Capítulo 20 – O Alarme da Inocência
por FanfiqueiraO suor ainda esfriava sobre a pele de ambos, e o ritmo cardíaco de Jungkook, antes uma bateria frenética de adrenalina, agora era um metrônomo constante contra as costas de S/N. Ele não se afastou; ele a puxou para o centro da cama, cobrindo-os com o lençol de fios egípcios, transformando o cenário de um campo de batalha erótico em um santuário de confidências.
O quarto estava mergulhado em uma penumbra azulada, cortada apenas pelos reflexos das luzes da cidade que entravam pela fresta da cortina. Jungkook apoiou a cabeça no travesseiro, um braço servindo de apoio para S/N, enquanto o outro braço, coberto de tatuagens que pareciam contar sua própria história, repousava sobre o ventre dela.
— Sabe… — a voz dele saiu mais baixa do que o normal, uma vibração que S/N sentiu antes mesmo de ouvir. — Na pista, o silêncio é impossível. O motor grita, o rádio não para, o vento chicoteia o capacete. Mas aqui… com você… é a primeira vez em anos que o barulho na minha cabeça para.
S/N virou-se de lado, apoiando o queixo no peito dele, observando as cicatrizes leves nos nós dos dedos de Jungkook.
— Você vive a trezentos por hora, Jungkook. É difícil silenciar o mundo quando se corre contra o tempo.
Ele soltou um riso seco, sem humor, e fixou o olhar no teto.
— Eu não corro contra o tempo, S/N. Eu corro de mim mesmo. — Ele fez uma pausa, e o ar no quarto pareceu mudar, ficando mais denso, mais real. — Todo mundo fala da “tragédia do ídolo”, do viúvo que cria o filho sozinho como um herói. Mas ninguém sabe que, no dia do acidente, a gente tinha brigado. Feio.
S/N prendeu a respiração. Era a primeira vez que ele mencionava a mãe de Minjae de forma tão direta, sem o escudo do sarcasmo ou da distância profissional.
— Ela odiava a velocidade. Odiava o fato de que meu trabalho era, basicamente, flertar com a morte a cada domingo. — Jungkook fechou os olhos, e S/N viu o maxilar dele travar. — Naquela manhã, ela me disse que, se eu entrasse no carro, ela não estaria lá quando eu voltasse. Ela saiu de casa furiosa. Dez minutos depois, o telefone tocou… era o hospital.
Ele abriu os olhos, e havia uma dor ali que nenhum troféu de primeiro lugar poderia compensar.
— Eu ganhei a corrida naquele dia. Bati o recorde da pista. E quando cheguei ao pódio, recebi a notícia de que ela tinha batido o carro no caminho para a casa da mãe dela. Ela se foi pensando que eu escolhi o asfalto em vez dela.
S/N sentiu uma pontada no peito. O “paciente” Jungkook estava se desintegrando na frente dela, dando lugar a um homem que carregava uma culpa do tamanho de um circuito de Fórmula 1. Ela esticou a mão, tocando o rosto dele, forçando-o a olhá-la.
— Você não causou o acidente, Jungkook. As pessoas fazem escolhas, e o luto não é uma linha reta.
— Eu sei o que os livros dizem, Doutora — ele disse, usando o título dela de uma forma carinhosa, quase vulnerável. — Mas é por isso que eu sou tão agressivo na pista. Eu sinto que, se eu parar, a culpa me alcança. O Minjae é a única coisa que me mantém no chão, mas olhar para ele às vezes dói… porque ele tem o mesmo sorriso dela. E eu tenho medo de falhar com ele como falhei com ela.
Ele se inclinou, colando a testa na de S/N, o olhar fixo e profundo.
— Eu nunca contei isso para ninguém. Nem para o meu terapeuta anterior, nem para o meu empresário. — Ele deslizou a mão pelo cabelo úmido dela. — Mas quando eu vi você com ele na cama, lendo aquele livro de dinossauros… eu senti que o motor finalmente desligou. Eu não quero mais correr de nada, S/N. Pelo menos não quando estou aqui com você.
O relógio de cabeceira marcava 03h14. O silêncio na cobertura era tão profundo que se podia ouvir o zumbido suave do sistema de climatização, mas dentro do quarto de S/N, o ar era denso de uma paz recém-descoberta. Jungkook estava com o rosto enterrado na curvatura do pescoço dela, um braço pesado e protetor ancorando-a ao seu peito, enquanto as pernas deles se entrelaçavam sob o edredom de plumas. Eles estavam naquele estado hipnótico entre a exaustão e o sonho, a nudez escondida pela camada de linho, quando o som da porta se abrindo — um rangido quase imperceptível — fez os sentidos de piloto de Jungkook dispararem.
Ele abriu os olhos no exato momento em que uma pequena silhueta, arrastando um urso de pelúcia pelo braço, parou ao pé da cama.
— Papai? — A voz de Minjae era um sussurro embargado, carregado de um medo infantil que cortou a eletricidade romântica do quarto como uma lâmina fria.
S/N despertou em um solavanco, o coração disparando contra as costelas. Ela sentiu a pele nua de Jungkook contra a sua e, por um milésimo de segundo, o pânico profissional ameaçou paralisá-la. Ela puxou o edredom até o queixo com uma força desesperada, enquanto Jungkook, com um reflexo impressionante, apenas apertou o abraço por baixo da coberta, mantendo-os unidos para que nenhum ângulo revelasse a falta de roupas.
— Minjae? — Jungkook murmurou, a voz rouca de sono, tentando manter a calma enquanto o suor frio da adrenalina começava a brotar em sua nuca. — O que houve, campeão?
