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Dá o Play

O sol atravessava as frestas da cortina, iluminando o quarto suavemente. Ela despertou devagar, primeiro sentindo o corpo leve, descansado, e em seguida a lembrança de tudo que havia acontecido na noite anterior. O sorriso surgiu sem esforço, mesmo com as pernas pesadas e a pele marcada de arranhões e hematomas. Cada marca parecia pulsar como uma lembrança viva do quanto tinha sido intensa aquela noite.

Virou-se na cama, esperando encontrá-lo ao lado, mas o espaço estava vazio. Esticou a mão, tocando o lençol frio, e a primeira ideia foi de que ele estivesse no banheiro. Levantou-se, ainda nua sob o lençol, caminhou até lá e abriu a porta — vazio. Nenhum som de água, nenhum sinal.

Um pequeno aperto surgiu em seu peito. Ele não estava ali.

Foi quando saiu do quarto e caminhou pelo corredor até a sala. A cena diante dela a fez parar por alguns segundos: Namjoon estava jogado no sofá, o corpo grande quase transbordando nos braços do móvel pequeno. Dormia pesado, a respiração lenta, a camiseta amassada no peito, como se tivesse apagado ali por pura exaustão.

Ela não esperava por isso. Esperava que ele tivesse preparado algo, que estivesse acordado e pronto para provocá-la de novo, ou ao menos que tivesse voltado para a cama. Mas não. Ele havia escolhido o sofá. E isso fez algo dentro dela vacilar, como se tivesse levado uma bofetada de realidade.

Aproximou-se devagar, ajoelhando-se ao lado dele. Observou o rosto dele em silêncio por alguns segundos, traçando cada linha com os olhos. Então, com delicadeza, passou os dedos pela mão dele e se inclinou, roçando os lábios nos dele em um beijo suave, quase infantil de tão terno.

Namjoon abriu os olhos devagar, confuso no início, mas logo a expressão dele se fechou em algo mais sério. Ele segurou a mão dela, apertando com firmeza, e a voz saiu rouca, ainda carregada pelo sono:

— Não repita nunca mais aquilo…

O tom foi firme, quase uma ordem, sem espaço para discussão. Ela piscou, surpresa, puxando o ar como se não soubesse se tinha ouvido direito. O coração dela acelerou, misturando confusão e um leve medo.

— Namjoon… — tentou sussurrar, mas ele já havia se erguido do sofá.

Sem olhar para trás, ele se levantou, a expressão séria, e caminhou até o banheiro. O som da porta se fechando atrás dele ecoou pela sala silenciosa, deixando-a sozinha com a pergunta martelando dentro de si:

“Por quê? O que isso significa?”

Ela ficou parada no meio da sala, a mão ainda suspensa no ar como se os dedos pudessem alcançar algo que ele tivesse deixado escapar junto com aquelas palavras. O som da porta se fechando atrás dele ecoou como um tiro seco dentro do peito dela.

Os olhos se encheram de lágrimas quase de imediato, mas não era um choro escandaloso, era silencioso, sufocado. As gotas ardiam, escorrendo devagar pelas bochechas enquanto ela se perguntava em silêncio:

“O que eu fiz?…”

A respiração dela falhava, entrecortada, e ela pressionou os lábios para não soluçar alto. As marcas em seu corpo ainda doíam, mas não era nada comparado ao peso que apertava agora dentro dela.

“Por quê? Por que ele tá assim comigo? Ontem… ontem parecia tudo tão certo… parecia que ele também me queria…”

Ela se encolheu no chão, abraçando os joelhos, como se fosse possível se proteger daquele vazio repentino. O coração batia rápido, como se tivesse medo de quebrar, e o silêncio do apartamento parecia gritar cada vez mais alto.

Por alguns segundos, ela pensou em levantar e bater na porta do banheiro, pedir explicações, exigir uma resposta. Mas o medo da rejeição final a paralisou. Ficou ali, sentindo as lágrimas rolarem, tentando entender em que momento o calor da noite tinha se transformado nesse gelo cortante.

