentando acertar a luz perfeita no quarto. Ela virou referência — pelo carisma, pelas opiniões sinceras, pelo conteúdo criativo. A bolha cresceu. As marcas começaram a notar. E quando viu, trabalhar com internet não era mais um plano: era uma realidade.
Ela virou influenciadora oficialmente, com contrato, publis e tudo que sonhou. Mas não era só sobre fama ou seguidor — era sobre liberdade. Sobre poder ver o mundo com os próprios olhos, sair da rotina que sempre a prendeu. E assim, montou uma lista de lugares que queria conhecer. No topo: Los Angeles.
Desde adolescente, era obcecada por L.A. — pelos clipes de hip-hop, pelos cenários urbanos que pareciam saídos de um filme, pelas referências pop que moldaram seus gostos. Sempre quis sentir aquele ar, pisar naquele chão.
Foi assim que, meses depois, com a mala feita e o coração batendo forte, ela embarcou.
No avião, colocou os fones de ouvido, fechou os olhos e deixou a cidade decolar atrás dela ao som de “Party in the U.S.A.”, da Miley Cyrus.
“I hopped off the plane at L.A.X. with a dream and my cardigan…” — ela quase riu. Não estava de cardigã, mas o resto da frase batia em cheio.
Chegou tarde em Los Angeles, o céu já escuro e a cidade brilhando em neon pela janela do táxi. Estava cansada demais para sair. Só queria um banho e a cama fofa do hotel. Amanhã, sim, ela exploraria tudo.
Mas naquela noite… sonhou com ele de novo.
Estava andando sozinha por uma rua desconhecida. A calçada era larga, os postes altos, as luzes amarelas. As vitrines refletiam seu rosto conforme ela passava. E então, ele apareceu. Como se fosse parte natural do cenário. De moletom escuro e boné, caminhava na direção contrária. Os olhos dele encontraram os dela, como se a reconhecessem.
Eles se olharam por um instante que pareceu durar muito mais do que deveria.
O coração dela deu um salto.
E ela acordou.
Num susto.
Como se tivesse sido puxada de volta à realidade à força. O quarto escuro, os lençóis bagunçados, a respiração acelerada.
— Não de novo…
Tateou pelo celular ao lado da cama. Ligou a tela. Notificações.
Primeiro o Instagram, depois o X (Twitter), depois o Tik tok.
“🚨 Jimin, Jungkook e SUGA partiram rumo a Los Angeles hoje de manhã. Fontes dizem que os três irão encontrar RM para possíveis gravações em estúdio.”
Ela ficou parada por um tempo, olhando a tela. O coração ainda apertado pelo sonho, os olhos fixos no nome dele.
Jungkook.
Na mesma cidade.
No mesmo momento.
Engoliu seco, encostando a cabeça no travesseiro.
Ela acordou se sentindo estranha. Como se ainda estivesse dentro do sonho, como se os olhos dele ainda estivessem nela.
Tentou esquecer.
Se arrumou devagar, prendendo o cabelo num coque solto, calçou o tênis preferido, e saiu pelas ruas de L.A. como se não tivesse sonhado com Jungkook pela quinta ou sexta vez naquele mês.
“Aff, ele nunca nem me viu… por que ele me olharia daquele jeito?” — pensou, irritada consigo mesma. — “Ele nem sabe que eu existo.”
Mas a verdade era que o sonho teimava em voltar. O jeito que ele a olhava, intenso, como se a reconhecesse, como se houvesse algo ali. Como se ele… soubesse.
Ela sacudiu a cabeça, bufando, e aumentou o volume da música no fone. Precisava parar com aquilo. Era só um sonho. Só mais um. Nada de especial.
As ruas de L.A. estavam movimentadas, mas nem tanto. Ela andava sem destino fixo, tentando se distrair, fotografando algumas fachadas, tomando um café gelado e rindo com uma vendedora que achou seu sotaque adorável.
Horas depois, quando o sol já começava a escorregar devagar pelas laterais dos prédios, ela caminhava de volta, distraída com o céu alaranjado, perdida nos próprios pensamentos. Seus passos se alinharam aos de outras pessoas enquanto todos se aproximavam de uma faixa de pedestres.
O sinal estava fechado.
Ela parou.
E ficou ali, esperando.
Olhos fixos na luz vermelha do semáforo.
Tão presa ao próprio mundo, que não ouviu os sussurros empolgados das pessoas ao redor.
— “São eles?”
— “Gente, olha ali! É o BTS…”
Ela não ouviu.
