Capítulo 2 – Quando o Controle Quebra
por FanfiqueiraO ar do camarote VIP era impregnado de fumaça de narguilé e o cheiro doce de perfumes caros, mas o único aroma que eu buscava era o de Sun-hee. Pela primeira vez em meses, o peso de ser um “Jeon” não esmagava meus ombros. Eu não era o CEO implacável, nem o marido preso a um contrato de papel. Eu era apenas o homem que ela conhecia.
— Você mudou, Jungkook — Sun-hee sussurrou, a voz competindo com o grave que fazia o chão vibrar. — Está mais sério. Mais sombrio.
— O mundo tem esse efeito nas pessoas — respondi, minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia.
Aproximei-me, ignorando o flash de culpa que tentou me atingir ao lembrar da mulher que deixei chorando no penthouse. Afastei o pensamento. Ela era apenas uma obrigação. Sun-hee era a escolha. Envolvi sua nuca com os dedos, sentindo a familiaridade daquela pele, e a puxei para um beijo que carregava toda a minha frustração e sede de fuga. Naquele momento, eu me convenci de que estava feliz. Sorri contra os lábios dela, um sorriso que eu não lembrava como era usar — um gesto genuíno de quem acredita que recuperou o que perdeu.
Inclinei-me ao pé do ouvido dela, minha respiração quente em seu pescoço. — O tédio finalmente acabou — murmurei, sentindo-me leve, quase embriagado pela própria audácia de trair abertamente o arranjo que me sufocava.
Afastei-me minimamente para observá-la rir, sentindo-me o dono do mundo. Por puro instinto de predador, meus olhos vagaram pela pista de dança lá embaixo, apenas para confirmar meu desdém por aquela massa de corpos suados.
Mas então, meus olhos travaram.
O mundo parou. A batida da música tornou-se um zumbido distante e o sorriso no meu rosto congelou, transformando-se em uma máscara de choque.
Lá embaixo, destacando-se como uma mancha de sangue na neve, estava ela. A mulher que eu chamava de “cláusula inconveniente” estava usando um vestido que eu nunca a deixaria usar, um batom que parecia um desafio e uma aura de quem estava pronta para queimar tudo ao redor.
Ela não estava em casa. Ela não estava chorando.
Senti uma onda de fúria irracional subir pela minha garganta ao ver como outros homens a devoravam com o olhar. Meus dedos apertaram o pescoço de Sun-hee com força excessiva antes de eu soltá-la bruscamente. Meu peito arfava. Como ela ousava sair daquela forma? Como ela ousava parecer tão… letal?
Nossos olhares se cruzaram. A frieza que eu sempre usei contra ela agora estava nos olhos dela, e, pela primeira vez na vida, eu senti que tinha perdido o controle do jogo.
O impacto de ver Jungkook no camarote foi como um soco, mas a presença súbita de um estranho à minha frente serviu como o escudo perfeito. O homem era imponente; sua estatura e os ombros largos bloqueavam completamente a visão daquele ninho de cobras onde meu marido se escondia.
— Uma mulher como você não deveria carregar tanta tristeza nos olhos, mesmo estando tão deslumbrante — a voz dele era um barulho grave, uma vibração que eu senti no peito.
Ele se inclinou, sussurrando perto o suficiente para que seu hálito quente roçasse minha orelha. Eu sabia que Jungkook ainda estava me observando, provavelmente fervendo em sua própria arrogância. Então, eu fiz o que ele jurou que eu nunca faria: eu sorri. Não o sorriso contido de uma esposa troféu, mas um sorriso de mulher que sabe o poder que tem.
— Meu nome é Kim Namjoon — ele disse, estendendo a mão com uma elegância que fez o ar ao redor parecer mais sofisticado. — E eu adoraria conhecer a dona dessa presença tão… magnética.
— S/N — respondi, minha voz firme, sentindo o peso do olhar de Jungkook queimando minhas costas como brasa. — O prazer é todo meu, Namjoon.
Ele deu um passo a mais, invadindo meu espaço pessoal de uma forma que Jungkook nunca se deu ao trabalho de fazer. Namjoon não pediu permissão; ele leu o convite em meus olhos. Quando sua mão pousou firme na minha cintura, eu não recuei. Pelo contrário, inclinei meu corpo contra o dele.
Eu senti o exato momento em que Jungkook travou lá no alto. O ódio dele era quase palpável, mas eu não me importava mais. Quando Namjoon se aproximou, seus lábios a milímetros dos meus, eu fechei os olhos e permiti. O beijo dele era intenso, profundo e carregado de uma intenção que me fez esquecer, por alguns segundos, o frio do penthouse.
A visão lá embaixo turvou a minha mente. Meus dedos cravaram-se no parapeito do camarote com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. Quem era aquele homem? E como ela ousava tocá-lo daquela maneira, no meio de todos, sabendo que carregava o meu sobrenome?
