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Hanna dirigia calmamente, o rádio ligado baixinho, enquanto SN observava a cidade pela janela. O silêncio era leve, mas carregava um significado. Depois de alguns minutos, a mãe de Tae falou.

— Eu me lembro da primeira vez que você apareceu lá em casa.

SN riu de leve. — Eu tava com a cara toda suja de tinta. Tinha caído no chão da escola.

— E o Taehyung ficou desesperado, como se tivesse visto alguém quebrar uma obra de arte — ela sorriu, os olhos nos semáforos. — Desde aquele dia… eu soube.

SN a olhou, surpresa. — Soube o quê?

— Que ele nunca mais ia olhar pra nenhuma outra garota do mesmo jeito.

O silêncio voltou, mas o coração de SN batia mais rápido.

— Eu sei que as circunstâncias de vocês são diferentes. Complicadas. Mas o sentimento… não é. O que você e meu filho sentem é puro. Real.

— Eu… não sabia que ele tinha te falado alguma coisa.

— Ele nunca falou. Mas a gente sente. Mãe sente.

SN olhou pra baixo, mexendo nas próprias unhas. — Eu falei pro Yoongi que eu amava o Tae, sabe? Antes de tudo. Antes de qualquer coisa acontecer entre mim e ele. Eu fui honesta.

— E o Tae também falou pro Yoongi, muito antes de vocês ficarem. E mesmo assim… — a mulher suspirou — ele avançou. Isso diz mais sobre o Yoongi do que sobre vocês.

SN assentiu lentamente.

— Eu só não queria magoar ninguém. Nem causar confusão. Mas depois de ontem… parece que tudo se encaixou. Como se fosse assim desde o começo.

Hanna estendeu a mão, pousando com carinho sobre a filha.

— Eu confio em vocês. Só… tenham calma. As pessoas ainda vão falar, ainda vão julgar. Mas se vocês se mantiverem firmes um no outro… ninguém derruba.

SN sorriu, os olhos marejando.

— Obrigada, omma.

A mulher piscou, emocionada também.

— Te considero como filha faz tempo. Agora só estou esperando o Tae tomar vergonha na cara.

Ambas riram.

Enquanto isso, na casa – no quarto de Tae…

Ele havia tomado banho e colocado uma roupa limpa. Camiseta branca, calça de moletom e um colar simples no pescoço. Andava de um lado pro outro com um leve sorriso no rosto, segurando o celular, escrevendo e apagando mensagens que pensava em mandar pra SN, mas desistia.

Então, resolveu ir pra cozinha. Preparou uma bandeja com frutas cortadas, panquecas e suco de laranja. Sabia que ela ia voltar com fome.

Na sala, o pai de SN já havia saído para caminhar, como prometido. A casa estava silenciosa novamente, e Tae ajeitou tudo com zelo.

— Espero que ela goste disso… — murmurou para si mesmo, rindo baixo.

A porta se abriu devagar, e SN entrou primeiro, seguida pela mãe . O silêncio da casa trouxe um certo alívio. SN tirou os sapatos, deixando-os de lado, enquanto olhava em volta. Quando chegou à sala, sentiu o cheiro vindo da cozinha e franziu o cenho com um sorriso curioso.

— Tae?

Ele apareceu no batente da cozinha com a bandeja nas mãos e um sorrisinho no canto dos lábios.

— Estava esperando você.

O rosto dela se iluminou. Tae caminhou até o sofá, colocou a bandeja na mesinha de centro e puxou SN pela cintura.

— Eu… fiz panquecas. Sei que você sempre volta dessas saídas com fome.

Ela sorriu, olhando para o prato, depois para ele.

— Você pensou mesmo em tudo…

Ele assentiu, os olhos fixos nos dela.

— Eu pensei em você. A manhã toda. Na verdade, pensei em você a noite inteira também.

SN corou de leve, mas não desviou o olhar.

— Você tá tentando me conquistar com comida?

— Tá funcionando?

Ela riu, se aproximando mais.

— Muito.

Tae passou os braços ao redor dela, colando seus corpos.

— Fiquei com saudade. Mesmo que tenha sido só algumas horas.

— Eu também — SN sussurrou.

Ele beijou a testa dela, depois a bochecha, depois foi descendo devagar até o canto dos lábios.

— Vamos comer? — perguntou, com um brilho malicioso nos olhos. — Ou você quer pular direto pra sobremesa?

Ela bateu de leve no peito dele, rindo.

— Bobo.

Eles se sentaram juntos no sofá, dividindo a comida. A mãe de Tae, observando da cozinha com um sorrisinho de canto, apenas balançou a cabeça e sussurrou para si mesma:

— Tão novos… mas tão certos um pro outro.

Depois do café da manhã – no quarto de SN…

Ela estava deitada com a cabeça no colo de Tae, enquanto ele mexia nos fios do cabelo dela. A luz do dia entrava pela janela, iluminando suavemente o quarto.

— Tae…

— Hm?

— O que você falou pro meu pai enquanto eu estava fora?

— Que eu amo você. E que eu não vou desistir de te fazer feliz.

SN levantou um pouco a cabeça, olhando nos olhos dele.

— Você disse isso mesmo?

— Com todas as letras. Até tremi na hora.

Ela riu, emocionada.

— Você é mesmo tudo o que eu sempre quis.

