Capítulo 19 – Dias sem você
por FanfiqueiraO primeiro raio de sol da manhã atravessou a fresta da cortina, cortando a penumbra do quarto com um feixe dourado. S/N despertou num baque seco, o peito arfando enquanto os olhos se abriam em pânico puro. O sobressalto instintivo de quem acorda esperando encontrar o vazio fez seu corpo projetar-se para a frente, as mãos tateando o colchão com desespero.
Mas ela não encontrou o lençol frio. Seus dedos chocaram-se contra o peito aquecido de Hoseok.
Ele ainda estava ali.
Um suspiro trêmulo e rasgado escapou dos lábios dela. Sem hesitar um único segundo, S/N projetou-se sobre ele, agarrando a gola da blusa dele com tanta força que os nós de seus dedos ficaram pálidos. Ela enterrou o rosto na curva do pescoço dele, encolhendo-se contra o seu corpo como se tentasse se esconder do mundo exterior, inspirando o perfume familiar que preenchia o ar. O medo de que ele fosse apenas uma ilusão evaporava a cada batida firme do coração dele contra as suas costelas.
— Ei… calma, meu amor. Eu tô aqui — Hoseok murmurou com a voz rouca pelo sono, envolvendo-a instantaneamente em seus braços. Ele a puxou para mais perto, cobrindo-a com o próprio corpo, passando as mãos pelas costas dela em carícias lentas e protetoras. — Eu tô aqui. Não vou a lugar nenhum.
Ele afastou delicadamente as mechas de cabelo que cobriam o rosto dela, inclinando-se para selar seus lábios num beijo calmo e profundo. O toque inicial de carinho transformou-se rapidamente à medida que a urgência acumulada por dias de ausência tomava conta do espaço. S/N correspondeu com intensidade, puxando-o pela nuca, colando seu corpo ao dele sem deixar margem para qualquer distância. O beijo esquentou, tornando-se denso, ávido e carregado de uma saudade dolorosa. As mãos de Hoseok firmaram-se na cintura dela, a respiração de ambos desregulando-se enquanto a entrega mútua acendia um calor avassalador no quarto escuro.
Quando o ar se fez estritamente necessário, Hoseok interrompeu o beijo devagar, deslizando os lábios pela bochecha quente dela até encostar a testa na dela. Ele manteve os olhos fechados por alguns segundos, ajustando o ritmo do próprio peito que subia e descia desordenado.
— Você precisa comer — Hoseok murmurou baixinho, a voz grave ressoando contra a pele dela. Ele abriu os olhos, encarando-a com um olhar terno, mas firme. — Eu comprei algumas coisas pra você.
S/N piscou algumas vezes, a mente ainda envoada pelo calor do momento. O cenho dela se franziu em pura confusão. Ela o encarou fixamente, sem compreender a lógica daquela frase.
— Comprou? — perguntou ela, a voz fraca e confusa. — Quando? Como… se você não saiu daqui?
Hoseok soltou um riso fraco, deslizando o polegar pela bochecha macia dela.
— Ontem à noite, enquanto você dormia. Eu vi que a geladeira tava vazia e fiquei com medo de você acordar de madrugada com fome. Fiz um pedido pelo celular pra garantir que você tivesse algo de verdade pra se alimentar. Mas já que você acordou agora de manhã, você vai comer agora.
Ela continuou olhando para ele por um instante, absorvendo o cuidado silencioso e a atenção aos detalhes que ele demonstrara enquanto ela estava entregue ao cansaço. Um esboço de sorriso surgiu no canto de seus lábios, embora a fraqueza física ainda pesasse sobre seus ombros.
— Você não precisava ter se preocupado com isso… — sussurrou ela.
— Claro que precisava — rebateu ele, sem dar margem para discussão. — Agora, vem. Sem desculpas.
Hoseok se levantou primeiro, estendendo a mão para ela. S/N aceitou o apoio, deixando-se guiar para fora da cama. Suas pernas ainda pareciam levemente bambas, mas a presença dele ao seu lado servia como uma âncora sólida. Ele a acompanhou a passos lentos pelo corredor até a sala de estar, que agora se encontrava organizada, sem a bagunça do dia anterior.
Sobre a mesa de jantar, o pacote de refeições que ele buscara na madrugada permanecia lacrado. Hoseok puxou uma das cadeiras para que S/N se sentasse e começou a desempacotar as embalagens, servindo um caldo quente, pães frescos e suco em pratos e copos limpos.
— Pronto. Quero ver você comer tudo — disse ele, sentando-se na cadeira ao lado e empurrando o prato delicadamente na direção dela.
S/N olhou para a quantidade de comida disposta na mesa e depois para Hoseok, que apenas a observava com os braços cruzados sobre o tampo de madeira.
— É muita coisa pra mim — disse ela, pegando um dos pães e cortando ao meio. She estendeu a outra metade para ele. — Come comigo.
Hoseok balançou a cabeça suavemente, recusando o alimento com um gesto de mão.
— Pode comer, meu amor. Eu tô bem, já comi mais cedo.
