Capítulo 26 – O Eco do Mármore
por FanfiqueiraO silêncio do Columbário de Cheongah Park, nos arredores montanhosos de Seul, tinha a densidade de um mausoléu imperial. Ali, as paredes de mármore branco estendiam-se do chão ao teto, divididas em milhares de nichos cúbicos de vidro blindado que guardavam as cinzas e as memórias da elite coreana. Às seis da manhã, o lugar estava completamente deserto. A luz cinzenta da aurora filtrava-se pelas imensas vidraças, projetando sombras longas sobre o piso polido que refletia, como um espelho escuro, a silhueta solitária de SN.
Ela estava vestida inteiramente de preto: um sobretudo de lã texturizada, luvas de pelica e os saltos agulha que, pela primeira vez em semanas, não batiam com a arrogância habitual contra o chão. SN caminhou até o nicho de número 1013. Atrás do vidro impecável, repousava a urna de porcelana escura com as cinzas de Park Jimin, ladeada por um arranjo minimalista de flores brancas desidratadas e a fotografia oficial do funeral. Na imagem, os olhos escuros e intensos de Jimin pareciam fitar o vazio com a mesma altivez predatória que ele ostentava em vida.
SN parou. Durante vinte e um dias, ela havia evitado aquele lugar a todo custo. Ela se proibira de chorar na cobertura deles, proibira seu corpo de fraquejar nas salas de diretoria e trancara qualquer vestígio de dor sob camadas de maquiagem cirúrgica. Mas ali, diante daquela foto, a armadura rachou.
Seus joelhos cederam. Sem se importar com o mármore gélido, ela desabou no chão, as mãos enluvadas apoiando-se contra a base do nicho de vidro. O primeiro som a escapar de sua garganta foi um soluço sufocado, rasgado, que ecoou pelas galerias vazias do columbário. E então, o dique que retinha semanas de agonia rompeu-se por completo.
— Me desculpa… me desculpa não ter vindo antes, Jimin… — ela falou entre soluços violentos, o corpo inteiro tremendo enquanto as lágrimas quentes lavavam a base do mármore, borrando o rímel e expondo a palidez crua de seu rosto. — Eu precisava… eu precisava encerrar aquela parte crucial da fusão na holding. Eu precisava garantir os ativos de Incheon que você lutou tanto para estruturar. Eu não podia deixar que aqueles parasitas destruíssem o que você construiu. Eu fiz isso por você, Park… para que nenhum dos seus esforços tenha sido em vão.
Ela encostou a testa contra o vidro frio, chorando muito, os ombros sacudindo de forma descontrolada. Era o choro de uma mulher que estava sendo dilacerada viva pela opinião pública, mas que precisava se manter de pé.
— Eu preciso ser forte… preciso ser forte por nós — ela sussurrou, a voz trêmula de exaustão, levando uma das mãos ao ventre ainda plano. — Se eu tiver que agir e fingir que sou uma mulher fria, uma sanguinária ou a Viúva Negra que eles dizem na TV… é assim que eu vou ser. Eu vou aceitar o inferno que for para proteger a sua memória e o bebê que eu estou esperando. Eu não vou deixar a sua empresa desabar, Jimin… mesmo que, para isso, eu tenha que me aliar ao meu pai e dar espaço para ele no conselho.
Com os olhos fixos na fotografia dele, SN desabafou o segredo que a sufocava:
— Foi por isso que eu mudei, Jimin… Por isso eu estava tão estranha em Namhae. Naquele dia em que fui ao médico e descobri a gravidez, eu fiquei apavorada. Eu não sabia se você ia querer um filho agora, no meio dessa guerra corporativa… A minha mãe percebeu o meu mal-estar, ela me acompanhou nos exames, ela foi meu único apoio quando eu achei que ia te perder. E no dia em que eu fui ao seu encontro naquele restaurante para te contar tudo… para te dizer que o nosso sonho estava acontecendo… aquela maldita estrada tirou você de mim.
