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O amanhecer sobre Seul nunca pareceu tão limpo. As manchetes dos principais jornais econômicos e os portais de notícias mundiais haviam sofrido uma guinada histórica em menos de vinte e quatro horas. As telas de LED dos edifícios de Gangnam, que antes estampavam o rosto de SN sob o título cruel de “A Viúva Negra”, agora exibiam imagens da coletiva de imprensa oficial da holding Park. O tom da mídia mudara de acusatório para reverencial. “A Linha de Frente do Império: Como a CEO Park SN e Park Jimin arquitetaram a maior contra-ofensiva corporativa da década contra a fraude industrial.”

A opinião pública, que semanas antes tentava apedrejá-la na entrada do complexo, agora a tratava como uma mente genial, uma mulher que suportara o peso do luto simulado e os ataques mais vis para proteger o legado do marido e blindar as estruturas da empresa contra os verdadeiros criminosos. O mercado acionário reagira com um otimismo sem precedentes: as ações da holding Park abriram a quinta-feira registrando uma alta histórica de doze por cento, quebrando todos os recordes anteriores.

O silêncio do Columbário de Cheongah Park continuava o mesmo, mas a atmosfera parecia ter perdido o peso fúnebre. Passava das sete da manhã quando a porta de vidro da galeria principal se abriu. Dessa vez, o som dos saltos de SN veio acompanhado por passos firmes e compassados ao seu lado.

Ela usava um vestido de alfaiataria azul-marinho escuro e um casaco leve; os cabelos pretos estavam soltos, moldando um rosto que, finalmente, não precisava de camadas de maquiagem para esconder a exaustão. Sua mão esquerda estava firmemente entrelaçada aos dedos longos e tatuados de Park Jimin.

Eles pararam diante do nicho de número 1013. Jimin olhou para a própria fotografia oficial com a fita preta do luto e soltou um riso baixo, aveludado, antes de passar o braço pela cintura de SN e puxá-la para mais perto de seu corpo.

— Eu tenho que admitir que essa foto não faz justiça ao meu melhor ângulo — ele brincou, o tom de voz calmo quebrando o eco do mármore.

SN encostou a cabeça no ombro dele, deixando um suspiro de puro alívio escapar.

— Você não tem ideia do quanto foi difícil olhar para esse vidro…

Jimin mudou de postura. A diversão sumiu de seus olhos, substituída por uma intensidade profunda e protetora. Ele usou a chave de liberação que a administração do local lhe entregara e abriu a porta do nicho. Com movimentos lentos, ele retirou a urna de porcelana vazia e a fotografia, entregando-as a um dos seguranças que aguardava no corredor externo.

O espaço estava limpo. Vazio.

Jimin virou-se de frente para SN, segurando o rosto dela com as duas mãos, os polegares roçando as maçãs de suas bochechas de forma doce. Ele olhou no fundo dos olhos escuros dela, os mesmos olhos que haviam enfrentado o inferno por ele.

— Acabou, meu amor — ele prometeu, a voz densa de emoção. — Você nunca mais vai precisar chorar sozinha diante de uma parede fria. Nunca mais vai precisar engolir o choro para mostrar força para lobos. Eu estou aqui. Nós vencemos o jogo deles.

SN sorriu, os olhos marejados, mas dessa vez as lágrimas eram de uma felicidade leve, legítima. Ela cobriu as mãos dele com as suas.

— Nós vencemos, Jimin. Nós e o nosso bebê.

Jimin inclinou-se, colando seus lábios aos dela em um beijo calmo, profundo, que selava o fim de uma era de cinzas e o início de um futuro que quase fora roubado deles.

Mais tarde, na sala da presidência da holding, o clima era de reconstrução. Minho entrou no recinto segurando os novos relatórios de governança. Ao ver Jimin sentado em sua cadeira de direito, com SN ao lado revisando os termos da transição da Construtora Lee, o jovem executivo soltou uma respiração audível e jogou os papéis na mesa.

— Eu espero que vocês dois nunca mais me façam fingir um luto daquele tamanho — Minho disse, embora o sorriso em seu rosto traísse sua tentativa de parecer severo. — Eu quase ganhei cabelos brancos tentando segurar os federais e este homem no columbário.

