Capítulo 7 – O Peso do Regresso
por FanfiqueiraA mesa pequena da cozinha parecia maior do que realmente era, separada por um abismo de silêncio denso. As duas tigelas de arroz e ensopado fumegavam no centro, mas o aroma apetitoso da comida caseira mal conseguia distrair Hoseok do redemoinho que se formara em sua cabeça.
Ele segurava os talheres com um cuidado quase cirúrgico, mantendo os olhos cravados no próprio prato. Cada movimento seu parecia travado, ensaiado. Na sua mente, desenhava-se em loop a imagem perturbadora do vídeo: a curva das suas costas, o tom da própria voz ecoando graves e intimidades pelos fones, a entrega absoluta de vocês dois. A cada garfada, ele sentia o sangue subir quente pelas bochechas, o calor se espalhando até as pontas das orelhas.
Você, do outro lado da mesa, o observava em silêncio. A forma como ele segurava o hashis, o desvio constante do olhar, a postura rígida de quem parecia prestar contas a um tribunal invisível… nada daquilo pertencia ao Hoseok que você conhecia. O seu Hope era expansivo, falava de boca cheia quando estava com fome, roubava a carne do seu prato e ria das próprias piadas. O homem à sua frente parecia um hóspede tímido e morrendo de vergonha.
— A comida está ruim? — você perguntou suavemente, quebrando o silêncio e deixando os seus próprios talheres descansarem sobre a mesa.
Hoseok deu um leve sobressalto, erguendo os olhos rápido demais antes de desviá-los novamente para a tigela.
— Não! Não, de jeito nenhum — ele respondeu rápido, a voz falhando um pouco na primeira sílaba. — Está… está maravilhosa. Sério.
— Então por que você parece que está almoçando com uma estranha? — você deu um sorriso fraco, carregado de uma tristeza sutil. — Você mal olhou na minha cara desde que saiu do banheiro.
Ele engoliu em seco, sentindo a garganta seca. Se você soubesse o motivo exato de ele não conseguir encarar o seu rosto sem imaginar você completamente nua sobre os lençóis daquele quarto, provavelmente o expulsaria da casa.
— Eu só… ainda estou tentando me colocar no lugar — ele mentiu, embora a frase carregasse uma camada involuntária de verdade. — Minha cabeça está meio pesada hoje. Desculpa.
Você soltou um longo suspiro, a rigidez dos seus ombros cedendo um pouco. Estendeu a mão por cima da mesa, buscando a dele. Quando a ponta dos seus dedos quentes tocou a pele das costas da mão dele, Hoseok enrijeceu por um fração de segundo, mas fez um esforço consciente para não puxar o braço. Ele virou a palma para cima e deixou que você entrelaçasse seus dedos nos dele.
— Não precisa pedir desculpa — você disse, os olhos fixos nos dele, sustentando um olhar tão profundo e zeloso que fez o peito dele doer. — Eu só quero que você esteja aqui. De verdade.
Hoseok assentiu lentamente, apertando a sua mão com uma delicadeza insegura.
Após o almoço, a tarefa de recolher a mesa e lavar a louça acabou sendo uma dança silenciosa de gestos contidos. Ele insistiu em ajudar, secando os pratos enquanto você lavava, mantendo um espaço prudente entre os corpos para evitar qualquer esbarrão acidental. A intimidade visual que ele roubara da galeria do telefone agia como uma barreira eletrizada: ele queria se aproximar, mas o pavor de parecer um impostor abusado o mantinha a um passo de distância.
Quando terminaram, o apartamento foi tomado por aquela modorra típica do início da tarde. A luz que entrava pelas janelas começava a desacelerar, espalhando uma penumbra aconchegante pela sala.
Hoseok caminhou até o sofá. O corpo pesava, exausto do estresse emocional das últimas vinte e quatro horas, da viagem dimensional absurda e do sobressalto sensorial que tivera mais cedo. Ele se acomodou no estofado surrado, encostando as costas com firmeza no braço do sofá, esticando as pernas ao longo do assento. Fechou os olhos por alguns segundos, massageando as pálpebras, tentando desacelerar o ritmo cardíaco.
O som suave dos seus passos no taco de madeira o fez abrir os olhos.
Você se aproximava devagar, vestindo a mesma camiseta cinza dele que cobria parte das suas coxas. Sem pedir licença — com a naturalidade de quem fizera aquilo mil vezes —, você se acomodou no espaço entre as pernas dele. Você se deitou de costas, apoiando a sua cabeça e os seus ombros diretamente no peito dele, encaixando o seu corpo no dele como se fossem duas peças feitas sob medida.
Hoseok travou a respiração instantaneamente.
O peso leve do seu corpo contra o dele, o cheiro de lavanda do seu shampoo invadindo o nariz dele, a proximidade física inegável… tudo isso fez o coração dele dar um salto violento contra as costelas. Ele ficou imóvel, os braços pairando no ar por um segundo, sem saber exatamente onde colocá-los sem parecer artificial.
— Posso ficar aqui um pouco? — você perguntou com a voz abafada, ajeitando o rosto no vão do pescoço dele, buscando o calor da pele dele.
— P-pode… claro que pode — ele gaguejou baixo, a voz rouca.
Lentamente, vencendo a própria trava interior, Hoseok deixou que o braço esquerdo contornasse a sua cintura, trazendo você um pouco mais para perto. A mão direita dele, ainda hesitationante, subiu devagar até o seu cabelo. Ele afundou os dedos nos seus fios macios, começando um carinho ritmado no topo da sua cabeça, descendo pela nuca com a ponta dos dedos.
