Capítulo 24 – O Eco do Vidro
por FanfiqueiraA fumaça preta que subia dos limites da antiga marina de Incheon cortava o céu de forma densa, transformando os primeiros quilômetros da Estrada de Guryong em um gargalo de sirenes e luzes vermelhas intermitentes. O tráfego estava retido. O sedã executivo de Daniel Lee avançava a passos lentos pelo acostamento lamacento, os pneus mastigando o cascalho úmido enquanto o reflexo dos girofres dos primeiros carros de patrulha dançava contra o vidro fumê do veículo.
SN mantinha o corpo tenso no banco do passageiro. Ela inclinou-se para a frente, apoiando a mão espalmada contra o painel, tentando enxergar através da névoa e do bloqueio que começava a se formar duzentos metros adiante. O perímetro do impacto já estava cercado por três viaturas de bombeiros e duas ambulâncias com os estrobos ligados, bloqueando a visão direta do núcleo do acidente. Dava para ver apenas a silhueta retorcida de um caminhão de carga pesada e, mais atrás, o brilho violento das chamas que os homens de farda amarela tentavam conter com jatos de espuma química.
Um calafrio involuntário subiu pela espinha de SN. Ela cobriu o ventre de forma sutil, um gesto defensivo que se tornara instintivo nas últimas semanas.
— Que horror… — ela sussurrou, a voz saindo baixa, os olhos fixos na cortina de fumaça que subia pesada. — Espero que ninguém tenha morrido.
Daniel Lee manteve as duas mãos no volante, a expressão imperturbável, os olhos fixos na rota de fuga que o guarda de trânsito começava a abrir para os veículos que desviavam em direção à marina lateral.
— Rotas industriais à noite são sempre um risco, SN — Daniel respondeu, o tom de voz equilibrado, quase clínico. — Motoristas cansados, carga excessiva. É por isso que eu insisti em dirigir.
O sedã dos Lee contornou o bloqueio pela via secundária, deixando para trás o som das sirenes e o cheiro de borracha queimada que começava a invadir o sistema de ventilação do carro.
O L’Horizon fazia jus ao isolamento que Daniel havia prometido. Erguido sobre uma antiga estrutura de píer reformada, o restaurante tinha poucas mesas ocupadas e uma iluminação baixa, focada nas grandes vidraças que davam para o Mar do Sul. O som do piano de cauda ao fundo tentava abafar o silêncio desconfortável que começava a se instalar na mesa de canto, reservada sob o sobrenome Lee.
SN olhou para o relógio de pulso pela quarta vez. 20h15. Quarenta e cinco minutos haviam se passado desde que ela cortara a ligação com Jimin. O menu continuava fechado sobre o linho escuro da mesa.
— O Jimin é um homem pontual, SN — Daniel observou, servindo-se de um pouco de água, mantendo o semblante calmo de quem apenas desfrutava de um momento familiar. — Mas o trânsito daquela área estava caótico, como nós vimos. Como ele ainda não chegou, eu vou fazer companhia a você até que ele apareça. Não seria adequado deixar minha filha grávida esperando sozinha em um ambiente público.
— Ele já deveria estar aqui, pai — ela respondeu, a voz firme, mas os dedos digitando rapidamente na tela do celular. Nenhuma mensagem visualizada. Nenhuma resposta. — O trajeto dele de Seul até aqui não deveria passar pelo bloqueio principal se ele pegasse a via expressa norte.
Mais trinta minutos se arrastaram como horas. A comida que o garçom sugerira foi dispensada com um aceno mecânico de SN. Às 21h00, a linha de paciência e controle que ela sempre ostentara se desfez.
Ela se levantou da cadeira de couro, segurando o celular contra a palma da mão úmida, e caminhou até o recuo da vidraça, longe dos ouvidos dos pais. Ela discou o número de Jimin. O sinal chamou até cair na caixa postal pela terceira vez consecutiva. Aquilo não era do feitio dele. Jimin nunca deixava o aparelho desligado ou fora de área, especialmente depois de uma conversa onde ela deixara claro que precisava vê-lo.
O estômago de SN contraiu-se em um nó doloroso. O suor frio na nuca a fez buscar o próximo número na lista de discagem rápida. Minho.
O telefone chamou apenas duas vezes antes de ser atendido.
— Minho? — SN chamou, a voz saindo mais rápida do que o planejado. — O Jimin pegou o carro? Ele veio para o restaurante ao meu encontro? Por que ele não chegou até agora? Ele está com você na holding?
Do outro lado da linha, o silêncio que se seguiu foi pesado, quebrado apenas por um som trêmulo e sufocado. Quando a voz de Minho finalmente veio, ela estava completamente embargada, grossa, arrastada pelo choque.
— SN… — Minho tentou falar, mas a voz falhou, um soluço baixo escapando pelo microfone.
— Minho, me responde — ela exigiu, o tom subindo, a armadura corporativa trincando por inteiro. — Onde está o Jimin?
— O Jimin… ele não vai chegar, SN — Minho soltou, a voz quebrando em um choro descontrolado que ele tentava, em vão, conter. — Houve um acidente na rota de Guryong… O carro dele. O caminhão pegou ele de lado, SN. O Jimin… ele morreu no acidente. Eu estou aqui agora… cuidando das coisas com a perícia. Ele se foi.
