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O ar no corredor do Musikverein estava carregado de uma estática perigosa. Do lado de fora do camarim, a orquestra não havia se dispersado. O Diretor Choi andava de um lado para o outro, ajustando os óculos, enquanto grupos de músicos se amontoavam em círculos sussurrantes. Eles esperavam uma explicação, mas o silêncio absoluto vindo de trás da porta trancada — guardada por dois homens que pareciam estátuas de gelo — alimentava a fogueira dos boatos.

— É muita coincidência, não acham? — o primeiro violoncelista murmurou, cruzando os braços. — Primeiro, o “upgrade” surpresa para o VIP no voo, onde ficaram sozinhos por onze horas. Depois, aquela desculpa esfarrapada de vazamento hidráulico para ela subir para a cobertura com ele…

— E as marcas no pescoço dela? — uma das oboístas interveio, com um sorriso ácido. — Ela diz que foi turbulência, mas eu conheço aquele tipo de “turbulência”. Ele a tirou do palco quase à força agora pouco. Estão lá dentro há quase uma hora.

Hana tentou intervir, mas sua voz foi abafada pelo veneno de outro colega, um violinista que sempre invejou o destaque de Yrys.

— É óbvio o que está acontecendo — ele disse, aumentando o tom o suficiente para que outros ouvissem. — Yrys é talentosa, mas não é a única. Ela está fazendo isso só para garantir que seja a solista principal em Berlim também. Está usando o corpo para comprar o lugar dela no Steinway. Se não fosse por esse “patrocínio” íntimo, ela seria apenas mais uma na fila. Deveríamos estar indignados com essa falta de profissionalismo.

A chave girou na tranca. O som foi como um tiro no corredor silencioso.

Namjoon saiu primeiro. Ele estava impecável, o casaco longo aberto, mas havia algo em sua expressão que fez os músicos recuarem um passo instintivamente. Yrys vinha logo atrás, com o lábio levemente inchado e os olhos baixos, tentando desesperadamente ajeitar a gola do vestido rasgado que ela agora tentava manter fechado com as mãos.

Namjoon parou bruscamente. Ele não precisava de muito para entender o clima; seus ouvidos treinados para detectar dissonâncias haviam captado cada palavra daquele tribunal improvisado.

— ELA É MINHA MULHER! — A voz de Namjoon explodiu pelo corredor, tão potente e autoritária que o Diretor Choi deu um pulo para trás.

O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Ninguém ousava respirar.

— E vocês só estão em Viena, pisando neste palco de ouro, por causa dela — Namjoon continuou, caminhando em direção ao violinista que falara por último, encurralando-o contra a parede com apenas o olhar. — A Phoenix Technologies não patrocina orquestras por caridade. Eu patrocinei a existência de vocês para que ela tivesse um cenário à altura do talento dela.

Ele deu um sorriso gélido, que não alcançou seus olhos escuros.

— Então, em vez de destilarem inveja e falarem dela pelas costas, vocês deveriam se ajoelhar e agradecer a ela. Porque se eu decidir que vocês não são mais úteis para o brilho da minha mulher, a turnê acaba aqui, neste exato segundo, e vocês voltam para Seul pagando as próprias passagens.

Yrys sentiu o chão sumir sob seus pés. Seus olhos se arregalaram em choque absoluto, o coração disparando tanto que ela sentiu uma tontura. Ela nunca imaginou que Namjoon fosse expor a situação de forma tão crua e pública. Ele não disse que ela era sua “namorada” ou sua “protegida”. Ele disse “minha mulher”, com a mesma propriedade com que falava de suas empresas.

Ela olhou para os colegas — para Hana, que estava boquiaberta, e para o Diretor Choi, que parecia ter envelhecido dez anos em um segundo. O segredo que ela tentava proteger com mentiras sobre turbulências e reformas de quartos fora pulverizado pela arrogância protetora de Namjoon.

— Namjoon… — ela sussurrou, a voz quase inaudível, puxando levemente a manga do casaco dele.

Ele não se moveu. Ele manteve o olhar fixo no grupo, desafiando qualquer um a proferir mais uma sílaba.

— Diretor Choi — Namjoon disse, sem desviar os olhos do violinista trêmulo. — O ensaio acabou. Leve-os para o hotel. Yrys virá comigo. E se eu ouvir mais um sussurro sobre a integridade dela, a próxima pessoa a ser eliminada deste projeto será quem abriu a boca.

Namjoon segurou a mão de Yrys — os dedos entrelaçados com força — e começou a caminhar em direção à saída, deixando para trás uma orquestra atordoada e a reputação de Yrys permanentemente ligada ao homem que acabara de declarar guerra ao mundo por ela.

O eco das palavras de Namjoon ainda vibrava no corredor do Musikverein quando eles cruzaram a saída lateral. O ar frio de Viena atingiu o rosto de Yrys, mas não foi o suficiente para aplacar o fogo da vergonha e do choque. Ela era “a mulher dele”. O mundo agora sabia.

