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A luz suave da manhã filtrava-se pelas janelas da cobertura, despertando Namjoon de um sono pesado e fragmentado. A cabeça latejava, resquício do cansaço acumulado da noite anterior. Por um instante, ainda confuso, demorou a perceber algo fora do comum: a porta do quarto estava entreaberta.

Um arrepio percorreu sua espinha. O corpo ainda dolorido reagiu instintivamente, mas o instinto de alerta falou mais alto. Seus olhos percorreram rapidamente a sala e o corredor, absorvendo cada detalhe. A porta não deveria aberta. 

Namjoon ergueu-se de um salto, a respiração acelerada, e começou a caminhar em direção ao quarto. Cada passo ecoava pelo piso de madeira, batendo em seus próprios pensamentos: “SN… onde você está? O que aconteceu?” O medo misturava-se à culpa, criando um turbilhão que dificultava até pensar com clareza.

Quando alcançou a porta, o que viu o paralisou por alguns segundos. O quarto estava vazio, mas silencioso de uma forma opressiva. A cama permanecia desfeita, os lençóis ainda marcados pela intensidade da noite anterior. Cada canto parecia guardar a lembrança do que havia acontecido, mas ela não estava lá. E então, ele percebeu: a mesinha de vidro quebrada.

O estômago gelou ao notar o sangue nos cacos. A lembrança do impacto da porta da noite anterior começou a fazer sentido. Lembrou-se do barulho, do estalo que não era apenas da madeira — podia ser ela caindo. O coração apertou, a respiração ficou irregular. “Merda… merda… foi ela?” murmurou, com a voz falhando, cada palavra carregada de pânico contido.

Sem pensar, pegou o telefone. Discou o número dela, mas só ouviu o correio automático preenchendo o silêncio da cobertura. Tentou novamente, várias vezes, cada toque aumentando a sensação de impotência, o desespero crescendo dentro dele.

Sem conseguir esperar, começou a percorrer a cobertura. Passo a passo, abriu portas, verificou corredores, banheiros, a cozinha — nada. Cada segundo sem encontrá-la fazia o ar parecer mais denso, cada respiração, mais difícil.

— SN… — chamou, a voz rouca, quase um grito contido. — Onde você está?

O eco de suas palavras parecia zombar dele. O corpo tremia, o orgulho ferido se misturava à culpa e ao medo. Apoiado na parede, respirou fundo, tentando organizar a mente. Cada detalhe da noite anterior passava em flashes rápidos: os gritos, o tapa, a queda, a intensidade, e agora, o silêncio absoluto da cobertura.

Ele voltou à sala, ainda segurando o telefone com força, e seu olhar buscava desesperadamente a janela, a varanda, qualquer sombra, qualquer sinal de movimento. O sangue na mesinha queimava em sua memória, lembrando-o da própria brutalidade, do que ela poderia ter sofrido.

Cada minuto que passava sem encontrá-la aumentava a sensação de descontrole. A culpa corroía-o por dentro, misturada à frustração de não conseguir prever ou impedir as consequências de seus atos.

Ele parou no centro da sala, os punhos cerrados, o corpo tenso, os olhos fixos na porta do quarto. “Não… não pode ser… você não… não…” murmurou para si mesmo, tentando conter a angústia, procurando um plano para encontrá-la antes que algo pior acontecesse.

O silêncio esmagador da cobertura o envolvia. Cada sombra, cada canto parecia gritar o próprio erro. Fechou os olhos, deixando que a adrenalina, a culpa e a frustração se misturassem, enquanto tentava reconstruir mentalmente cada passo da noite anterior, tentando entender como a perda de controle o havia levado até aquele ponto.

Duas semanas depois…

A rotina de Namjoon era um peso morto.
Trabalho. Casa.
Casa. Trabalho.

