Capítulo 8 – Negação
por FanfiqueiraA porta se fechou atrás de Halsey com um clique seco que parecia cortar o ar. O silêncio que caiu sobre o estúdio não era apenas silêncio; era um vazio sufocante, pesado, quase palpável. Jungkook permaneceu imóvel por um instante, encarando a parede à sua frente, mas o vácuo logo se transformou em um nó apertado no peito, queimando, esmagando, lembrando-lhe de cada erro que cometera.
As palavras de Halsey ainda ecoavam em sua mente, afiadas como lâminas: “Ela nunca quis te usar… Tudo o que ela queria era viver o que sentia… e olha só o que você fez.”
Ele levou as mãos ao rosto, pressionando os dedos contra os olhos inchados, tentando sufocar a avalanche de pensamentos. Mas não havia como escapar. A culpa pesava sobre ele como uma maré negra, pesada, inescapável. O peito dele se apertava a cada respiração, e a visão, turva, refletia não apenas a fadiga física, mas o desgaste emocional de meses de esforço, fama e autocontrole que, agora, pareciam insignificantes diante do que sentia por ela.
— Droga… — murmurou, a voz quase um sussurro, trêmula, quebrada.
As pernas fraquejaram, e ele se deixou cair na cadeira, a cabeça pendendo para frente, os ombros curvados como se o próprio peso do mundo repousasse sobre eles. Cada memória da noite anterior, cada gesto impensado, cada escolha feita no impulso, surgia na mente dele como uma repetição cruel, gravada em replay.
O medo se insinuou como sombra fria: e se ela nunca mais confiasse em mim? E se eu tivesse destruído algo que não poderia ser recuperado? Ele fechou os olhos com força, sentindo o nó de ansiedade crescer no peito, o coração batendo descompassado. Jungkook sempre fora emocional, mas nunca tão exposto, nunca tão vulnerável com alguém quanto agora.
— Eu… eu estraguei tudo… — a voz saiu quase engasgada, como se admitir fosse arrancar-lhe o próprio ar. — Nunca… nunca quis que fosse assim.
As mãos tremiam sobre o rosto, pressionando contra a pele como se pudesse punir-se fisicamente pelo que já não podia desfazer. E a dor, misturada com o desejo de consertar o que se quebrara, tornava cada segundo ainda mais sufocante. Ele via flashes dela — os olhos inchados, o nariz vermelho de tanto chorar, o cuidado em manter a distância, mesmo quando vulnerável. Sentiu o peito apertar com a consciência de que podia ter perdido algo que talvez nunca mais tivesse outra chance de recuperar.
Jungkook nunca se sentira tão pequeno, tão frágil. Cada músculo do corpo parecia pesado demais para se mover, cada batida do coração lembrava-o de sua falha, e o silêncio do estúdio se tornava ensurdecedor. Ele permaneceu ali, rendido à própria culpa, permitindo-se desmoronar, deixando que o choro profundo e silencioso transbordasse, sem conseguir se recompor, sem coragem de enfrentar o mundo lá fora.
Por longos minutos, ele ficou assim, com a respiração irregular, os pensamentos rodopiando entre arrependimento e amor, incapaz de decidir o que fazer primeiro: fugir, pedir desculpas, ou simplesmente se deixar afundar na própria dor. Mas, no fundo, uma certeza latejava: nunca sentira nada tão intenso, tão verdadeiro, e jamais poderia ignorar o que sentia por ela.
Raiva
Jungkook permaneceu no estúdio por mais alguns minutos, os ombros ainda curvados, o silêncio tornando-se quase sufocante. Cada palavra que Halsey tinha dito ecoava em sua mente, atravessando o peito como punhais silenciosos. Ele levantou-se devagar, sentindo o peso da culpa como se cada passo fosse arrastar pedras sobre si. Caminhou em direção ao quarto dela, o coração acelerado, a respiração irregular.
Mas o quarto estava vazio. A cama arrumada, roupas dobradas, nada indicava que ela tivesse estado ali recentemente. O perfume dela ainda pairava no ar, uma lembrança cruel do calor que agora não podia mais tocar. Seu peito apertou, o nó na garganta aumentando, e os pensamentos se atropelavam:
“Por que eu não percebi antes? Por que não a protegi? Por que deixei tudo chegar a esse ponto?”
