Capítulo 7 – Onze Horas a Dez Mil Metros
por FanfiqueiraO Aeroporto Internacional de Incheon estava mergulhado no caos organizado das primeiras horas da manhã. Para os músicos da Filarmônica de Seul, o clima era de uma excitação exausta; estojos de violinos, violoncelos e partituras eram manuseados com um cuidado quase religioso.
Yrys, no entanto, sentia-se como se estivesse caminhando através de uma névoa. Seus olhos, involuntariamente, traçavam arcos pelo saguão, buscando o terno azul-meia-noite ou o porte intimidador que havia assombrado seus sonhos e seus ensaios na última semana. Nada. Apenas turistas apressados e o brilho estéril do terminal.
— Ele não vem — ela sussurrou para si mesma, apertando a alça de sua bolsa de mão. A decepção era um gosto metálico na boca, um sentimento que ela odiava por não conseguir suprimir.
Ao chegar ao balcão de check-in da Korean Air, ela entregou seu passaporte à atendente. Esperava a burocracia de sempre, o assento na classe econômica premium que a orquestra podia pagar. Mas a funcionária parou, olhou para a tela e abriu um sorriso profissional e polido.
— Senhorita Yrys? Ah, sim. Houve uma alteração de última hora em sua reserva.
Yrys franziu o cenho. — Alteração? Algum problema com o voo?
— Pelo contrário. Sua passagem recebeu um upgrade para a Primeira Classe, cortesia do patrocinador master da turnê, a Phoenix Technologies. Além disso, seus trâmites de imigração serão realizados pela ala VIP.
O coração de Yrys deu um solavanco. Upgrade. — Eu não pedi por isso — ela disse, a voz subitamente seca.
— Foi um pedido direto do escritório do Senhor Kim, senhorita. Ele foi muito específico sobre o conforto da solista principal. Por aqui, por favor.
Yrys foi conduzida por um corredor silencioso, longe do barulho dos seus colegas de orquestra. Ela se sentia como uma prisioneira sendo levada para uma cela de ouro. Ela sabia o que aquilo significava. Não era um gesto de generosidade; era uma estratégia de cerco. Ele estava movendo as peças no tabuleiro novamente, e ela acabara de cair em uma armadilha de luxo.

A cabine da Primeira Classe era um santuário de tons pastéis, couro legítimo e silêncio absoluto. Quando Yrys entrou, sentiu o peso do isolamento. Havia apenas oito suítes privadas, e o ambiente cheirava a champagne e exclusividade.
Ela seguiu as instruções da comissária até a suíte 1A. Seus passos eram pesados. Ela sabia quem estaria na 1B.
Ao chegar diante do assento, ela parou.
Lá estava ele.
Namjoon não usava o terno formal de sempre. Vestia um suéter de cashmere escuro e óculos de leitura, concentrado em um jornal financeiro internacional. Ele parecia perfeitamente em casa, uma extensão natural daquele ambiente de elite. Ele não olhou para cima imediatamente, mantendo a fachada de indiferença que ele vinha cultivando desde a briga na chuva.

Yrys sentou-se, colocando sua bolsa no compartimento lateral com uma força desnecessária.
— Você não sabe jogar limpo, não é? — ela disparou, sem preâmbulos.
Namjoon baixou o jornal lentamente. Seus olhos, por trás das lentes dos óculos, brilharam com uma inteligência fria e divertida. Ele a estudou por um momento, apreciando o rubor de indignação nas bochechas dela.
— Bom dia para você também, Yrys — disse ele, a voz um barítono suave que parecia vibrar contra o revestimento da cabine. — Espero que tenha dormido bem. Temos onze horas de voo pela frente. Seria uma pena passar esse tempo todo com mau humor.
— Você me tirou de perto dos meus colegas. Me isolou aqui como se eu fosse um dos seus gadgets eletrônicos — ela retrucou, baixando a voz para que as comissárias não ouvissem. — Por que o upgrade? Por que o silêncio de uma semana para depois me trancar em um avião com você?
Namjoon dobrou o jornal com precisão cirúrgica e o colocou de lado. Ele retirou os óculos e inclinou-se levemente em direção ao corredor que separava as duas suítes.
— Eu disse que sou meticuloso com meus investimentos, Yrys. Onze horas em uma poltrona apertada prejudicariam a circulação das suas mãos e o seu foco mental. Berlim e Viena exigem perfeição. — Ele fez uma pausa, o olhar descendo para os lábios dela por um segundo antes de voltar aos olhos. — E quanto ao silêncio… eu achei que era o que você queria. “Deixe-me em paz”, não foi o que você disse sob a chuva?
