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A luz fluorescente da sala de emergência do Hospital Universitário de Seul era impiedosa, cortando a penumbra com uma frieza asséptica. SN abriu os olhos lentamente, sentindo o teto branco girar por alguns segundos antes que a realidade a atingisse como um soco no estômago. O bip mecânico do monitor cardíaco ao lado de sua cama ditava um ritmo artificial no silêncio do quarto privado.

— SN? Graças a Deus você acordou.

A voz de Daniel Lee veio do canto do quarto. Ele se aproximou da cama a passos rápidos, com o semblante carregado por uma expressão de pânico e urgência. Havia um suor genuíno em sua testa, uma agitação que qualquer médico atribuiria ao desespero de um pai. E, de certa forma, era. Para Daniel, aquela gravidez recém-descoberta não era apenas a continuidade de uma linhagem; era um baú de ouro. O sangue Park que agora crescia no ventre de SN representava a chave mestra para trancar qualquer contestação legal sobre o espólio da holding. Se o herdeiro legítimo estava sob o teto dos Lee, o império estava garantido.

— O médico disse que foi uma síncope por estresse agudo — Daniel continuou, segurando a mão fria da filha com uma pressão firme, quase possessiva. — O bebê está seguro, SN. Mas você precisa de repouso absoluto. Eu fiquei terrivelmente preocupado…

SN puxou a mão de volta com uma lentidão calculada, ignorando o toque dramático do pai. Seus olhos, embora levemente opacos pelo choque, focaram no teto antes de se fixarem nos dele. A mente dela, programada para operar em cenários de crise máxima, começou a erguer os muros de contenção.

— Ninguém pode saber que eu fui internada, pai — a voz dela saiu áspera, num sussurro cortante que silenciou o quarto. — Ordene à segurança que limpe o registro de entrada deste andar. Seja discreto. Se a imprensa souber do acidente de Jimin e o meu colapso médico no mesmo dia, o mercado entra em pânico antes da abertura da bolsa. As ações da holding vão derreter e tudo o que nós construímos vai quebrar. Entendeu?

Daniel Lee piscou, surpreso com a frieza cirúrgica da filha mesmo após receber a notícia da morte do marido. Ele assentiu lentamente, um brilho de satisfação cruel passando por suas pupilas.

— Claro. Vou cuidar disso imediatamente.

Duas horas depois, contra as recomendações médicas, SN obteve a alta sob sigilo. Ela não voltou para a cobertura em Seongbuk-dong. Seu carro seguiu direto para o necrotério central, onde o perímetro já estava blindado pela segurança executiva.

Minho estava sentado em uma cadeira de metal no corredor subterrâneo, com a cabeça baixa e os cotovelos apoiados nos joelhos. Sua postura era rígida, travada pelo luto e pelo peso de ter testemunhado os procedimentos da perícia na estrada de Guryong. Ao ouvir o som dos saltos de SN batendo no piso de granito, ele ergueu os olhos vermelhos.

— O que os bombeiros disseram, Minho? — ela perguntou, o semblante completamente neutro, uma tela em branco que não permitia a leitura de nenhuma emoção.

Minho hesitou, olhando de soslaio para os lados.

— SN…

— O que eles disseram? — ela repetiu, o tom de voz descendo um oitavo, firme como uma rocha.

Minho engoliu em seco, a dor voltando a quebrar sua voz.

— Disseram que o impacto lateral esmagou a cabine instantaneamente. Ele… ele teve um trauma torácico e craniano massivo, SN. Os legistas confirmaram que o Jimin morreu antes mesmo do carro explodir. Foi imediato. Não houve chances.

SN absorveu cada palavra sem piscar. Nenhum músculo de seu rosto se moveu. Nenhuma lágrima ousou turvar seus olhos. Ela apenas assimilou a informação como se estivesse lendo um relatório de perdas e danos de uma subsidiária.

— Amanhã às oito eu estarei na empresa — ela declarou de forma concisa.

Minho recuou um passo, a expressão misturando choque e incredulidade.

— O quê? Como assim, SN? O seu marido acabou de morrer. O Jimin morreu há poucas horas!

— E os negócios não param, Minho — ela rebateu, virando-se de costas sem dar espaço para contestações. — O mercado abre amanhã com ou sem o CEO. E agora, a governança sou eu.

