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SN demorou alguns segundos para entender as palavras. Seus olhos, que antes estavam serenos, agora estavam arregalados, cheios de confusão.

— Como assim, terminar? — ela perguntou, a voz tremendo. — Isso é alguma brincadeira?

Tae fechou os olhos por um momento, como se cada segundo doesse. Quando abriu novamente, encarou o rosto dela apenas por um instante.

— Eu tô falando sério, SN. A gente precisa seguir caminhos diferentes.

Ela se sentou na cama, o cobertor escorregando, revelando a camiseta amarrotada que usava. Seus olhos brilharam, mas não de felicidade. De dor.

— Por quê? O que aconteceu? Eu fiz alguma coisa? Você… você cansou de mim?

Tae se aproximou, ajoelhando-se ao lado da cama. Segurou uma das mãos dela com delicadeza.

— Você não fez nada. Eu é que… eu não sou bom pra você. E preciso que você fique bem.

Ela puxou a mão devagar, como se o toque queimasse.

— Isso é mentira. Alguma coisa aconteceu. Fala comigo, Tae. Por favor.

Ele desviou o olhar, apertando os lábios com força. Não podia. Não devia. Se dissesse qualquer coisa, ela iria atrás. Iria querer saber mais. E aquilo a destruiria.

— Eu já tomei minha decisão.

SN se levantou, os olhos já cheios de lágrimas.

— Então é isso? Você vai embora assim? Depois de tudo? Depois de todas as promessas, das noites, dos planos?

— Foi real pra mim. Tudo. Mas… acabou. — Ele se levantou, pegando a camiseta no canto do quarto. — Um dia você vai entender.

Ela se aproximou, segurando o braço dele com força.

— Eu não quero entender um dia. Eu quero entender agora. Tae… por favor. Me fala o que está acontecendo.

Ele virou o rosto devagar, com os olhos marejados, e sorriu fraco.

— Cuida de você, SN.

E saiu, deixando para trás o som abafado do choro dela, que se sentou no chão, abraçando os próprios joelhos.

Ela não sabia o porquê. Não sabia o motivo. Mas sentia que algo dentro dela tinha sido arrancado.

E o buraco que ficou… parecia irreparável.

Um tempo depois…

Yoongi encostava-se ao batente da varanda de seu apartamento, rindo enquanto lia uma mensagem no celular.

Fonte anônima: “Eles terminaram. SN chorou na galeria. Tae sumiu.”

Ele sorriu com escárnio.

— Sabia que aquele covarde não ia aguentar… — murmurou, passando a língua pelos lábios com prazer perverso.

Foi quando ouviu a campainha tocar, repetidamente. Ele caminhou tranquilamente até a porta e abriu com desinteresse. E lá estava ele: Tae.

Com os olhos vermelhos. O maxilar trincado. A fúscia entre as sobrancelhas denunciando que ele estava no limite.

— Olha só… o próprio herói quebrado. — Yoongi cruzou os braços. — Vai querer chorar no meu ombro agora?

— Apaga tudo. — Tae disse, direto, sem rodeios. — Cada vídeo. Cada foto. Cada mensagem.

Yoongi riu, inclinando a cabeça.

— Você acha mesmo que eu faria isso? Depois de tudo o que ela fez comigo naquela noite? — Ele se aproximou, olhos inflamados. — Ela implorou, Tae. Implorou por mais. Gritou o meu nome, me pediu com a boca, com o corpo… Você devia ter visto.

Tae fechou os punhos.

— Cala a boca…

— Não. Eu gostei. Gostei de ver como ela se contorcia por mim. Como ela montava em mim como se tivesse nascido pra aquilo. Você perdeu, Tae. E eu vou consolar ela agora. Porque é isso que homens de verdade fazem.

Foi o suficiente. Tae voou para cima dele, o punho acertando o queixo de Yoongi com força. O barulho do impacto ecoou pelo corredor.

— SEU LIXO! — Tae rugiu, empurrando-o contra a parede.

Yoongi revidou com um soco no abdômen de Tae. Os dois se embolaram, caindo no chão, gritando, trocando golpes, até que gritos surgiram de apartamentos vizinhos.

— É o Taehyung brigando com o Yoongi! — murmurou uma vizinha pela fresta da porta.

— Eles são MELHORES AMIGOS! E ele está brigando por causa da irmã mais nova de Tae! — gritou outro.

— Que nojo! Sempre achei estranha essa convivência próxima demais!

— Ele dormia no quarto dela! Eu sabia!

Finalmente, um senhor se meteu entre os dois.

— CHEGA! Vão parar com isso antes que chame a polícia!

Tae, arfando, afastou-se. Estava com o rosto cortado, mas os olhos incandescentes.

— Apaga. Tudo. Ou eu volto. E da próxima vez, você não vai sair andando.

