Capítulo 4 – A Linha que Não Cruzamos… Ainda
por FanfiqueiraA madrugada caiu pesada sobre a cidade.
Lá fora, os ventos começaram a soprar com força, sacudindo as janelas e assoviando pelas frestas.
As nuvens se acumulavam, pesadas, carregadas.
Logo, o primeiro trovão cortou o silêncio da noite, ecoando pelas paredes da casa.
Tae ainda estava acordado, sentado à escrivaninha, com os olhos fixos no monitor do computador.
Tentava se concentrar, revisar uns arquivos para o trabalho…
Mas a conversa com SN mais cedo ainda girava em looping na mente dele.
A forma como ela falou sobre o Yoon…
A ideia dela com outro homem…
O fato de ela confiar nele a ponto de pedir aquele tipo de conselho…
Era tortura.
Outro trovão explodiu no céu, fazendo a janela tremer.
Ele ergueu os olhos, estranhando o som.
Foi quando ouviu passos.
Rápidos. Leves.
Ele se virou na cadeira, levantando-se de imediato.
A porta do quarto se abriu devagar…
E lá estava ela.
SN.
Com o olhar assustado, os olhos brilhando como se estivessem prestes a marejar, abraçada a si mesma com as duas mãos.
Tae congelou.
Ela parecia pequena.
Frágil.
Como quando era criança.
— SN…? — ele disse, surpreso, se aproximando da porta.
Ela deu um passo hesitante pra dentro do quarto.
— Está caindo uma tempestade… — a voz dela era baixa, embargada. — E eu… eu odeio tempestades.
Tae soube exatamente por quê.
Sabia o que aquilo significava.
Ela já tinha contado uma vez — quando ainda era pequena, encolhida num canto da sala com um cobertor cobrindo a cabeça.
Foi numa tempestade que a mãe dela morreu, em um acidente de carro, voltando do trabalho.
Desde então, trovões e relâmpagos a aterrorizavam como fantasmas.
— Vem cá — ele disse, suavemente.
Abriu os braços instintivamente.
Ela correu até ele sem pensar duas vezes, se enfiando em seu abraço com força.
O rosto colado no peito dele, as mãos segurando o tecido da camiseta dele como se fosse o único porto seguro no mundo.
Tae envolveu os braços ao redor dela, forte.
A mão dele subiu devagar pelas costas dela, num gesto protetor, reconfortante.
— Tá tudo bem… — murmurou, com a boca perto do topo da cabeça dela. — Eu tô aqui.
Ela permaneceu assim por longos segundos, em silêncio, respirando fundo, como se quisesse se acalmar com o cheiro dele, com o calor dele.
Então, ergueu um pouco o rosto e perguntou, com olhos grandes:
— Será que eu posso dormir aqui hoje?
Tae hesitou por meio segundo.
Mas era impossível negar.
— Claro que pode.
Ela caminhou até a cama sem cerimônia, se deitando, puxando a coberta até o peito.
Ele desligou o computador, apagou a luz do teto, e foi deitar também.
Assim que se deitou, ela imediatamente se aproximou, procurando calor.
Se encolheu ao lado dele, a cabeça repousando sobre o peito dele como nos velhos tempos.
O braço dele a envolveu sem esforço, instintivamente.
Ela se encaixou perfeitamente ali, como se aquele espaço tivesse sido feito para ela.
E então, com um último suspiro… ela adormeceu.
Tae ficou ali, acordado.
Imóvel.
Sentindo o coração dela batendo devagar contra seu peito.
O cabelo dela tocando o pescoço dele.
O cheiro de lavanda que ela sempre usava.
Foi como voltar no tempo.
Ela fazia isso quando era criança.
Quando tinha pesadelos.
Quando se sentia sozinha.
Ela corria para o quarto dele, se enfiava na cama e dormia nos braços dele sem nem pensar.
Mas agora…
Agora ela não era mais uma menininha.
Ela era uma mulher.
Linda.
Cheia de vida.