— E você sempre faz o que as pessoas pedem, Senhor Kim? — ela desafiou, com um sarcasmo ácido.
— Quase nunca. Mas eu gosto de observar como as pessoas reagem à liberdade que dizem tanto prezar. Pelo que vi nas câmeras de ensaio, a sua “liberdade” te deixou… instável.
Yrys sentiu o sangue ferver. Ele admitira. Ele a estava vigiando.
— Você é um doente — ela sussurrou, sentindo a claustrofobia do ambiente. — Me vigiar por câmeras? Me seguir até em casa? Eu vi o seu carro ontem à noite, Namjoon. Eu sei que era você.
Namjoon não negou. Ele apenas arqueou uma sobrancelha, um gesto de domínio absoluto.
— Se você me viu, significa que também estava procurando por algo na escuridão. — Ele se recostou na poltrona, cruzando as pernas. — Estamos a dez mil metros de altura, Yrys. Não há câmeras aqui. Não há Diretor Choi, não há motorista Park. Somos apenas eu, você e onze horas de verdade. Você pode passar esse tempo tentando me odiar, ou pode finalmente admitir que este upgrade é o lugar onde você realmente pertence.
A aeronave começou a taxiar. O som dos motores subiu de tom, criando um zumbido constante que isolava ainda mais a conversa dos dois.
— Eu não pertenço a você — ela disse, embora a convicção em sua voz estivesse fraquejando sob o peso do olhar dele.
— Veremos — ele murmurou, apertando um botão no console lateral. A divisória entre as duas suítes começou a descer, eliminando a última barreira física entre eles. — O café será servido em breve. Tente relaxar. Você vai precisar de energia para o que pretendo discutir com você sobre o concerto de abertura.
Yrys olhou para a janela, vendo o solo de Seul ficar para trás. Ela estava presa. Em uma poltrona de luxo, ao lado do homem que era seu maior inimigo e sua maior obsessão. Onze horas. O abismo não era mais apenas uma metáfora; ele estava sentado ao lado dela, oferecendo champagne e exigindo sua alma em troca de cada nota musical.
Ela fechou os olhos, sentindo a pressão da decolagem, e soube que, quando pousassem em Viena, nada mais seria como antes. O jogo de gato e rato acabara de se transformar em um duelo de resistência, e Namjoon não parecia disposto a deixá-la dormir durante o trajeto.
O silêncio dentro da cabine de comando da primeira classe não era um silêncio comum. Não era a paz de um santuário, mas a quietude carregada de uma sala de espera antes de um veredito. O único som era o zumbido monótono das turbinas, um ruído branco que parecia isolar ainda mais os dois passageiros do resto do mundo a dez mil metros de altitude.
Yrys tentou se concentrar na partitura de Prokofiev. Ela passava as páginas com uma rigidez mecânica, os olhos correndo pelas notas sem realmente processar a complexidade da obra. Pelo canto do olho, ela via Namjoon. Ele havia deixado o jornal de lado e agora segurava um copo de cristal com um líquido âmbar. Ele não lia, não trabalhava. Apenas olhava para o nada, com uma calma que a deixava frenética.
Dez minutos. Vinte minutos. Meia hora.
A tensão era física. Yrys sentia como se a pressão da cabine estivesse esmagando seus pulmões. Ela olhou para as outras suítes ao redor. Estavam todas com as luzes de leitura apagadas, as cortinas de seda impecavelmente alinhadas. Não havia o som de talheres de outros passageiros, nem o murmúrio baixo de conversas executivas. Nada.
Ela apertou o botão de chamada da comissária. Em segundos, uma mulher jovem e impecável apareceu, deslizando pelo carpete grosso sem fazer barulho.
— Pois não, Senhorita Yrys? Deseja algo? — a voz da mulher era um sussurro treinado.
Yrys olhou ao redor, as sobrancelhas franzidas. — Está… silencioso demais aqui. O voo não estava lotado? Onde estão os outros passageiros da primeira classe? Queria saber se…
A comissária hesitou por um milésimo de segundo, lançando um olhar rápido para Namjoon, que permanecia imóvel em sua poltrona, antes de voltar a sorrir para Yrys.
— Não há outros passageiros nesta cabine hoje, senhorita.
Yrys piscou, confusa. — Como não? É um voo internacional para Viena em plena temporada. Como a primeira classe está vazia?
— Todas as doze suítes desta seção foram reservadas em um único bloco, senhorita — explicou a funcionária, com uma reverência leve. — O Senhor Kim providenciou para que a cabine fosse de uso exclusivo para esta viagem. Se precisar de qualquer coisa, basta acionar. Com licença.