Nada preenchia o vazio que ele mesmo havia cavado. Os compromissos no estúdio eram automáticos, um ciclo repetitivo de compor, ouvir, descartar, recomeçar. As reuniões pareciam longas demais. À noite, deitava-se no sofá da cobertura, a televisão ligada em volume baixo, mas sem realmente assistir a nada. Apenas o silêncio que se infiltrava entre os móveis, cortado, vez ou outra, pelo som do celular vibrando — sempre as mesmas tentativas:
“Me atende, por favor.”
“Só quero saber se você está bem.”
“Me desculpa.”
“Eu preciso de você.”

As mensagens nunca tinham resposta. O telefone nunca era atendido.

Enquanto isso, uma semana antes, SN se sentou nervosa na cadeira de consultório. O médico à sua frente ajeitava os óculos, olhando atentamente o exame em mãos. O coração dela batia como se fosse explodir no peito.

— Parabéns… — disse o médico, com voz calma. — Você está grávida.

A palavra ecoou dentro dela como uma explosão abafada.
Grávida.

O ar parecia faltar. O chão parecia se abrir sob seus pés. Um misto de medo, desespero e um resquício de ternura percorreu o corpo dela de forma cruel.
As lágrimas surgiram sem permissão. Não sabia se era de alegria ou de dor.

A lembrança dele — das palavras duras, do empurrão, da ligação, do nome de outra — pesava como ferro quente em sua pele.
“Não posso… não vou falar pra ele.”
Decidiu em silêncio. A vida dentro dela seria apenas sua responsabilidade.

Atualmente.

O celular vibrou na mesinha de cabeceira. Uma nova mensagem de Namjoon.
Mas desta vez, o tom era diferente. Não era apenas arrependimento.
Era súplica.

“Eu não aguento mais sem você. Eu tô sufocando. Se não me ouvir hoje, não sei o que vou fazer comigo mesmo.”

O peito dela apertou com força. Um medo irracional tomou conta, o medo de que ele fizesse algo impensado.
Contra todas as decisões que havia tomado, contra a promessa silenciosa de nunca mais voltar, ela foi.

Horas depois, parada diante da porta da cobertura dele, SN hesitava com a mala de sentimentos pesando nos ombros. Criou coragem e tocou a campainha.

A porta se abriu. Não era ele.
Uma mulher, cabelos longos e lisos, rosto delicado, bem arrumada, apareceu diante dela.

— Pois não? — a voz dela soou firme, quase desconfiada.

SN congelou. O coração disparou em alerta.
— E-eu… — a voz saiu frágil, quase inaudível. — Eu queria falar com o Namjoon…

A mulher arqueou a sobrancelha, o desconforto evidente.
— Namjoon?

Antes que SN pudesse completar, uma voz masculina ecoou de dentro, firme, como se chamasse por hábito:
— Quem é, Hana?

A palavra caiu como um soco no estômago.
“Hana.”
O nome que ecoava ainda queimava em sua memória desde aquela noite.

As pernas dela fraquejaram. A visão embaçou. O sangue pareceu fugir do corpo.
Os olhos marejaram, e a respiração falhou.

— Hana… — repetiu para si mesma, quase em choque.

Nesse momento, passos soaram pelo corredor, e Namjoon surgiu. A expressão dele primeiro era distraída, mas ao ver quem estava na porta, congelou.

O mundo parou por um segundo.
— SN…? — a voz dele falhou, incrédula, quebrada, como se o coração tivesse sido arrancado do peito.

Ele piscou, confuso, o olhar correndo dela para Hana, depois voltando. O corpo dele inteiro pareceu tremer diante da possibilidade de que ela realmente estivesse ali, depois de duas semanas de silêncio, justamente ouvindo aquilo.

O choque era mútuo — mas os motivos, diferentes.

SN sentiu o coração esmagar no peito quando ouviu aquele nome sair da boca dele. A dor latejante da lembrança misturada com a cena diante dela era insuportável.

Ela deu um passo para trás, os olhos marejados, mas a voz firme o suficiente para cortar o ar:

— Hana? — repetiu, encarando Namjoon com um meio sorriso amargo. — Bom… fico feliz que você não esteja mais com saudade dela.

Namjoon congelou. O sangue sumiu do rosto. Ele deu um passo à frente, a mão erguida como se quisesse segurá-la, mas não conseguiu dizer nada de imediato.

