Capítulo 8 – Inconfessável
por FanfiqueiraA casa estava silenciosa novamente, exceto pelo leve rangido das malas sendo puxadas escada acima. Tae já estava deitado no próprio quarto, o coração ainda acelerado depois da fuga silenciosa do quarto de SN. Tinha puxado o lençol até a cintura e encarava o teto no escuro, tentando processar tudo.
Do outro lado do corredor, SN se mantinha completamente imóvel, deitada de lado, os lençóis puxados até o queixo, fingindo estar dormindo. O corpo ainda quente pela noite que tivera com Tae. O coração batia forte no peito, como se temesse ser descoberto.
Então, veio o som que ela mais temia: uma batida suave na porta do quarto.
— SN? — era a voz grave do pai. — Chegamos.
Ela fechou os olhos com força e manteve a respiração lenta, fingindo sono profundo.
A maçaneta girou. Ele entrou, como sempre fazia, sem esperar resposta. Mas, ao ver a filha aparentemente dormindo, encolhida sob os lençóis, não disse nada. Apenas soltou um leve suspiro, balançou a cabeça e fechou a porta devagar, respeitando o sono dela.
Ela só abriu os olhos quando ouviu o clique da porta se fechar. O alívio veio com um suspiro contido.
No quarto ao lado, Tae ouviu o som da outra porta abrir — desta vez, a do seu quarto.
— Tae? — era a voz da mãe dele, suave, mas firme.
Ele se sentou na cama de leve, puxando o cobertor até a cintura.
— Oi, omma.
Ela entrou com um sorriso gentil, mas com os olhos atentos como sempre. Vestia um casaco leve por cima da roupa de viagem e trazia nas mãos uma garrafinha d’água.
— Você ainda tá acordado?
— Tava quase dormindo — ele mentiu, coçando a nuca, com o cabelo bagunçado e as bochechas um pouco coradas.
Ela olhou em volta, como se procurasse algo fora do lugar, e depois se aproximou da cama, sentando-se na beirada.
— Como foi aqui nessas duas semanas? — perguntou ela, olhando diretamente para ele. — Nenhum problema?
Tae deu de ombros, tentando parecer o mais neutro possível.
— Foi tranquilo. A SN tava aqui também, né? A gente dividiu as tarefas, cuidamos da casa. Tudo certo.
— Você não me mandou muita mensagem… achei que ia atualizar mais.
— É que… a rotina pegou. Ela com o trabalho dela na galeria, eu com o da empresa. A semana passou rápido.
Ela assentiu, mas seus olhos ainda o analisavam com calma.
— E vocês se deram bem?
Ele confirmou com a cabeça.
— Sim, normal. Meio estranho no começo… fazia muito tempo que a gente não ficava tanto tempo junto assim. Mas foi legal.
A mãe sorriu de leve.
— Fico feliz. Queria muito que vocês se reconectassem como irmãos. Afinal, é só vocês dois.
Ele abaixou o olhar e assentiu. O estômago revirou, não pelo que fez, mas pela consciência de estar escondendo.
— E como tá o pessoal da vizinhança? — ela perguntou casualmente. — Vi a senhora Kim lá do 303, e ela comentou de uma coisa que me deixou surpresa…
Tae levantou uma sobrancelha, disfarçando o incômodo com um sorriso.
— Surpresa? O quê?
— Ela disse que viu a SN com o Yoongi várias vezes durante as semanas em que estivemos fora. Parece que… eles estavam muito próximos. Ela até usou a palavra “namorando”.
Tae congelou por um segundo.
— Namorando? — tentou soar apenas curioso, mas a voz saiu um pouco mais aguda do que pretendia. — Com o Yoongi?
— Uhum. Eu achei estranho. Quer dizer, eu gosto do Yoongi. Ele sempre foi um bom menino. Mas não me lembro de ela comentar nada com a gente. E você? Sabia de algo?
Tae mordeu a parte interna da bochecha, pensando rápido.
— Não… não exatamente. A SN sempre foi reservada, né? Se estiver acontecendo algo, acho que ela vai contar na hora certa.
A mãe o olhou por um instante, parecendo avaliar cada traço de seu rosto.
— Você ficou surpreso.
