Capítulo 11 – Distância
por FanfiqueiraEle entrou no carro, fechou a porta atrás de si, e encostou a cabeça no encosto.
O silêncio do carro parecia pesar mais do que o tráfego lá fora.
Droga… pensou, passando a mão pelo rosto.
Eu devia ter confiado nela. Mas… e se algo acontecesse?
Os pensamentos voltaram inevitavelmente para o corpo dela, para o calor da pele dela, para a suavidade dela nos braços dele.
Meu Deus… aquele beijo…
O jeito que ela se entregou… tão vulnerável… e eu… e eu queria ter cuidado com cada pedacinho dela.
Ele pegou o celular, abriu o chat.
Começou a digitar:
[Mensagem]
“Ei… eu só queria…”
Parou. Apagou.
Respirou fundo, sentindo o coração acelerar de novo.
A lembrança da manhã juntos, da intimidade, da entrega mútua, só aumentava a culpa e a preocupação.
Ela tá bem? Tá segura? Eu fui cuidadoso o suficiente?
Digitou outra tentativa:
[Mensagem]
“Só pra ter certeza… tá tudo bem depois de hoje?”
Mas algo dentro dele hesitou.
Lembrou do sorriso dela ao tomar o comprimido, do ele percebeu a reação dela.
Não… não vou colocar isso na cabeça dela agora. Ela precisa confiar… e eu também.
Apagou novamente.
Deixou o celular cair no colo. Fechou os olhos.
Respirou fundo, tentando acalmar o desejo que ainda pulsava pelo corpo dela, pelo toque, pelo cheiro, pelo calor que ele ainda podia sentir na própria pele.
Não… nada de mensagens agora.
Só vou… esperar.
A cabeça de Jungkook latejava.
O carro deslizava pela avenida iluminada de Los Angeles, e as luzes passavam rápido, borradas, como se o mundo estivesse em movimento e ele, parado por dentro.
Minha cabeça tá tão cheia… — pensou, afundando os dedos no cabelo. — Seria melhor se eu tivesse pedido pro hyung ficar. Ele pelo menos ia falar alguma coisa pra distrair.
Mas o banco do passageiro estava vazio.
E o silêncio só tornava tudo mais alto dentro dele.
Ele respirou fundo, apertou o volante e acelerou até o hotel.
Sabia que dormiria pouco — se dormisse.
Os dias seguintes foram lentos.
Quatro. Cinco. O tempo passando como se arrastasse os pés.
SN acordava sempre esperando algo.
Uma notificação.
Uma mensagem.
Um sinal.
Mas nada.
O telefone permanecia mudo.
Nem uma reação, nem um “bom dia”, nem mesmo um “oi”.
Às vezes, ela pegava o celular antes de dormir, abria a conversa, encarava o vazio da tela e suspirava.
Será que mando mensagem?
Será que eu devia quebrar o silêncio?
Mas o orgulho e a dúvida se misturavam, deixando os dedos parados sobre o teclado.
Ele realmente só queria aquilo?
Foi só mais uma noite pra ele?
O que eu sou pra ele, afinal?
No fundo, tentava se convencer de que não doía tanto.
Mas doía.
Do outro lado da cidade, Jungkook estava igual.
O mesmo chat aberto, a mesma tela em branco.
O mesmo vazio.
Será que ela acha que eu não confiei nela?
Será que magoei ela?
E se ela não quiser mais falar comigo?
Pensou em escrever algo simples, como:
[Mensagem não enviada]
“Ei, como você tá?”
Mas apagou.
Tentou outra:
[Mensagem não enviada]
“Tenho pensado em você.”
Apagou de novo.
Não… — suspirou. — Parece carência, parece culpa… e é culpa.
Encostou a cabeça no encosto do sofá e ficou olhando pro teto do quarto.
Dias e noites seguidas, com a mesma sensação de ter deixado algo precioso escapar por entre os dedos.
Num belo dia…
Ele a via de longe.