O beijo deles foi como um tapa na minha cara. Sun-hee disse algo ao meu lado, mas eu não ouvi. O tédio que eu tanto pregava foi substituído por uma possessividade selvagem e irracional. Ela era minha cláusula, minha esposa, minha propriedade por contrato — e nenhum homem encostaria as mãos nela enquanto eu estivesse respirando.
Afastei Sun-hee sem olhar para trás, a fúria pulsando nas minhas têmporas.
— Jungkook, onde você vai? — ela gritou, mas eu já estava descendo as escadas do camarote, atropelando quem estivesse no caminho.
Eu ia acabar com aquela palhaçada. Agora.
A música parecia ter se transformado em um rugido de guerra nos meus ouvidos. O gosto do champanhe e o calor do beijo de Namjoon eram o anestésico de que eu precisava para a cirurgia brutal que eu estava realizando no meu próprio coração. Pelo canto do olho, eu o vi.
Jungkook, o homem que sempre se moveu com uma elegância calculada e gélida, estava perdendo a compostura. Ele descia as escadas do camarote com uma pressa que beirava o desespero, os olhos fixos em mim como dois buracos negros prontos para engolir tudo o que vissem pela frente. Ele parecia prestes a tropeçar nos próprios pés, a fúria desestabilizando o pedestal onde ele passou dois anos sentado.
Eu senti uma satisfação sombria. Corra, Jeon, pensei. Sinta o que é ser invisível na vida de quem você deveria possuir.
Em vez de me afastar assustada, eu fiz o oposto. Lacei o pescoço de Namjoon com mais força, enterrando meus dedos em seus cabelos e trazendo-o para mais perto, aprofundando o beijo até que não houvesse mais espaço entre nós. Namjoon soltou um rosnado baixo de surpresa e desejo, respondendo à minha intensidade, sem saber que estava sendo o instrumento da minha vingança.
O ar me faltava. Cada passo que eu dava em direção àquela cena parecia queimar o chão sob meus pés. Ver S/N se entregar àquele estranho com uma sede que nunca demonstrou por mim — ou que eu nunca permiti que demonstrasse — era como ter as entranhas arrancadas por mãos frias.
— Saiam da frente! — rosnei, empurrando um grupo de pessoas que bloqueava meu caminho.
Eu a vi intensificar o beijo. Ela sabia que eu estava olhando. Ela estava me usando para provar um ponto, e o pior de tudo é que estava funcionando. A possessividade que eu enterrei sob camadas de desprezo explodiu, transformando meu sangue em chumbo derretido.
Cheguei até eles em segundos. Minha mão disparou, agarrando o ombro daquele homem com uma força que pretendia quebrar os ossos dele, enquanto a outra mão foi direto para o pulso de S/N, apertando-o com uma urgência violenta.
— Já chega dessa palhaçada! — Minha voz saiu como um trovão, cortando a batida da música. — S/N, você vem comigo agora.
Eu não olhei para Namjoon; meu olhar estava cravado nela, buscando qualquer vestígio da esposa submissa que eu deixei no penthouse. Mas tudo o que encontrei foi um desafio ardente que eu não sabia como apagar.
— Solte ela — Namjoon disse, a voz calma, mas carregada de uma ameaça perigosa, enquanto removia minha mão do ombro dele com uma facilidade irritante.
O jogo virou, e eu podia sentir o exato momento em que o império de Jungkook começou a ruir aos seus pés. A fúria dele era música para os meus ouvidos, mas a minha indiferença seria o seu fim.
Quando ele gritou meu nome, eu afastei meus lábios dos de Namjoon lentamente, fingindo despertar de um transe. Olhei para Jungkook com os olhos semicerrados, as sobrancelhas franzidas em uma confusão perfeitamente ensaiada.
— Me desculpe… — minha voz saiu suave, carregada de um cinismo cortante. — O senhor me conhece? Como sabe o meu nome?
Vi o seu rosto empalidecer, a mandíbula travando com tanta força que os tendões do seu pescoço saltaram. Ao fundo, ouvi a risada abafada de Hana, que assistia a tudo como se fosse o melhor filme da sua vida. Ele tentou falar, mas as palavras pareceram morrer na sua garganta diante da minha amnésia seletiva.
Namjoon, percebendo a deixa, deu um passo à frente com a calma de um predador que já venceu a caça. Com um movimento firme e superior, ele removeu sua mão do meu pulso, soltando-a como se fosse algo sujo.
— O senhor está incomodando a dama — Namjoon disse, o sorriso cínico brincando em seus lábios. — Sugiro que volte para o seu camarote.
