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Assim que a porta se fechou após a saída da Sra. Han, o silêncio no apartamento mudou de “constrangedor” para “carregado”. Jungkook limpou a garganta, sentindo que precisava assumir o comando da situação antes que a ressaca o fizesse parecer ainda mais vulnerável.

S/N permanecia sentada no sofá, com as costas retas e as mãos cruzadas sobre o joelho. Ela o observava com uma neutralidade quase irritante.

— Bom… — Jungkook começou, encostando-se na bancada da cozinha e cruzando os braços. — Como a Sra. Han disse, eu sou muito rigoroso. O Minjae é tudo para mim. Então, eu tenho algumas perguntas… práticas.

S/N inclinou levemente a cabeça, um brilho de ironia passando rápido pelos olhos. — Claro, Sr. Jeon. Imaginei que teria. Prossiga.

— Primeiro… — ele tentou manter a voz firme — qual sua experiência com crianças que passaram por traumas? Como eu disse, o Minjae perdeu a mãe cedo. Ele tem pesadelos, às vezes se isola.

S/N descruzou as pernas e se inclinou um pouco para frente, entrando em seu “modo psicóloga”. — A psicologia infantil foca na validação do sentimento, Sr. Jeon. Eu não trato a criança como um “problema a ser consertado”, mas como um indivíduo que precisa de um ambiente seguro para processar a falta. Se ele tem pesadelos, eu não vou apenas dar um copo de leite e dizer para ele dormir. Eu vou trabalhar o que causou o medo. Minha experiência é clínica, mas aplicar isso no dia a dia é o que realmente faz a diferença.

Jungkook assentiu, levemente impressionado, mas querendo testá-la mais. — E sobre horários? Minha vida é uma loucura. Viagens, treinos, eventos. Às vezes chego tarde… — ele fez uma pausa, lembrando-se da noite anterior — como ontem.

S/N deu um sorriso de lado, curto e afiado. — Eu percebi que seus horários são… flexíveis. Eu não tenho problemas com carga horária, desde que isso não prejudique a rotina de sono do Minjae. A estabilidade dele é minha prioridade. Se o senhor chegar tarde, espero que seja silencioso. Crianças precisam de constância, mesmo quando os pais vivem em alta velocidade.

O comentário sobre “chegar tarde” e “ser silencioso” foi uma cutucada direta na noite passada, e Jungkook sentiu o golpe. Ele resolveu ser mais incisivo.

— E se ele fizer uma birra? Daquelas de chorar até ficar sem fôlego porque quer o pai e eu não estou? O que você faz? Grita? Perde a paciência?

S/N soltou um riso anasalado, o primeiro sinal de que a fachada de “estranha” estava trincando. — Sr. Jeon, eu estudo o comportamento humano. Gritar com uma criança em crise é o mesmo que tentar apagar um incêndio com gasolina. É inútil e demonstra falta de controle emocional do adulto. Se ele chorar por sua causa, eu vou acolhê-lo, mas vou ensinar que o senhor volta. Paciência não é um problema para mim. — Ela fez uma pausa e o olhou de cima a baixo. — Eu lido com pessoas difíceis e egos inflados quase todos os dias. Uma criança de três anos é fichinha.

Jungkook semicerrou os olhos. — Você está sendo muito específica sobre “egos inflados”. Tem algo que queira dizer?

S/N levantou-se com uma elegância calma, pegando sua bolsa. — Estou apenas respondendo suas perguntas práticas, Sr. Jeon. O senhor quer alguém capaz de cuidar do seu filho ou alguém que apenas diga “sim” para tudo o que o senhor fala? Porque, se for a segunda opção, eu não sou a pessoa certa.

Jungkook ficou em silêncio por um momento, a dor de cabeça latejando ritmicamente. Ele sabia que ela era perfeita para o cargo. Ela era inteligente, não se deixava intimidar e parecia realmente entender de crianças. E, acima de tudo, ela não o olhava como se ele fosse um troféu.

— Tudo bem — ele disse, finalmente soltando o ar que nem sabia que estava prendendo. — Você venceu o primeiro round.

— Não sabia que era uma luta — ela rebateu, caminhando em direção à porta. — Mas, já que o pequeno não está aqui, não faz sentido eu ficar. Quando posso conhecê-lo de verdade?

Jungkook olhou para o relógio. — Eu vou buscar ele na casa da minha mãe agora. Se você quiser… pode vir comigo. É um caminho de uma hora. Dá tempo de você me explicar mais sobre essa sua “paciência clínica” e de conhecer o Minjae no ambiente dele, no carro.

