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O pai de SN subiu as escadas com passos lentos, o coração apertado a cada soluço abafado que ouvia vindo do quarto dela. Ele conhecia aquele choro. Era o mesmo choro que ela tinha quando era pequena e tinha um pesadelo. O mesmo que ele embalava nos braços, sussurrando que tudo ia ficar bem.

Quando parou diante da porta, respirou fundo. Bateu duas vezes com delicadeza.

— Princesa? — a voz dele soou suave, quase em sussurro. — Posso entrar?

O choro diminuiu por alguns segundos, e ele escutou o barulho do cobertor sendo puxado. Um “hum-hum” baixinho veio como resposta.

Ele girou a maçaneta e entrou devagar. O quarto estava em meia-luz, as cortinas fechadas. SN estava sentada no canto da cama, encolhida, com os olhos vermelhos e a respiração ainda trêmula.

— Appa… — ela sussurrou, a voz falhada.

Ele caminhou até ela e sentou-se na beira da cama, sem dizer nada de imediato. Apenas a envolveu nos braços, forte, firme, como se quisesse proteger ela de todo o mal do mundo.

Ela desabou novamente no peito dele.

— Eu… eu não entendo, appa… por quê?

Ele alisava os cabelos dela devagar, como fazia quando ela era criança.

— Você não precisa entender agora. — disse, a voz calma, mas firme. — Só precisa lembrar que você é amada. E que isso aqui — ele a apertou contra o peito — nunca muda.

SN tremia nos braços dele.

— Eu sinto como se tivesse feito alguma coisa errada…

— Não. — ele afastou levemente o rosto dela para poder olhar em seus olhos. — Você não fez nada de errado, meu bem. Às vezes… algumas pessoas tomam decisões que não conseguimos compreender. Mas isso não tem nada a ver com o seu valor. Nada.

Ela apenas chorou mais um pouco, e ele a acolheu como sempre fez — como o pai que ela sempre teve, o que chamava de “herói” quando pequena.

— Vai doer, eu sei. Mas vai passar. E quando passar… você ainda vai ser essa mulher forte, doce e cheia de luz que sempre foi.

Ela assentiu, ainda chorando, mas mais calma.

— Obrigada, appa…

Ele sorriu e beijou a testa dela.

— Sempre. Sou seu porto seguro. Sempre serei.

Na cozinha, Tae já estava um pouco mais recuperado, o corte no rosto limpo e com um curativo. Ele mantinha os olhos baixos, com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos entrelaçadas, os nós dos dedos brancos de tensão.

A mãe dele terminou de lavar o pano manchado de sangue e se sentou à frente dele, observando em silêncio por alguns segundos.

— Foi por causa do vídeo, não foi?

Tae levantou os olhos, a garganta apertada.

— É. Ele… gravou sem ela saber. — A voz dele falhou. — Ele gravou eles. Quando… quando eles estavam juntos. Ela não sabia. 

A mãe arregalou os olhos, horrorizada.

— Ele o quê?

— Ele tinha câmeras no quarto. Eu… acho que ela não fazia ideia.

Ela levou a mão à boca, o olhar marejando de raiva e indignação.

— Meu Deus… e ela não sabe?

— Não. E se souber… ela vai desmoronar. E eu não quero isso. — Tae esfregou o rosto, frustrado. — Ele ameaçou divulgar. Disse que colocaria o vídeo na internet se eu não terminasse com ela.

— Isso é crime. Isso é monstruoso!

— Eu sei. Mas eu também sei que se a SN descobrir isso só vai machucá-la mais. Não quero vê-la sendo julgada por algo que ela nem sabe que aconteceu.

A mãe dele segurou a mão dele com firmeza.

— Tae… isso não é só sobre ela. Isso é abuso. Violação de privacidade. Isso é nojento.

— Eu sei. — ele disse em um sussurro. — Mas tudo que eu consigo pensar agora é que eu a deixei sozinha. E que ela vai achar que eu a abandonei.

Ela respirou fundo, contendo as lágrimas.

— Eu sempre soube que você amava ela. Sempre senti no jeito que você olhava. No modo como falava dela. E doeu ver você escondendo isso por tanto tempo.

Ele a olhou, surpreso.

— Você sabia?

Ela sorriu de canto.

— Mães sabem.

Tae apertou os lábios, e os olhos marejaram mais uma vez.

— Eu só queria fazer a coisa certa.

Ela apertou as mãos dele de novo, com firmeza.

— Então agora, meu filho… a coisa certa é lutar por ela. E não deixar esse canalha sair impune.

Ele assentiu lentamente, olhando para as mãos da mãe que agora apertavam as suas com carinho e força.

