Capítulo 27 – Faíscas na Neve
por FanfiqueiraA sala permanecia imersa no crepitar suave da lareira, mas o sono de S/N tornou-se agitado. Yoongi, percebendo o desconforto dela e a instabilidade da temperatura na sala, aproximou-se em silêncio. Com extremo cuidado, passou um braço por baixo de seus joelhos e outro por trás de suas costas, erguendo seu corpo leve do sofá.
Ele a carregou até o único quarto do chalé. Ao deitá-la suavemente sobre o colchão macio e puxar o edredom, o movimento fez com que S/N despertasse. Os olhos dela, ainda pesados pelo cansaço e inchados pelo choro, piscaram devagar contra a penumbra do quarto.
— Yoongi…? — murmurou ela, a voz frágil e quase infantil. Ao ver que ele se afastava para voltar à sala, ela esticou a mão e segurou a barra da manga dele. — Não vai… Fica aqui. Por favor, não me deixa sozinha hoje.
Yoongi parou. Ele olhou para a mão dela segurando seu casaco e suspirou, sentando-se na beirada da cama.
— Você precisa descansar, S/N. Teve um dia pesado — disse ele, com a voz aveludada e calma. — Dorme um pouco. Amanhã cedo eu preparo um café reforçado pra você. Se quiser desabafar mais, eu vou estar aqui pra te ouvir.
Enquanto ele falava, a luz fraca do abajur de cabeceira bateu no rosto dele. Pela primeira vez na noite, S/N notou o pequeno corte na lateral do lábio de Yoongi e a sombra levemente arroxeada ao redor do olho dele, que já estava em processo de cicatrização.
A sobrancelha dela se franziu em confusão. Ela ergueu a mão, tocando com a ponta dos dedos o canto do lábio machucado dele.
— O que é isso…? — perguntou, surpresa. — Yoongi, o seu rosto… Por que você tá machucado?
Yoongi travou por um segundo. Rapidamente, ele desviou o olhar, pegou a mão dela e a afastou com delicadeza de seu rosto. Ele levou os dedos dela aos seus lábios, dando um beijo suave no dorso da mão dela, e segurou-a entre as suas duas mãos em uma tentativa clara de acalmá-la e mudar de assunto.
— Não é nada. Só me machuquei — respondeu ele de forma evasiva, oferecendo um sorriso fraco.
Mas o cérebro de S/N fez uma conexão imediata. A memória recente da dia do último ensaio, veio à tona a marca idêntica no lábio dele durante os ensaios antes da viagem. A veracidade do que via superou a ingenuidade.
Um sorriso seco, totalmente desprovido de humor, surgiu nos lábios de S/N.
— Por um acaso… você e o Jungkook se meteram em alguma briga?
Yoongi paralisou completamente. Os olhos dele se fixaram nos dela, a mente trabalhando rápido para tentar inventar uma desculpa plausível, mas as palavras simplesmente travaram na sua garganta.
— Vocês… brigaram com quem? — insistiu ela, franzindo o teto e erguendo o corpo na cama.
Ao ver o silêncio constrangido de Yoongi e a forma como ele evitava encará-la, a ficha caiu de forma devastadora.
— Espera… — a voz dela falhou. — Vocês dois brigaram entre si? Yoongi, vocês são como irmãos! O que deu em vocês?!
— S/N, não começa… — Yoongi tentou mudar de assunto novamente, mas ela negou com a cabeça, visivelmente indignada e confusa.
Para calar o falatório dela e tirar aquela ideia de sua cabeça, Yoongi se aproximou repentinamente. Ele curvou o corpo sobre a cama, inclinando-se até que seu rosto ficasse a poucos centímetros do dela tão próximo que ela podia sentir a respiração quente dele roçando em seus lábios.
S/N prendeu a respiração. A proximidade excessiva, o calor do corpo dele e o olhar escuro de Yoongi fizeram o coração dela disparar no peito. Em um desabafo involuntário de pura exaustão emocional, ela olhou direto para a boca dele e murmurou:
— Eu deveria ter me apaixonado só por você…
Yoongi congelou. A confusão e um choque profundo atravessaram suas feições.
— Como assim… “só por mim”? — murmurou ele, a voz descendo uma oitava. — Você… não gosta do Jungkook?
— Eu amo ele, Suga… — disse ela, as lágrimas voltando a marejar seus olhos enquanto mantinha o olhar fixo no dele. — Mas… eu aprendi a gostar de você também.
O peito de Yoongi deu um salto violento. Ouvir aquela confissão da mulher que ele amava em segredo há tanto tempo fez seu mundo sair do eixo. No entanto, o realismo prático de sua mente logo tentou erguer uma barreira de proteção.