Yoongi limpava o sangue do canto da boca, rindo.

— Você não sabe brincar, Tae. Mas quer saber? Não acabou. Não mesmo.

Tae se virou, sem responder. Mas antes de sair, deixou uma última frase:

— E se você encostar nela de novo… eu acabo com você. E com tudo que você tem.

Ele saiu, deixando para trás uma vizinhança em alvoroço e um Yoongi com o ego e o rosto feridos.

Mas não derrotado.

Ainda não.

Enquanto isso…

O corredor estava silencioso quando o pai de SN passou com passos lentos, voltando da cozinha com um copo de água nas mãos. Mas algo o fez parar. Um som abafado, vindo do quarto da filha.

Ele franziu o cenho e se aproximou com cautela.

— Está chorando? — pensou, encostando o ouvido discretamente na porta fechada.

O que ouviu do outro lado fez seu peito apertar: soluços desesperados. Um choro fundo, rasgado, que doía até em quem ouvia. Não eram lágrimas silenciosas de tristeza comum — eram gritos calados de alguém que havia sido despedaçado por dentro.

Ele pousou a mão na maçaneta, indeciso. Queria entrar. Queria proteger. Queria saber o que estava acontecendo com a sua menina. Mas, ao mesmo tempo, hesitou.

— SN…? — chamou suavemente, a voz baixa.

O choro cessou por um segundo, como se ela tivesse prendido a respiração. Depois, voltou ainda mais forte, abafado pelo travesseiro.

Ele não ouviu resposta. Apenas mais dor.

O pai respirou fundo, encostando a testa na porta fechada, os dedos pressionando a madeira como se pudessem atravessá-la.

— Filha… — sussurrou. — Eu tô aqui, tá? Mesmo que você não queira falar agora… Eu tô aqui.

Não insistiu. Não forçou. Apenas ficou ali por mais alguns segundos, ouvindo, impotente.

Antes de se afastar, olhou para a porta como se quisesse arrancar dela as respostas que sua filha não lhe dava. Seus olhos estavam marejados, mas ele limpou antes que alguém visse.

— Quem fez isso com você? — pensou, o coração pesado. — E por quê?

Ele voltou para o próprio quarto, mas o som daquela dor… ficaria ecoando em sua mente por muito tempo.

A cozinha exalava o cheiro do refogado que a mãe de Tae preparava com atenção. O som leve do óleo crepitando preenchia o ambiente. Ela mexia calmamente a panela, concentrada no jantar.

Foi então que o pai de SN apareceu, sério, a expressão carregada. Ele parou à porta da cozinha com o celular ainda em mãos.

— Você viu o Tae hoje? — perguntou, com a voz firme, mas controlada.

A mulher ergueu o olhar, surpresa pela repentina pergunta.

— Tae? Ele saiu daqui mais cedo. Não disse pra onde ia. Por quê? — ela limpou as mãos num pano de prato, virando-se totalmente pra encará-lo.

— SN está no quarto… chorando desesperadamente. Sozinha. — O homem passou a mão pelos cabelos, claramente agitado. — Eu tentei ligar pro Tae, mas ele não atendeu.

A mulher franziu a testa, o cenho se apertando com preocupação.

— Será que eles brigaram? — disse em tom baixo. — Eu vou subir pra falar com ela…

Ela já começava a tirar o avental quando a porta da frente se abriu de repente.

O som dos passos no corredor fez os dois se virarem ao mesmo tempo, e quando Tae apareceu, a respiração de ambos travou por um instante.

Tae entrou cambaleando, o rosto marcado com um corte aberto no supercílio, sangue seco escorrendo pela lateral. O lábio estava rachado e um roxo começava a se formar no maxilar.

— Meu Deus, Tae! — a mãe dele exclamou, correndo até ele. — O que aconteceu com você?!

— Que porra é essa? — o pai de SN disse, aproximando-se também, os olhos arregalados ao ver o estado do rapaz. — Com quem você brigou?

Tae ergueu a mão, como se pedisse calma, mas seus movimentos estavam lentos.

— Eu tô bem… não precisa se preocupar.

— Você não tá bem! — a mãe segurou o rosto dele com cuidado, tentando examinar o corte. — Quem fez isso com você?

Tae desviou o olhar.

— Não é importante.

— Não é importante?! — o pai de SN explodiu, a voz subindo. — Minha filha tá lá em cima, trancada no quarto, chorando feito uma criança. Você some o dia todo, volta com o rosto todo arrebentado e quer que a gente acredite que “não é importante”? O que aconteceu, Taehyung?!

Tae baixou a cabeça por um momento. Sua respiração estava pesada, e ele parecia exausto — física e emocionalmente.

— Foi o Yoongi.

O silêncio caiu como um baque no ambiente. O nome soou como uma bomba.