Na manhã seguinte, Seul acordou sob o impacto da notícia. Com a morte trágica de Park Jimin, o protocolo de comunhão total de bens transferiu automaticamente o controle acionário e o comando absoluto da holding Park para as mãos da viúva.

Às 07h50, SN cruzou o saguão da sede corporativa. Ela estava impecável. O terno sob medida de alfaiataria preta moldava sua silhueta de forma imponente; os cabelos pretos estavam presos em um coque perfeitamente alinhado, e a maquiagem cirúrgica camuflava qualquer vestígio da palidez da noite anterior. Sua postura exalava a aura de uma monarca que assumia o trono sob o cheiro de pólvora. Os funcionários nos corredores recuavam, abaixando a cabeça em um silêncio reverencial misturado com puro pavor.

No final da tarde, o funeral seguiu os ritos tradicionais coreanos em um pavilhão reservado no prestigiado Hospital Samsung. O ambiente estava decorado com imensos arranjos de crisântemos brancos que cercavam o retrato oficial de Jimin emoldurado por uma fita preta. O incenso queimava continuamente, enchendo o ar com uma névoa densa e aromática.

SN permaneceu na posição de anfitriã principal do luto, curvando-se formalmente diante dos ministros, CEOs e embaixadores que vinham prestar condolências. Ela não chorou uma única vez. Enquanto a Sra. Park (mãe de Jimin) desabava em soluços no canto do salão, SN mantinha o queixo erguido, os olhos escuros focados no vazio, recebendo os cumprimentos com uma polidez gélida.

Assim que a cerimônia terminou e os convidados se retiraram, SN não voltou para casa. Ela retornou à sede da holding. Passava das vinte e duas horas quando ela entrou na sala da presidência executiva. O andar estava completamente deserto, as luzes automáticas reduzidas à iluminação de segurança. SN sentou-se na cadeira de couro que pertencera a Jimin, olhando para a imensa mesa de jacarandá vazia. Ali, no silêncio absoluto do império que agora comandava sozinha, ela apenas respirou fundo, permitindo que a escuridão da sala a cobrisse como uma armadura.

Enquanto SN habitava o silêncio da holding, em uma sala VIP de um clube privado em Gangnam, o clima era de celebração. Daniel Lee girava uma taça de uísque caro, cercado pelo deputado Choi e outros dois diretores dissidentes que haviam arquitetado o cerco à Construtora Lee nas semanas anteriores.

— Um brinde ao destino e às suas ironias — o deputado Choi riu, batendo sua taça contra a de Daniel. — O garoto achou que controlava o tabuleiro completo, e agora virou cinzas em Incheon. A holding está acéfala.

— Acéfala não — Daniel corrigiu, um sorriso predatório desenhando-se em seus lábios enquanto dava uma tragada em seu charuto. — Minha filha assumiu o controle total hoje de manhã. E o melhor de tudo, meus amigos… o dinheiro e o poder envolvidos nisso são infinitamente maiores do que vocês calculam. A SN está grávida.

Os homens na mesa pararam, os olhos se arregalando antes que risadas volumosas preenchessem o ambiente de luxo.

— Um herdeiro? — o diretor dissidente comentou, impressionado. — Daniel, isso é um xeque-mate.

— Exatamente — Daniel concluiu, os olhos brilhando com uma malícia sombria. — A SN está sob uma pressão psicológica tremenda, embora tente esconder. É apenas uma questão de tempo. Nas próximas semanas, o desgaste vai cobrar o preço e ela vai me dar espaço lá dentro. Eu vou assumir a transição da construtora e, eventualmente, a governança da holding. Nós vencemos.

O tempo avançou em uma cadência brutal nas três semanas que se seguiram. A reação de SN à tragédia transformou-se no assunto principal de Seul. A imprensa especializada em negócios e os tabloides de fofoca operavam em extremos opostos.

Nas redes sociais e nos programas de TV, a opinião pública começou a atacá-la impiedosamente. A mídia a apelidou de “A Viúva Negra”. Os tabloides alimentavam teorias conspiratórias, destacando o fato de ela ter se casado sob o protocolo de comunhão total de bens e, dez dias depois, assumir o império bilionário sem ter derramado uma única lágrima pública.

Na entrada da sede da holding, o cenário tornou-se hostil. Pequenos grupos de manifestantes e curiosos começaram a cercar o perímetro de segurança.

