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Jungkook saiu do quarto silencioso, ainda sentindo o calor da noite em sua pele. O cheiro de café e sopa preenchia a casa, mas seus olhos procuravam por ela — esperando encontrá-la rindo ou reclamando, como se nada tivesse acontecido. Mas não havia sinal.

O peso do contrato que deixou ao lado dela incomodava. Cada cláusula era uma proteção, uma tentativa de não se deixar usar de novo. Mesmo assim, a lembrança de seu corpo, de cada toque e entrega da noite anterior, queimava na memória.

“Eu não posso ser usado… mas ela me consome de um jeito que ninguém jamais conseguiu.”

Ele se sentou à mesa, respirando fundo, tentando se misturar às risadas dos que haviam sobrevivido à festa. Mas a mente não o deixava. O desejo e o medo se misturavam; ele sabia que precisava manter distância, mas parte dele já havia se perdido para ela, gravada em cada lembrança da madrugada.

Enquanto isso, ela abriu os olhos lentamente, sentindo a claridade suave do meio da manhã filtrando pelas cortinas. O corpo ainda carregava a memória da madrugada: o calor de Jungkook contra si, o cheiro da pele dele, a respiração misturada com a dela. Um sorriso fraco tentou se formar, mas a cama ao lado estava vazia. O travesseiro que ele usava estava intacto, arrumado, sem nenhum sinal de que ele tivesse passado a noite ali. E no lugar onde ele dormia, apenas um envelope branco repousava, perfeitamente dobrado, pesado com a formalidade de algo que não pertencia à intimidade deles.

Ela sentiu uma pontada no peito, uma sensação de abandono que parecia perfurar até os ossos. O calor da noite intensa, os corpos colados, o desejo e a entrega… tudo parecia ter sido esquecido, relegado a uma memória que, para ele, poderia ser apenas isso: memória. O envelope no travesseiro parecia gritar, silencioso, que havia distância, regras e limites que ela não podia atravessar.

Um frio súbito percorreu sua espinha. Ela se sentou, os dedos tremendo, e olhou para o lado dele da cama. Impecavelmente arrumado, vazio, intocado. Um aperto no coração se formou, e uma onda de solidão e insegurança a invadiu.

“Ele foi embora… e eu… eu nem sei se ainda existo para ele.”

Ela levantou-se, cambaleando levemente, os joelhos fracos. Foi até o banheiro, chamando baixinho pelo nome dele, com esperança frágil de ouvi-lo responder.
— Jungkook?

Nada além do eco de sua própria voz e do tilintar distante de utensílios na cozinha. Ele não estava ali. O silêncio parecia esmagá-la, transformando cada memória recente em um peso doloroso.

Ela voltou para o quarto e finalmente pegou o envelope, tremendo. As mãos suavam, o coração acelerado. Respirou fundo e abriu.

As palavras do contrato eram frias, precisas, definitivas. Não apenas proibiam que ela falasse sobre a noite, mas estabeleciam limites claros sobre a proximidade deles, sobre os gestos que poderiam ser feitos caso ele assim desejasse. Cada linha era uma barreira erguida entre eles, uma forma de controlar não apenas a realidade, mas também os sentimentos que tinham compartilhado.

As lágrimas vieram como uma onda. Primeiro devagar, umedecendo a ponta dos dedos. Depois, mais rápido, escorrendo pelo rosto, soluços baixos escapando de sua garganta. Ela se jogou na cama, segurando o contrato contra o peito como se isso pudesse mantê-lo ali, mesmo que apenas em papel.

“Então… isso é tudo? Toda a entrega, as conversas, todo o desejo… e eu sou apenas uma lembrança temporária? Uma regra a ser seguida?”

O peso da rejeição era quase físico. Ela sentia-se jogada fora, como se não importasse, como se a intensidade da noite passada tivesse sido apenas uma fantasia unilateral para ele, algo que não precisaria ser lembrado, tocado ou sentido novamente.

