Capítulo 12 – Entre o Medo e a Entrega
por FanfiqueiraDá o Play
A manhã começou silenciosa, quebrada apenas pelo canto distante de pássaros e pelo leve burburinho da cidade de Paris acordando. Namjoon abriu os olhos lentamente, sentindo o peso incomum de uma noite inteira de sono. A primeira coisa que percebeu foi o calor. O corpo dela, pequeno e frágil, ainda aninhado contra o seu. A respiração dela era calma, ritmada, quase como se tivesse encontrado nele a âncora que precisava.
Por um instante, ele não se moveu. O teto branco do quarto parecia mais pesado do que de costume, e o mundo ao redor, mais silencioso. Namjoon não lembrava da última vez que havia adormecido assim, ao lado de alguém. Sempre evitara. Sempre fugira desse tipo de intimidade, porque sabia o que vinha depois: expectativas, cobranças, decepções. Ele não queria se permitir de novo.
Mas naquela noite… não teve forças para afastá-la. E agora, ao despertar, sentia uma estranha mistura de conforto e medo.
“Faz anos…” — ele pensou, passando a mão pelo rosto. Anos desde que havia sentido a respiração de outra pessoa tão próxima, desde que havia ouvido um coração batendo tão perto do seu. Um detalhe simples, mas que mexia com cada parte dele.
Olhou para ela. Os cabelos espalhados pelo travesseiro, a pele ainda pálida, mas menos assustada do que na noite anterior. Ela parecia tão pequena, quase perdida nos lençóis, como se tivesse buscado nele um refúgio. E a pergunta que martelava dentro dele era inevitável: até onde ele poderia permitir isso? Até onde ele poderia se deixar levar sem colocar em risco aquilo que tanto protegia — a própria paz, o próprio controle?
Se mexeu devagar, afastando o corpo dela sem acordá-la. Cada movimento era cuidadoso, como se temesse que um gesto mais brusco quebrasse a bolha de silêncio que os envolvia. Ao se levantar, ainda a olhou por cima do ombro. O peito apertou, mas ele ignorou. Não poderia se prender àquela sensação.
Já no banheiro, a água fria no rosto foi como um choque de realidade. Precisava retomar o foco: compromissos, reuniões, jantares. Em breve teriam que voltar à Coreia, e ele não podia se dar ao luxo de parecer distraído.
Enquanto se vestia, o reflexo no espelho o encarava. O mesmo homem de sempre: postura ereta, olhar sério, impecável em cada detalhe da roupa. Mas por dentro… por dentro, Namjoon ainda sentia o peso daquela noite.
Preparou o café da manhã com uma naturalidade que o surpreendeu. Não lembrava da última vez que havia feito isso para alguém. Escolheu frutas, torradas, chá quente — nada pesado, pensando na febre dela — e deixou a bandeja arrumada sobre a mesa de canto. Ao lado, deixou os comprimidos que ela deveria tomar.
Pegou um pequeno bloco e escreveu com a caligrafia firme:
“Não esqueça o remédio. O chá ainda está quente.
Volto mais tarde. — N.”
Ficou parado por alguns segundos com a caneta na mão. Quase riscou o bilhete. Quase desistiu. Era íntimo demais, pessoal demais. Mas no fim, deixou ali. Não era uma declaração. Não era entrega. Era apenas… cuidado. E ele poderia justificar para si mesmo que era apenas isso.
Antes de sair, voltou ao quarto. Ela ainda dormia, enrolada nos lençóis. O coração dele quis se apertar outra vez, mas Namjoon virou as costas rapidamente.
Ela acordou horas depois, a luz já iluminando o quarto em tons suaves. O espaço ao lado estava vazio. Por alguns segundos, acreditou que tinha sonhado a noite anterior, que ele nunca havia se deitado ali. Mas então, flashes vieram: despertares breves durante a madrugada, quando abria os olhos e o via ali, imóvel, respirando pesado, os traços relaxados pelo sono. Ele havia ficado. Ele realmente havia dormido ao lado dela.
Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios, apesar do corpo ainda fraco. Sentiu o peito aquecer com a lembrança.
Quando finalmente se levantou, encontrou o bilhete. Os olhos marejaram de imediato. O café arrumado com cuidado, os remédios separados, a letra dele firme no papel. Ela passou os dedos sobre as palavras, como se pudesse absorver a intenção por trás delas.
Sentou-se e começou a comer devagar, tomando o chá e engolindo os comprimidos. Cada gesto parecia carregado de significado. Não era apenas comida. Era um pedaço da resistência dele cedendo, mesmo que ele ainda não admitisse.
Enquanto comia, pensava em como Namjoon parecia viver em constante conflito: entre o desejo de se aproximar e o medo de se entregar. E por mais doloroso que fosse, aquilo só fazia com que ela quisesse alcançá-lo ainda mais.
As horas seguintes se desenrolaram em paralelo.