— Um pouco — ele admitiu. — Só porque… sei lá, nunca imaginei os dois juntos.
— Ele ainda tá com aquele cabelo escuro, né? — ela perguntou, num tom mais leve. — Lembro que ele disse que não pintava porque o couro cabeludo dele coçava. Achei engraçado.
Tae riu com ela, ainda tentando controlar o turbilhão dentro dele.
— É. Ele continua igualzinho.
— Bom… se ela estiver feliz, é o que importa. Mas achei curioso ela não contar pra gente. Talvez tenha sido algo recente.
— Pode ser. Eu não perguntei.
A mãe se levantou e deu um beijo na testa dele.
— Vou deixar você descansar. Só queria saber se estava tudo bem por aqui. Amanhã a gente conversa mais, tá?
— Tá, omma. Boa noite.
— Boa noite, filho.
Quando ela fechou a porta atrás de si, Tae soltou um longo suspiro e passou as mãos pelo rosto. A ideia de SN com Yoongi apertava algo dentro dele que ele não queria nomear. Mesmo que ele soubesse que aquilo não era real — ou talvez tivesse sido em algum momento — não deixava de incomodar.
E agora ele sabia que até os vizinhos estavam atentos.
Nada havia sido descoberto ainda.
Mas aos poucos… os sinais estavam se acumulando.
A manhã de sábado amanheceu com o céu limpo e o aroma de café recém-passado se espalhando pela casa. A mesa da cozinha estava posta, pão fresco, ovos mexidos, frutas cortadas em uma travessa e suco natural.
SN desceu as escadas ainda com os cabelos levemente bagunçados, vestindo um moletom largo e confortável. Tae já estava sentado à mesa, lendo alguma notícia no celular, enquanto os pais movimentavam-se entre a cozinha e a sala.
— Bom dia, filha — disse a mãe com um sorriso caloroso. — Dormiu bem?
— Dormi, omma — respondeu SN, beijando o rosto da mãe. — Bom dia, appa.
— Bom dia, princesa — respondeu o pai, sorrindo com o jornal em mãos.
Tae levantou os olhos do celular, cruzando o olhar com ela rapidamente. Um leve sorriso surgiu em seu rosto, mas foi discreto. Havia tensão contida entre os dois. O calor da noite passada ainda parecia reverberar em seus corpos, mas ambos se esforçavam para parecer normais.
Todos sentaram-se à mesa e começaram a se servir. Por um momento, o silêncio foi preenchido apenas pelo tilintar de talheres e copos sendo enchidos.
Mas, inevitavelmente, o assunto veio.
— Então, SN… — começou o pai, casualmente. — A senhora Kim comentou conosco sobre você e o Yoongi. Disse que viu vocês juntos algumas vezes… até se beijando.
Tae travou a mão no garfo.
SN engoliu seco, erguendo os olhos para o pai.
— Ahn… então… é, eu e o Yoongi ficamos sim. Mas foi algo rápido. Durou uns… três ou quatro dias. A gente se aproximou, tentou alguma coisa, mas não deu certo. Não era aquilo que eu queria.
Tae soltou o ar que estava segurando, os olhos baixos.
O pai arqueou as sobrancelhas.
— Ah… entendo. Mas ele ligou pra mim durante a viagem, sabia?
SN franziu a testa, surpresa.
— Ligou pra você? Pra quê?
— Pra pedir permissão pra namorar você. Foi bem educado, disse que vocês estavam juntos e que queria fazer as coisas certas. Eu e sua mãe… a gente ouviu da vizinha também. Achei que fosse sério.
SN olhou incrédula.
— Ele fez isso sem me contar?
Tae apertou o garfo com força. A mandíbula tensa. Não disse uma palavra.
A mãe de Tae, com um sorriso curioso e tom suave, olhou para SN.
— Filha… você lembra quando me disse que gostava de um garoto desde mais nova? Que era um amor antigo, silencioso… Você chegou a me dizer que ainda sentia por ele. Era o Yoongi?
SN olhou para os pais por um instante, depois desviou o olhar para Tae, que mantinha o rosto inexpressivo, mas os olhos levemente marejados.
Ela respirou fundo.
— Não… não era o Yoongi.