— O Yoongi? — a mãe dele repetiu, chocada.

— Ele… ele disse que ia expor a SN. Disse que queria destruir a gente.

A mãe levou a mão à boca, horrorizada.

— O quê?

— Ele tem… ele tem um vídeo. — Tae murmurou, envergonhado, derrotado. — E ameaçou divulgar se eu não terminasse com ela.

O pai de SN fechou os punhos, o rosto ficando vermelho.

— Aquele desgraçado…

— Eu fui até lá tentar fazer ele apagar tudo. Mas ele já sabia que eu tinha terminado com ela. Disse que ia “consolar” ela. E… eu perdi o controle.

A mãe de Tae puxou uma cadeira.

— Senta aqui. Eu vou pegar um pano com gelo.

— Não, mãe, eu tô bem.

— Tae! — ela o olhou firme. — Senta. Agora.

Ele obedeceu.

Enquanto ela pegava os primeiros socorros, o pai de SN ainda estava parado, tentando processar tudo. A dor da filha, o sumiço de Tae, a ameaça de Yoongi — tudo fazia sentido agora.

Ele soltou um suspiro pesado.

— Você terminou com ela… só por causa disso?

Tae, sentado, com os cotovelos apoiados nos joelhos, assentiu com os olhos baixos.

— Pra proteger ela.

A mãe voltou com uma toalha molhada e um pote com gelo, começando a limpar o sangue com cuidado.

— Isso vai infeccionar se a gente não cuidar.

Ele cerrou os dentes com o ardor da toalha, mas não reclamou.

— Vocês precisam conversar. — ela disse, com calma, mas firmeza. — Você e a SN. Ela merece saber a verdade.

— Não… se ela souber, vai atrás. Vai brigar com o Yoongi. Vai sofrer ainda mais.

— E você acha que ela não tá sofrendo agora? — o pai rebateu. — Ela tá lá em cima como se tivesse perdido o mundo, Tae.

Tae passou a mão pelo rosto, claramente em conflito.

— Eu só queria protegê-la…

— Às vezes, proteger alguém é contar a verdade. — a mãe disse suavemente, colocando a mão no ombro do filho.

Tae a olhou, cansado.

— Talvez amanhã.

O pai de SN se virou, já em direção às escadas.

— Eu vou ver minha filha.

10 Comentários

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  1. Marcela
    Feb 22, '26 at 12:20 pm

    — Como assim, terminar? — ela perguntou, a voz tremendo. — Isso é alguma brincadeira?

    Ela n tava entendendo mais nada
    Um dia ama, no outro quer terminar

  2. Marcela
    Feb 22, '26 at 12:25 pm

    [quote]— Olha só… o próprio herói quebrado. — Yoongi cruzou os braços. — Vai querer chorar no meu ombro agora?

    Achou pouco o que fez, e ainda vem com deboche

    1. Marcela
      @MarcelaFeb 22, '26 at 12:48 pm

      [quote]— Às vezes, proteger alguém é contar a verdade. — a mãe disse suavemente, colocando a mão no ombro do filho.

      Exatamente, ela disse tudo

  3. Marcela
    Feb 22, '26 at 12:34 pm

    — Não. Eu gostei. Gostei de ver como ela se contorcia por mim. Como ela montava em mim como se tivesse nascido pra aquilo. Você perdeu, Tae. E eu vou consolar ela agora. Porque é isso que homens de verdade fazem.

    Aaaah infeliz, esse tava pedindo pra apanhar

  4. Marcela
    Feb 22, '26 at 12:39 pm

    [quote]— Eu fui até lá tentar fazer ele apagar tudo. Mas ele já sabia que eu tinha terminado com ela. Disse que ia “consolar” ela. E… eu perdi o controle.

    Diante dessas palavras, qualquer um perdida o controle

  5. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:48 pm

    — Sabia que aquele covarde não ia aguentar… — murmurou, passando a língua pelos lábios com prazer perverso.

    Ah que belo arrombado, tomara que tome um processo

  6. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:49 pm

    Foi o suficiente. Tae voou para cima dele, o punho acertando o queixo de Yoongi com força. O barulho do impacto ecoou pelo corredor.

    Esse mereceu apanhar, e ainda apanhou pouco

  7. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:49 pm

    — Foi o Yoongi.

    Po finalmente contou a verdade pelo menos para os pais

  8. Iasmine
    Feb 23, '26 at 11:49 pm

    — Às vezes, proteger alguém é contar a verdade. — a mãe disse suavemente, colocando a mão no ombro do filho.

    Diva sensata, não erra uma

  9. Thamiris
    Apr 24, '26 at 9:47 pm

    — Às vezes, proteger alguém é contar a verdade. — a mãe disse suavemente, colocando a mão no ombro do filho.

    Concordo

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