Ela chorou até faltar ar em seus pulmões, os soluços ecoando como preces desesperadas no columbário vazio. SN permaneceu ali, de joelhos, entregando ao silêncio de Jimin toda a dor que o mundo exterior a proibia de sentir.
Às 08h30, o sedã blindado da presidência parou em frente à sede da holding Park. No banco de trás, SN terminou de limpar os vestígios do choro com um lenço de papel. Ela refez a maquiagem com precisão mecânica, cobrindo as olheiras e retocando o batom escuro. A armadura estava de volta.
Ao abrir a porta do carro, o som ensurdecedor da multidão a atingiu como uma onda de choque. O perímetro estava pior do que nunca. Mais de cinquenta repórteres empunhavam microfones e dezenas de manifestantes seguravam cartazes depreciativos.
— Viúva Negra! Quanto custou a vida do seu marido? — um manifestante gritou através de um megafone.
SN avançou, cercada por uma linha de seis seguranças com escudos de acrílico. Os flashes das câmeras pipocavam como estalos de eletricidade estática. Ela mantinha o queixo erguido, os olhos fixos nas portas giratórias de v idro.
Foi quando a linha de contenção falhou.
Um homem jovem, vestindo um casaco com capuz escuro, jogou-se com violência entre dois guardas, quebrando o ciclo de proteção. O brilho do metal reluziu sob a luz matinal. Ele avançou direto contra SN com uma faca de caça.
O reflexo dela foi puramente instintivo: ela girou o corpo para proteger o ventre. A lâmina rasgou o tecido de seu sobretudo e cortou a pele de seu antebraço esquerdo. Uma queimação aguda a atingiu, e o sangue vermelho-vivo começou a manchar a lã preta. Os seguranças morderam o asfalto, derrubando o agressor com violência contra o chão.
Antes que SN pudesse dar o próximo passo para entrar no prédio, Daniel Lee, que vinha logo atrás na escolta secundária, jogou-se à frente dela de forma teatral e escandalosa. Ele abriu os braços, postando-se como um escudo humano diante das lentes dos fotógrafos, e gritou com uma voz desesperada que ecoou por toda a avenida:
— Afastem-se! Tenham compaixão! Ela está grávida! Minha filha está grávida, pelo amor de Deus! Tenham mais cuidado com ela!
O silêncio que se seguiu na calçada foi imediato e estarrecedor. Os manifestantes congelaram. Os repórteres piscaram, em choque completo com a revelação que SN tentara ocultar a todo custo. Uma fração de segundo depois, o caos absoluto estourou. Os flashes das câmeras triplicaram de intensidade, uma tempestade de luzes brancas atingindo o rosto de SN, que fixou um olhar de puro ódio e traição nas costas do pai. Daniel havia usado o maior segredo dela como moeda de troca para se consolidar como o protetor da nova linhagem diante da opinião pública.
O impacto da revelação de Daniel Lee empurrou a holding Park para o meio de um furacão que durou dias. Nos dias seguintes, o caos extremo instalou-se em todos os setores da empresa. A notícia de que a “Viúva Negra” carregava o herdeiro legítimo de Park Jimin levantou suspeitas ainda mais sombrias na mídia e no Ministério Público.
Especulações de que a gravidez e o acidente faziam parte de um plano de ascensão ao poder começaram a pipocar em todos os jornais. As ações da empresa começaram a oscilar de forma perigosa na bolsa de Seul, despencando três por cento em uma única tarde, gerando pânico entre os investidores internacionais. Como se não bastasse, uma investigação oficial sobre fraude corporativa e negligência de segurança foi aberta pelas autoridades, trazendo investigadores federais para dentro do complexo.
No final daquela semana, o nono andar da sede parecia uma zona de guerra administrativa. Policiais e peritos recolhiam arquivos de auditoria, caixas de documentos eram transportadas pelos corredores e funcionários falavam ao telefone em tons sussurrados de puro desespero. Minho tentava coordenar a segurança interna contra a invasão dos federais, enquanto Daniel Lee aproveitava o cenário para dar ordens e tentar acalmar os diretores, agindo como o verdadeiro comandante interino da crise.
