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Eles ainda estavam ali, entrelaçados na cama, os corpos nus misturados sob o lençol amarrotado. O quarto estava tomado por um silêncio doce, quebrado apenas pelo som leve da respiração dos dois. O toque dele ainda percorria a pele dela — lento, distraído — como se cada segundo fosse um lembrete do que acabara de acontecer.

Ela, deitada sobre o peito dele, traçava com os dedos desenhos invisíveis na pele quente e úmida de suor. Beijava o ombro dele às vezes, o queixo, o pescoço, e sorria de canto.

— Acho que fomos rápidos demais… — murmurou, sem levantar o olhar.

Ele soltou uma risadinha baixa, rouca, e passou a mão pelos cabelos dela, afastando uma mecha que caía no rosto.

— Rápidos? — repetiu, ainda com o sorriso preso na voz. — Você não tem noção do quanto tempo eu sonho com você. Do quanto eu esperei pra te ter aqui, de verdade. Pra poder te tocar… pra poder te beijar.

A voz dele foi ficando mais lenta, quase um sussurro. — Foram anos, talvez. Tempo suficiente pra não me fazer hesitar. Pelo menos não quando se trata de você.

Ela suspirou, sentindo o peito apertar de um jeito estranho. Depois afundou o rosto no peitoral dele, ainda úmido, tentando se esconder.

— Nossa… para com isso — disse baixinho, a voz abafada contra a pele dele. — Eu tô ficando sem graça.

Ele sorriu, sentindo o corpo dela se encolher levemente contra o dele.

— Por quê? — perguntou, a voz grave vibrando no peito. — Eu tô só dizendo a verdade.

Ela levantou um pouco a cabeça, os olhos brilhando sob a penumbra. Mordeu o lábio inferior, um riso sem jeito escapando.

— Você falando assim… até parece que tá apaixonado. Sendo que a gente se conheceu faz o quê? Três dias? Quatro, talvez? Acho que nem isso.

Ele não respondeu de imediato. Apenas ficou olhando pra ela, com aquele olhar que parecia atravessar qualquer defesa. Então segurou o rosto dela entre as mãos e roçou o polegar nos lábios ainda inchados.

— Às vezes… não precisa de muito tempo pra sentir algo real — murmurou. — Tem gente que a gente reconhece antes mesmo de conhecer.

E antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele se inclinou e a beijou de novo — devagar, profundo, sem pressa, como se quisesse provar que cada palavra dele era sincera.

O toque do despertador vibrou no criado-mudo, o som abafado contra o silêncio quente do quarto. Jungkook soltou um suspiro preguiçoso, os dedos ainda deslizando distraídos pelas costas dela. SN se mexeu, levantando o olhar — o cabelo bagunçado, o lençol escorrendo um pouco pelo ombro.

Ele olhou pra ela com aquele sorriso suave, quase sonolento, e perguntou:
— Você… vai fazer o quê hoje?

Ela demorou alguns segundos pra responder, observando o contorno do rosto dele, a forma como a luz entrava pelas frestas da cortina.
— Ah… não muito. — sorriu de leve. — Acho que só vou dar uma volta, conhecer um pouco de Los Angeles. Sempre quis, desde a adolescência, e agora finalmente tô me permitindo.

Jungkook assentiu devagar, com um olhar de quem guardava aquilo pra si, e depois respondeu, com a voz rouca de manhã:
— Eu tenho alguns compromissos. Mas assim que eu conseguir fugir… eu venho pra você.

Ela riu, o sorriso escapando antes mesmo de tentar disfarçar.
— Desse jeito eu vou me acostumar mal — murmurou, passando a ponta dos dedos pelo peito dele.

Ele arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Eu espero que sim. — respondeu, antes de se inclinar e roubar mais um beijo lento.

Depois se levantou, procurando as roupas espalhadas pelo quarto, vestindo a camiseta e a calça enquanto ela o observava, apoiada no cotovelo. 

Antes de sair, ele voltou até a cama, se abaixou e segurou o rosto dela com uma das mãos.
— Toma cuidado pra não se perder, tá? — disse, sorrindo. — Mas se acontecer alguma coisa, qualquer coisa, me manda mensagem. Ou me liga. Eu saio correndo da reunião se for preciso.

