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O Hotel Imperial de Viena não era apenas um prédio; era um monumento à opulência austríaca. Lustres de cristal de rocha, mármore Carrara e uma atmosfera que exalava séculos de aristocracia. Para os músicos da Filarmônica de Seul, que acabavam de desembarcar de um voo exaustivo, o saguão parecia um santuário.

As malas eram empilhadas silenciosamente por carregadores de luvas brancas. O Diretor Choi liderava o grupo, visivelmente ansioso para se livrar do estresse da viagem. Ele trouxera a esposa e os dois filhos pequenos, que já corriam em círculos, cansados da imobilidade do avião.

Namjoon estava um pouco afastado, conversando em alemão baixo com o gerente-geral do hotel. Ele era a imagem da calma absoluta, os óculos escuros agora pendurados no decote do suéter, revelando olhos que não demonstravam um pingo de cansaço.

O grupo se aproximou do balcão de mármore. O plano era simples: o décimo quarto andar inteiro havia sido reservado para a orquestra pela Phoenix Technologies.

— Bem-vindos a Viena — disse a gerente da recepção, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Temos as chaves prontas para o décimo quarto andar.

Ela começou a distribuir os cartões magnéticos. O Diretor Choi pegou o seu, aliviado. Os músicos formaram uma fila organizada. No entanto, quando chegou a vez de Yrys, a gerente parou, consultando o monitor com uma expressão de falsa preocupação.

— Ah, sinto muito. Parece que temos um pequeno contratempo. Estamos sem vagas para a última integrante — disse a gerente, olhando diretamente para Yrys.

Uma assistente da recepção, jovem e ainda não treinada na arte da dissimulação de elite, franziu o cenho ao olhar para o lado da gerente.

— Mas senhora… são 20 quartos reservados no décimo quarto andar. Aqui diz que temos apenas 19 músicos ocupando e ainda resta uma suíte de… — A frase da jovem foi cortada por um cutucão seco da gerente por baixo do balcão.

A gerente lançou um olhar mortal à assistente.

— Como eu ia dizendo — a gerente retomou, com a voz gélida — o vigésimo quarto entrou em reforma emergencial esta manhã. Vazamento hidráulico. Inviável. Não temos nenhum outro quarto disponível no hotel inteiro devido à alta temporada da Ópera.

O silêncio caiu sobre o saguão. Os músicos se entreolharam, confusos.

— Como assim em reforma? — Hana, a violinista, sussurrou. — Estava tudo certo ontem.

Yrys sentiu o sangue fugir do rosto. Ela olhou para Namjoon, que permanecia imóvel, com uma mão no bolso da calça de alfaiataria. Ela sabia. Ela sabia que aquele “vazamento” tinha nome e sobrenome: Kim Namjoon.

— Isso é inaceitável! — o Diretor Choi exclamou, embora sua mente estivesse mais preocupada em levar os filhos barulhentos para o quarto. — Yrys é nossa solista. Ela não pode ficar sem acomodação!

Ele olhou ao redor, o suor brilhando em sua testa. Em um gesto de falso cavalheirismo — misturado com o desejo desesperado de fugir da esposa e das crianças por algumas horas —, Choi deu um passo à frente.

— Sendo assim, eu troco de lugar com a Yrys. Ela fica com o meu quarto no décimo quarto andar e eu… bem, eu posso dormir no sofá de algum colega ou…

— De forma alguma, Diretor Choi — a voz de Namjoon cortou o ar como uma navalha, silenciando o saguão.

Ele caminhou lentamente até o centro do grupo. Sua presença era tão dominante que até os filhos de Choi pararam de correr.

— Eu jamais permitiria que um homem de família fosse separado de sua esposa e filhos por um erro administrativo do hotel — Namjoon continuou, o tom de voz calmo, quase benevolente, mas com um subtexto de ferro. — O Diretor precisa de descanso para reger a abertura amanhã.

Ele então voltou seu olhar para Yrys. Foi um olhar rápido, mas que a fez sentir como se estivesse nua novamente naquela poltrona de avião.

— Sendo assim, a solução é óbvia — declarou Namjoon, olhando para o grupo. — Yrys ficará na Cobertura Presidencial comigo. Ela é o maior investimento da Phoenix nesta turnê e não pode ter seu rendimento prejudicado por falta de conforto. A cobertura tem espaço de sobra e a segurança é absoluta.

O choque foi coletivo. O Diretor Choi piscou várias vezes, processando a informação. A esposa de Choi arqueou uma sobrancelha, trocando um olhar cúmplice com outra musicista.