Namjoon a conduzia com pressa, a mão possessiva em sua cintura, os olhos esquadrinhando a calçada como se cada sombra fosse um inimigo. Os dois SUVs pretos da segurança já estavam com os motores roncando, mas o silêncio da rua foi subitamente rasgado pelo guinchar de pneus.

Um sedã cinza, de vidros escuros e placa adulterada, surgiu do nada, subindo a calçada em um ângulo fechado para bloquear o caminho de Namjoon e Yrys.

— CHÃO! — Namjoon rugiu, reagindo em uma fração de segundo.

Ele não apenas a empurrou; ele envolveu o corpo de Yrys com o seu, usando o próprio peso para derrubá-la atrás de uma pilastra de pedra do teatro. O impacto foi seco, e Yrys sentiu o cheiro de asfalto e o perfume caro de Namjoon enquanto ele a prensava contra o chão, protegendo a cabeça dela com as mãos grandes.

O que se seguiu foi um borrão de violência coreografada. Os seguranças de Namjoon, que até então pareciam apenas figurantes de luxo, transformaram-se em máquinas de combate.

O primeiro segurança de Namjoon não hesitou. Ele jogou o SUV da Phoenix contra a lateral do sedã cinza, um impacto de metal contra metal que fez faíscas voarem e o vidro do carro suspeito estilhaçar.

Três homens saltaram do sedã. Eles estavam armados com bastões táticos e o que pareciam ser armas de choque de alta voltagem. Era um comando de extração do Grupo Kang.

Yrys, com o rosto colado ao peito de Namjoon, ouviu o som seco de disparos abafados. Os seguranças de Namjoon utilizavam silenciadores, movendo-se com uma precisão cirúrgica. Um dos agressores foi atingido no ombro, caindo antes mesmo de conseguir armar o bastão.

Um segundo agressor conseguiu contornar o carro e avançou em direção ao casal. Namjoon, sem soltar Yrys, sacou uma pistola compacta de um coldre oculto em seu paletó. Ele não disparou, mas usou a base da arma para golpear o rosto do homem que se aproximava, um estalo de osso quebrando que fez Yrys fechar os olhos com força.

O combate durou menos de sessenta segundos. Os seguranças de Namjoon dominaram os atacantes, imobilizando-os no chão gelado de Viena com os braços torcidos e joelhos nas costas.

Namjoon levantou-se lentamente, puxando Yrys junto com ele. Ele não parecia abalado; parecia enfurecido. A máscara de CEO havia caído totalmente, revelando o homem que comandava um império.

— Verifiquem os telefones deles. Quero saber quem deu a ordem de aproximação direta — Namjoon ordenou aos seguranças, sua voz soando como o gume de uma navalha.

Ele se virou para Yrys, que estava trêmula, o vestido agora sujo de poeira e o cabelo desfeito. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, ignorando o sangue alheio que manchava o punho de sua camisa branca.

— Você está ferida? Olhe para mim, Yrys! — Ele exigiu, a respiração pesada.

— O que foi isso… quem são eles? — ela conseguiu balbuciar, o choque finalmente dando lugar ao pânico.

— Isso foi o Grupo Kang tentando pegar o que é meu — Namjoon rosnou, puxando-a para dentro do SUV que permanecia intacto. — Mas eles cometeram um erro fatal. Eles acharam que eu jogaria pelas regras em solo estrangeiro.

O carro arrancou em alta velocidade, deixando para trás o rastro de destruição na frente do Musikverein. Namjoon trancou as portas e puxou Yrys para o seu colo, abraçando-a com uma força que quase machucava, como se temesse que ela evaporasse.

— Viena não é mais um palco para você, Yrys — ele sussurrou contra o ouvido dela, enquanto o comboio cortava o trânsito austríaco. — Agora, é o meu campo de caça. E eu vou garantir que nenhum deles reste para contar a história.

14 Comentários

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  1. Marcela
    Mar 11, '26 at 3:21 pm

    [quote]— E as marcas no pescoço dela? — uma das oboístas interveio, com um sorriso ácido. — Ela diz que foi turbulência, mas eu conheço aquele tipo de “turbulência”. Ele a tirou do palco quase à força agora pouco. Estão lá dentro há quase uma hora.

    Ele tava acertando as notas dela, ué

  2. Marcela
    Mar 11, '26 at 3:23 pm

    [quote]— ELA É MINHA MULHER! — A voz de Namjoon explodiu pelo corredor, tão potente e autoritária que o Diretor Choi deu um pulo para trás.

    Em claro e bom som UUULHUUUL
    Goxto assim kkkk

  3. Marcela
    Mar 11, '26 at 3:29 pm

    [quote]Um sedã cinza, de vidros escuros e placa adulterada, surgiu do nada, subindo a calçada em um ângulo fechado para bloquear o caminho de Namjoon e Yrys.