Ela soltou uma risada leve, balançando a cabeça.
— Você tá doido? Eu não vou te tirar de um compromisso de trabalho só porque me perdi em Los Angeles.

Ele riu também, mas com aquele olhar firme que entregava mais do que as palavras.
— Me tira, sim. — respondeu, encostando a testa na dela. — Porque se você se perder… eu quero ser o primeiro a te encontrar.

E então ele beijou a testa dela, antes de se endireitar, pegar o celular e sair, deixando o quarto ainda cheio do perfume dele e da sensação de que, de alguma forma, tudo aquilo ainda estava só começando.

O corredor estava silencioso quando Jungkook fechou a porta atrás de si.
O som do clique ecoou mais alto do que ele esperava — talvez porque ainda sentisse o coração acelerado.

Desceu pelo elevador em silêncio, ajeitando o capuz no rosto. Quando chegou ao carro, o segurança já o esperava com o motor ligado. Assim que Jungkook abriu a porta e entrou, o homem o encarou pelo retrovisor, com uma expressão impossível de decifrar.

— O que foi? — Jungkook perguntou, tentando soar natural.

O segurança ergueu uma sobrancelha, o canto da boca quase sorrindo.
— Nada, só… — ele balançou a cabeça devagar. — Eu sabia que você ia transar, cara.

Jungkook soltou o ar, afundando no banco, as orelhas queimando.
— Hyung, não fala nada. Só… só dirige, por favor.

O carro seguiu em silêncio por alguns segundos, até que o segurança tossiu de leve.
— Usou camisinha, né?

Jungkook travou. O olhar se desviou pra janela, o coração dando um salto desconfortável.
“Merda.”

— Aham. Claro. — respondeu rápido, tentando disfarçar.
Mas o pensamento o corroía: a gente não usou.

O silêncio voltou, mais pesado dessa vez. Ele olhou o celular na mão, os dedos inquietos. Como é que se perguntava uma coisa daquelas? Ei, você toma remédio? — parecia invasivo. Esqueci de usar proteção, e agora? — pior ainda.

Antes que digitasse qualquer coisa, o segurança olhou de novo pelo retrovisor, direto pra ele.
— Você não usou nada, né?

Jungkook piscou, pego de surpresa.
— Hã? Como assim—
— Te conheço, moleque. — o homem interrompeu, rindo baixo. — Da próxima vez, pensa antes. E agora manda mensagem pra ela. Pergunta. É melhor falar do que fingir que nada aconteceu.

Jungkook passou a mão no cabelo, respirou fundo e abriu o chat.
Os dedos hesitaram por um segundo antes de digitar:

Ei… eu sei que é estranho, mas eu preciso te perguntar uma coisa. A gente acabou esquecendo de usar proteção. Desculpa por isso. De verdade. Eu devia ter pensado nisso antes. Tá tudo bem?

A mensagem foi enviada, e ele ficou ali, olhando pra tela, sentindo o tempo demorar a passar.

Alguns minutos depois, o celular vibrou.

Tudo bem, não precisa se preocupar. Eu tomo injeção, nos dias certinhos. Antes da viagem, eu tomei, faz só alguns dias. Então tá tudo sob controle.

Mas… se você quiser se certificar de que tá tudo certo mesmo, eu tô disposta a fazer o que você achar melhor, tá?

Jungkook leu a mensagem mais de uma vez. O peso que carregava no peito pareceu aliviar, mas o sentimento de cuidado permaneceu.

Ele digitou devagar:

Obrigado por me falar isso. E, sério, desculpa de novo. Eu devia ter sido mais responsável.

Pausa.

Mas… mesmo assim, a gente vai junto. Pra garantir, tudo bem?

Ele guardou o celular, se recostou no banco e olhou pela janela, o reflexo da cidade passando rápido demais. Ainda estava sorrindo com a sensação de que, havia algo ali… algo que valia a pena cuidar.

SN ficou olhando para a tela do celular por mais tempo do que deveria.
A mensagem de Jungkook ainda acesa, as palavras ecoando baixinho na mente.