— Eu sei que você só me vê como amiga… uma amizade colorida… — continuou S/N, a voz embargada. — Mas confesso que você mexe muito comigo.
Yoongi engoliu em seco e recuou alguns centímetros, tentando manter a sanidade.
— É melhor você voltar a dormir — disse ele, a voz ligeiramente trêmula enquanto balançava a cabeça. — Você tá alucinando, falando besteiras. Tá magoada com ele por causa do que aconteceu no hotel e por isso tá dizendo essas coisas.
— Não! — S/N negou com a cabeça, respirando fundo e encarando-o com uma honestidade nua e crua. — Eu tô sendo muito sincera.
Yoongi a encarou por um longo segundo, o olhar denso.
— O Jungkook sabe disso? — perguntou ele, direto.
S/N soltou um suspiro pesado, baixando o olhar.
— Quando a gente começou a namorar… ele pediu pra eu me afastar de você. Mas eu disse que não. Disse que a gente não ficaria mais… mas que eu não queria me afastar. Você é importante pra…
Ela não conseguiu terminar a frase.
Farto de barreiras, de desculpas e da dor acumulada, Yoongi interrompeu a fala dela cravando seus lábios nos dela em um beijo lento, profundo e extremamente intenso. S/N soltou um suspiro abafado contra a boca dele, mas antes que pudesse raciocinar, Yoongi se moveu sem dar espaço para ela pensar.
Ele prensou o corpo dela contra o colchão, subindo por cima dela enquanto aprofundava o beijo com uma voracidade contida, e S/N correspondeu ao impulso, puxando-o pela gola da camisa para mais perto de si.
No ápice do momento, um toque estridente e persistente quebrou o transe do quarto.
O celular de S/N, guardado no bolso do casaco jogado na poltrona ao lado, começou a tocar. O sinal fraco e oscilante da montanha havia conseguido captar uma chamada.
Ambos separaram os lábios, ofegantes. Yoongi manteve o corpo sobre o dela por alguns segundos, os olhos escuros fitando-a. S/N olhou para a poltrona, hesitou por um segundo e esticou o braço, pegando o aparelho. Na tela iluminada, o nome de Jungkook piscava.
Ela deslizou o dedo e atendeu, colocando o telefone no ouvido.
— S/N! Meu Deus, S/N! — a voz de Jungkook veio num desespero ensurdecedor e entrecortado por chiados. — Por favor, me ouve! Eu tô enlouquecendo aqui! Não importa o que você viu naquele quarto, mesmo que eu vá ser pai, é você que eu quero! O que eu tinha com a Mia acabou há muito tempo!
S/N fechou os olhos, sentindo o peito rasgar.
— Jungkook, para… — cortou ela, chorando baixinho. — Eu não quero atrapalhar o crescimento dessa criança. Se vocês tentarem fazer isso separados por minha causa, vão ter problemas demais…
— Não! Me escuta! — interrompeu ele, a voz embargada e desesperada do outro lado da linha. — Eu não vou te perder! Eu não posso te perder, S/N!
— Eu não quero atrapalhar vocês… — disse ela, enquanto a linha começava a falhar com ruídos estáticos.
Do lado de fora da ligação, Yoongi observava a cena. Sem paciência para ver S/N se despedaçar novamente, ele estendeu a mão e pegou o celular da mão dela.
— Ele já teve a chance dele, S/N — disse Yoongi, olhando para ela antes de colocar o aparelho no próprio ouvido. — Eu não vou ficar te vendo sofrer por causa disso. Eu sei o que você merece. E tô aqui… disposto a te dar isso.
S/N baixou o olhar, quase num sussurro impotente:
— Por favor, Yoongi… Não faz isso…
Do outro lado da linha, em Manhattan, Jungkook ouviu a voz de Yoongi e congelou.
— S/N, olha… — a voz de Jungkook veio carregada de pavor. — Eu tô aqui, ouvindo isso, e parece que tô ficando pra trás enquanto tudo acontece. Me dá uma resposta… não me deixa no escuro.
Yoongi manteve o tom calmo, porém frio e inabalável:
— Diferente de você, Jungkook… eu nunca tive dúvidas sobre o que eu quero. E se ela quiser, eu tô disposto a dar isso a ela.
S/N arregalou os olhos na cama, encarando Yoongi.
— O… o quê? Como assim…? — murmurou ela.
Yoongi afastou o celular do rosto por um segundo, olhou no fundo dos olhos dela e disse com clareza:
— Eu gosto de você, S/N. Sempre gostei.
— Yoon… — S/N tentou intervir, surpresa.
Antes que ela continuasse, Yoongi selou os lábios nos dela novamente num beijo rápido. S/N se afastou um pouco, o rosto corado de confusão:
— Yoongi!