Um suspiro profundo e audível escapou dos seus lábios. O som foi tão carregado de alívio que Hoseok sentiu um arrepio percorrer toda a sua espinha.
À medida que os minutos passavam no silêncio da sala, o movimento dos dedos dele foi ficando mais fluido, mais natural. A tensão muscular que o mantinha rígido começou a se dissolver. A sensação do seu corpo relaxando completamente sobre o dele despertava um instinto antigo e adormecido em Hoseok — não o de astro do K-pop que precisava performar perfeição para milhões, mas o de um homem que simplesmente desejava proteger e acolher alguém.
O ritmo do carinho dele tornou-se quase hipnótico. Ele deslizava os dedos pelo seu cabelo, contornando a sua orelha, sentindo a sua respiração ficar cada vez mais calma e ritmada contra o peito dele. Naquele momento, todas as dúvidas sobre universos paralelos, espelhos e vídeos íntimos pareceram ficar do lado de fora da janela. Existia apenas o peso morno do seu corpo e a sensação avassaladora de que estar ali, confortando você, era a coisa mais certa que ele já fizera em toda a sua vida.
Você se mexeu levemente, roçando o nariz na pele do pescoço dele, e se aconchegou ainda mais fundo no abraço dele, abraçando a cintura dele com um dos braços.
— Hm… — você murmurou, a voz manhosa e sonolenta, quentinha contra a pele dele. — Eu estava com tanto medo, Hobi…
Hoseok parou a mão por um milissegundo, o peito subindo em uma respiração funda antes de retomar o carinho ritmado.
— Medo de quê? — ele perguntou em um sussurro quase inaudível, temendo quebrar o encanto daquele momento.
— Medo de ter te perdido de verdade — você respondeu, apertando o abraço na cintura dele, puxando o ar com vontade, como se estivesse se embebedando do cheiro dele. — De você ter se fechado num lugar onde eu não conseguia mais te alcançar. Eu senti tanto a sua falta entre ontem e hoje… parecia que você estava a quilômetros de distância, mesmo estando na mesma cama.
As palavras caíram sobre o peito dele com o peso de uma verdade dolorosa. Ele sabia que o homem que ela perdera momentaneamente não era ele, mas sim a versão daquele universo. No entanto, ouvir aquilo dito com tanta vulnerabilidade fez algo quebrar delicadamente dentro do peito de Hoseok. Ele inclinou levemente a cabeça para baixo, encostando os lábios no topo da sua cabeça, selando um beijo demorado e carinhoso no seu cabelo.
— Eu estou aqui agora — ele murmurou contra os seus fios, deixando que a verdade daquela frase o envolvesse. — Eu estou bem aqui.
Você soltou outro suspiro longo, relaxando cada músculo do corpo contra o dele, entregando todo o seu peso e a sua confiança ao abraço daquele homem.
— Obrigada por voltar para mim, meu amor — você sussurrou, a voz embargada por um alívio puro e sincero. — Eu senti tanto a sua falta.
As palavras ecoaram na sala silenciosa como uma promessa irrevogável.
Hoseok congelou o movimento dos dedos em seu cabelo por um segundo. Aquelas poucas palavras — obrigada por voltar para mim, meu amor — atravessaram a sua alma com a força de um impacto real. Não havia maquiagem, não havia holofotes, não havia o grito de milhares de fãs em um estádio lotado. Havia apenas uma mulher, em um domingo simples, agradecendo do fundo do coração pelo retorno do homem que ela amava.
Uma onda avassaladora de calor e emoção subiu pela garganta dele, queimando seus olhos com lágrimas contidas. O coração dele martelou forte contra as suas costas, um ritmo descontrolado e denso. Ele não respondeu com palavras; não conseguiria, pois a voz certamente falharia.
Em vez disso, Hoseok apenas fechou os olhos com força, apertou os braços ao redor da sua cintura, puxando você para ainda mais perto do seu peito, e continuou o carinho no seu cabelo com uma devoção renovada e desesperada, sentindo a responsabilidade e o peso sagrado daquele amor repousando inteiramente em seus braços.
[quote]Ele segurava os talheres com um cuidado quase cirúrgico, mantendo os olhos cravados no próprio prato. Cada movimento seu parecia travado, ensaiado. Na sua mente, desenhava-se em loop a imagem perturbadora do vídeo: a curva das suas costas, o tom da própria voz ecoando graves e intimidades pelos fones, a entrega absoluta de vocês dois. A cada garfada, ele sentia o sangue subir quente pelas bochechas, o calor se espalhando até as pontas das orelhas.
Acendeu o fogo, n foi neném??
[quote]— P-pode… claro que pode — ele gaguejou baixo, a voz rouca.
Vai Hoseok, pra cima kkkkk
[quote]— Medo de ter te perdido de verdade — você respondeu, apertando o abraço na cintura dele, puxando o ar com vontade, como se estivesse se embebedando do cheiro dele. — De você ter se fechado num lugar onde eu não conseguia mais te alcançar. Eu senti tanto a sua falta entre ontem e hoje… parecia que você estava a quilômetros de distância, mesmo estando na mesma cama.
Caramba Hoseok, que situação
[quote]— Obrigada por voltar para mim, meu amor — você sussurrou, a voz embargada por um alívio puro e sincero. — Eu senti tanto a sua falta.
Ela ama muito ele, e ele tá sentindo isso e gostando
(Msm sabendo que n é a pessoa que ela acha que é)
Pq ele é um estranho que ta de pau duro por causa de vc kkkkkkk
O bicho nem respira a tensão sexual fortíssima no ambiente
Mulher mais um pouquinho ele desiste de voltar pro mundo dele
Ele ta se apaixonando e nem se ligou