S/N parou com a mão na maçaneta e olhou para ele por cima do ombro. Um olhar que misturava desafio e diversão. — No seu carro, Sr. Jeon? Espero que dirija melhor do que flerta em bares. Mas tudo bem, eu aceito o convite. Pelo Minjae.

Jungkook soltou uma risada seca, pegando as chaves na bancada. — Pode deixar. Vou tentar não ultrapassar o limite de velocidade… muito.

Jungkook pegou as chaves e sua jaqueta, seguindo S/N até o elevador. O silêncio no cubículo metálico era denso, interrompido apenas pelo som do visor indicando os andares descendo. No reflexo do espelho do elevador, ele a viu checar o relógio. Ela parecia não ter pressa, o que o irritava e o fascinava ao mesmo tempo.

Assim que chegaram ao estacionamento subterrâneo, diante de sua SUV preta de vidros escuros, Jungkook não aguentou mais.

— Vai mesmo continuar com isso? — ele perguntou, destravando o carro com um bipe seco. — Fingir que eu não tentei te pagar um drink ontem e que você não me deu o fora mais rápido da história de Seul?

S/N parou diante da porta do passageiro e o encarou por cima do teto do carro. A luz fluorescente do estacionamento dava a ela um ar ainda mais decidido.

— Não estou fingindo nada — ela rebateu, a voz ecoando no concreto vazio do estacionamento. — Estou sendo profissional. Ontem, quem chegou em mim foi só um homem querendo pagar drinks caros com cantadas baratas. Hoje, estou diante do pai do meu futuro paciente. São pessoas diferentes, Sr. Jeon.

Ela deu uma última olhada de cima a baixo nele — um olhar que misturava divertimento e um “eu sei exatamente o que você fez no verão passado” — antes de abrir a porta e entrar no carro sem esperar por um convite.

Jungkook ficou parado por um segundo, a mão ainda no trinco, processando a lapidada que acabara de levar. “Cantadas baratas?”, pensou ele, sentindo o ego arder. Ele entrou no carro, bufando levemente enquanto colocava o cinto.

— Eu não uso cantadas baratas — ele resmungou, ligando o motor. O ronco potente da SUV preencheu a cabine.

— Se aquela de ontem foi o seu melhor material, o senhor está precisando treinar mais do que o seu tempo de pista — S/N respondeu prontamente, pegando o celular na bolsa, sem nem olhar para ele.

Jungkook soltou uma risada seca, parte irritado, parte genuinamente impressionado. Pela primeira vez em anos, ele não sabia o que responder. Ele engatou a marcha e saiu do estacionamento, ganhando a avenida movimentada de Seul.

O caminho até a casa da mãe dele foi preenchido por um silêncio que não era exatamente desconfortável, mas sim carregado. Jungkook dirigia com a mesma precisão de sempre, mas sentia o olhar dela percorrendo o interior do carro de vez em quando.

— O Minjae é um bom menino — ele disse, tentando quebrar o gelo. — Ele só… é um pouco fechado com quem não conhece. Não se sinta mal se ele não quiser falar de primeira.

— Eu sei lidar com silêncios, Sr. Jeon. Às vezes eles dizem mais do que as palavras — ela comentou, olhando pela janela as árvores que começavam a substituir os prédios conforme saíam do centro da cidade. — E não se preocupe, eu não espero que ele me ame em cinco minutos. Só espero que ele sinta que pode confiar em mim.

Quando chegaram à propriedade da Sra. Jeon, o cenário mudou completamente. O ar era mais limpo e o silêncio da natureza dominava tudo. Jungkook estacionou e, antes de descerem, ele olhou para ela.

— S/N… obrigado por vir. Eu sei que o começo foi… estranho. Mas eu realmente preciso que isso dê certo.

Ela o encarou por um momento. A luz do sol batia no rosto dela, suavizando as feições que no bar pareciam tão distantes. — Eu também quero que dê certo.

Eles desceram e caminharam até o jardim. Minjae estava sentado perto de uma macieira, concentrado em cavar um buraquinho na terra com uma colher de plástico. A avó estava sentada em um banco próximo, lendo.

Ao ouvir os passos, o pequeno levantou a cabeça. Jungkook já esperava que ele corresse para suas pernas, mas o menino ficou estático, os olhinhos amendoados fixos na mulher de vestido preto que acompanhava seu pai.

S/N não tentou forçar nada. Ela parou a dois metros de distância, agachou-se na altura dele e simplesmente observou o que ele estava fazendo.

— É um túnel para os seus carros? — ela perguntou com uma voz natural, sem aquela entonação infantilizada que Jungkook detestava.

Minjae hesitou, olhou para o pai e depois voltou para ela. — É um esconderijo… pro meu tesouro — o menino sussurrou.