— Então quem era? — perguntou o pai, curioso.
Ela hesitou, depois sorriu com um toque de melancolia.
— Era alguém que sempre esteve aqui. Alguém que… sempre me viu, mesmo quando eu achava que ninguém via.
O silêncio caiu sobre a mesa. Tae a encarava fixamente agora, os olhos pesados de sentimento contido. Os pais trocaram olhares, confusos.
Antes que mais alguém pudesse dizer qualquer coisa, a campainha tocou.
— Eu atendo — disse o pai, levantando-se.
Segundos depois, a porta se abriu e todos ouviram:
— Bom dia, senhor Kim!
A voz era inconfundível. Yoongi.
SN sentiu o estômago revirar. Tae levantou os olhos, paralisado. Yoongi entrou na cozinha sorrindo, vestindo uma casaco verde e jeans, os cabelos escuros levemente bagunçados.
— Espero não estar atrapalhando — disse ele, sorrindo. — Trouxe uns pães da padaria que SN gosta.
Ele se aproximou, e sem hesitar, inclinou-se e deu um beijo nos lábios de SN, ali, na frente de todos.
SN ficou imóvel. Tae fechou os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
— Bom dia — disse Yoongi com naturalidade. — Estava com saudade.
SN não respondeu. A tensão no ar era quase visível.
O pai olhou a filha, depois para o rapaz.
— SN… vocês voltaram?
Ela olhou para Yoongi, depois para Tae… e por fim, disse apenas:
— Precisamos conversar. Sozinhos.
Yoongi pareceu confuso.
— Agora?
— Agora — disse ela, firme, levantando-se da mesa.
Ela saiu pela porta dos fundos e ele a seguiu.
Tae permaneceu imóvel na cadeira, o coração em pedaços, lutando contra a vontade de ir atrás dela.
A mãe do Tae em silêncio, seus olhos fixos naquela cena que acabara de presenciar. O beijo repentino de Yoongi em SN parecia mais do que um simples gesto — havia uma tensão no ar que ela não podia ignorar. E, então, seu olhar se voltou para Tae.
Ela viu a respiração dele falhar por um instante, os músculos do rosto endurecerem, e um brilho intenso surgir em seus olhos. Não era raiva, nem ciúmes comuns, era algo mais profundo, mais contido — um sentimento guardado, talvez até doloroso.
A mão dela pousou suavemente no braço do filho, como se quisesse confortá-lo sem interromper o que ele estava sentindo.
— Filhinho… — ela começou, a voz baixa e cheia de carinho. — Eu vejo o que você não diz. Não precisa esconder nada da gente, sabia?
Tae desviou o olhar, tentando recompor a expressão, mas a mãe dele já tinha entendido tudo. Havia algo entre ele e SN — algo que nem mesmo ele parecia conseguir colocar em palavras ainda.
Ela apertou o braço dele com ternura.
— Quando estiver pronto, pode falar. Estamos aqui para você, sempre.
Tae respirou fundo, sentindo o peso do momento, mas por enquanto, preferiu o silêncio.
[quote]— Fico feliz. Queria muito que vocês se reconectassem como irmãos. Afinal, é só vocês dois.
Se reconectar sim, mas como irmão tá difícil
[quote]— Foi tranquilo. A SN tava aqui também, né? A gente dividiu as tarefas, cuidamos da casa. Tudo certo.
Dividiram bem as tarefas, do quarto principalmente kkkkkkkkkkkkk
Ele literalmente chegou chegaaaaando
A mãe sempre descobre tudo, ne? É incrível kkkkkk
Ela como psicóloga deve ter notado algo fora do comum
Puta merda kkkkkk o cara pediu permissão para o pai
Caraca que situação kkkkkkk e pior que ele não faz ideia que ela desistiu dele
OOOH MAI GAAAA to dizendo, a mulher é psicóloga gente e ele é filho dela, era óbvio que ela ia notar
Não deu tempo de ficar no cll
Tenho tenha uma boa e uma má notícia
A boa ele realmente se reconectaram…Massss
Verdadeiro significado de tanto faz
Yoon ou Tae, qualquer um dos dois seria ótimo
O incrível que mãe sempre sabe