SN estava de costas, em um aeroporto, com o cabelo preso e a mala ao lado.
As luzes do embarque piscavam.
Ele tentava alcançá-la, mas as pernas pareciam pesadas, o chão, lento.
SN! — tentou gritar, mas a voz não saía.
Ela olhou pra trás — os olhos marejados — e acenou com um sorriso fraco antes de desaparecer pela porta.
A cena mudou.
De repente, ele estava no estúdio, sentado, e alguém o chamava, mas ele não ouvia.
Só via o telefone vibrar na mesa, com uma mensagem nova:
[Mensagem recebida]
“Foi lindo o que a gente viveu, mas era pra ser só isso, né?”
O peito dele apertou.
A respiração falhou.
Ele acordou suando, o coração disparado, com a sensação de que tinha realmente perdido ela.
Ficou sentado por longos minutos, encarando o nada.
Eu tô sonhando com ela de novo…
Será que ela tá bem?
Será que ainda pensa em mim, como eu penso nela?
Pegou o celular.
Abriu a conversa.
Os dedos tremeram.
Mas, mais uma vez… ele não escreveu nada.
Fechou o aplicativo, deixou o telefone de lado e se jogou de volta na cama, encarando o teto.
O corpo pesado, o coração leve e ao mesmo tempo inquieto.
Talvez amanhã.
Talvez amanhã eu mande mensagem.
Mas o amanhã sempre chegava — e ele nunca mandava.
No dia seguinte…
O sol de Los Angeles batia forte naquela manhã. O mar, azul e calmo, refletia o brilho dourado do céu, e o vento quente misturava o cheiro de sal e protetor solar.
Era um dos raros dias de folga.
Um dos pouquíssimos que o grupo tinha.
Namjoon estendia uma toalha na areia, Yoongi ajeitava o boné no rosto, Taehyung já estava com uma câmera em mãos, rindo de algo que Jimin dizia.
Jungkook tentava relaxar — de verdade —, mas a mente não colaborava.
“Era pra eu estar curtindo, pensou, olhando pro horizonte. Mas ainda quero ela, mesmo quando tento fugir.”
Pegou o celular, distraído, rolando os stories da conta secundária.
Parou.
Congelou.
SN.
Ali estava ela — sorrindo em uma sequência de vídeos, com o sol batendo no rosto, o cabelo preso em um coque frouxo e um copo de milkshake na mão. O local marcado? Um parque temático, a poucos quilômetros dali.
O coração dele acelerou.
Não pode ser…
Passou os vídeos de novo, prestando atenção nos detalhes do fundo.
As cores, as tendas, o letreiro — ele reconhecia aquele lugar.
E a legenda dela, simples, o atingiu de cheio:
“Me dei um presente: adrenalina e liberdade.”
Ele sentiu o estômago afundar.
Era o mesmo penteado do sonho.
A mesma roupa.
E, de algum jeito, o mesmo medo súbito: o de estar prestes a perdê-la de verdade.
— Hyung — chamou, virando-se para Namjoon. — Acho que vou dar uma saída rápida.
Namjoon arqueou a sobrancelha. — Agora? Você tá brincando, né? A gente acabou de chegar.
Taehyung riu, passando o braço pelo ombro dele. — Que foi? Tá com encontro marcado e não quer contar?
— Não é nada — Jungkook tentou disfarçar, calçando o chinelo. — Só preciso resolver uma coisa.
Yoongi levantou o olhar do celular, preguiçoso. — Você sempre fala isso.
— É, e depois some por horas — completou Jin, ajeitando os óculos escuros. — Você e aquela garota não tão mais saindo, né? Porque ultimamente ou você tá com a gente, ou tá trancado no quarto.
Jungkook travou por um segundo. — Eu… só preciso pensar um pouco. É isso.
Namjoon bufou. — Pensar? Sobre o quê?
Mas Jungkook já estava se afastando.
— Depois eu explico. Eu vejo vocês mais tarde, tá?