— Assassina! Você matou o Park Jimin! — um homem gritou da multidão em uma manhã de quinta-feira, tentando arremessar um ovo em direção à SN enquanto ela desembarcava do carro blindado.

O ovo estourou contra o escudo de acrílico de um dos guardas da escolta avançada. SN nem sequer desviou o olhar. Ela continuou sua caminhada em direção às portas de vidro, a postura impecável, o salto agulha batendo com firmeza contra o granito da calçada, ignorando os flashs e os xingamentos da multidão que a perseguia com lentes focadas em seu rosto maquiado à perfeição.

No entanto, no andar da alta finança, o efeito era inverso. O mercado de capitais não se importava com lágrimas; importava-se com números. E SN estava entregando resultados que Seul nunca havia visto. Sua gestão era ainda mais agressiva e cirúrgica que a de Jimin. Ela reestruturou as subsidiárias de Incheon em tempo recorde, esmagou as flutuações e alavancou o valor das ações da holding a patamares históricos, alcançando marcas que a empresa jamais havia registrado no gráfico do terceiro trimestre. Os grandes fundos de investimento internacionais começaram a injetar capital massivo na holding, fascinados pela liderança implacável da nova CEO.

Foi nesse cenário de pressão externa máxima que a estratégia de Daniel Lee começou a funcionar. Percebendo o volume de trabalho e o desgaste oculto que a gravidez de quase sete semanas começava a impor ao corpo da filha, Daniel ofereceu suporte técnico e gerencial de forma insistente. Precisando blindar as decisões do conselho contra os ataques da mídia e focar na expansão internacional, SN aceitou.

Ela assinou a nomeação. Daniel Lee entrou na holding Park ocupando um cargo de altíssima relevância executiva na divisão de infraestrutura e transição de ativos, ganhando uma sala no décimo sétimo andar.

Minho, ao receber a cópia do decreto de nomeação em seu terminal de segurança, entrou na sala de SN com o rosto rígido de pura indignação. Ele jogou o documento sobre a mesa de vidro.

— Você colocou o nosso pai lá dentro, SN? Um cargo de alta diretoria na holding do Jimin? — Minho perguntou, a voz trêmula de incredulidade. — Depois de tudo o que o Jimin fez para manter os parasitas longe da governança?

SN ergueu os olhos do tablet, a expressão fria e reclusa que mantinha desde o funeral voltando-se para o irmão.

— O mercado precisa de sinais de estabilidade familiar na diretoria, Minho. Daniel Lee tem os contatos que a subsidiária precisa para fechar o trimestre sem ruídos — ela respondeu, o tom de voz desprovido de qualquer calor. — É uma decisão puramente administrativa.

Minho observou a irmã por longos segundos, sentindo a distância intransponível que ela havia criado ao redor de si. Ele recolheu o documento da mesa, a mandíbula travada enquanto engolia a própria frustração.

— Tudo bem, CEO Park — ele disse, a ironia amarga disfarçando a dor. — São as suas ordens. Eu vou apenas acatar e garantir o perímetro. Afinal, é o meu trabalho.

Minho virou-se e saiu da sala, fechando a porta com firmeza. SN voltou os olhos para os gráficos digitais na tela, isolada em seu trono de silêncio e cinzas, enquanto o tabuleiro corporativo aceitava a peça de Daniel, sem que nenhum deles soubesse o preço real que aquela concessão cobraria no final do jogo.

11 Comentários

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  1. Iasmine
    Jul 5, '26 at 12:59 pm

    — O médico disse que foi uma síncope por estresse agudo — Daniel continuou, segurando a mão fria da filha com uma pressão firme, quase possessiva. — O bebê está seguro, SN. Mas você precisa de repouso absoluto. Eu fiquei terrivelmente preocupado…

    Aii bla bla bla.. não suporto esse deabu lee

  2. Iasmine
    Jul 5, '26 at 12:59 pm

    — E os negócios não param, Minho — ela rebateu, virando-se de costas sem dar espaço para contestações. — O mercado abre amanhã com ou sem o CEO. E agora, a governança sou eu.

    Manoo?? Ela so pode ta de brincadeira ne

  3. Iasmine
    Jul 5, '26 at 1:00 pm

    — Exatamente — Daniel concluiu, os olhos brilhando com uma malícia sombria. — A SN está sob uma pressão psicológica tremenda, embora tente esconder. É apenas uma questão de tempo. Nas próximas semanas, o desgaste vai cobrar o preço e ela vai me dar espaço lá dentro. Eu vou assumir a transição da construtora e, eventualmente, a governança da holding. Nós vencemos.