Eu não perdi tempo. Deslizei minha mão pelo braço musculoso de Namjoon, sentindo o tecido caro do seu terno, e inclinei-me para depositar um beijo demorado e carinhoso em seu ombro, logo acima das costas. Enquanto fazia isso, meus olhos nunca deixaram os de Jungkook. Eu te encarei com um sorriso vitorioso, um brilho de puro escárnio brilhando sob as luzes estroboscópicas.
O mundo desapareceu. Sobrou apenas o vermelho da minha raiva e o branco do rosto dela, que agora me olhava como se eu fosse um completo estranho. “O senhor me conhece?”. Aquelas palavras foram mais dolorosas do que qualquer tapa.
Senti o sangue latejar nas minhas orelhas. O deboche no sorriso dela, o modo como ela se aninhava naquele homem na minha frente… era uma humilhação que eu nunca imaginei suportar. Eu era Jeon Jungkook. Ninguém me ignorava. Ninguém me esquecia.
— Pare com isso, S/N! — rosnei, dando um passo para frente, ignorando o homem que me bloqueava. — Chega de jogos. Você sabe muito bem quem eu sou. Você é minha esposa, porra!
A palavra “esposa” ecoou, mas pareceu vazia, uma nota fantasma de um contrato que ela acabara de rasgar na minha cara. Ver o beijo que ela deu nele, o toque possessivo… foi a gota d’água. Eu estava a um segundo de perder o que restava da minha sanidade e partir para cima de Namjoon, não por honra, mas por um ciúme primitivo que eu me recusava a admitir.
— Você vai entrar naquele carro agora, ou eu mesmo te tiro daqui carregada — ameacei, a voz tremendo de ódio contido.
O silêncio que se formou ao nosso redor foi mais ensurdecedor do que o grave da música. Minhas palavras saíram lentas, carregadas de um veneno destilado em dois anos de indiferença. Eu vi o momento exato em que o ar fugiu dos pulmões de Jungkook.
— Esposa? — Repeti a palavra, deixando que ela soasse ridícula, quase cômica. Inclinei a cabeça para o lado, olhando-o com uma piedade fingida que cortava mais que uma lâmina. — Mas… aquela vindo ali não é a sua esposa?
Apontei discretamente com o queixo para a figura que se aproximava por trás de você. Sun-hee caminhava com a confiança de quem já se sentia dona do território novamente, alheia ao incêndio que estava prestes a atravessar.
— Lembro de chegar e ver você num beijo… — Minha voz falhou por um milésimo de segundo, mas recuperei o tom gélido imediatamente. — Um beijo tão vivo. Tão apaixonante. Olhando de longe, eu tive certeza: aquela deve ser a mulher que ele ama. Não é ela a sua esposa, senhor?
Apertei o braço de Namjoon, sentindo o apoio sólido dele enquanto Sun-hee parava ao lado de Jungkook, tocando o seu braço com aquela familiaridade que, até horas atrás, me faria querer desaparecer.
O toque de Sun-hee no meu braço, que antes era o meu porto seguro, agora parecia brasa sobre a pele. Eu me senti encurralado entre o passado que eu persegui e o presente que eu estava destruindo.
— Jungkook, o que está acontecendo? — Sun-hee perguntou, a voz doce soando como um ruído irritante diante do olhar de desprezo de S/N.
Eu olhei para S/N e depois para a mulher ao meu lado. A ironia das palavras dela me atingiu como um tiro de curta distância. Eu tinha usado a Sun-hee como um escudo contra o tédio, mas S/N acabara de transformar esse escudo em uma prova de crime. Diante de Namjoon, de Sun-hee e de metade da elite de Seoul, eu não era o marido poderoso. Eu era o traidor pego no flagra, o homem que tentou ter tudo e agora via a única coisa que realmente possuía escorregar por entre os dedos.
— S/N, não ouse… — tentei dizer, mas a voz saiu rouca, desprovida de qualquer autoridade.
Eu estava perdendo. E o pior: eu estava perdendo para um homem que a olhava como se ela fosse a única coisa que importasse naquela sala, enquanto eu a tratei como mobília por dois anos.
Toda pavula, te prepara Icekook
Olha já
Sentiu na pele a dor do desprezo
É Namjoon , tenho certeza
Kkkkk diva
Bem feito Nam
Vai dormir no sofá hj Kim Namjoon
E meu bem, tu não quer, tem quem queira
Ela não era mobília sr Jeon kkkkk
Aaaaaaaaah meus amores que sabor ler isso
Queria ter tudo
Pois agora tem também um par de chifres
Nam mostrando como se trata uma mulher de verdade
Maravilhoso de mais
Meu homem aiii
Agora lembrou que ela era TUA
Pela discrição sabia que era meu homem
Sabiaaaa
Louca pra vê o Jeon, enlouquecer nessa boate com a ela qi
Quero que ela incedei essa boate