SN respirou fundo, tentando conter a dor que se transformava em raiva. Ela se virou, pronta para sair, mas antes olhou por cima do ombro, a voz embargada porém firme:

— Faz um favor, Namjoon… para de me mandar mensagens.

E começou a caminhar pelo corredor.

— Espera! — a voz dele explodiu, grave, quase desesperada. Ele atravessou a porta em dois passos largos, ignorando completamente a presença de Hana atrás dele. — Não é o que você tá pensando!

SN não parou. As lágrimas já corriam pelo rosto, e ela apertava os punhos para se manter em pé.

Namjoon a alcançou, segurando o braço dela com força, mas ao mesmo tempo como se tivesse medo de machucá-la de novo. Os olhos dele estavam vermelhos, úmidos, a respiração pesada.

— Não fala isso… não vai embora assim. — a voz dele quebrou. — Eu nunca deixei de sentir sua falta. Nunca.

Ela tentou soltar o braço, a raiva misturada ao desespero.
— Solta, Namjoon! Eu já ouvi o suficiente!

Ele balançou a cabeça, negando com veemência, quase em pânico.
— Não! Você não entende… — a voz falhava, mas ele não soltava. — Hana não é o que você pensa. Eu juro! Eu só… eu só quero você. Sempre vai ser você!

O olhar dela se ergueu para ele, cheio de dor, mas também de incredulidade.
— Então por que parece sempre o contrário?

As palavras a cortaram, mas cortaram ainda mais fundo nele. O peito de Namjoon arfava como se estivesse se afogando, e naquele instante, era como se ele realmente não tivesse mais chão.

As lágrimas escorriam sem controle pelo rosto dela, mas a voz saiu firme, mesmo que embargada pela dor:

— Me diz, Namjoon… — SN respirou fundo, encarando-o nos olhos. — Diz que ela não é uma das suas mulheres do passado… Diz que não é a mesma que você disse que sentia falta… quando eu estava jogada no chão do quarto.

O silêncio que se seguiu foi insuportável. Namjoon arregalou os olhos, como se tivesse levado um golpe no estômago. As lembranças daquela noite vieram de uma vez — a porta batendo, o barulho diferente, o sangue que só depois ele descobriu, e a ligação que nunca deveria ter feito em voz alta.

Ele engoliu em seco, mas nada saía. O orgulho ferido que o fez agir com frieza naquela noite agora parecia ridículo, esmagado pelo arrependimento.

— SN… — a voz dele saiu baixa, quase um sussurro. — Eu…

Ela riu amargo, as lágrimas molhando os lábios.
— Você o quê? Vai me dizer que não foi real? Que eu ouvi errado?

Namjoon apertou mais o braço dela, como se tivesse medo de perdê-la ali mesmo. Os olhos marejados, vermelhos, buscavam desesperadamente os dela.

— SN… — a voz dele saiu baixa, quase falhando. — Eu não… 

Ela riu sem humor, amarga, as lágrimas manchando o rosto.
— Não precisa negar. Eu ouvi você ligando pra ela. 

O peito dele se contraiu, o desespero cego que o fez discar o número de Hana, como se procurasse conforto onde já não havia mais nada.

Namjoon balançou a cabeça, os olhos marejados.
— Eu sei. — a voz saiu embargada, quase um sussurro. — Eu sei o que fiz… e é isso que me mata todos os dias.

Ele se aproximou dela, quase suplicando, a respiração acelerada.
— Eu não deveria ter ligado. Eu tava em choque, sem chão, e procurei a primeira coisa que me veio à cabeça… Mas não é ela que eu quero. — os olhos dele brilhavam de dor, fixos nos dela. — Nunca foi, depois de você.

SN fechou os olhos com força, tentando conter os soluços que ameaçavam escapar. Mas a ferida estava aberta demais.

— E eu? — a voz dela quebrou. — Eu lá, sozinha, enquanto você buscava outra pessoa pra se apoiar.

