Capítulo 15 – Tudo por Ela
por FanfiqueiraSN demorou alguns segundos para entender as palavras. Seus olhos, que antes estavam serenos, agora estavam arregalados, cheios de confusão.
— Como assim, terminar? — ela perguntou, a voz tremendo. — Isso é alguma brincadeira?
Tae fechou os olhos por um momento, como se cada segundo doesse. Quando abriu novamente, encarou o rosto dela apenas por um instante.
— Eu tô falando sério, SN. A gente precisa seguir caminhos diferentes.
Ela se sentou na cama, o cobertor escorregando, revelando a camiseta amarrotada que usava. Seus olhos brilharam, mas não de felicidade. De dor.
— Por quê? O que aconteceu? Eu fiz alguma coisa? Você… você cansou de mim?
Tae se aproximou, ajoelhando-se ao lado da cama. Segurou uma das mãos dela com delicadeza.
— Você não fez nada. Eu é que… eu não sou bom pra você. E preciso que você fique bem.
Ela puxou a mão devagar, como se o toque queimasse.
— Isso é mentira. Alguma coisa aconteceu. Fala comigo, Tae. Por favor.
Ele desviou o olhar, apertando os lábios com força. Não podia. Não devia. Se dissesse qualquer coisa, ela iria atrás. Iria querer saber mais. E aquilo a destruiria.
— Eu já tomei minha decisão.
SN se levantou, os olhos já cheios de lágrimas.
— Então é isso? Você vai embora assim? Depois de tudo? Depois de todas as promessas, das noites, dos planos?
— Foi real pra mim. Tudo. Mas… acabou. — Ele se levantou, pegando a camiseta no canto do quarto. — Um dia você vai entender.
Ela se aproximou, segurando o braço dele com força.
— Eu não quero entender um dia. Eu quero entender agora. Tae… por favor. Me fala o que está acontecendo.
Ele virou o rosto devagar, com os olhos marejados, e sorriu fraco.
— Cuida de você, SN.
E saiu, deixando para trás o som abafado do choro dela, que se sentou no chão, abraçando os próprios joelhos.
Ela não sabia o porquê. Não sabia o motivo. Mas sentia que algo dentro dela tinha sido arrancado.
E o buraco que ficou… parecia irreparável.
Um tempo depois…
Yoongi encostava-se ao batente da varanda de seu apartamento, rindo enquanto lia uma mensagem no celular.
Fonte anônima: “Eles terminaram. SN chorou na galeria. Tae sumiu.”
Ele sorriu com escárnio.
— Sabia que aquele covarde não ia aguentar… — murmurou, passando a língua pelos lábios com prazer perverso.
Foi quando ouviu a campainha tocar, repetidamente. Ele caminhou tranquilamente até a porta e abriu com desinteresse. E lá estava ele: Tae.
Com os olhos vermelhos. O maxilar trincado. A fúscia entre as sobrancelhas denunciando que ele estava no limite.
— Olha só… o próprio herói quebrado. — Yoongi cruzou os braços. — Vai querer chorar no meu ombro agora?
— Apaga tudo. — Tae disse, direto, sem rodeios. — Cada vídeo. Cada foto. Cada mensagem.
Yoongi riu, inclinando a cabeça.
— Você acha mesmo que eu faria isso? Depois de tudo o que ela fez comigo naquela noite? — Ele se aproximou, olhos inflamados. — Ela implorou, Tae. Implorou por mais. Gritou o meu nome, me pediu com a boca, com o corpo… Você devia ter visto.
Tae fechou os punhos.
— Cala a boca…
— Não. Eu gostei. Gostei de ver como ela se contorcia por mim. Como ela montava em mim como se tivesse nascido pra aquilo. Você perdeu, Tae. E eu vou consolar ela agora. Porque é isso que homens de verdade fazem.
Foi o suficiente. Tae voou para cima dele, o punho acertando o queixo de Yoongi com força. O barulho do impacto ecoou pelo corredor.
— SEU LIXO! — Tae rugiu, empurrando-o contra a parede.
Yoongi revidou com um soco no abdômen de Tae. Os dois se embolaram, caindo no chão, gritando, trocando golpes, até que gritos surgiram de apartamentos vizinhos.
— É o Taehyung brigando com o Yoongi! — murmurou uma vizinha pela fresta da porta.