E o coração dele era um campo de batalha entre a razão e o desejo.
Ele fechou os olhos por um instante, com o queixo apoiado levemente no topo da cabeça dela.
Como era possível sentir tanta paz e tanta dor ao mesmo tempo?
Tê-la ali, tão perto…
Depois de anos.
Depois de tantas tentativas de se afastar.
Depois de quase deixá-la ir.
Tae apertou os braços em volta dela, com delicadeza.
Talvez só essa noite…
Só essa.
Ele pudesse fingir que ela era dele.
E assim, no meio da tempestade, com o barulho da chuva batendo nas janelas,
ele finalmente fechou os olhos.
Enquanto ela dormia.
Nos braços dele.
Como se o mundo lá fora não pudesse mais machucá-la.
O relógio marcava 3h27 da madrugada.
A tempestade já tinha diminuído, embora os trovões ainda ressoassem distantes, como ecos do passado.
A casa estava mergulhada numa penumbra tranquila, com a luz fraca da rua entrando pelas cortinas.
SN abriu os olhos devagar.
O calor no peito dela era reconfortante, seguro.
Mas algo a fez despertar — talvez a consciência adormecida de que ela estava nos braços de Tae.
Seu coração acelerou sem aviso.
Ela ergueu a cabeça um pouco, para vê-lo melhor.
Tae estava deitado de costas, uma das mãos descansando sobre a cama, a outra ainda meio enlaçada no corpo dela, como se mesmo adormecido recusasse a ideia de soltá-la.
A respiração dele era lenta e profunda.
O peito subia e descia ritmada mente.
O maxilar firme, os cílios longos lançando sombras suaves sobre a pele.
Havia uma serenidade nele que ela nunca tinha visto tão de perto.
Ele era lindo.
Sempre foi.
Mas agora… agora ela enxergava isso de um jeito diferente.
De um jeito que fazia algo apertar dentro dela.
SN se virou, com o mínimo de movimento possível, para ficar de frente para ele.
O cotovelo apoiado de leve no colchão.
Observando cada detalhe: o traço do nariz, a curva dos lábios entreabertos, a força nas linhas do pescoço.
Sem perceber, mordeu o próprio lábio inferior.
O desejo, sutil e perigoso, subiu pelas veias dela como um calor inquieto.
“Como era possível desejar tanto alguém?”
Ela queria tocá-lo.
Queria saber como seria passar os dedos pela linha do maxilar dele.
Queria saber como seria se ele… se ele olhasse para ela como um homem olha para uma mulher.
O coração dela batia tão forte que parecia fazer o colchão vibrar.
Ela tentou se afastar, envergonhada consigo mesma.
Mas nesse pequeno movimento, sem querer, roçou o braço dele.
Foi o suficiente.
Os cílios de Tae se agitaram.
O corpo dele se tencionou levemente.
E então…
Ele abriu os olhos.
Diretamente nela.
O mundo parou.
SN congelou, com o lábio inferior preso entre os dentes, ainda curvada de lado, tão perto dele que sentia o calor do corpo dele irradiar para o dela.
Os olhos de Tae, ainda pesados de sono, demoraram um segundo para focar…
Mas quando focaram —
Era como se ele tivesse levado um soco no peito.
Ela estava ali, olhando para ele daquele jeito.
Tão linda.
Tão vulnerável.
Tão… desejosa.
Ele sentiu.
Ele viu.
O silêncio entre eles se tornou denso.
Cheio de coisas não ditas.
Tae permaneceu imóvel, o peito se erguendo e abaixando devagar.
As sobrancelhas dele se uniram ligeiramente, em confusão e alarme interno.
“Por que ela está me olhando assim?”
“Por que ela… por que parece que ela me deseja?”
Ele quis dizer alguma coisa.
Qualquer coisa.
Mas nada saiu.
O olhar dele caiu para o lábio inferior dela, que ela ainda mordia inconscientemente.
Uma corrente elétrica correu pela espinha dele.