Jimin levantou-se e caminhou até o cunhado, estendendo a mão. Minho a apertou, mas Jimin o puxou para um abraço firme de agradecimento, batendo em suas costas.

— Obrigado, Minho. Por ter sido o escudo dela quando eu não podia aparecer. Eu não esquecerei disso.

— Só garanta que meu sobrinho ou sobrinha nasça longe de auditorias fiscais — Minho brincou, afastando-se com um aceno respeitoso para a irmã antes de sair para coordenar a nova diretoria.

A porta mal se fechara quando a Sra. Lee entrou. A mãe de SN parecia anos mais jovem, o peso da influência opressiva de Daniel finalmente removido de seus ombros. Ela caminhou direto até a filha, abraçando-a de lado com o mesmo calor que demonstrara na biblioteca da mansão semanas antes.

— O Daniel assinou a renúncia total dos direitos de propriedade esta manhã na penitenciária — a Sra. Lee anunciou, a voz firme. — A construtora está limpa, SN. E eu… eu já comecei a organizar os detalhes para o berçário na cobertura. Nada de cores corporativas ou frias. Quero aquele lugar cheio de vida para o meu neto.

SN sorriu, sentindo que, pela primeira vez em toda a sua existência, o suporte familiar era real, desprovido de contratos, ações ou segundas intenções.

A noite de Seul estava estrelada, uma raridade para o início do outono. Na cobertura de Seongbuk-dong, o silêncio rígido e o cheiro de couro novo haviam sido substituídos por uma atmosfera completamente diferente. Havia tapetes macios espalhados pelo chão de taco nobre, pequenas luzes quentes decorando o teto e o som suave de uma caixinha de música tocando uma melodia clássica no fundo da sala.

Jimin estava de pé na imensa varanda de vidro, vestindo apenas uma calça de moletom escura e uma camiseta preta confortável. Seus braços, cobertos de tatuagens, seguravam com uma delicadeza quase divina um pequeno embrulho de mantas brancas. A pequena Park Ji-ah, de apenas três meses, dormia tranquilamente contra o peito do pai, os pequenos dedos gordinhos segurando a gola da camiseta dele.

SN cruzou a porta de correr da varanda, segurando duas xícaras de chá de camomila. Ela usava um vestido leve de algodão, os cabelos presos em um coque frouxo. Ela colocou as xícaras na mesa de apoio e aproximou-se de Jimin por trás, envolvendo a cintura dele com os braços e apoiando o queixo em suas costas, olhando de lado para o rosto sereno da filha.

Jimin inclinou a cabeça para trás, depositando um beijo suave na têmpora de SN, enquanto ajustava o braço ao redor do bebê para que a esposa pudesse tocar a mãozinha da menina.

— Ela tem os seus olhos quando acorda — Jimin sussurrou, o olhar focado na imensidão de Seul iluminada abaixo deles. — Mas tem a teimosia dos dois.

— Ela vai precisar da teimosia se quiser herdar a holding um dia — SN riu baixo, o som saindo limpo e feliz contra a noite.

Jimin virou-se de lado, mantendo o bebê seguro, e envolveu SN em seu abraço. Eles olharam juntos para o horizonte de vidro da cidade que um dia tentara destruí-los, mas que agora se curvava diante do império que construíram. Não o império feito de aço, ações e concreto nas salas de Seul, mas o império real que habitava ali, naquela varanda: feito de cicatrizes superadas, cumplicidade absoluta e um amor que nem a morte fora capaz de quebrar.

— Nós conseguimos, CEO Park — Jimin murmurou contra os lábios dela, os olhos escuros brilhando com a certeza do futuro.

— Nós conseguimos, Diretor Park — ela respondeu, antes de colar seus lábios aos dele, encerrando a última linha do capítulo mais bonito de suas vidas sob o silêncio acolhedor do horizonte.

13 Comentários

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  1. Iasmine
    Jul 5, '26 at 7:40 pm

    A opinião pública, que semanas antes tentava apedrejá-la na entrada do complexo, agora a tratava como uma mente genial, uma mulher que suportara o peso do luto simulado e os ataques mais vis para proteger o legado do marido e blindar as estruturas da empresa contra os verdadeiros criminosos. O mercado acionário reagira com um otimismo sem precedentes: as ações da holding Park abriram a quinta-feira registrando uma alta histórica de doze por cento, quebrando todos os recordes anteriores.