— Eles são MELHORES AMIGOS! E ele está brigando por causa da irmã mais nova de Tae! — gritou outro.
— Que nojo! Sempre achei estranha essa convivência próxima demais!
— Ele dormia no quarto dela! Eu sabia!
Finalmente, um senhor se meteu entre os dois.
— CHEGA! Vão parar com isso antes que chame a polícia!
Tae, arfando, afastou-se. Estava com o rosto cortado, mas os olhos incandescentes.
— Apaga. Tudo. Ou eu volto. E da próxima vez, você não vai sair andando.
Yoongi limpava o sangue do canto da boca, rindo.
— Você não sabe brincar, Tae. Mas quer saber? Não acabou. Não mesmo.
Tae se virou, sem responder. Mas antes de sair, deixou uma última frase:
— E se você encostar nela de novo… eu acabo com você. E com tudo que você tem.
Ele saiu, deixando para trás uma vizinhança em alvoroço e um Yoongi com o ego e o rosto feridos.
Mas não derrotado.
Ainda não.
Enquanto isso…
O corredor estava silencioso quando o pai de SN passou com passos lentos, voltando da cozinha com um copo de água nas mãos. Mas algo o fez parar. Um som abafado, vindo do quarto da filha.
Ele franziu o cenho e se aproximou com cautela.
— Está chorando? — pensou, encostando o ouvido discretamente na porta fechada.
O que ouviu do outro lado fez seu peito apertar: soluços desesperados. Um choro fundo, rasgado, que doía até em quem ouvia. Não eram lágrimas silenciosas de tristeza comum — eram gritos calados de alguém que havia sido despedaçado por dentro.
Ele pousou a mão na maçaneta, indeciso. Queria entrar. Queria proteger. Queria saber o que estava acontecendo com a sua menina. Mas, ao mesmo tempo, hesitou.
— SN…? — chamou suavemente, a voz baixa.
O choro cessou por um segundo, como se ela tivesse prendido a respiração. Depois, voltou ainda mais forte, abafado pelo travesseiro.
Ele não ouviu resposta. Apenas mais dor.
O pai respirou fundo, encostando a testa na porta fechada, os dedos pressionando a madeira como se pudessem atravessá-la.
— Filha… — sussurrou. — Eu tô aqui, tá? Mesmo que você não queira falar agora… Eu tô aqui.
Não insistiu. Não forçou. Apenas ficou ali por mais alguns segundos, ouvindo, impotente.
Antes de se afastar, olhou para a porta como se quisesse arrancar dela as respostas que sua filha não lhe dava. Seus olhos estavam marejados, mas ele limpou antes que alguém visse.
— Quem fez isso com você? — pensou, o coração pesado. — E por quê?
Ele voltou para o próprio quarto, mas o som daquela dor… ficaria ecoando em sua mente por muito tempo.
A cozinha exalava o cheiro do refogado que a mãe de Tae preparava com atenção. O som leve do óleo crepitando preenchia o ambiente. Ela mexia calmamente a panela, concentrada no jantar.
Foi então que o pai de SN apareceu, sério, a expressão carregada. Ele parou à porta da cozinha com o celular ainda em mãos.
— Você viu o Tae hoje? — perguntou, com a voz firme, mas controlada.
A mulher ergueu o olhar, surpresa pela repentina pergunta.
— Tae? Ele saiu daqui mais cedo. Não disse pra onde ia. Por quê? — ela limpou as mãos num pano de prato, virando-se totalmente pra encará-lo.
— SN está no quarto… chorando desesperadamente. Sozinha. — O homem passou a mão pelos cabelos, claramente agitado. — Eu tentei ligar pro Tae, mas ele não atendeu.
A mulher franziu a testa, o cenho se apertando com preocupação.
— Será que eles brigaram? — disse em tom baixo. — Eu vou subir pra falar com ela…
Ela já começava a tirar o avental quando a porta da frente se abriu de repente.
O som dos passos no corredor fez os dois se virarem ao mesmo tempo, e quando Tae apareceu, a respiração de ambos travou por um instante.
Tae entrou cambaleando, o rosto marcado com um corte aberto no supercílio, sangue seco escorrendo pela lateral. O lábio estava rachado e um roxo começava a se formar no maxilar.