— Amanhã… eu vou dar um jeito nisso. Eu juro.

Ela acariciou o rosto dele com ternura.

— E eu estarei com você. Em cada passo.

No dia seguinte…

O som dos talheres batendo nos pratos ecoava pela cozinha enquanto a mãe de Tae e o pai de SN dividiam a refeição em silêncio. Tae estava no quarto, ainda em recuperação. SN, desde o dia anterior, mal havia saído do quarto, mas tinha descido para tomar um pouco de água. Agora, estava de volta às escadas, mas parou ao ouvir os sussurros abafados dos pais, vozes que não sabiam que ela estava ali — ouvindo tudo.

— Eu não acredito que aquele desgraçado fez isso com a minha filha… — o pai murmurou, a voz carregada de indignação. — Instalar câmera sem ela saber? Isso ultrapassa todos os limites!

— E obrigar o Tae a terminar com ela, ameaçando divulgar o vídeo… — completou a mãe, inconformada. — Isso tá destruindo os dois. Eles se amam, a gente vê isso no olhar. Mas ele achou que estava protegendo ela.

Um silêncio denso caiu por alguns segundos, até o pai concluir:

— E agora a nossa filha acha que ele a largou por vontade própria… isso tá acabando com ela.

SN cambaleou um passo para trás, o coração batendo tão forte que parecia estar na garganta. Os olhos arregalados. As mãos trêmulas segurando o corrimão.
“Então foi isso? Era isso o tempo todo?”

Ela virou, descendo as escadas com fúria nos pés. Os pais nem a viram passar — apenas ouviram a porta bater com força.

SN caminhava pelas ruas como se estivesse em transe. O cabelo preso às pressas, os olhos ainda inchados, mas agora vivos de raiva.

Ela sabia onde encontrar Yoongi.
Sabia porque ele era previsível. Sempre voltava ao mesmo lugar: o estúdio de mixagem alugado no subsolo de um prédio comercial, onde achava que podia se esconder do mundo.

Ela entrou no prédio sem hesitar. O segurança tentou barrá-la, mas ela nem olhou para o lado — a expressão no rosto dela era o suficiente para ninguém se meter.

Desceu as escadas, o salto ecoando como ameaças no concreto. Bateu a porta com força. Yoongi, sentado na poltrona giratória com fones no pescoço, virou-se, surpreso.

— SN…? — Ele sorriu, se levantando. — Que surpresa boa… Eu ia mesmo te chamar pra conversar…

Ela o interrompeu com um tapa seco no rosto, forte, estalado, que virou o rosto dele pro lado.

— É ISSO que você chama de conversa?! — ela gritou, os olhos ardendo. — Você ameaçou o Tae! Você CHANTAGEOU ele com um VÍDEO que NUNCA devia ter existido!

Yoongi levou a mão ao rosto devagar, massageando a bochecha vermelha. Depois, sorriu. Um sorriso falso, ensaiado, quase debochado.

— Eu só fiz o que qualquer um faria pra proteger alguém que ama…

— VOCÊ NÃO ME AMA! — SN deu mais um passo à frente. — Você me USOU! Você queria me expor, destruir o Tae, e ainda teve a audácia de fingir que estava apaixonado?

Ele suspirou, cruzando os braços.

— Tae contou, né? Claro que contou. Aposto que ele também contou como destruiu a mulher que eu amo.

SN respirou fundo. Tae havia contado na noite anterior sobre a ex-namorada que teve o coração partido por culpa dele. SN já sabia disso. Mas a dor agora era outra. Era o nojento na frente dela, tentando inverter os papéis.

— Eu sei de tudo, Yoongi. E você nunca vai ser como ele. Nunca.

Ele se aproximou com calma, a máscara de “apaixonado ferido” escorrendo pelo rosto. Tentava recuperar o controle da cena.

— Você acha mesmo que ele fez tudo isso por você? Ele fez pra aliviar a própria culpa. E você… você me deu tudo, SN. Você me queria. Você não resistiu, lembra? Você…

Ela o empurrou com força contra a parede.

— EU NÃO SABIA QUE TINHA UMA CÂMERA! — gritou. — VOCÊ GRAVOU SEM MINHA PERMISSÃO! VOCÊ É UM CRIMINOSO!

Yoongi, por um momento, perdeu a pose. Os olhos se estreitaram. O sorriso morreu. O tom da voz mudou, ficando frio como metal.

— E você vai fazer o quê, hein? Vai me denunciar? Vai contar pra sua família? Pro Tae? Vai ver o vídeo circulando no dia seguinte?