    E não é que ele tava certo? Ele sabia bem que algo poderia acontecer e aconteceu

    1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
      @MarcelaMar 11, '26 at 10:27 pm

      O ar no corredor do Musikverein estava carregado de uma estática perigosa. Do lado de fora do camarim, a orquestra não havia se dispersado. O Diretor Choi andava de um lado para o outro, ajustando os óculos, enquanto grupos de músicos se amontoavam em círculos sussurrantes. Eles esperavam uma explicação, mas o silêncio absoluto vindo de trás da porta trancada — guardada por dois homens que pareciam estátuas de gelo — alimentava a fogueira dos boatos.

      Já dizia Joerge e Matheus” Deixe o povo falar” kkk

  4. Marcela
    Mar 11, '26 at 3:31 pm

    [quote]Ele não apenas a empurrou; ele envolveu o corpo de Yrys com o seu, usando o próprio peso para derrubá-la atrás de uma pilastra de pedra do teatro. O impacto foi seco, e Yrys sentiu o cheiro de asfalto e o perfume caro de Namjoon enquanto ele a prensava contra o chão, protegendo a cabeça dela com as mãos grandes.

    Ele colocou o próprio corpo pra proteger ela, nem pensou duas vezes :O PASSADA

  5. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 11, '26 at 10:15 pm

    — É muita coincidência, não acham? — o primeiro violoncelista murmurou, cruzando os braços. — Primeiro, o “upgrade” surpresa para o VIP no voo, onde ficaram sozinhos por onze horas. Depois, aquela desculpa esfarrapada de vazamento hidráulico para ela subir para a cobertura com ele…

    Foram 11h muito bem aproveitadas

  6. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 11, '26 at 10:15 pm

    O que se seguiu foi um borrão de violência coreografada. Os seguranças de Namjoon, que até então pareciam apenas figurantes de luxo, transformaram-se em máquinas de combate.

    Aaaaaaaa

  7. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 11, '26 at 10:18 pm

    Namjoon saiu primeiro. Ele estava impecável, o casaco longo aberto, mas havia algo em sua expressão que fez os músicos recuarem um passo instintivamente. Yrys vinha logo atrás, com o lábio levemente inchado e os olhos baixos, tentando desesperadamente ajeitar a gola do vestido rasgado que ela agora tentava manter fechado com as mãos.

    Minha reputação:”( Ah, q se dane

  8. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 11, '26 at 10:19 pm

    — ELA É MINHA MULHER! — A voz de Namjoon explodiu pelo corredor, tão potente e autoritária que o Diretor Choi deu um pulo para trás.

    E q fique bem claro

  9. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 11, '26 at 10:23 pm

    — E vocês só estão em Viena, pisando neste palco de ouro, por causa dela — Namjoon continuou, caminhando em direção ao violinista que falara por último, encurralando-o contra a parede com apenas o olhar. — A Phoenix Technologies não patrocina orquestras por caridade. Eu patrocinei a existência de vocês para que ela tivesse um cenário à altura do talento dela.

    Joga msm na cara , Nam

  10. Iasmine
    Mar 12, '26 at 9:45 am

    — É óbvio o que está acontecendo — ele disse, aumentando o tom o suficiente para que outros ouvissem. — Yrys é talentosa, mas não é a única. Ela está fazendo isso só para garantir que seja a solista principal em Berlim também. Está usando o corpo para comprar o lugar dela no Steinway. Se não fosse por esse “patrocínio” íntimo, ela seria apenas mais uma na fila. Deveríamos estar indignados com essa falta de profissionalismo.

    Sempre um otario pra querer puxar o tapete ne

  11. Iasmine
    Mar 12, '26 at 9:47 am

    — ELA É MINHA MULHER! — A voz de Namjoon explodiu pelo corredor, tão potente e autoritária que o Diretor Choi deu um pulo para trás.

    Pqp matou todo mundo agora.. minha mulher, ta doido não é nem namorada é logo mulher

  12. Iasmine
    Mar 12, '26 at 9:48 am

    — Então, em vez de destilarem inveja e falarem dela pelas costas, vocês deveriam se ajoelhar e agradecer a ela. Porque se eu decidir que vocês não são mais úteis para o brilho da minha mulher, a turnê acaba aqui, neste exato segundo, e vocês voltam para Seul pagando as próprias passagens.

    Nossa ele almoçou, lanchou e jantou agora pqp que climao

  13. Iasmine
    Mar 12, '26 at 9:48 am

    — Viena não é mais um palco para você, Yrys — ele sussurrou contra o ouvido dela, enquanto o comboio cortava o trânsito austríaco. — Agora, é o meu campo de caça. E eu vou garantir que nenhum deles reste para contar a história.

    Mexeram com o cara errado.. agora ele vai ate o inferno pra caçar esse povo

Nota

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