Ela se deitou de lado, abraçando o travesseiro que ele deixara para trás, e deixou os soluços consumirem-na. A sensação de abandono misturava-se à saudade imediata, à lembrança da pele dele, ao calor dos corpos, à risada compartilhada entre os gemidos, e tudo parecia cruelmente distante agora.

— Droga… — murmurou, a voz falhando, um fio de som na imensidão do quarto silencioso.

Ela percebeu que não poderia ir até ele, não poderia tocá-lo, não poderia, de acordo com aquele contrato, se aproximar da forma que o coração dela desejava. E isso doía mais do que qualquer distância física poderia doer.

O corpo tremia, não apenas pelo frio que o silêncio da casa trazia, mas pela sensação de que o que aconteceu, o que fora vivido, era agora uma memória perigosa, algo que precisava ser guardado, silenciado, esquecido.

Ela se enrolou nos lençóis, ainda com a blusa dele como único conforto, mas nada poderia preencher o vazio deixado pela ausência dele, pela impossibilidade de tocar, de se aproximar, de ser inteira para ele de novo. O contrato pesava em suas mãos, e cada palavra era um lembrete cruel de que, por mais que ela desejasse, havia limites que Jungkook estabelecera — limites que, naquele momento, a faziam se sentir completamente descartada.

A manhã avançava lá fora, os sons da cozinha e da sala misturando-se ao eco do seu coração partido. A realidade cruel se impunha: a intensidade, a entrega, o desejo, tudo que compartilhara com ele… agora precisava ser contido, escondido, reprimido.

E mesmo entre as lágrimas e o desespero, uma parte dela ainda se segurava na esperança silenciosa de que, em algum momento, ele pudesse olhar para ela não como uma obrigação de regras, mas como alguém que havia feito seu coração disparar de verdade.

Sem o seu cheiro

O dia avançava lentamente. O sol já começava a se inclinar no horizonte, tingindo a sala com uma luz dourada suave, quase preguiçosa. Algumas pessoas haviam saído aos poucos, cansadas da noite longa, deixando apenas o marido de Halsey, ela mesma, e os membros do BTS espalhados pelos sofás e poltronas. A casa, antes viva com risadas e conversas, agora tinha uma quietude carregada de expectativa.

Halsey se levantou, cruzando os braços, e olhou ao redor da sala.

— Alguém viu a SN hoje? — perguntou, a voz carregada de curiosidade e leve preocupação.

Os olhares se cruzaram, mas ninguém parecia ter notícias. Halsey deu um passo à frente, analisando cada canto do espaço, e suspirou.

— Não a vi o dia todo — murmurou, voltando os olhos para Jungkook, que estava sentado no sofá, as mãos cruzadas sobre os joelhos, o semblante firme, mas com os olhos claramente traindo a atenção dividida.

Ele manteve a postura calma, quase imperturbável, mas por dentro, sua mente girava em círculos. Lembrava-se do contrato deixado ao lado dela na cama, das regras que ele impusera para se proteger, e ao mesmo tempo sentia a ausência dela como um vazio estranho, impossível de ignorar.

“Onde ela está? Por que não apareceu?” — pensava, enquanto sua respiração permanecia contida, tentando manter a serenidade, embora cada memória da madrugada o puxasse de volta para ela.

Jungkook desviou o olhar para a janela, tentando controlar o calor repentino que subia pelo corpo, enquanto a dúvida e o desejo se misturavam em uma tensão silenciosa que preenchia toda a sala.

Foi quando ela apareceu já vestida com a própria roupa, o cabelo ainda úmido denunciando o banho recente. Mas nada conseguia esconder o que o rosto revelava. Os olhos inchados, vermelhos, e o nariz sensível de tanto chorar, entregavam uma fragilidade que ela tentava desesperadamente mascarar.

A amiga, que estava próxima, percebeu de imediato — percebeu além da postura ereta e da tentativa de parecer forte. Reconheceu a dor na maneira como ela apertava os dedos contra a própria coxa, como se precisasse de algo físico para se manter de pé. Ainda assim, nada disse. Ficou em silêncio, como se respeitar o peso daquele momento fosse a única forma de cuidado possível.