— Na cobertura? Com o senhor? — um dos trompetistas sussurrou, atordoado. — Mas… isso não é…

Antes que o músico pudesse terminar a palavra “apropriado”, Namjoon já havia se movido. Com uma autoridade natural, ele pegou a alça da mala de mão de Yrys.

— Alguma objeção? — Namjoon perguntou, varrendo o grupo com os olhos. Ninguém disse uma palavra. A aura de poder que ele emanava tornava qualquer protesto uma forma de suicídio profissional. — Ótimo.

Ele começou a caminhar em direção aos elevadores privados, a mala de Yrys rodando suavemente ao seu lado.

Hana, que estava ao lado de Yrys, deu um leve empurrão no ombro da amiga. Ela inclinou o rosto e sussurrou, com um brilho malicioso nos olhos:

— Amiga… se a “turbulência” no avião deixou aquele roxo na sua perna, imagina o que vai acontecer na cobertura. Vai logo antes que ele se arrependa!

Yrys sentiu as bochechas queimarem. Ela estava paralisada, sentindo o peso dos olhares de todos os seus colegas de trabalho.

— Anda logo, Yrys — a voz de Namjoon ecoou pelo saguão, firme e impaciente. — A pianista da orquestra precisa de repouso imediato. O ensaio matinal não espera por ninguém.

Enquanto Yrys dava uma leve corridinha, um pouco sem graça e tropeçando nos próprios pés para alcançar as passadas longas de Namjoon, os músicos começaram a se dispersar em direção aos elevadores comuns, o burburinho subindo de tom.

— Repouso? — uma das mulheres comentou, rindo baixo atrás da mão. — O que será que ela ficou fazendo aquelas onze horas de voo na primeira classe que a deixou tão cansada agora?

— Nossa, eu dormi o voo inteiro — disse o violoncelista, bocejando. — Nem vi o tempo passar.

— Eu também — outro comentou. — Li um pouco, mas o sono que tirei naquelas poltronas me deixou renovado. Estranho a Yrys estar tão exausta, ela mal se moveu da cabine.

— É — Hana comentou, lançando um olhar por cima do ombro para ver Yrys entrando no elevador dourado com Namjoon. — Algumas turbulências são mais cansativas que outras, pessoal. Deixem a menina em paz.

Dentro do elevador privado, o silêncio era absoluto. O visor digital subia rapidamente: 10, 12, 14… eles passaram pelo andar dos músicos sem parar.

Yrys olhava para o chão, os dedos apertando a gola do casaco. Ela sentia o calor de Namjoon ao seu lado, o mesmo calor que a incinerara horas atrás.

— “Vazamento hidráulico”, Namjoon? — ela sussurrou, quando a porta do elevador se abriu diretamente dentro da cobertura. — Você não tem limites.

Namjoon soltou a mala dela no tapete persa e virou-se, prensando-a contra a parede de espelhos do elevador antes mesmo que ela pudesse sair. Ele retirou a gola do casaco dela, revelando as marcas que ele mesmo havia deixado.

— Eu não trabalho com limites, Yrys. Eu trabalho com exclusividade — ele murmurou, o rosto a milímetros do dela. — Aquelas pessoas lá embaixo podem ter o décimo quarto andar. Eles podem ter os quartos de solteiro e o buffet de café da manhã. Mas você…

Ele desceu a mão pela cintura dela, apertando exatamente o lugar onde Hana vira a marca.

— … você pertence ao topo. E aqui em cima, não há ninguém para ouvir você tocar, a menos que eu peça.

Yrys fechou os olhos, sentindo o perfume de Viena entrando pelas janelas abertas da cobertura misturado ao cheiro de Namjoon. Ela estava exausta, seu corpo pedia trégua, mas o olhar dele deixava claro que o “repouso” que ele prometera lá embaixo era apenas mais uma de suas mentiras brilhantes.

— Agora — ele disse, soltando-a e caminhando em direção ao minibar de cristal — tome um banho. O piano da suíte está afinado. Quero ouvir você tocar algo que não seja Prokofiev. Quero ouvir algo que soe como o que aconteceu naquele avião.

Yrys ficou ali, parada no centro da cobertura que custava mais do que o salário anual de toda a orquestra, percebendo que sua vida em Seul havia ficado para trás. Em Viena, sob a tutela de Kim Namjoon, ela não era apenas uma musicista. Ela era a obra-prima que ele se recusava a compartilhar.