— Meu Deus, Tae! — a mãe dele exclamou, correndo até ele. — O que aconteceu com você?!
— Que porra é essa? — o pai de SN disse, aproximando-se também, os olhos arregalados ao ver o estado do rapaz. — Com quem você brigou?
Tae ergueu a mão, como se pedisse calma, mas seus movimentos estavam lentos.
— Eu tô bem… não precisa se preocupar.
— Você não tá bem! — a mãe segurou o rosto dele com cuidado, tentando examinar o corte. — Quem fez isso com você?
Tae desviou o olhar.
— Não é importante.
— Não é importante?! — o pai de SN explodiu, a voz subindo. — Minha filha tá lá em cima, trancada no quarto, chorando feito uma criança. Você some o dia todo, volta com o rosto todo arrebentado e quer que a gente acredite que “não é importante”? O que aconteceu, Taehyung?!
Tae baixou a cabeça por um momento. Sua respiração estava pesada, e ele parecia exausto — física e emocionalmente.
— Foi o Yoongi.
O silêncio caiu como um baque no ambiente. O nome soou como uma bomba.
— O Yoongi? — a mãe dele repetiu, chocada.
— Ele… ele disse que ia expor a SN. Disse que queria destruir a gente.
A mãe levou a mão à boca, horrorizada.
— O quê?
— Ele tem… ele tem um vídeo. — Tae murmurou, envergonhado, derrotado. — E ameaçou divulgar se eu não terminasse com ela.
O pai de SN fechou os punhos, o rosto ficando vermelho.
— Aquele desgraçado…
— Eu fui até lá tentar fazer ele apagar tudo. Mas ele já sabia que eu tinha terminado com ela. Disse que ia “consolar” ela. E… eu perdi o controle.
A mãe de Tae puxou uma cadeira.
— Senta aqui. Eu vou pegar um pano com gelo.
— Não, mãe, eu tô bem.
— Tae! — ela o olhou firme. — Senta. Agora.
Ele obedeceu.
Enquanto ela pegava os primeiros socorros, o pai de SN ainda estava parado, tentando processar tudo. A dor da filha, o sumiço de Tae, a ameaça de Yoongi — tudo fazia sentido agora.
Ele soltou um suspiro pesado.
— Você terminou com ela… só por causa disso?
Tae, sentado, com os cotovelos apoiados nos joelhos, assentiu com os olhos baixos.
— Pra proteger ela.
A mãe voltou com uma toalha molhada e um pote com gelo, começando a limpar o sangue com cuidado.
— Isso vai infeccionar se a gente não cuidar.
Ele cerrou os dentes com o ardor da toalha, mas não reclamou.
— Vocês precisam conversar. — ela disse, com calma, mas firmeza. — Você e a SN. Ela merece saber a verdade.
— Não… se ela souber, vai atrás. Vai brigar com o Yoongi. Vai sofrer ainda mais.
— E você acha que ela não tá sofrendo agora? — o pai rebateu. — Ela tá lá em cima como se tivesse perdido o mundo, Tae.
Tae passou a mão pelo rosto, claramente em conflito.
— Eu só queria protegê-la…
— Às vezes, proteger alguém é contar a verdade. — a mãe disse suavemente, colocando a mão no ombro do filho.
Tae a olhou, cansado.
— Talvez amanhã.
O pai de SN se virou, já em direção às escadas.
— Eu vou ver minha filha.
Ela n tava entendendo mais nada
Um dia ama, no outro quer terminar
[quote]— Olha só… o próprio herói quebrado. — Yoongi cruzou os braços. — Vai querer chorar no meu ombro agora?
Achou pouco o que fez, e ainda vem com deboche
[quote]— Às vezes, proteger alguém é contar a verdade. — a mãe disse suavemente, colocando a mão no ombro do filho.
Exatamente, ela disse tudo
Aaaah infeliz, esse tava pedindo pra apanhar
[quote]— Eu fui até lá tentar fazer ele apagar tudo. Mas ele já sabia que eu tinha terminado com ela. Disse que ia “consolar” ela. E… eu perdi o controle.
Diante dessas palavras, qualquer um perdida o controle
Ah que belo arrombado, tomara que tome um processo
Esse mereceu apanhar, e ainda apanhou pouco
Po finalmente contou a verdade pelo menos para os pais
Diva sensata, não erra uma
Concordo