O mundo ao redor de SN simplesmente emudeceu. O som do piano, o murmúrio do restaurante, o barulho das ondas contra o píer — tudo sumiu, substituído por um zumbido agudo que parecia perfurar seus tímpanos. As palavras de Minho entraram em sua mente como estilhaços de vidro. Morreu. O carro. Ele se foi.
A tela do celular escorregou de seus dedos, caindo sem ruído sobre o tapete grosso do restaurante. O ar sumiu de seus pulmões de uma vez só. Suas pernas, antes firmes, perderam a sustentação. Ela sentiu o peso do próprio corpo desabar, a visão escurecendo pelas bordas até que a escuridão total a tragasse antes mesmo que seus joelhos tocassem o chão. O grito abafado de sua mãe foi a última coisa que ecoou na penumbra.
No perímetro do entroncamento da marina de Incheon, a chuva começara a cair, mas não era suficiente para apagar o calor que ainda emanava do chassi retorcido do sedã blindado da holding Park. A área estava isolada por fitas amarelas da polícia nacional.
Minho estava de pé a poucos metros da carcaça fumegante, com o terno escuro manchado de cinza e água. O rosto do jovem estava desfigurado pelo choro recente, os olhos vermelhos e fixos no chão, onde os paramédicos terminavam de recolher os equipamentos de emergência. A dor de perder o homem que se tornara seu aliado mais próximo e o terror pelo que aquilo faria com sua irmã o deixavam trêmulo, completamente arrasado, os ombros caídos sob o peso da tragédia.
O capitão da equipe de bombeiros, vestindo o casaco impermeável pesado e com o rosto sujo de fuligem, aproximou-se de Minho, segurando uma prancheta metálica. Ele olhou para o jovem executivo com uma seriedade gélida, tirando o capacete de proteção.
— Senhor Lee? — o oficial chamou, a voz grave, afetada pela exaustão da operação.
Minho limpou o rosto com a manga do paletó, tentando focar o olhar.
— Sim… sou eu. Como… como foi o procedimento? O resgate…
O bombeiro soltou uma respiração pesada, balançando a cabeça negativamente de forma lenta.
— Não houve tempo para o resgate, senhor. O impacto lateral do veículo de carga foi direto na célula de sobrevivência do motorista. A desaceleração e a compressão do metal foram absolutas.
O homem fez uma pausa, olhando para os destroços pretos antes de continuar de forma direta:
— Ele não teve chances. O impacto causou um trauma cranioencefálico e torácico maciço instantâneo. O motorista morreu antes mesmo do carro explodir e pegar fogo. Não houve sofrimento após a batida, o óbito foi imediato no momento do choque. Sinto muito.
Minho cobriu a boca com a mão, virando o rosto para o lado enquanto o choro voltava a dominar seu peito de forma violenta. Ele desabou contra a lateral da viatura da polícia, os olhos fixos na fumaça que persistia em subir da estrutura retorcida.
[quote]— Rotas industriais à noite são sempre um risco, SN — Daniel respondeu, o tom de voz equilibrado, quase clínico. — Motoristas cansados, carga excessiva. É por isso que eu insisti em dirigir.
Cala a boca, praga de faraó
Eu tou é com odiiio de tu, veio seboso
[quote]— O Jimin é um homem pontual, SN — Daniel observou, servindo-se de um pouco de água, mantendo o semblante calmo de quem apenas desfrutava de um momento familiar. — Mas o trânsito daquela área estava caótico, como nós vimos. Como ele ainda não chegou, eu vou fazer companhia a você até que ele apareça. Não seria adequado deixar minha filha grávida esperando sozinha em um ambiente público.
A minha vontade é de passar pelo celular, e já chegar dando uma voadora nesse veio nojento
[quote]— O Jimin… ele não vai chegar, SN — Minho soltou, a voz quebrando em um choro descontrolado que ele tentava, em vão, conter. — Houve um acidente na rota de Guryong… O carro dele. O caminhão pegou ele de lado, SN. O Jimin… ele morreu no acidente. Eu estou aqui agora… cuidando das coisas com a perícia. Ele se foi.
NAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO, DIZ QUE É MENTIRAAA DIZ
N ACEITOO QUE ELE TENHA MORRIDO
Acabou a graça, TCHAU
[quote]— Ele não teve chances. O impacto causou um trauma cranioencefálico e torácico maciço instantâneo. O motorista morreu antes mesmo do carro explodir e pegar fogo. Não houve sofrimento após a batida, o óbito foi imediato no momento do choque. Sinto muito.
( EMOJI DE CHORO 10 VEZES)
É seu deabu Lee? Também é otimo para crimes não é mesmo
O prêmio de ator fdp vai para…….. DEABUU LEE… PARABÉNS DEABU
O “acidente” que você viu SN, seu pai te levou pra assistir tudo uhuuuu palmas
Sabe escritora, eu não to aceitando essa morte… espero que ele tenha colocado um duble nessa cena, um boneco sei la, qualquer coisa. Ele não pode ter sido tão burro e inocente assim
Nem sempre mas quase sempre um caminhão de carga
Só falta esse caminhão ser branco kkk
Quero crê que isso é um plano de vocês
Pelo amor de Deus
[quote]— Não houve tempo para o resgate, senhor. O impacto lateral do veículo de carga foi direto na célula de sobrevivência do motorista. A desaceleração e a compressão do metal foram absolutas. [/quote
Moço seja direto, fale a minha língua
É mentira né
Se isso for verdade
Dona Letícia vai pegar uns cascudos
Não creio que eu voltei a ler para isso não Letícia
Eu não aceito a morte dele