Capítulo 4 – Curvas Que Aproximam
por FanfiqueiraO silêncio entre eles ainda pairava, denso, carregado de algo que nenhum dos dois conseguia nomear. As palavras de Jungkook ainda estavam ali no ar:
— Eu não olho assim pra todo mundo.
SN desviou o olhar, tentando acalmar o coração que batia forte no peito, como se o simples fato de estar sentada ao lado dele fosse demais. Queria responder algo inteligente, leve, talvez engraçado… mas o cérebro simplesmente não colaborava.
A van fazia uma curva suave, até que, do nada, um ciclista atravessou na frente de maneira abrupta. O motorista, com reflexo rápido, girou o volante bruscamente para evitar o acidente.
— Whoa! — gritou um dos seguranças na frente.
O veículo deu uma chacoalhada forte para a esquerda, e SN, distraída, não teve tempo de se firmar. O corpo dela foi lançado para o lado com a força do movimento.
Direto contra o dele.
— Ah! — um pequeno som de surpresa escapou dos lábios dela quando caiu quase por completo no peito de Jungkook.
Ele reagiu instintivamente, envolvendo os braços ao redor dela para amortecer o impacto. O peito firme, o calor que irradiava dele, o cheiro inconfundível do perfume suave misturado com algo só dele… tudo a envolveu de uma vez, fazendo o mundo lá fora sumir por um instante.
Por um segundo — longo, constrangedor e inesperadamente íntimo — ela ficou ali, praticamente deitada sobre ele, sentindo a respiração acelerada bater contra a lateral do seu rosto.
Os olhos de Jungkook se arregalaram, o corpo inteiro tenso, a mente em alerta.
“Calma… só segura. Ela vai se ajeitar.”
“Não faz nada estúpido.”
“Por que isso parece tão… natural?”
SN se afastou rápido, corada, tentando recuperar o controle da própria expressão.
— Desculpa! — disse depressa, arrumando o cabelo, a voz tropeçando na pressa. — Foi o… o freio. Eu juro que não me joguei em você, tá?
Jungkook soltou uma risada nasalar curta, quase sem fôlego, coçando a nuca com a mão livre.
— Eu percebi… — respondeu com um sorriso de canto, tentando disfarçar o quanto estava afetado. — Mas se jogasse, acho que eu nem reclamaria.
Ela o encarou surpresa.
Um sorriso escapou dos dois ao mesmo tempo. Mas havia algo diferente ali. Algo que nenhuma curva brusca conseguiria desviar.
A van seguia pelas ruas de Los Angeles, agora mais devagar, após o susto da freada.
Na parte da frente, onde Namjoon, Yoongi, Jimin e alguns seguranças estavam sentados, o ambiente ganhou um ar silenciosamente conspiratório.
Jimin, sempre atento — e o mais bisbilhoteiro de todos — virou discretamente o rosto ao ouvir a frase de Jungkook.
“Mas se jogasse, acho que eu nem reclamaria.”
Os olhos dele se arregalaram. O canto da boca subiu num sorriso lento. Ele cutucou Yoongi com o cotovelo.
— Hm? — murmurou Yoongi sem levantar a cabeça.
— Ele disse que não reclamaria… — sussurrou Jimin, quase rindo.
Namjoon, que fingia olhar o celular, ergueu a sobrancelha e deixou escapar um som abafado, entre uma risada e uma tosse disfarçada.
— Já estão flertando? — murmurou sem virar.
— Nem parecem dois estranhos — completou Yoongi, num tom baixo e ácido.
— Ou parecem gente que se conhece faz anos… — concluiu Jimin, observando o reflexo da janela.
Os três trocaram olhares cúmplices, mas nenhum ousou virar totalmente para não chamar atenção.
Enquanto isso, lá no fundo, Jungkook ainda tentava controlar o calor que subia pela nuca. Olhou de canto para SN, torcendo para que ela não tivesse levado sua resposta a sério demais. Ou talvez desejando que tivesse levado… ele mesmo não sabia o que queria.
SN ainda ajeitava o cabelo quando lançou um olhar tímido, mas carregado de provocação:
— Talvez… eu não espere uma próxima curva brusca então.
Jungkook virou o rosto devagar, como se precisasse confirmar se tinha ouvido certo. Os olhos se estreitaram levemente, e um sorriso lento, perigoso, surgiu em seus lábios.
— Isso foi… ousado — disse baixo, rindo curto. — E corajoso.
Ela apenas sorriu, desviando o olhar para a janela, como se não tivesse acabado de acender um fósforo dentro de um barril de gasolina.
Na frente, Jimin engasgou tentando segurar o riso.
Namjoon murmurou, resignado:
— Isso vai dar merda.
Yoongi cruzou os braços e completou com calma:
— Não sei se vai dar merda… mas que vai dar algo, vai.
A van estacionou em frente ao hotel dos meninos.
O prédio era luxuoso, de fachada espelhada, com um pequeno grupo de fãs reunido do outro lado da rua, contidas por uma barreira discreta de segurança. Os homens da BigHit saíram primeiro, analisando o perímetro, enquanto os membros se preparavam para descer.
Jimin foi o primeiro a colocar os óculos escuros e ajeitar o boné.
Yoongi apenas bufou.
— Não acredito que ainda tem gente aqui. Como descobriram tão rápido?
Namjoon, já com a mochila no ombro, olhou para trás e murmurou:
— Câmeras, celulares, sorte e… provavelmente o destino.
Ele disse isso olhando diretamente para Jungkook — que continuava sentado no fundo da van, ao lado da SN, como se ainda não tivesse terminado o que começou ali dentro.