Ela respirou fundo, os olhos marejados fixos nele, e antes que ele pudesse responder, disparou com a dor queimando por dentro:

— E… o que ela estava fazendo na sua casa?

Namjoon fechou os olhos por um instante, como se tivesse levado um soco. O ar lhe faltou, o corpo inteiro tensionado. Quando voltou a encará-la, os olhos estavam vermelhos, implorando.

— Não é o que você pensa. — a voz dele saiu firme, mas trêmula de urgência. — Ela apareceu sem avisar, eu juro. Não foi convite, não foi encontro, não foi nada.

SN riu entre lágrimas, um riso curto e ferido.
— Coincidência demais, não acha? Justo ela, justo agora… — a voz dela falhou, quebrando.

Ele deu um passo à frente, a respiração pesada.
— Você acha mesmo que eu ia passar semanas te ligando, te mandando mensagens, me destruindo de saudade… pra no fim estar com outra? — o tom dele era desesperado, quase suplicante. — SN, olha pra mim… eu não quero ninguém além de você.

Ela desviou o olhar, o coração em pedaços, sem saber se acreditava ou se doía ainda mais ouvir aquilo.

8 Comentários

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  1. Marcela
    Mar 22, '26 at 10:38 pm

    [quote]Ele parou no centro da sala, os punhos cerrados, o corpo tenso, os olhos fixos na porta do quarto. “Não… não pode ser… você não… não…” murmurou para si mesmo, tentando conter a angústia, procurando um plano para encontrá-la antes que algo pior acontecesse.

    E ele esperava o que? Depois do que ouviu

  2. Marcela
    Mar 22, '26 at 10:42 pm

    [quote]Nada preenchia o vazio que ele mesmo havia cavado. Os compromissos no estúdio eram automáticos, um ciclo repetitivo de compor, ouvir, descartar, recomeçar. As reuniões pareciam longas demais. À noite, deitava-se no sofá da cobertura, a televisão ligada em volume baixo, mas sem realmente assistir a nada. Apenas o silêncio que se infiltrava entre os móveis, cortado, vez ou outra, pelo som do celular vibrando — sempre as mesmas tentativas: “Me atende, por favor.” “Só quero saber se você está bem.” “Me desculpa.” “Eu preciso de você.

    Só precisa quando perde

  3. Marcela
    Mar 22, '26 at 10:43 pm

    [quote]Antes que SN pudesse completar, uma voz masculina ecoou de dentro, firme, como se chamasse por hábito: — Quem é, Hana?

    É cagada em cima de cagada aff

  4. Marcela
    Mar 22, '26 at 10:46 pm

    [quote]SN riu entre lágrimas, um riso curto e ferido. — Coincidência demais, não acha? Justo ela, justo agora… — a voz dela falhou, quebrando.

    Exatamente, coincidência demais. Difícil de acreditar

    1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
      @MarcelaMar 27, '26 at 9:52 pm

      — E… o que ela estava fazendo na sua casa?

      É.O q??

  5. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 27, '26 at 9:51 pm

    Namjoon ergueu-se de um salto, a respiração acelerada, e começou a caminhar em direção ao quarto. Cada passo ecoava pelo piso de madeira, batendo em seus próprios pensamentos: “SN… onde você está? O que aconteceu?” O medo misturava-se à culpa, criando um turbilhão que dificultava até pensar com clareza.

    Adeus

  6. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 27, '26 at 9:51 pm

    Namjoon balançou a cabeça, os olhos marejados. — Eu sei. — a voz saiu embargada, quase um sussurro. — Eu sei o que fiz… e é isso que me mata todos os dias.

    Cada um cm seus problemas

  7. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 27, '26 at 9:54 pm

    Ele deu um passo à frente, a respiração pesada. — Você acha mesmo que eu ia passar semanas te ligando, te mandando mensagens, me destruindo de saudade… pra no fim estar com outra? — o tom dele era desesperado, quase suplicante. — SN, olha pra mim… eu não quero ninguém além de você.

    Mas isso sem sombra de dúvidas !Eu n te reconheço mais

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