Só respirava fundo, tentando tirar da cabeça o olhar do sonho. O mesmo olhar que ainda pulsava como um eco.
A luz mudou.
Ela começou a andar, no automático.
Foi só quando levantou o rosto e olhou pra frente que o mundo parou.
Ali.
Ali, do outro lado da faixa, estava ele.
Jungkook.
Roupas simples, boné, máscara abaixo do queixo, ao lado de Jimin, Namjoon e Yoongi. O vento balançava levemente a barra do moletom dele. Mas o que congelou tudo não foi a presença… foi o olhar.
Porque ele também a olhava.
Fixamente.
Como se… soubesse.
Ela parou no meio da faixa, o coração batendo tão forte que mal podia ouvir mais nada. Tudo ficou em silêncio. Só havia ele. E os olhos dele. Iguais aos do sonho. Iguais demais.
“Não, não pode ser…”
“Ele… ele está me olhando. Mas ele não sabe quem eu sou. Por que ele tá me olhando assim?”
“Isso tá acontecendo? Isso tá mesmo acontecendo?”
E então…
O sinal ao lado mudou. O som de buzina cortou o ar.
Um carro dobrou a esquina e se aproximava com velocidade moderada — mas suficiente para machucar alguém parado no meio da rua.
Ela ouviu o barulho tarde demais.
Assustada, virou o rosto. O carro vinha em sua direção.
— “Moça! Sai daí!” — alguém gritou.
Mas antes que pudesse se mover, uma sombra se aproximou num impulso repentino.
Ele.
Jungkook.
Correu.
O boné quase caiu da cabeça, a expressão tensa, olhos arregalados. Sem pensar, atravessou a rua como se o mundo estivesse desabando.
E então, ele a puxou.
Com força.
O corpo dela foi lançado de volta para a calçada de onde tinha saído. Eles se desequilibraram. Ela escorregou, perdeu o equilíbrio. E ele, num reflexo rápido, virou o corpo para amortecer a queda.
As costas dele bateram no chão primeiro.
Um gemido surdo escapou dos lábios dele — mas ele nem ligou. O braço ainda firme em volta dela, protegendo.
Ela caiu por cima dele, os dois ofegantes, os corpos ainda entrelaçados como se o mundo estivesse em pausa.
E então, o silêncio.
O coração dela batia como um tambor dentro do peito. Ele respirava rápido, tentando entender o que tinha acabado de fazer. Mas não soltava. Nem por um segundo.
Seus rostos estavam tão próximos que ela podia contar os fios da sobrancelha dele. Sentia o cheiro da pele dele — um misto de sabonete, suor e adrenalina.
E os olhos dele…
Os olhos dele estavam nos dela.
De novo.
Com ainda mais intensidade.
Ela não conseguia falar. Nem se mexer. Estava completamente travada.
“Isso é real?…”
“Ele me segurou como se… como se já tivesse feito isso mil vezes.”
“Como ele sabia?”
E ele, ainda deitado no chão, sentia o peito subir e descer num ritmo frenético.
Ela estava ali.
A garota do sonho.
O rosto que só ontem tinha visto com clareza, pela primeira vez.
“É ela…”
“É ela.”
“É você…” — pensou, encarando-a como se o universo tivesse, enfim, desenhado sua resposta.
“Como isso é possível?”
Mas ele não soltou.
Nem mesmo agora.
Porque naquele instante, mesmo sem saber por quê, Jungkook sentia — no fundo, sentia com tudo que era — que ela precisava estar ali. Que eles estavam destinados a esse momento.
E isso…
Isso era só o começo.
Eita que eu tenho esses sonhos ein kkkk
Eu ja estaria com o coração disparado, certeza!!
Eu também estaria incrédula, qual a chance Brasil?
Que dorama é esse gente? To gag
Probabilidade 1 em 100
Qual a chance bicho? Eles tiveram um encontro de almas
[quote]Estava andando sozinha por uma rua desconhecida. A calçada era larga, os postes altos, as luzes amarelas. As vitrines refletiam seu rosto conforme ela passava. E então, ele apareceu. Como se fosse parte natural do cenário. De moletom escuro e boné, caminhava na direção contrária. Os olhos dele encontraram os dela, como se a reconhecessem.
Tipo de sonho que eu queria ter kkk
Ela tá vivendo o Dorama dos sonhos dela kkkk
[quote]E ele, ainda deitado no chão, sentia o peito subir e descer num ritmo frenético. Ela estava ali. A garota do sonho. O rosto que só ontem tinha visto com clareza, pela primeira vez.
Passada estou
Ele também sonhava com ela :O