Ao atravessar a sala, não olhou para ninguém. Não cumprimentou. Não sorriu. Carregava uma sacola nas mãos e, ao chegar próxima ao sofá, parou a poucos passos de Jungkook. O coração dela martelava tanto que parecia ecoar na sala inteira, mas a voz saiu quase num sussurro contido, quebrado:

— Desculpe a demora… — disse, evitando encarar os olhos dele. — Precisei lavar sua blusa. Imagino que não queira… o meu cheiro nela.

A entonação era baixa, mas suficiente para que apenas ele ouvisse. Havia um esforço quase sobre-humano em manter a compostura, em prender as lágrimas que ainda insistiam em se formar. Assim que deixou a sacola no sofá, ela se virou sem dar espaço para réplica e caminhou em direção ao quarto, fechando a porta atrás de si com uma delicadeza que só reforçava a violência silenciosa do gesto.

A sala inteira mergulhou em silêncio. Ninguém ousou dizer nada, como se o ar tivesse se tornado espesso demais para atravessar. Todos apenas acompanharam a cena, testemunhando um corte profundo sem que pudessem estancar o sangue.

Jungkook, imóvel por alguns segundos, deixou o olhar descer até a sacola. Os dedos hesitaram antes de puxar a alça e abrir. Lá dentro, cuidadosamente dobrada, estava sua blusa. Cheirava a sabão neutro, mas não era isso que chamou sua atenção.

Sobre o tecido branco, havia uma marca ainda úmida — uma lágrima que não havia tido tempo de secar. O peito dele se apertou. O ar ficou preso na garganta, e por um instante pareceu que o mundo inteiro tinha diminuído até caber dentro daquela gota.

Abaixo da blusa, repousava o contrato. Assinado. O traço da caneta ainda parecia recente, firme, mas era impossível não enxergar o quanto de dor tinha sido depositado naquela assinatura.

Jungkook fechou os olhos por um segundo, a mão tremendo levemente sobre o tecido. Ele sentiu como se estivesse segurando algo mais pesado do que algodão — como se segurasse, na verdade, a própria ferida que ela carregava.

4 Comentários

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  1. Marcela
    Apr 30, '26 at 9:01 pm

    [quote]Ele se sentou à mesa, respirando fundo, tentando se misturar às risadas dos que haviam sobrevivido à festa. Mas a mente não o deixava. O desejo e o medo se misturavam; ele sabia que precisava manter distância, mas parte dele já havia se perdido para ela, gravada em cada lembrança da madrugada.

    Esse chá foi bem dado

  2. Marcela
    Apr 30, '26 at 9:12 pm

    [quote]As palavras do contrato eram frias, precisas, definitivas. Não apenas proibiam que ela falasse sobre a noite, mas estabeleciam limites claros sobre a proximidade deles, sobre os gestos que poderiam ser feitos caso ele assim desejasse. Cada linha era uma barreira erguida entre eles, uma forma de controlar não apenas a realidade, mas também os sentimentos que tinham compartilhado.

    Que bosta hein? Que situação

  3. Marcela
    Apr 30, '26 at 9:26 pm

    [quote]“Onde ela está? Por que não apareceu?” — pensava, enquanto sua respiração permanecia contida, tentando manter a serenidade, embora cada memória da madrugada o puxasse de volta para ela.

    Mil pensamentos de uma só vez, né JK?

  4. Marcela
    Apr 30, '26 at 9:30 pm

    [quote]Sobre o tecido branco, havia uma marca ainda úmida — uma lágrima que não havia tido tempo de secar. O peito dele se apertou. O ar ficou preso na garganta, e por um instante pareceu que o mundo inteiro tinha diminuído até caber dentro daquela gota.

    Beeeem lá no fundo, ele sabe que tudo que aconteceu foi de vdd. Maaas ne…

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