Voltando o aparelho ao ouvido, Yoongi continuou a falar com o caçula, a voz carregada de uma provocação calculada:
— Tá tarde. Ela precisa descansar… relaxar um pouco antes de dormir. Pode deixar que eu cuido disso. Eu sei muito bem como fazê-la relaxar.
— Yoongi! Para com isso! — S/N exclamou, indignada, puxando o celular de volta da mão dele. — Isso não é justo…
Yoongi, com uma expressão séria e os olhos escurecidos por uma intensidade dominadora, não soltou o aparelho imediatamente. Ele ignorou completamente o olhar aflito de S/N, mantendo o telefone próximo ao rosto enquanto um sorriso sutil surgia nos cantos de sua boca.
— Não se preocupa, Jungkook — disse Yoongi, a voz pausada. — Eu vou cuidar dela. Agora… é hora de descansar.
Do outro lado da linha, no quarto do hotel em Manhattan, Jungkook sentiu o sangue ferver. Sua respiração estava pesada, o peito subindo e descendo rapidamente. A frustração se espalhava como fogo dentro dele, queimando sua paciência.
— Você não tem o direito de falar assim com ela, Yoongi! — a voz de Jungkook veio num grito firme que quase distorceu o alto-falante. — Você tá forçando uma situação… isso não é cuidar dela!
S/N, exausta, com os olhos marejados e a mente em colapso diante de tantas emoções acumuladas, olhou para Yoongi tentando recuperar o controle da própria voz.
Mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Yoongi se aproximou devagar. Seus olhos endurecidos suavizaram-se em segundos, mudando de postura.
— Ei, princesa… vem cá — disse ele em voz baixa, olhando direto nos olhos dela.
Ele a puxou devagar para mais perto, envolvendo os braços ao redor dela com firmeza, sem pedir permissão. O contraste entre a força do gesto e o tom arrependido dele a deixou totalmente sem reação.
— Desculpa… — sussurrou ele contra o cabelo dela, aspirando o perfume dela. — Eu não queria te deixar assim… eu só… não sei lidar com isso quando se trata de você.
Ele respirou fundo, tentando controlar a própria tensão, e pressionou um beijo leve na cabeça dela.
Então, ainda com o telefone na mão, ele voltou a falar para a linha que continuava aberta, com a voz agora mais controlada, porém carregada de uma provocação cristalina:
— Vai resolver o que você tem que resolver, Jungkook. Deixa ela comigo. Eu vou cuidar muito bem dela.
E, sem dar a menor chance para resposta, Yoongi encerrou a chamada, deixando a linha cair no silêncio da tempestade.
[quote]— Yoongi…? — murmurou ela, a voz frágil e quase infantil. Ao ver que ele se afastava para voltar à sala, ela esticou a mão e segurou a barra da manga dele. — Não vai… Fica aqui. Por favor, não me deixa sozinha hoje.
SN, desse jeito tu fode a mente desse homem veeei
Ele quer te proteger, mas também quer te comer
[quote]— Eu deveria ter me apaixonado só por você…
É né querida, mas infelizmente a gente n controla isso
[quote]— Eu sei que você só me vê como amiga… uma amizade colorida… — continuou S/N, a voz embargada. — Mas confesso que você mexe muito comigo.
Não te julgo, pqp
[quote]Farto de barreiras, de desculpas e da dor acumulada, Yoongi interrompeu a fala dela cravando seus lábios nos dela em um beijo lento, profundo e extremamente intenso. S/N soltou um suspiro abafado contra a boca dele, mas antes que pudesse raciocinar, Yoongi se moveu sem dar espaço para ela pensar.
ÔÔÔÔÉEEEEEEEEE
N sei o que falar, nem o pensar
Só entendo ela
[quote]— Tá tarde. Ela precisa descansar… relaxar um pouco antes de dormir. Pode deixar que eu cuido disso. Eu sei muito bem como fazê-la relaxar.
EITA CARALHOOO KKKKKK
TOU RINDO DE NERVOSO
[quote]— Você não tem o direito de falar assim com ela, Yoongi! — a voz de Jungkook veio num grito firme que quase distorceu o alto-falante. — Você tá forçando uma situação… isso não é cuidar dela!
O pior JK, que ele nem tá forçando
[quote]— Desculpa… — sussurrou ele contra o cabelo dela, aspirando o perfume dela. — Eu não queria te deixar assim… eu só… não sei lidar com isso quando se trata de você.
Eita chá bem dado viu??
Enlouqueceu os 2 kkkk
Com eles mesmos por sua causa é so somar 2+2
Eu também amaria os dois facilmente.. realmente esse é o tanto faz que queria
Poooota quel mano, por essa nem Valcir Carrasco esperava
O barraco pegando fogo mano