— Eu não tenho medo de você. — SN rosnou, firme. — E agora eu entendo por que o Tae quase te matou.

Yoongi se aproximou devagar, o rosto bem próximo ao dela. O cheiro dele já era repulsivo.

— Você era só uma chance de vingança. — ele murmurou. — Igual ele destruiu a minha felicidade, eu ia destruir a dele. Mas agora… Agora eu vejo que você vale menos do que eu imaginava.

SN socou o peito dele com força.

— EU NÃO SOU SUA VINGANÇA! — berrou, os olhos marejando. — E se você acha que vai sair impune, está muito enganado!

Ela se afastou, respirando com dificuldade, lágrimas escorrendo — não de tristeza, mas de raiva, de nojo, de dor.

— Eu vou acabar com você, Yoongi. Com cada arquivo, cada cópia, cada chance de você machucar alguém.

Yoongi a observou em silêncio, os olhos sombrios.

— Vai mesmo? E quem vai acreditar em você? Hein, SN? Todo mundo acha que você é a irmãzinha protegida do Tae. Vão dizer que você tava se exibindo. Que queria aparecer. Que foi consensual. Eu conheço esse jogo.

Ela limpou uma lágrima com as costas da mão, erguendo o queixo.

— Então é bom você correr pra apagar tudo, porque a próxima vez… eu não bato. Eu arrasto você pro inferno.

Ela saiu dali com a alma em chamas, deixando para trás o silêncio frio de um homem que perdeu a última cartada. Yoongi, parado no mesmo lugar, socou a parede com força. A rachadura foi pequena. Mas dentro dele, o medo tinha começado a crescer.

10 Comentários

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  1. Marcela
    Feb 22, '26 at 12:56 pm

    [quote]— Você não precisa entender agora. — disse, a voz calma, mas firme. — Só precisa lembrar que você é amada. E que isso aqui — ele a apertou contra o peito — nunca muda.

    Tao lindo o jeito que o pai fala com ela

  2. Marcela
    Feb 22, '26 at 1:10 pm

    [quote]— Então agora, meu filho… a coisa certa é lutar por ela. E não deixar esse canalha sair impune.

    Já disse que sou fã dessa mãe ?

  3. Marcela
    Feb 22, '26 at 1:15 pm

    [quote]SN cambaleou um passo para trás, o coração batendo tão forte que parecia estar na garganta. Os olhos arregalados. As mãos trêmulas segurando o corrimão. “Então foi isso? Era isso o tempo todo?”

    AGR a confusão tá feita

  4. Marcela
    Feb 22, '26 at 1:20 pm

    [quote]— Você era só uma chance de vingança. — ele murmurou. — Igual ele destruiu a minha felicidade, eu ia destruir a dele. Mas agora… Agora eu vejo que você vale menos do que eu imaginava.

    Ainda teve coragem de humilhar ela,
    É um infeliz msm

  5. Iasmine
    Feb 24, '26 at 12:00 am

    — Tae… isso não é só sobre ela. Isso é abuso. Violação de privacidade. Isso é nojento.

    Fala mesmo diva mãe.. isso é um crime

  6. Iasmine
    Feb 24, '26 at 12:01 am

    SN cambaleou um passo para trás, o coração batendo tão forte que parecia estar na garganta. Os olhos arregalados. As mãos trêmulas segurando o corrimão. “Então foi isso? Era isso o tempo todo?”

    Pois foi isso mesmo mulher.. aquele fdp ta fazendo chantagem

  7. Iasmine
    Feb 24, '26 at 12:01 am

    — Então é bom você correr pra apagar tudo, porque a próxima vez… eu não bato. Eu arrasto você pro inferno.

    Eu to sentindo o odio dela daqui, pois ja teria arrastado ele pro inferno faz tempo

  8. Iasmine
    Feb 24, '26 at 12:03 am

    Ela saiu dali com a alma em chamas, deixando para trás o silêncio frio de um homem que perdeu a última cartada. Yoongi, parado no mesmo lugar, socou a parede com força. A rachadura foi pequena. Mas dentro dele, o medo tinha começado a crescer.

    Um criminoso, pois medo é pouco.. tem que se lascar

  9. Thamiris
    Apr 24, '26 at 9:52 pm

    SN caminhava pelas ruas como se estivesse em transe. O cabelo preso às pressas, os olhos ainda inchados, mas agora vivos de raiva.

    Por isso que ele não contou para ela

  10. Thamiris
    Apr 24, '26 at 9:56 pm

    — Então é bom você correr pra apagar tudo, porque a próxima vez… eu não bato. Eu arrasto você pro inferno.

    Eitaaaa,gosto dessas

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