Mas… mesmo assim, a gente vai junto. Pra garantir, tudo bem?

Ela mordeu o lábio inferior, devagar, sem nem perceber.
O coração ainda leve — mas agora misturado com uma pontinha de desconforto.

— Claro que tudo bem… — murmurou pra si, encostando o celular na perna nua, ainda deitada entre os lençóis amassados.

Era compreensível. Era o certo. Ela sabia.
Mas, ao mesmo tempo… algo dentro dela doía um pouco.

Por que ele não simplesmente confiou?

Fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
Não era orgulho. Era mais aquela vontade boba de sentir que ele acreditava nela — nas palavras, no cuidado, em tudo.
Mas ele estava sendo responsável, ela repetiu mentalmente. 

— Tá tudo bem… — sussurrou de novo, mais pra convencer o próprio coração do que por convicção.

Pegou o celular, olhou a foto de perfil dele na conversa e, antes que a vontade de responder qualquer coisa a mais aparecesse, bloqueou a tela.
Deixou o aparelho na mesinha de cabeceira, virou de lado e se cobriu até o ombro.

Por alguns segundos, ficou apenas ali, ouvindo o som distante da cidade acordando lá fora.
Pensando no toque dele. No cheiro dele ainda na pele.
E no quanto, mesmo sem querer, ele já tinha virado parte dos pensamentos dela.

8 Comentários

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  1. Iasmine
    Feb 22, '26 at 11:26 am

    A voz dele foi ficando mais lenta, quase um sussurro. — Foram anos, talvez. Tempo suficiente pra não me fazer hesitar. Pelo menos não quando se trata de você.

    Ele tem um ponto, pq vc sonha com a pessoa há anos e quando vc tem uma oportunidade, tu só se joga

  2. Iasmine
    Feb 22, '26 at 11:27 am

    O segurança ergueu uma sobrancelha, o canto da boca quase sorrindo. — Nada, só… — ele balançou a cabeça devagar. — Eu sabia que você ia transar, cara.

    Kkkkkkkkk eu amo esse segurança, ele fala na lata

  3. Iasmine
    Feb 22, '26 at 11:28 am

    Jungkook piscou, pego de surpresa. — Hã? Como assim— — Te conheço, moleque. — o homem interrompeu, rindo baixo. — Da próxima vez, pensa antes. E agora manda mensagem pra ela. Pergunta. É melhor falar do que fingir que nada aconteceu.

    Meu deus ele é um querido kkkkkk e jeykey sem juízo

  4. Iasmine
    Feb 22, '26 at 11:29 am

    Por que ele não simplesmente confiou?

    Apesar de tudo, ele tem que ser cuidadoso, pq literalmente acabaram de se conhecer

  5. Marcela
    Feb 22, '26 at 5:37 pm

    [quote]— Às vezes… não precisa de muito tempo pra sentir algo real — murmurou. — Tem gente que a gente reconhece antes mesmo de conhecer.

    Pois é!! Se tem uma coisa que ele já está, é apaixonado

  6. Marcela
    Feb 22, '26 at 5:42 pm

    [quote]Jungkook assentiu devagar, com um olhar de quem guardava aquilo pra si, e depois respondeu, com a voz rouca de manhã: — Eu tenho alguns compromissos. Mas assim que eu conseguir fugir… eu venho pra você.

    Ele conseguiu ficar mas apaixonado por ela, do que ela por ele

  7. Marcela
    Feb 22, '26 at 5:49 pm

    [quote]Ele riu também, mas com aquele olhar firme que entregava mais do que as palavras. — Me tira, sim. — respondeu, encostando a testa na dela. — Porque se você se perder… eu quero ser o primeiro a te encontrar.

    A paixão me pegou, tentei escapar não conseguir
    Kkkkkkk ( Sorry)

  8. Marcela
    Feb 22, '26 at 5:52 pm

    [quote]O segurança ergueu uma sobrancelha, o canto da boca quase sorrindo. — Nada, só… — ele balançou a cabeça devagar. — Eu sabia que você ia transar, cara

    O segurando sentiu o cheiro de putaria no ar
    Kkkk

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