O instinto dele gritou para puxá-la para si.
Para descobrir o gosto daqueles lábios.
Mas a razão — a maldita razão — segurou seus braços onde estavam.
Ele fechou os olhos por um segundo, tentando afastar o impulso brutal que ameaçava destruí-lo.
Quando abriu de novo, respirou fundo e disse, num tom baixo, rouco:
— SN… — a voz falhou, mais grave do que o normal.
Ela piscou, assustada, como se só então percebesse o que estava fazendo.
Se afastou um pouco, vermelha até a raiz dos cabelos.
— D-desculpa… — sussurrou, se encolhendo de volta para o lado dela da cama, como se tivesse sido pega em flagrante cometendo um crime.
Tae a observou se afastar, cada centímetro de distância doendo mais do que deveria.
Ele se virou de lado, de costas para ela, num gesto brusco e quase desesperado.
Fechou os olhos com força.
“Que inferno…”
“Ela é minha irmã…”
Mas no fundo, uma voz sussurrava:
“Então por que ela me olha daquele jeito?”
“Por que o coração dela parece disparar toda vez que encosta em mim?”
Tae apertou os olhos, tentando se convencer de que era só imaginação.
De que ele estava vendo o que queria ver.
Mas era tarde demais.
O desejo que ele passou anos enterrando…
A barreira que ele construiu entre eles…
Estavam começando a ruir.
Perigosamente.
E ele sabia.
Era só uma questão de tempo.
O silêncio no quarto ainda era espesso, carregado pela tempestade que tinha dado trégua, mas deixado no ar uma eletricidade invisível.
Tae continuava deitado de costas para ela.
Tentava controlar a respiração, os pensamentos, o coração.
Ele não tinha dormido desde que SN se afastou envergonhada.
O calor do corpo dela ainda parecia impregnado no lençol.
Mas então…
Ele ouviu o som suave da respiração dela mudar.
Como se estivesse reunindo coragem.
E logo em seguida, a voz dela — fraca, hesitante, quebrando o silêncio:
— Posso… posso te pedir uma coisa?
Tae virou o rosto ligeiramente, não o bastante para encará-la por completo, mas o suficiente para mostrar que estava ouvindo.
— Fala.
A garganta dela secou.
Ela respirou fundo.
A coragem, frágil, parecia querer se desfazer a qualquer segundo.
— Será que… — ela mordeu o lábio inferior de novo, desviando o olhar para o outro lado do quarto — será que eu poderia te pedir ajuda?
Tae se sentou parcialmente, agora encarando-a com o cenho franzido, preocupado, mas ainda contido.
— Que tipo de ajuda?
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
O tempo suficiente para o coração dele acelerar sem motivo aparente.
Até que ela soltou:
— Hoje mais tarde… eu vou ter minha primeira vez com o Yoon.
As palavras foram ditas rápido, quase como um único sopro.
E mesmo assim pareciam ecoar pelas paredes como uma explosão.
Tae congelou.
Seu maxilar travou.
Ela continuou, antes que perdesse a coragem de vez:
— Mas… eu não sei de nada. Eu tenho medo de errar. De fazer alguma coisa errada, de parecer… sei lá… infantil. Inexperiente.
— SN… — ele disse o nome dela num tom baixo, quase como um aviso.
Mas ela ignorou, determinada a chegar até o fim.
— Você sempre cuidou de mim, sempre me ensinou tudo. Sempre foi meu apoio. E eu confio tanto em você. Então… será que você poderia me ensinar?
Ela disse isso de uma vez, mas sem olhá-lo nos olhos.
Tinha medo da rejeição, do julgamento… ou pior: da frieza dele de novo.
Tae levantou-se de vez, ficando sentado na cama, encarando-a agora com intensidade.
— “Ensinar”? — ele repetiu, o tom baixo, mas carregado de algo difícil de nomear.
Ela mordeu o lábio com força, sem responder de imediato.
Ele passou a mão pelo rosto, tenso.
O coração batendo como um tambor furioso dentro do peito.