Os membros começaram a sair um por um, seguindo os seguranças.
Quando ela também se mexeu, procurando discretamente a bolsa, Jungkook virou-se para ela, o tom baixo, mas firme:
— A gente te deixa no seu hotel.
Ela riu de leve, negando com a cabeça.
— Não precisa, de verdade. É ali perto, posso ir andando. Tá tudo bem.
— Eu insisto. — O olhar dele a prendeu antes que qualquer outra palavra escapasse. — Não quero que você vá sozinha depois do que aconteceu.
SN respirou fundo. Queria responder algo inteligente, mas o jeito como ele a olhava… como se fosse responsável por ela, mesmo que ainda não fizesse sentido… desarmava qualquer argumento.
Jungkook virou-se para os seguranças:
— Descubram onde é o hotel dela. — Disse, entregando o papel que ela deu com o endereço.
Um dos homens, ligeiramente surpreso, assentiu e começou a verificar rotas no celular.
Lá fora, Namjoon, Yoongi e Jimin já esperavam na entrada do hotel, mas perceberam que Jungkook não saía da van.
— O que ele tá fazendo lá dentro ainda? — Jimin murmurou.
— Vai acompanhar a garota até o hotel dela — respondeu um dos staff, sem dar muita importância.
— Hm? — Yoongi ergueu a sobrancelha.
Namjoon cruzou os braços, observando de longe, a expressão tranquila, mas os olhos atentos.
— Ele quer saber onde ela tá hospedada — comentou Yoongi, provocativo. — Curioso, não?
Jimin sorriu.
— Eu acho que ele não quer que ela desapareça. Vai que era só um sonho mesmo e ela some quando ele acordar.
Namjoon suspirou.
— Deixa ele. Mas já vi onde isso vai dar…
Dentro da van, um dos seguranças se aproximou da porta lateral aberta.
— Jungkook-ssi, vamos?
Jungkook não desviou os olhos dela.
— Eu vou com ela até o hotel dela. A gente se encontra depois.
O segurança hesitou por um segundo, mas assentiu.
SN o encarava, o coração martelava no peito, sem entender o que aquilo significava.
— Você é sempre assim com estranhas? — arriscou.
Ele olhou pela janela rapidamente e voltou os olhos para ela.
— Só quando elas quase são atropeladas. Ou quando… sei lá. Tem alguma coisa nelas que me impede de ir embora.
SN sorriu, surpresa. E dessa vez, não respondeu.
Quando a van parou suavemente em frente ao prédio onde ela estava hospedada, Jungkook observou o local pela janela e depois voltou-se lentamente para ela, como se cada segundo antes da separação precisasse ser medido.
Ela respirou fundo, forçando um sorriso leve para quebrar a tensão.
— Bom… é aqui. — Pegou a bolsa com cuidado. — Obrigada por me trazer. Mesmo. Você não precisava.
— Eu sei. — Ele falou quase em um sussurro. — Mas eu queria.
Ela assentiu, hesitando antes de abrir a porta.
— Boa noite, Jungkook.
— Boa noite, SN.
Ela desceu devagar, sentindo o ar noturno tocar o rosto como um lembrete de que estava acordada, mesmo que tudo ainda parecesse um sonho. Assim que atravessou o pequeno portão lateral, o segurança do prédio puxou a grade com suavidade. A porta da van se fechou logo em seguida.
O silêncio caiu. Por três segundos.
Até que Jungkook deixou escapar:
— Merda.
Antes que a van arrancasse, ele bateu na lateral interna.
— Hyung, espera!
O motorista freou. Jungkook abriu a porta de um impulso, inclinando-se para fora. Os olhos já vasculhavam a entrada do prédio.
— SN! — chamou.
Ela, que ainda caminhava pra dentro do Hotel, virou-se surpresa, os olhos arregalados.
Ele respirou fundo. Por um instante, pareceu nervoso.
— Você pode… me passar seu número?
Ela piscou, confusa.
— Meu número?
— É, só por garantia. Vai que você realmente se machucou. Ou… sei lá, se começar a sentir dor depois. Só pra eu acompanhar.
Dois segundos de silêncio se estenderam entre eles. Então, SN riu, surpresa.
— Tá. Me dá seu celular.
Ele estendeu o aparelho, já com a tela aberta no campo de “Novo contato”.
SN digitou devagar, salvou e ainda acrescentou ao lado do nome:
SN ☁️
Devolveu o celular.
— Pronto.
— Obrigado. — Ele sorriu de canto. — Cuida da sua mão… e das curvas também.
Ela ergueu uma sobrancelha, divertida.
— Cuida das suas costas…
Jungkook riu, abaixando a cabeça, o sorriso agora entregue.
A porta da van se fechou outra vez.
E, desta vez, ela realmente sumiu da vista dele.
Mas agora… estava gravada na memória.
E no celular também.
Eita como ele é atacante, mais abertura que essa impossível
Uma troca de flete assim descarado, sem nem pensar
Depois muitos sonhos, ele não podia perder essa oportunidade, ainda mais L.A
Ou eu queira fazer algumas coisas com vc, sabe meio que dar uns beijos kkkkkk
[quote]— Eu percebi… — respondeu com um sorriso de canto, tentando disfarçar o quanto estava afetado. — Mas se jogasse, acho que eu nem reclamaria.
Agora, quem tava precisando de freio era ele kkkkkkkkkkk
Kkkkk fiscalizando e fofocando ( de olho em tudo)
Vai dá nao, já deu kkkkk
[quote]— Eu acho que ele não quer que ela desapareça. Vai que era só um sonho mesmo e ela some quando ele acordar.
Na cabeça dele, era exatamente isso