    Essa mídia do caraio viu.. são uns lobo

  2. Iasmine
    Jul 5, '26 at 7:41 pm

    — Acabou, meu amor — ele prometeu, a voz densa de emoção. — Você nunca mais vai precisar chorar sozinha diante de uma parede fria. Nunca mais vai precisar engolir o choro para mostrar força para lobos. Eu estou aqui. Nós vencemos o jogo deles.

    Acho bom mesmo.. a coitada quase teve um treco

  3. Iasmine
    Jul 5, '26 at 7:42 pm

    — Só garanta que meu sobrinho ou sobrinha nasça longe de auditorias fiscais — Minho brincou, afastando-se com um aceno respeitoso para a irmã antes de sair para coordenar a nova diretoria.

    Titio babão certeza hajahah vai ser uma criança mimada

  4. Iasmine
    Jul 5, '26 at 7:42 pm

    — O Daniel assinou a renúncia total dos direitos de propriedade esta manhã na penitenciária — a Sra. Lee anunciou, a voz firme. — A construtora está limpa, SN. E eu… eu já comecei a organizar os detalhes para o berçário na cobertura. Nada de cores corporativas ou frias. Quero aquele lugar cheio de vida para o meu neto.

    Ja posso soltar fogos? Pow pow pow aaaaah finalmente

  5. Iasmine
    Jul 5, '26 at 7:43 pm

    — Nós conseguimos, Diretor Park — ela respondeu, antes de colar seus lábios aos dele, encerrando a última linha do capítulo mais bonito de suas vidas sob o silêncio acolhedor do horizonte.

    Depois de tanto nervoso conseguiram porraaaa

  6. Anne
    Jul 5, '26 at 8:01 pm

    A teimosia dos dois na bebê, vai deixar os dois de cabelos em pé

  7. Anne
    Jul 5, '26 at 8:01 pm

    Nem a mãe de sn aguentava o marido, ficou radiante quando se livrou dele

    1. Marcela
      @AnneJul 5, '26 at 10:58 pm

      [quote]— Obrigado, Minho. Por ter sido o escudo dela quando eu não podia aparecer. Eu não esquecerei disso.

      Minho, MARRY ME

  8. Marcela
    Jul 5, '26 at 10:56 pm

    [quote]— Acabou, meu amor — ele prometeu, a voz densa de emoção. — Você nunca mais vai precisar chorar sozinha diante de uma parede fria. Nunca mais vai precisar engolir o choro para mostrar força para lobos. Eu estou aqui. Nós vencemos o jogo deles.

    AAAA os 3 juntinhos *-*

  9. Marcela
    Jul 5, '26 at 11:01 pm

    [quote]Jimin virou-se de lado, mantendo o bebê seguro, e envolveu SN em seu abraço. Eles olharam juntos para o horizonte de vidro da cidade que um dia tentara destruí-los, mas que agora se curvava diante do império que construíram. Não o império feito de aço, ações e concreto nas salas de Seul, mas o império real que habitava ali, naquela varanda: feito de cicatrizes superadas, cumplicidade absoluta e um amor que nem a morte fora capaz de quebrar.

    AAAAAAA eu amo uma família*-*
    JA TOU COM SDS DESSA FIC 🙁

  10. Thamiris
    Jul 18, '26 at 10:40 pm

    — Ela vai precisar da teimosia se quiser herdar a holding um dia — SN riu baixo, o som saindo limpo e feliz contra a noite.

    Calma
    Não vai jogar essa responsa em cima da neném

  11. Thamiris
    Jul 18, '26 at 10:41 pm

    — Nós conseguimos, Diretor Park — ela respondeu, antes de colar seus lábios aos dele, encerrando a última linha do capítulo mais bonito de suas vidas sob o silêncio acolhedor do horizonte.

    Aaaaahhhhh
    Que perfeitinhos

  12. Thamiris
    Jul 18, '26 at 10:41 pm

    Esse último capítulo valeu a minha raiva

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