O menino caminhou até a lateral da cama, os olhos grandes e úmidos brilhando na penumbra. Ele olhou para o pai e depois para S/N, que tentava manter uma expressão de “normalidade” apesar de estar sentindo o calor do corpo de Jungkook em cada centímetro do seu.
— Eu vi o dinossauro mau… — Minjae fungou, esfregando o olho livre com a mãozinha. — Ele queria levar meu brinquedo.
Ele parou, observando a forma como os dois estavam agarrados sob o edredom. A lógica infantil, sempre tão direta e desarmante, processou a cena de uma maneira que nenhum dos dois adultos previu.
— A Noona também teve um pesadelo, papai? — Minjae perguntou, a voz mansa e curiosa. — Por isso você está segurando ela forte? Para o dinossauro não levar ela também?
S/N sentiu o rosto arder em um tom de vermelho que a escuridão não conseguia esconder totalmente. Ela olhou para Jungkook, implorando silenciosamente por uma saída. O piloto, acostumado a tomar decisões de vida ou morte em curvas fechadas, respirou fundo e deu o seu melhor “sorriso de pai”.
— É… quase isso, amigão — Jungkook improvisou, a voz ganhando uma firmeza protetora. — A Noona… ela sentiu um pouco de frio e eu achei que ela estava assustada com o barulho do vento. Então eu vim ver se ela estava bem, como eu faço com você.
Minjae inclinou a cabeça, processando a informação. — O vento faz barulho de monstro às vezes. — Ele se aproximou mais, tentando subir na cama. — Eu posso ficar aqui também? Assim o papai protege os dois.
O pânico de S/N atingiu o ápice. Eles estavam completamente nus sob aquele lençol. Se Minjae subisse, a farsa desmoronaria em segundos.
— Minjae, querido… — S/N começou, a voz trêmula. — A cama da Noona é pequena e… e o papai já ia levar você de volta para o seu quarto para a gente pegar o seu “escudo de estrelas”, lembra?
Jungkook percebeu a deixa. Ele precisava agir rápido. — Isso mesmo, campeão! — Ele se sentou na cama, tomando um cuidado extremo para manter o edredom enrolado na cintura, escondendo sua nudez enquanto se inclinava para pegar o filho no colo. — Vamos lá. Eu vou colocar o escudo de estrelas no seu quarto e ficar com você até o dinossauro ir embora de vez. A Noona precisa descansar para o nosso café da manhã especial de amanhã, certo?
Jungkook içou o menino com um braço só, mantendo o edredom seguro com o outro até ter certeza de que estava fora do alcance visual do filho. Ele caminhou em direção à porta, carregando o pequeno Minjae, que já começava a bocejar, encostando a cabeça no ombro do pai.
Antes de sair, Jungkook parou no batente e olhou para trás. Por cima do ombro do filho, ele lançou um olhar para S/N — um olhar que misturava alívio, desejo reprimido e uma promessa silenciosa de que aquela conversa estava longe de terminar.
— Dorme bem, Noona — Minjae murmurou, já quase dormindo de novo. — O papai é o melhor herói contra monstros.
S/N ficou paralisada na cama, ouvindo os passos de Jungkook se afastando pelo corredor. Ela soltou o ar que nem sabia que estava segurando e enterrou o rosto no travesseiro que ainda cheirava ao perfume dele.
A “equipe” tinha acabado de sobreviver à sua primeira colisão com a realidade, mas o preço daquela mentira inocente pesava como uma tonelada de asfalto em sua consciência profissional.
[quote]— Sabe… — a voz dele saiu mais baixa do que o normal, uma vibração que S/N sentiu antes mesmo de ouvir. — Na pista, o silêncio é impossível. O motor grita, o rádio não para, o vento chicoteia o capacete. Mas aqui… com você… é a primeira vez em anos que o barulho na minha cabeça para.
Ele encontrou a paz, o amor e o cuidado nela.
[quote]— Eu não corro contra o tempo, S/N. Eu corro de mim mesmo. — Ele fez uma pausa, e o ar no quarto pareceu mudar, ficando mais denso, mais real. — Todo mundo fala da “tragédia do ídolo”, do viúvo que cria o filho sozinho como um herói. Mas ninguém sabe que, no dia do acidente, a gente tinha brigado. Feio
Caramba :O
Carrega esse peso a vida todaaa
[quote]— Eu nunca contei isso para ninguém. Nem para o meu terapeuta anterior, nem para o meu empresário. — Ele deslizou a mão pelo cabelo úmido dela. — Mas quando eu vi você com ele na cama, lendo aquele livro de dinossauros… eu senti que o motor finalmente desligou. Eu não quero mais correr de nada, S/N. Pelo menos não quando estou aqui com você.
Que lindooo..
Ele se permitiu amar mais uma vez.
[quote]— A Noona também teve um pesadelo, papai? — Minjae perguntou, a voz mansa e curiosa. — Por isso você está segurando ela forte? Para o dinossauro não levar ela também?
Foi Minjae, ela teve um pesadelo ( ou n)
O lobo mal queria comer ela( e comeu) kkkkkkkkk
Ele ja esta totalmente envolvido, ja vai alem do sexo
Que fofo se sentiu seguro pra contar os traumas pra ela
Criança é inocente kkkkkk meu deus quem ia imaginar o garoto acordando essas horas
Essa foi por pouco ein, ainda bem que não viu coisas que o papai tava fazendo antes
Sim. O Bicho Papão acabou de me papar :”(
Foi bb kkkkkkkkkk