A afirmação era uma mentira absoluta. Ele não havia colocado uma única colher de comida na boca, e seu estômago estava completamente vazio. No entanto, a ansiedade acumulada e a tensão nervosa que ainda dominavam seu corpo anulavam qualquer sinal de fome física. Naquele momento, ver S/N se nutrindo e recuperando as forças era a única prioridade que seu cérebro conseguia processar.
S/N o observou por alguns segundos, desconfiada, mas acabou cedendo diante do olhar insistente dele. Começou a comer devagar, sentindo o alimento morno devolver aos poucos a energia ao seu corpo exausto. Hoseok permaneceu ao seu lado o tempo todo, servindo-lhe água e acompanhando cada movimento com um olhar atento e protetor.
À medida que a fraqueza dava lugar a uma clareza maior, as dúvidas reprimidas durante a noite voltaram à tona na mente de S/N. Ela pousou os talheres sobre a mesa, limpou os lábios com o guardanapo e virou-se de frente para ele, o olhar fixo e curioso.
— Hoseok… — começou ela, a voz adotando um tom hesitante. — Me explica uma coisa. O que era aquilo que você falou ontem? Aquele negócio de outro mundo, de show, de me ver numa plateia… O que significa tudo aquilo?
Ele forçou uma expressão relaxada, soltando um suspiro leve e balançando a cabeça como se descartasse um pensamento tolo.
— Ah, aquilo? — Hoseok deu um sorriso sereno, inclinando-se para segurar a mão dela sobre a mesa. — Esquece isso, S/N. Eu devo ter sonhado com alguma coisa parecida e, misturei as coisas. Não era nada demais.
S/N encarou os olhos dele, procurando qualquer sinal de hesitação. A explicação parecia distante, mas a presença física dele ali, segurando sua mão com calor e firmeza, era a única realidade que realmente lhe importava.
Um sorriso genuíno e calmo finalmente floresceu em seu rosto.
— Tá bom — disse ela, apertando os dedos dele de volta. — Se você tá dizendo que foi só um sonho, eu acredito. Desde que você não volte mais para onde tinha ido… desde que você fique aqui comigo, nada disso importa.
— Eu vou ficar aqui — prometeu ele, selando a afirmação com um beijo rápido no dorso da mão dela.
No entanto, o silêncio que se seguiu trouxe à tona o outro lado daquela equação. Hoseok olhou para o rosto dela, notando as marcas profundas de cansaço sob os olhos e a palidez que ainda resistia na pele. A imagem do quarto bagunçado, da casa às escuras e, acima de tudo, da cartela de remédios para dormir quase vazia na mesinha de cabeceira retornou à sua mente com a força de um soco.
Ele pigarreou, suavizando a voz ao máximo antes de fazer a pergunta que remoía seu peito.
— S/N… o que aconteceu aqui enquanto eu tive fora? — perguntou ele, o olhar carregado de uma preocupação dolorosa. — Como foram esses dias pra você?
A reação de S/N foi imediata. O sorriso em seus lábios desapareceu instantaneamente, e sua postura enrijeceu. Ela desviou o olhar para o prato sobre a mesa, os dedos brincando nervosamente com a borda do guardanapo de papel.
— Não foi nada… — murmurou ela, a voz caindo para um tom abafado. — Eu só fiquei cansada.
— Cansada? — Hoseok insistiu suavemente, inclinando o corpo para tentar reestabelecer o contato visual. — S/N, eu vi a sua casa. Eu vi a cartela de remédios no seu quarto. Você quase não comeu, não dormiu…
S/N recolheu as mãos da mesa, cruzando os braços sobre o peito em um gesto de defesa instintivo. Ela balançou a cabeça, recusando-se a olhar para ele.
— Eu não quero falar sobre isso, Hoseok — disse ela, a voz trêmula, mas irredutível. — Não tem por que ficar remoendo o que aconteceu. Você já tá aqui agora, não tá? É isso que importa. O que passou, passou.
— Eu só preciso entender até onde… — ele começou, tentando se aproximar mais.
— Por favor — interrompeu ela, encarando-o finalmente com os olhos brilhando em lágrimas contidas, a voz embargada pelo limite emocional. — Não me faz voltar praquele lugar. Eu passei dias achando que tinha te perdido pra sempre, achando que eu tinha enlouquecido. Eu não quero lembrar de como foi ficar nesta casa sem você. Por favor, só… deixa isso pra lá.
Hoseok travou as palavras na garganta. O sofrimento estampado no olhar dela era um aviso claro de que insistir naquele assunto abriria feridas que haviam acabado de ser estancadas. A culpa pesou ainda mais sobre suas costas, mas ele percebeu que exigir respostas para aliviar a própria inquietação seria um ato de egoísmo.
Ele soltou o ar devagar, assentindo em silêncio. Sem dizer mais nada, Hoseok puxou a cadeira para mais perto, envolveu os ombros de S/N com os braços e a trouxe para junto de seu peito, deixando que o silêncio da sala preenchesse o espaço entre eles, enquanto o mistério do que realmente acontecera naqueles dias permanecia suspenso no ar.
A mulher sendo tratada igual uma doente kkkkkkkk eu me racho
A sn tem 5 anos bicho… kakakakakkakakak dando mais trabalho que minha filha
Aiii gente parece que vai se quebrar eu ein
O coitado so queria saber o que rolou gente