Quando Namjoon abriu a porta, ainda com os cabelos úmidos pela água fria que usara para tentar apagar os pensamentos, o primeiro impacto foi a visão dela encolhida no chão.

Ela estava com o rosto enterrado nos joelhos, os ombros tremendo discretamente, e as lágrimas ainda escorriam silenciosas. O coração dele falhou uma batida, o estômago se revirou, mas os pés ficaram pesados.

Ele ficou parado, olhando. Por dentro, tudo nele gritava.

“Droga… isso não deveria me afetar assim.”

Ele fechou a mandíbula com força, como se assim pudesse manter as palavras presas. A cena diante dele doía mais do que ele admitiria. Era medo. Medo de se perder nela, medo de sentir mais do que deveria.

Por instinto, deu um passo à frente. O braço quase se estendeu para tocá-la, para levantá-la do chão, para dizer que ela não precisava chorar por causa dele. Mas ele recuou na mesma hora, engolindo seco.

— Eu… — a voz falhou, mais rouca do que pretendia. Ele pigarreou, tentando endurecer o tom. — Eu disse que não quero que repita.

A frase saiu firme, mas os olhos dele não escondiam o conflito. Enquanto observava as lágrimas dela, Namjoon sentia um nó se formar no peito. E pela primeira vez, percebeu que talvez estivesse lutando contra algo impossível de vencer.

Ela se levantou devagar, as lágrimas ainda manchando o rosto, mas o que mais doeu em Namjoon foi o olhar dela, frágil, implorando por uma resposta.

— Foi por causa de ontem?… Foi alguma coisa que eu fiz? Eu fiz alguma coisa de errado? — a voz dela saiu embargada, mas firme o bastante para cortar o ar entre eles.

Namjoon travou. O nó em sua garganta só aumentava. Queria dizer que não, que não tinha sido culpa dela, que tudo aquilo era sobre ele, sobre os sentimentos que tentava negar. Mas as palavras se perderam. Ele apenas respirou fundo, como se o silêncio fosse suficiente para encerrar a conversa.

Ela, então, inspirou um ar tremido, como quem engole a própria dor, e sem mais nada acrescentar, virou as costas.

— Fico pronta em dez minutos. — murmurou antes de desaparecer pelo corredor e fechar a porta do quarto.

Namjoon ficou parado, olhando a madeira fechada diante dele, com o punho cerrado ao lado do corpo. Ele odiava o som que tinha acabado de ouvir — a desistência na voz dela, o corte frio de alguém que já não esperava nada.

“Droga, o que tá acontecendo comigo?”

Quando ela saiu do quarto, dez minutos depois, estava impecável. Pronta para o trabalho. Mas o que mais chamou atenção não foi a roupa arrumada, nem o cabelo perfeitamente alinhado. Foi o olhar. Vazio. Um brilho morto que ele reconheceu como reflexo da própria frieza.

Aquilo apertou o peito dele como uma sentença.

Namjoon a observou em silêncio, os lábios quase se abrindo para dizer algo, para chamar, para tentar consertar. Mas tudo que conseguiu foi ajustar a gravata com mãos trêmulas e caminhar em direção à porta, passando ao lado dela sem encará-la diretamente.

No carro, o silêncio os acompanhou até o trabalho. Não havia música, não havia troca de palavras, apenas o som seco da cidade lá fora e dois corações pesados, cada um preso em suas próprias guerras internas.

No trabalho, Namjoon percebeu cada detalhe que normalmente passaria despercebido. Ela — sempre impecável, ágil, presente em tudo — dessa vez errava. Pequenos deslizes, prazos que se estendiam por segundos, uma distração que denunciava o quanto a mente dela não estava ali.
Ele não reclamou em voz alta, mas sentiu cada pedido de desculpas como uma lâmina arranhando a própria pele. A cada vez que ela baixava a cabeça e dizia “desculpa”, algo dentro dele gritava que não era aquilo que queria ouvir.

Mais tarde, já no hotel, a noite carregava um peso silencioso. Namjoon caminhava pelo corredor do quarto, pronto para se refugiar em mais silêncio, quando seus olhos foram atraídos por uma fresta de luz. A porta do banheiro estava entreaberta.