E foi.
O trânsito era leve. O carro avançava rápido pelas ruas largas, o vento entrando pelas janelas e bagunçando o cabelo dele.
Cada quarteirão que passava só aumentava o nó no estômago.
Quando estacionou no parque, o coração já batia como se fosse sair pela boca.
Entrou quase correndo, com o celular na mão, abrindo os stories dela de novo pra tentar reconhecer o cenário.
O som distante de gritos e trilhos de metal o guiou.
“Roda gigante… ela tá aqui.”
Seguiu o som, desviando das pessoas, e quando avistou o brinquedo, os olhos dele pararam.
SN.
De costas.
Na fila.
O mesmo coque.
A mesma blusa branca.
O mesmo jeans claro.
Exatamente como no sonho.
Por um instante, o tempo parou.
Não… não de novo.
Ela riu de algo — o som era abafado, mas ele reconheceria aquele riso em qualquer lugar.
Ao lado dela, um cara alto, bonito, de camiseta preta, falava algo e apontava pro alto. Provavelmente iriam juntos na mesma cabine.
O sangue dele gelou.
Não pode ser. Eu preciso falar com ela. Agora.
Correu. Literalmente.
Empurrou de leve algumas pessoas, pedindo licença, pedindo desculpas.
Mas quando estava a poucos metros dela, os funcionários já começavam a abrir a grade de embarque.
— Não, não, não! — murmurou, o coração disparado.
Sem pensar duas vezes, tirou a máscara. O boné. Até os óculos escuros.
As pessoas ao redor começaram a cochichar, reconhecendo-o.
Mas ele não ligou.
— Desculpa, deixa eu só passar aqui rapidinho, por favor! — disse para o atendente, que piscou duas vezes, confuso.
— Senhor, o senhor precisa esperar a sua vez…
— É importante! — Jungkook insistiu, já entrando pelo espaço estreito. — Eu só preciso falar com ela.
Ele se aproximou da cabine bem na hora em que o rapaz ao lado de SN estava prestes a entrar.
— Licença, irmão — disse, firme, com a respiração acelerada.
O cara arregalou os olhos, surpreso.
SN virou o rosto — e congelou ao vê-lo.
Antes que qualquer um deles pudesse reagir, o funcionário travou a trava de segurança, fechando a cabine.
Eles estavam presos ali.
Lado a lado.
O coração dela batia descompassado.
O dele, ainda mais.
E quando a cabine começou a subir lentamente o primeiro aclive da roda gigante, Jungkook percebeu que as mãos dele tremiam.
Não de medo da altura.
Mas do medo de perdê-la de novo.
“Dessa vez, não vou deixar você ir embora sem me ouvir.”
Tudo isso? Enquanto isso a coitada la sofrendo achando que ela não significava nada
O homem quando quer a mulher não tem jeito, ele larga tudo que ta fazendo e vai atrás !!
Meu deus isso é cena de dorama pqp
[quote]Os pensamentos voltaram inevitavelmente para o corpo dela, para o calor da pele dela, para a suavidade dela nos braços dele. Meu Deus… aquele beijo… O jeito que ela se entregou… tão vulnerável… e eu… e eu queria ter cuidado com cada pedacinho dela.
Pois é, mas achou melhor n confiar nela
[quote]Será que ela acha que eu não confiei nela? Será que magoei ela? E se ela não quiser mais falar comigo?
Será? Ele ainda tem dúvidas??
[quote]Ela riu de algo — o som era abafado, mas ele reconheceria aquele riso em qualquer lugar. Ao lado dela, um cara alto, bonito, de camiseta preta, falava algo e apontava pro alto. Provavelmente iriam juntos na mesma cabine.
Ativou o modo ciúmes do boy
E quando a cabine começou a subir lentamente o primeiro aclive da roda gigante, Jungkook percebeu que as mãos dele tremiam. Não de medo da altura. Mas do medo de perdê-la de novo.
Huuum, só assim pra tomar uma atitude