    Aiiiii que odio, o mal ta vencendo isso mesmo?

  4. Iasmine
    Jul 5, '26 at 1:01 pm

    — O mercado precisa de sinais de estabilidade familiar na diretoria, Minho. Daniel Lee tem os contatos que a subsidiária precisa para fechar o trimestre sem ruídos — ela respondeu, o tom de voz desprovido de qualquer calor. — É uma decisão puramente administrativa.

    Não.. na moral, pra mim deu vei QUE ODIO, esse capítulo ta me dando raiva

  5. Marcela
    Jul 5, '26 at 1:54 pm

    — E os negócios não param, Minho — ela rebateu, virando-se de costas sem dar espaço para contestações. — O mercado abre amanhã com ou sem o CEO. E agora, a governança sou eu.

    Rpz, essa frieza dela tá me deixando nervosa :0

  6. Marcela
    Jul 5, '26 at 1:57 pm

    [quote]SN permaneceu na posição de anfitriã principal do luto, curvando-se formalmente diante dos ministros, CEOs e embaixadores que vinham prestar condolências. Ela não chorou uma única vez. Enquanto a Sra. Park (mãe de Jimin) desabava em soluços no canto do salão, SN mantinha o queixo erguido, os olhos escuros focados no vazio, recebendo os cumprimentos com uma polidez gélida.

    Que frieza é essa SN, tu n é assim veeelho

  7. Marcela
    Jul 5, '26 at 2:01 pm

    [quote]Enquanto SN habitava o silêncio da holding, em uma sala VIP de um clube privado em Gangnam, o clima era de celebração. Daniel Lee girava uma taça de uísque caro, cercado pelo deputado Choi e outros dois diretores dissidentes que haviam arquitetado o cerco à Construtora Lee nas semanas anteriores.

    Alguém pode jogar uma bomba ali, fazendo uma imenso favor??

  8. Marcela
    Jul 5, '26 at 2:05 pm

    [quote]Foi nesse cenário de pressão externa máxima que a estratégia de Daniel Lee começou a funcionar. Percebendo o volume de trabalho e o desgaste oculto que a gravidez de quase sete semanas começava a impor ao corpo da filha, Daniel ofereceu suporte técnico e gerencial de forma insistente. Precisando blindar as decisões do conselho contra os ataques da mídia e focar na expansão internacional, SN aceitou.

    NAAAAAAAUM SN, ( ESCRITORA, DEIXA EU FALAR COM ELA 2 MINUTINHOS ALI NO CANTO, PFV )

  9. Marcela
    Jul 5, '26 at 2:07 pm

    [quote]— O mercado precisa de sinais de estabilidade familiar na diretoria, Minho. Daniel Lee tem os contatos que a subsidiária precisa para fechar o trimestre sem ruídos — ela respondeu, o tom de voz desprovido de qualquer calor. — É uma decisão puramente administrativa.

    Tou decepcionada com você SN, esse povo só tá me decepcionando
    Obs: ( A escritora também)

  10. Thamiris
    Jul 18, '26 at 8:41 pm

    A voz de Daniel Lee veio do canto do quarto. Ele se aproximou da cama a passos rápidos, com o semblante carregado por uma expressão de pânico e urgência. Havia um suor genuíno em sua testa, uma agitação que qualquer médico atribuiria ao desespero de um pai. E, de certa forma, era. Para Daniel, aquela gravidez recém-descoberta não era apenas a continuidade de uma linhagem; era um baú de ouro. O sangue Park que agora crescia no ventre de SN representava a chave mestra para trancar qualquer contestação legal sobre o espólio da holding. Se o herdeiro legítimo estava sob o teto dos Lee, o império estava garantido.

    Nojento não tava nem preocupado com a própria filha
    Só queria saber a do que ia ganhar com aquela criança

  11. Thamiris
    Jul 18, '26 at 8:49 pm

    Ela assinou a nomeação. Daniel Lee entrou na holding Park ocupando um cargo de altíssima relevância executiva na divisão de infraestrutura e transição de ativos, ganhando uma sala no décimo sétimo andar.

    Ah eu não creio não
    Tá tapada tá doida tá cega
    Qual é sn

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