Ela caminhou até a janela. Lá embaixo, Viena brilhava como uma joia imperial. Mas ela sabia que a verdadeira realeza estava atrás dela, servindo-se de um drinque e esperando que ela se despisse da última camada de resistência.

13 Comentários

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  1. Marcela
    Feb 8, '26 at 7:35 pm

    — Eu não trabalho com limites, Yrys. Eu trabalho com exclusividade — ele murmurou, o rosto a milímetros do dela. — Aquelas pessoas lá embaixo podem ter o décimo quarto andar. Eles podem ter os quartos de solteiro e o buffet de café da manhã. Mas você…

    Se existe uma coisa que ele não tem, é limites kkkkk

  2. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Feb 8, '26 at 8:43 pm

    — Mas senhora… são 20 quartos reservados no décimo quarto andar. Aqui diz que temos apenas 19 músicos ocupando e ainda resta uma suíte de… — A frase da jovem foi cortada por um cutucão seco da gerente por baixo do balcão.

    Mulher, vc quer perder o emprego?

  3. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Feb 8, '26 at 8:45 pm

    Ele então voltou seu olhar para Yrys. Foi um olhar rápido, mas que a fez sentir como se estivesse nua novamente naquela poltrona de avião.

    Passou um filme agr, vixxxx

  4. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Feb 8, '26 at 8:47 pm

    — Amiga… se a “turbulência” no avião deixou aquele roxo na sua perna, imagina o que vai acontecer na cobertura. Vai logo antes que ele se arrependa!

    Tô indo,Nam!!

  5. Anne
    Feb 9, '26 at 12:08 am

    — … você pertence ao topo. E aqui em cima, não há ninguém para ouvir você tocar, a menos que eu peça.

    Nada menos que o topo

  6. Anne
    Feb 9, '26 at 12:08 am

    — Sendo assim, eu troco de lugar com a Yrys. Ela fica com o meu quarto no décimo quarto andar e eu… bem, eu posso dormir no sofá de algum colega ou…

    Um fingindo mais que o outro

  7. Anne
    Feb 9, '26 at 12:09 am

    — “Vazamento hidráulico”, Namjoon? — ela sussurrou, quando a porta do elevador se abriu diretamente dentro da cobertura. — Você não tem limites.

    Limite é o céu, neste caso nem isso ele tem. Então limites é o infinito

  8. Anne
    Feb 9, '26 at 12:10 am

    — Amiga… se a “turbulência” no avião deixou aquele roxo na sua perna, imagina o que vai acontecer na cobertura. Vai logo antes que ele se arrependa!

    A turbulência tem mao grande e pesada

  9. Marcela
    Feb 11, '26 at 7:14 pm

    — Sendo assim, a solução é óbvia — declarou Namjoon, olhando para o grupo. — Yrys ficará na Cobertura Presidencial comigo. Ela é o maior investimento da Phoenix nesta turnê e não pode ter seu rendimento prejudicado por falta de conforto. A cobertura tem espaço de sobra e a segurança é absoluta.

    Com ele não tem “não quero”
    É sim e sim kkk

  10. Marcela
    Feb 11, '26 at 7:17 pm

    — Eu não trabalho com limites, Yrys. Eu trabalho com exclusividade — ele murmurou, o rosto a milímetros do dela. — Aquelas pessoas lá embaixo podem ter o décimo quarto andar. Eles podem ter os quartos de solteiro e o buffet de café da manhã. Mas você…

    Você vai comer a sobremesa primeiro kkkk ops

  11. Iasmine
    Feb 26, '26 at 1:10 am

    — Como eu ia dizendo — a gerente retomou, com a voz gélida — o vigésimo quarto entrou em reforma emergencial esta manhã. Vazamento hidráulico. Inviável. Não temos nenhum outro quarto disponível no hotel inteiro devido à alta temporada da Ópera.

    É sim um vazamento, que pena

  12. Iasmine
    Feb 26, '26 at 1:11 am

    — Amiga… se a “turbulência” no avião deixou aquele roxo na sua perna, imagina o que vai acontecer na cobertura. Vai logo antes que ele se arrependa!

    Essa amiga é atentissima kkkkkkk ela ja sabia o que tinha rolado

  13. Iasmine
    Feb 26, '26 at 1:12 am

    — Agora — ele disse, soltando-a e caminhando em direção ao minibar de cristal — tome um banho. O piano da suíte está afinado. Quero ouvir você tocar algo que não seja Prokofiev. Quero ouvir algo que soe como o que aconteceu naquele avião.

    Nem te conto a musica que ele quer ouvir

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