— Você… você tá pedindo pra eu… — ele soltou uma risada amarga, sem humor — pra eu te ensinar a… transar com outro cara?
O silêncio dela confirmou tudo.
Tae balançou a cabeça, levantando da cama, andando até a beirada do quarto como se precisasse de ar.
— Você tem ideia do que tá me pedindo, SN? — a voz dele era baixa, mas cortante, como se ele estivesse lutando com tudo dentro de si.
Ela se encolheu um pouco na cama.
— Eu só… achei que… se fosse você me mostrando, eu ficaria menos insegura.
— Menos insegura? — ele se virou de uma vez, o olhar em chamas — Isso aqui não é uma aula de biologia, SN! Isso é intimidade. Isso é… é corpo. É desejo. É conexão. Você não tá falando de um tutorial de como dançar!
Ela abriu a boca, mas não respondeu.
Tae respirou fundo, os punhos cerrados.
Então, mais baixo, como se estivesse confessando algo que nem queria dizer:
— Você tem noção do que me faz ouvir isso da sua boca?
Ela o olhou, surpresa pela vulnerabilidade que escapava nas palavras dele.
Ele se aproximou devagar.
Parou a um passo da cama, olhando para ela com os olhos escuros, tomados por algo que ia muito além de raiva.
— Eu passei anos fingindo que você era só minha irmã. Só a garota com quem eu cresci.
— Tae…
— Eu calei tudo. Todas as vezes que te vi com o Yoon. Todas as vezes que você me abraçou e eu quis te beijar. Todas. — ele passou a mão pelos cabelos, desesperado — E agora você vem aqui e me pede pra te ensinar… como dar pra outro?
O silêncio caiu com o peso de um trovão.
Os olhos dela brilharam.
Ela nunca o tinha visto assim.
Tão exposto.
Tão… ferido.
— Eu não sabia — ela sussurrou.
Ele riu, baixo.
— Não, você não sabia. E talvez seja melhor continuar não sabendo.
— Mas eu quero saber.
A frase escapou antes que ela pudesse pensar.
Tae olhou de novo pra ela, desta vez com algo que parecia quebrar por dentro.
Ele se aproximou mais um passo.
A tensão entre os dois era palpável, elétrica.
Mas então…
Ele desviou os olhos, respirou fundo e disse:
— Vai embora, SN. Vai dormir.
— Tae…
— Por favor. Antes que eu cometa um erro que não vou conseguir desfazer.
Ela ficou sentada ali, sem se mover.
Mas os olhos dela…
Diziam tudo.
E os dele…
Escondiam tudo.
Ela querendo errar junto com ele
Então ensina,já que vocês tem tudo isso
Kk,creio não sn
Entendemos
Passaria horas admirando esse homem
Eita não conseguiu mais sustentar a máscara de frio pqp
Mana????? Tu ta pedindo pra ele te ensinar a transar kkķkkkkkkk passando mal
Jesus kkkk a tensão sexual fortíssima dos dois, to gag
Isso aqui é extremamente perigoso kkkkkk
— Eu passei anos fingindo que você era só minha irmã. Só a garota com quem eu cresci. — Tae… — Eu calei tudo. Todas as vezes que te vi com o Yoon. Todas as vezes que você me abraçou e eu quis te beijar. Todas. — ele passou a mão pelos cabelos, desesperado — E agora você vem aqui e me pede pra te ensinar… como dar pra outro?
Uau, ele abriu o jogo de vez
[quote]— Você sempre cuidou de mim, sempre me ensinou tudo. Sempre foi meu apoio. E eu confio tanto em você. Então… será que você poderia me ensinar?
Mentira que ela pediu isso a ele
Não creio kkkk
[quote]Tão linda. Tão vulnerável. Tão… desejosa.
O suficiente pra tirar a paz do homem
Ela era uma mulher. Linda. Cheia de vida. E o coração dele era um campo de batalha entre a razão e o desejo.
Difícil, muito difícil se controlar