Ele parou. E viu.

Ela estava de costas para o espelho, apenas a toalha enrolada no corpo, olhando as marcas que ele havia deixado na pele dela na noite anterior. Dedos, lábios, a intensidade que ele despejou nela como se fosse a única forma de aliviar a própria tormenta.

Havia algo no olhar dela refletido no espelho que paralisou Namjoon. Não era apenas dor. Não era apenas surpresa. Era uma mistura estranha — quase ternura, quase saudade, quase rendição.

E foi aí que o pensamento veio como um soco.

“Eu devia ter parado. Eu devia ter mantido distância. Ela não entende que eu não posso… não posso ser o que ela espera.”

Mas mesmo com a mente insistindo, o corpo dele traiu. Seus olhos desceram pelas marcas, acompanhando cada linha vermelha e arroxeada como se fossem sua assinatura. Ele sentiu um aperto no peito — orgulho e culpa misturados numa dose amarga.

“Ela está presa em mim. E eu… eu estou me perdendo nela.”

Namjoon fechou os olhos por um instante, tentando conter o impulso de entrar, de abraçá-la por trás, de pedir desculpas e ao mesmo tempo dizer que faria tudo de novo. Quando abriu os olhos, respirou fundo e deu um passo atrás.
Precisava se afastar, ou acabaria cedendo.

9 Comentários

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  1. Marcela
    Mar 22, '26 at 4:46 pm

    [quote]O tom foi firme, quase uma ordem, sem espaço para discussão. Ela piscou, surpresa, puxando o ar como se não soubesse se tinha ouvido direito. O coração dela acelerou, misturando confusão e um leve medo.

    Orsh, como assim? Se arrependeu??

  2. Marcela
    Mar 22, '26 at 4:51 pm

    [quote]Ela ficou parada no meio da sala, a mão ainda suspensa no ar como se os dedos pudessem alcançar algo que ele tivesse deixado escapar junto com aquelas palavras. O som da porta se fechando atrás dele ecoou como um tiro seco dentro do peito dela.

    O tanto que ele provocou, e quando aconteceu, correu. Orsh

  3. Marcela
    Mar 22, '26 at 4:52 pm

    [quote]Ele fechou a mandíbula com força, como se assim pudesse manter as palavras presas. A cena diante dele doía mais do que ele admitiria. Era medo. Medo de se perder nela, medo de sentir mais do que deveria.

    Se tinha medo, pq não ficou na dele ? Provocou ate n querer mais

    1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
      @MarcelaMar 26, '26 at 5:27 pm

      — Não repita nunca mais aquilo…

      É o quê??Comassim ?Me pede algo mais fácil,pô

      1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
        @SNdoNamjoon(YrysV)♡Mar 26, '26 at 7:33 pm

        “Eu devia ter parado. Eu devia ter mantido distância. Ela não entende que eu não posso… não posso ser o que ela espera.”

        Pode sim

  4. Marcela
    Mar 22, '26 at 4:53 pm

    [quote]“Eu devia ter parado. Eu devia ter mantido distância. Ela não entende que eu não posso… não posso ser o que ela espera.”

    Tá merecendo duas maozadas na cara, pra tomar vergonha.
    AGR n pode, mas fez de tudo pra conseguir

  5. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 26, '26 at 5:26 pm

    Um pequeno aperto surgiu em seu peito. Ele não estava ali.

    Droga

  6. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 26, '26 at 7:34 pm

    “Ela está presa em mim. E eu… eu estou me perdendo nela.”

    Não lute, RM

  7. Sra Hoseok
    May 9, '26 at 5:11 pm

    [quote]Namjoon fechou os olhos por um instante, tentando conter o impulso de entrar, de abraçá-la por trás, de pedir desculpas e ao mesmo tempo dizer que faria tudo de novo. Quando abriu os olhos, respirou fundo e deu um passo atrás. Precisava se afastar, ou acabaria cedendo.

    Só precisa dele e mais nada aaaaaa que ódio pra que fazê-la sofrer

Nota

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