Ela passou a manhã tentando descansar, mas o coração batia inquieto. Pegou o celular algumas vezes, pensando se deveria mandar mensagem primeiro. Não precisou. Uma notificação chegou.
“Tomou o remédio?”
Simples. Sério. Mas o suficiente para arrancar dela um sorriso.
“Sim. Obrigada pelo café.” — respondeu.
Poucos minutos depois, ele replicou:
“Bom. Se sentir algo, me avise.”
Enquanto isso, Namjoon atravessava salões luxuosos de Paris, reuniões com empresários, flashes de câmeras, brindes forçados. Estava lá, presente, elegante como sempre. Mas o celular vibrava no bolso e, por breves segundos, o mundo ao redor sumia. Ele checava a tela, lia a resposta dela, e uma parte de si relaxava.
Não deixava transparecer para ninguém. Para os outros, ele era o líder do BTS, o homem que controlava tudo. Mas por dentro, lutava contra a estranha sensação de querer voltar correndo para o quarto, apenas para verificar se ela ainda estava lá, se ainda estava respirando calma contra os lençóis.
Horas se passaram, e finalmente Namjoon terminou o último compromisso da noite pouco depois das 22h. O evento tinha sido exaustivo, mas a cabeça dele não conseguia se concentrar completamente nos negócios. Cada conversa, cada risada forçada dos outros convidados, cada coquetel servido parecia ecoar em sua mente com o som da lembrança dela.
Ele deixou o salão com passos longos, a gravata ainda perfeitamente alinhada, o blazer ajustado com o cuidado de sempre. Mas dentro dele, havia uma inquietação que não podia ser contida. Uma parte de si queria voltar correndo para o hotel, apenas para vê-la, para checar se ainda estava confortável, segura.
No caminho de volta, desviou-se para uma floricultura, escondida numa rua lateral da Champs-Élysées. O sino da porta tocou quando ele empurrou a maçaneta, e por um segundo, Namjoon congelou.
A mão que segurava a maçaneta tremeu levemente — gesto mínimo, quase imperceptível, mas para ele, carregado de significado. Havia algo de quase infantil naquele gesto, um misto de medo e ansiedade. Ele estava se entregando antes mesmo de perceber. Antes de admitir, estava lá, comprando flores para ela, imaginando o sorriso que ela faria.
Fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo. O sussurro dela na varanda, ainda febril, ainda vulnerável, ecoou em sua mente: “Eu te amo, seu insensível…” Um sorriso involuntário se formou em seus lábios, imperceptível para qualquer pessoa que o visse naquele instante. O gesto dela tinha sido como um gás, dando-lhe energia e coragem para atravessar o espaço da floricultura com segurança e decidir.
Escolheu cuidadosamente flores delicadas: Lírios brancos, Rosas cor-de-rosa claras, Rosas brancas, Gypsophila e Folhagens verdes, o perfume leve que lembrava suavidade e aconchego. Antes de sair, passou por uma seção de chocolates finos, pegando uma caixa pequena, mas sofisticada. Não precisava de exageros.
Quando saiu da floricultura, segurando as flores e o chocolate, respirou fundo. A noite estava fria, mas não se importou. No carro, pediu para os seguranças da cobertura apenas ficarem do lado de fora, dispensando-os do interior. Não queria testemunhas. Não queria interferência. Esse momento era só dele e dela, mesmo que ainda estivesse tentando controlar cada sentimento que brotava dentro de si.
[quote]“Faz anos…” — ele pensou, passando a mão pelo rosto. Anos desde que havia sentido a respiração de outra pessoa tão próxima, desde que havia ouvido um coração batendo tão perto do seu. Um detalhe simples, mas que mexia com cada parte dele.
De pouquinho em pouquinho, o medo vai diminuindo
[quote]“Não esqueça o remédio. O chá ainda está quente. Volto mais tarde. — N.”
Aaaah que fofinho. Ele tá tentando *-*
[quote]Não deixava transparecer para ninguém. Para os outros, ele era o líder do BTS, o homem que controlava tudo. Mas por dentro, lutava contra a estranha sensação de querer voltar correndo para o quarto, apenas para verificar se ela ainda estava lá, se ainda estava respirando calma contra os lençóis.
Por fora, um homem sério
Por dentro, um homem apaixonado
[quote]Escolheu cuidadosamente flores delicadas: Lírios brancos, Rosas cor-de-rosa claras, Rosas brancas, Gypsophila e Folhagens verdes, o perfume leve que lembrava suavidade e aconchego. Antes de sair, passou por uma seção de chocolates finos, pegando uma caixa pequena, mas sofisticada. Não precisava de exageros.
Deixe ele com as coisinhas de apaixonado deleeee kkkkk
Vamos ser felizes, Nam
Ele me ama
Os garranchinhos do meu amado.Amo
Aaaaaaa é agrrr