Ele vasculhou cada cômodo da casa, a sala, a cozinha, até o pequeno corredor que levava a um banheiro, quase derrubando objetos no caminho. Cada porta que abria e encontrava apenas vazio aumentava a sensação de desespero. Jungkook parou no centro da sala, os punhos cerrados, os dentes rangendo, sentindo a frustração crescer como fogo dentro dele.
— Droga… — murmurou, a voz rouca, quase um grito preso na garganta. — Droga, droga… eu devia ter visto… devia ter feito algo…
Foi então que Halsey se aproximou, andando calmamente, mas com a expressão séria que sempre carregava quando precisava dizer verdades dolorosas.
— Nam… Namjoon levou ela para o aeroporto — disse, firme, quase sem olhar para ele.
Jungkook sentiu o chão desaparecer debaixo de seus pés. Por um instante, tudo ao redor se tornou nebuloso, e ele só conseguiu balbuciar um som de incredulidade, engolindo seco.
Sem pensar, pegou o telefone e discou o número de Namjoon. Cada toque parecia estender a agonia, como se o tempo estivesse contra ele. Quando a chamada foi atendida, Namjoon não esperou que ele falasse:
— Ela já esta no avião.
Aquelas palavras caíram sobre ele como um martelo. Jungkook caiu de joelhos, os ombros tremendo, o telefone escorregando de suas mãos. Uma mistura de raiva e desespero explodiu dentro dele, quente e sufocante. Ele se odiava por não ter conseguido agir a tempo, por ter deixado a culpa se acumular em silêncio, por ter confiado demais em si mesmo e menos nela.
“Ela foi embora… Eu deixei ela ir… Eu estraguei tudo.”
O peito dele queimava, os olhos ardiam, mas as lágrimas se recusavam a cair. Ele estava furioso com o mundo, mas ainda mais consigo mesmo. Cada segundo desde que soubera da festa, desde que percebera o quanto ela se entregava e confiava nele, cada momento que poderia ter protegido, cuidado ou segurado firme, agora era apenas uma lembrança amarga que não podia desfazer.
— Eu… eu não posso… — murmurou, os punhos batendo contra o chão, impotente. — Eu devia ter impedido… eu devia ter segurado você…
Suga se aproximou, apenas ficando ao lado dele, silencioso. Não havia palavras que pudessem desfazer a situação. O silêncio se tornou cúmplice do desastre, e Jungkook permaneceu ali, ajoelhado, respirando irregularmente, enquanto cada lembrança dela, de cada gesto, de cada entrega, martelava seu coração.
Ele queria gritar, correr, encontrar algum jeito de fazer tudo certo, mas a realidade cruel era implacável: ela estava a milhares de quilômetros de distância, no avião que a levaria para o Brasil, e tudo o que ele podia fazer agora era sentir o vazio, a culpa e a dor que se espalhavam como fogo em suas veias.
Jungkook fechou os olhos mais uma vez, sentindo cada memória dela, cada toque, cada sorriso, cada entrega que ele nunca poderia esquecer. E naquele silêncio pesado, ele prometeu a si mesmo que não descansaria enquanto não encontrasse um jeito de compensar, de redimir-se, de garantir que, se não agora, algum dia, eles teriam uma segunda chance.
[quote]— Eu… eu estraguei tudo… — a voz saiu quase engasgada, como se admitir fosse arrancar-lhe o próprio ar. — Nunca… nunca quis que fosse assim.
Vai atrás dela homiii
[quote]“Por que eu não percebi antes? Por que não a protegi? Por que deixei tudo chegar a esse ponto?”
Ele foi no desespero do momento, e deu no que deu
[quote]— Ela já esta no avião.
Deu ruim pra ele
[quote]Suga se aproximou, apenas ficando ao lado dele, silencioso. Não havia palavras que pudessem desfazer a situação. O silêncio se tornou cúmplice do desastre, e Jungkook permaneceu ali, ajoelhado, respirando irregularmente, enquanto cada lembrança dela, de cada gesto, de cada entrega, martelava seu coração.
Sempre em silêncio, só dando o apoio moral ao amigo kkkk