A comissária retirou-se, deixando para trás um vácuo de choque.
Yrys sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela girou o corpo na poltrona, encarando Namjoon. Ele não se moveu, mas ela notou o leve tremor do gelo contra o cristal do copo dele.
— Você comprou a cabine inteira? — a voz dela saiu em um sopro de indignação. — Doze passagens de primeira classe? Você tem noção de quão absurdo e… e doentio isso é?
Namjoon finalmente virou a cabeça. Ele retirou os óculos de leitura, revelando olhos que não tinham um pingo de arrependimento. Eles brilhavam com uma possessividade calma e perigosa.
— Eu não gosto de interrupções, Yrys — disse ele, a voz soando profunda no ambiente vazio. — E eu detesto a ideia de estranhos observando você enquanto dorme ou ouvindo o que tenho a dizer.
— Isso é controle, Namjoon. Isso não é “conforto de investimento”. É uma jaula — ela se inclinou para frente, a raiva sobrepondo o medo. — Você me isolou do resto da orquestra e agora comprou o ar que eu respiro aqui dentro só para ter certeza de que eu não tenha para onde olhar a não ser para você.
Namjoon colocou o copo de uísque no console lateral e levantou-se. No espaço confinado da cabine, a altura dele era esmagadora. Ele deu um passo em direção à suíte dela, parando na abertura da divisória que ele mesmo havia baixado.
— Chame do que quiser — ele disse, a voz baixando para um tom que era quase um sussurro. — Mas admita: você passou a última semana inteira morrendo de medo de que eu realmente tivesse desistido de você. Você olhava para aquela cadeira vazia no auditório e sentia o silêncio te sufocar mais do que a minha presença.
Yrys abriu a boca para negar, mas as palavras travaram. Ele estava certo. A precisão com que ele lia a alma dela era o que mais a aterrorizava.
— Eu comprei este espaço porque não quero que nada, nem ninguém, interfira no que vai acontecer nessas onze horas — ele continuou, dando mais um passo para dentro do espaço dela, forçando-a a se recostar na poltrona. — Você queria independência? Aqui está. Estamos sozinhos a dez mil metros de altura. Ninguém pode te salvar de mim aqui, Yrys.
Ele se inclinou, as mãos apoiadas nos braços da poltrona dela, cercando-a. O cheiro de sândalo e o calor do corpo dele a envolveram como uma redoma.
— Agora — murmurou Namjoon, os olhos fixos nos dela — me diga de novo que você quer que eu te deixe em paz. Me diga, sem desviar o olhar, que você não sentiu minha falta em cada nota agressiva daquele Prokofiev que você tocou para me punir.
Yrys sentiu a sanidade escorregar por entre os dedos. O silêncio da cabine vazia agora não era mais vazio; estava preenchido pela tensão elétrica entre eles, uma música sem instrumentos que prometia ser muito mais brutal do que qualquer concerto que ela já tivesse executado.
Eita bênção, só vitória
Então n foi um pedido, foi uma ordem
Oxe, pra q melhor??
— Foi um pedido direto do escritório do Senhor Kim, senhorita. Ele foi muito específico sobre o conforto da solista principal. Por aqui, por favor.
Ela tem nem escolha kkkkk
Ou vai ou vai
— Você comprou a cabine inteira? — a voz dela saiu em um sopro de indignação. — Doze passagens de primeira classe? Você tem noção de quão absurdo e… e doentio isso é?
Ela ainda n tá entendendo, o quão louco esse homem tá por ela
— Eu comprei este espaço porque não quero que nada, nem ninguém, interfira no que vai acontecer nessas onze horas — ele continuou, dando mais um passo para dentro do espaço dela, forçando-a a se recostar na poltrona. — Você queria independência? Aqui está. Estamos sozinhos a dez mil metros de altura. Ninguém pode te salvar de mim aqui, Yrys.
Possessivo? Só um pouquinho, talvez
Yrys sentiu a sanidade escorregar por entre os dedos. O silêncio da cabine vazia agora não era mais vazio; estava preenchido pela tensão elétrica entre eles, uma música sem instrumentos que prometia ser muito mais brutal do que qualquer concerto que ela já tivesse executado.
Não tem nem pra onde fugir
É solista ele quer testar uma musica com vc
Nossa que punição ein, primeira classe com o homem que te deixa maluca
Mano kkkkk ele reservou a 1° classe só pra eles, que tu quer fazer homem
Ele respondeu minha pergunta kkkkk ja desconfiava disso