— Tesouros precisam de bons esconderijos — S/N concordou, pegando uma pedrinha lisa no chão e estendendo para ele. — Essa aqui parece uma chave de cofre. Quer usar?

Minjae pegou a pedra, os dedinhos roçando na mão dela. Ele deu um meio sorriso — o mesmo sorriso que Jungkook dava — e assentiu.

Jungkook, observando a cena de longe com a mãe, sentiu um peso sair de seus ombros, mas um novo peso surgir no coração. S/N tinha um dom. Mas ela também era a mulher que o fazia se sentir um adolescente atrapalhado.

— Ela é diferente das outras, não é? — a mãe de Jungkook comentou baixinho, tocando o braço do filho.

— É — Jungkook respondeu, sem conseguir desviar os olhos de S/N. — Diferente de tudo o que eu já vi.

Ele sabia que o contrato estava selado. Mas também sabia que manter o “profissionalismo” que ela tanto exigia seria a corrida mais difícil de sua vida.

18 Comentários

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  1. Karine
    Jan 3, '26 at 7:19 pm

    S/N soltou um riso anasalado, o primeiro sinal de que a fachada de “estranha” estava trincando. — Sr. Jeon, eu estudo o comportamento humano. Gritar com uma criança em crise é o mesmo que tentar apagar um incêndio com gasolina. É inútil e demonstra falta de controle emocional do adulto. Se ele chorar por sua causa, eu vou acolhê-lo, mas vou ensinar que o senhor volta. Paciência não é um problema para mim. — Ela fez uma pausa e o olhou de cima a baixo. — Eu lido com pessoas difíceis e egos inflados quase todos os dias. Uma criança de três anos é fichinha.

    Adorooo kkkkk

  2. Karine
    Jan 3, '26 at 7:22 pm

    — Vai mesmo continuar com isso? — ele perguntou, destravando o carro com um bipe seco. — Fingir que eu não tentei te pagar um drink ontem e que você não me deu o fora mais rápido da história de Seul?

    A carne caindo no prato das veganas kkkk

  3. Karine
    Jan 3, '26 at 7:26 pm

    Minjae pegou a pedra, os dedinhos roçando na mão dela. Ele deu um meio sorriso — o mesmo sorriso que Jungkook dava — e assentiu.

    Aaaaaah eu vou explodir de fofura kkkkk

  4. VingançaNamutted
    Jan 3, '26 at 9:10 pm

    A conferida no material de qualidade tinha que ter

  5. VingançaNamutted
    Jan 3, '26 at 9:12 pm

    Jungkook detesta vozes “infantilizadas”?Tá bm, só se for o da fic kkk

    1. @VingançaNamuttedJan 3, '26 at 9:17 pm

      kkkkkkkkkkkkk

  6. VingançaNamutted
    Jan 3, '26 at 9:13 pm

    A véia já identificando-se nora

  7. VingançaNamutted
    Jan 3, '26 at 9:14 pm

    Por que que não tem como editar ou apagar comentários?O corretor estragou o meu

    1. @VingançaNamuttedJan 3, '26 at 9:18 pm

      é só eu nao aprovar kkk não tem como editar?

      1. VingançaNamutted
        @FanfiqueiraJan 9, '26 at 11:32 pm

        Tem não

  8. Dani
    Jan 3, '26 at 10:48 pm

    Ela deu uma última olhada de cima a baixo nele — um olhar que misturava divertimento e um “eu sei exatamente o que você fez no verão passado” — antes de abrir a porta e entrar no carro sem esperar por um convite.
    Amei a citação do filme,kkk

  9. Dani
    Jan 3, '26 at 10:52 pm

    — Ela é diferente das outras, não é? — a mãe de Jungkook comentou baixinho, tocando o braço do filho.

    Senhora Jeon prevendo quem vai ser sua futura nora, kkk

    1. @DaniJan 3, '26 at 11:50 pm

      kkkkk

  10. Dani
    Jan 3, '26 at 10:53 pm

    Ele sabia que o contrato estava selado. Mas também sabia que manter o “profissionalismo” que ela tanto exigia seria a corrida mais difícil de sua vida.

    Que ele vença essa corrida então

  11. Anne
    Jan 4, '26 at 6:35 pm

    Está bem diferente da outra vez que li

    1. @AnneJan 4, '26 at 6:46 pm

      todo mudando tudo rs quase…

  12. Anne
    Jan 4, '26 at 6:36 pm

    Estou adorando mais ainda

  13. IASMINE
    Jan 29, '26 at 11:31 pm

    Minjae pegou a pedra, os dedinhos roçando na mão dela. Ele deu um meio sorriso — o mesmo sorriso que Jungkook dava — e assentiu.

    Oooh gente que fofura

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