No centro do saguão do andar executivo, dois investigadores seniores batiam boca com os advogados da holding, criando uma barreira de barulho e papéis espalhados sobre o balcão de atendimento. O caos era absoluto. A holding Park parecia estar ruindo sob o peso de suas próprias intrigas.
Até que o som dos alarmes das portas privadas de segurança cessou.
Um silêncio súbito e magnético começou a se arrastar a partir do elevador presidencial, subindo pelo corredor como uma onda de gelo. Um a um, os funcionários travaram. Os policiais pararam de falar. Minho congelou com os papéis na mão, e Daniel Lee lentamente virou o rosto em direção à entrada principal.
Passando pela porta dupla de vidro, com a postura perfeitamente ereta e os passos firmes ditando a cadência do ambiente, um homem avançou. Ele vestia um terno de três peças cinza-escuro, sob medida, completamente impecável. O corte de cabelo estava alinhado, as mãos estavam parcialmente recolhidas nos bolsos da calça, e o semblante exalava a mesma arrogância fria e calculada que governava aquele império.
Era Park Jimin.
Ele parou no centro do saguão ensolarado, olhando para os policiais, para as caixas de documentos e, finalmente, fixando os olhos escuros e cortantes no rosto empalidecido de Daniel Lee. Um sorriso de canto, predatório e letal, desenhou-se em seus lábios.
Jimin ajeitou a lapela do paletó com um movimento calmo e soltou a voz rouca, que cortou o silêncio do andar como uma lâmina:
— Os rumores sobre a minha morte são um tanto exagerados, não acham?
[quote]— Me desculpa… me desculpa não ter vindo antes, Jimin… — ela falou entre soluços violentos, o corpo inteiro tremendo enquanto as lágrimas quentes lavavam a base do mármore, borrando o rímel e expondo a palidez crua de seu rosto. — Eu precisava… eu precisava encerrar aquela parte crucial da fusão na holding. Eu precisava garantir os ativos de Incheon que você lutou tanto para estruturar. Eu não podia deixar que aqueles parasitas destruíssem o que você construiu. Eu fiz isso por você, Park… para que nenhum dos seus esforços tenha sido em vão.
Ela vai e coloca o pai dela na empresa AAAAAAA
[quote]O reflexo dela foi puramente instintivo: ela girou o corpo para proteger o ventre. A lâmina rasgou o tecido de seu sobretudo e cortou a pele de seu antebraço esquerdo. Uma queimação aguda a atingiu, e o sangue vermelho-vivo começou a manchar a lã preta. Os seguranças morderam o asfalto, derrubando o agressor com violência contra o chão.
1 reação de uma mãe, proteger o filho
[quote]— Afastem-se! Tenham compaixão! Ela está grávida! Minha filha está grávida, pelo amor de Deus! Tenham mais cuidado com ela!
ESSE VEIO TA ME TIRANDO A PAZ, DAQUI DA MINHA CASA NUM DOMINGO?? Sério msm??
[quote]Era Park Jimin.
Ele VOLTOOOOU PORRA, ELE N MORREEEEU
PEGAAA MERDAAAAA
FOGO NO PARQUINHO
[quote]— Os rumores sobre a minha morte são um tanto exagerados, não acham?
O MAL NAO PREVALECEEUU
Meio tarde demais pra isso não acha?
Cassete foi por pouco, pouquíssimo mesmo
Aaaaah ele tinha que dar o showzinho dele, esse deabu lee é um fdp mesmo
Manooo o cara instalou um caos com esse anúncio pqp
Aaaaaaah sabia que ele tava VIVAO PORRA… a SN ta fudida, pq ate explicar que ela não tava junto com o pai vai ser babado
Aaaaaah pequena
Ninguém é de ferro
Mas bem aí foi burrice viu
Cadelo, sem vergonha,anunciando pra todo mundo que a filha tá grávida
Pega p***aaaaaaaa
Sabia que ele não poderia morrer
Aaaaaaahhhhhhh
Eu nunca duvidei de você
Eu amo essa escritora ela nunca me decepciona