Tae se inclinou e deu um beijo suave nela. Depois sussurrou, com o coração exposto:

— Eu vou cuidar de você, SN. Do seu corpo, do seu coração, dos seus medos… de tudo.

Ela apenas assentiu, os olhos marejando.

— E eu de você.

 Início da tarde – Pai de SN chega da corrida…

O som do portão se abrindo anunciou a chegada de Alfonso,  pai de SN. Ele entrou na casa suado, ainda com a toalha no pescoço, respirando forte depois da corrida. Tirou os tênis no hall e caminhou até a cozinha, onde encontrou a mãe de Tae mexendo em uma chaleira.

— Amor… cadê os dois?

Ela ergueu os olhos com um pequeno sorriso, servindo chá numa xícara.

— Subiram. Devem estar no quarto dela… conversando.

Ele franziu a testa.

— Conversando?

— Sim, amor. — Ela sorriu, mas havia algo a mais naquele tom.

O pai de SN pegou um copo d’água, mas seu olhar já estava voltado para o corredor. O coração bateu mais rápido. “Conversando” podia significar muita coisa. Quando se aproximou da escada e viu a porta do quarto da filha entreaberta, um calafrio desceu por sua espinha.

— Não… não tão cedo… — resmungou, subindo as escadas como quem vai para o campo de batalha.

SN estava deitada na cama, com a cabeça no peito de Tae. Eles riam baixinho de algo bobo que ele havia sussurrado quando…

Toc toc.

Ambos congelaram.

— Filha? — a voz firme ecoou do outro lado. — Tae, abre mais essa porta. E deixa aberta.

Tae se levantou num pulo, tropeçando nos lençóis. Vestido, mas ainda com o cabelo bagunçado, ele foi até a porta, abriu completamente e respondeu com um sorriso tenso:

— Sim, senhor.

O pai de SN olhou os dois de cima a baixo. SN ajeitava a blusa como se tivesse sido pega roubando um doce. Tae, nervoso, coçava a nuca.

O pai deu dois passos para trás, pronto para sair… mas então se virou de novo. Coçou a testa, mordeu o lábio e bufou. O instinto paternal falou mais alto.

— Vocês usam… camisinha, né?

Silêncio mortal.

Tae arregalou os olhos. SN quase afundou no colchão de vergonha. Tae respondeu, com a postura reta e séria, mesmo suando frio:

— Sempre. Eu jamais… desrespeitaria a confiança do senhor.

O pai de SN o encarou por longos segundos. SN queria sumir da face da Terra.

— Certo… — ele disse, virando-se… mas parou de novo. — Porque se eu descobrir que estão brincando com coisa séria…

Antes que pudesse terminar, a mãe de Tae surgiu no topo da escada com os braços cruzados e um olhar firme.

— Querido, deixa os dois respirarem. A garota está constrangida e o garoto vai infartar. Vamos.

— Mas eu só quero proteger…

— Eles já são grandes, e você já falou o que queria. Vamos tomar nosso chá.

Ele hesitou… então soltou um suspiro, murmurando:

— Eu vou precisar de mais que chá.

E desceu.

Tae fechou a porta devagar, voltando para perto de SN que estava sentada com o rosto entre as mãos, rindo de nervoso.

— Eu vou morrer de vergonha.

— Eu quase desmaiei — Tae respondeu, rindo também.

Ela ergueu o rosto, ainda corada.

— Mas obrigada por responder daquele jeito. Você foi… maduro.

— Eu queria dizer que foi fácil… mas eu quase gaguejei no “camisinha”.

Os dois caíram na gargalhada, aliviando o clima pesado.

10 Comentários

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  1. Marcela
    Feb 22, '26 at 11:52 am

    [quote]— Ele nunca falou. Mas a gente sente. Mãe sente.

    Exatamente, mãe ver tudo e sente tudo quando se trata do filho(a)

  2. Marcela
    Feb 22, '26 at 11:56 am

    [quote]— Que eu amo você. E que eu não vou desistir de te fazer feliz.

    Sendo amada em voz aaaalta

  3. Marcela
    Feb 22, '26 at 11:59 am

    [quote]— Querido, deixa os dois respirarem. A garota está constrangida e o garoto vai infartar. Vamos.

    Queria ter a calma e a sabedoria da mãe do Tae kkkkkk eu já estaria surtando junto com o pai

  4. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:14 pm

    — Que ele nunca mais ia olhar pra nenhuma outra garota do mesmo jeito.

    Meu deus a mãe visionária desde muito antes

  5. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:15 pm

    — Eu pensei em você. A manhã toda. Na verdade, pensei em você a noite inteira também.

    O homem mais apaixonado e Romântico da face da terra

  6. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:16 pm

    — Vocês usam… camisinha, né?

    Não julgo pq teria surtado igualzinho

  7. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:17 pm

    — Eu queria dizer que foi fácil… mas eu quase gaguejei no “camisinha”.

    Kkkkkkkkk essa o pai pegou eles de jeito, a vergonha corroendo

  8. Thamiris
    Apr 24, '26 at 9:18 pm

    — Vocês usam… camisinha, né?

    O pai,sendo pai kkk

  9. Thamiris
    Apr 24, '26 at 9:19 pm

    — Vocês usam… camisinha, né?

    Pra falar verdade??
    Geralmente não dá tempo

  10. Thamiris
    Apr 24, '26 at 9:20 pm

    — Eu vou precisar de mais que chá.

    Kk,ela vai te dar outro chá

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