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Jungkook fechou a porta do quarto de Minjae com a mesma delicadeza com que se manuseia um cristal trincado. Ele esperou até que a respiração do filho se tornasse pesada e rítmica, o “escudo de estrelas” — um projetor de luzes no teto — girando lentamente e banhando o pequeno rosto em tons de azul e prata.

O corredor da cobertura parecia quilométrico naquela madrugada. A adrenalina do quase flagra ainda fumegava em suas veias, misturada com o eco das confissões que ele despejara sobre S/N minutos antes. Ele caminhou de volta ao quarto dela, a nudez escondida apenas pelo edredom que ele arrastara consigo, sentindo o frio do ar-condicionado na pele tatuada.

Ele entrou no quarto esperando encontrar S/N em estado de alerta, pronta para discutir a gravidade do que quase aconteceu ou, quem sabe, pronta para que eles terminassem a noite da forma como começaram.

Mas o que ele encontrou foi o silêncio absoluto.

S/N tinha se rendido. A exaustão emocional de ser psicóloga, babá, amante e cúmplice em uma única tarde finalmente cobrara seu preço. Ela estava mergulhada em um sono profundo, o corpo enroscado nos lençóis bagunçados, uma das mãos repousando sobre o travesseiro onde, até pouco tempo, a cabeça de Jungkook estivera.

Ele parou ao pé da cama, imóvel. Observou o sobe e desce suave do peito dela, a mecha de cabelo que caía sobre os olhos e a expressão de paz que parecia tão frágil diante do caos que eles estavam criando.

Jungkook se abaixou lentamente, pegando sua calça de moletom e a camiseta jogadas no chão. Ele se vestiu sem pressa, cada movimento sendo uma transição dolorosa de volta para a realidade. Ele não queria ir embora. Queria deitar ali, sentir o calor dela e acordar com o sol batendo nos lençóis, mas a voz de Minjae — “A Noona também teve um pesadelo?” — ainda ecoava em seus ouvidos como um aviso de segurança.

Ele se aproximou da cama uma última vez. Inclinou-se sobre ela, sentindo o perfume de baunilha e o rastro do próprio cheiro que ainda emanava da pele de S/N. Ele depositou um beijo casto, quase imperceptível, na têmpora dela.

— Você é o meu maior erro, S/N — ele sussurrou, a voz tão baixa que mal perturbou o ar. — E a única coisa que eu fiz certo depois de tanto tempo…

Ele pegou seu celular na mesa de cabeceira e saiu do quarto, fechando a porta sem fazer barulho. Ao atravessar a sala de estar envidraçada, com as luzes da cidade de Seul brilhando como um circuito infinito lá embaixo, Jungkook percebeu que a corrida tinha mudado de nível. Não era mais sobre velocidade. Era sobre sobrevivência.

Ele se sentou no sofá de couro, encarando a escuridão, sabendo que, quando o sol nascesse, eles teriam que vestir suas máscaras novamente. Mas, por dentro, ele sabia que a “equipe” nunca mais seria a mesma.

O despertador insistiu em seu toque monótono às 06h30, cortando o silêncio da suíte de S/N como um bisturi. Ela tateou o lado vazio do colchão, a mão encontrando apenas o lençol frio e o rastro do amassado onde o corpo de Jungkook estivera horas antes. O coração dela deu um solavanco; a ausência dele era um vácuo que a realidade preenchia com rapidez e crueldade.

Ela se levantou, vestindo o roupão de seda branca e prendendo o cabelo em um coque apressado. Cada passo em direção à cozinha era uma negociação entre a mulher que ainda sentia o toque dele e a profissional que precisava encarar o dia.

Ao descer as escadas de mármore, o aroma de café recém-passado já flutuava pelo ar, mas não vinha da cafeteira automática. Jungkook estava lá. Ele não estava na cozinha, mas sentado no imenso sofá de couro da sala de estar, de costas para a escada, emoldurado pelas janelas que iam do chão ao teto e mostravam uma Seul despertando sob uma névoa cinzenta.

Ele ainda usava a calça de moletom da noite anterior. Seus ombros estavam tensos, a cabeça baixa, os cotovelos apoiados nos joelhos enquanto ele encarava uma xícara fumegante entre as mãos.

S/N hesitou por um segundo, o medo da rejeição lutando contra a necessidade de proximidade. Ela caminhou silenciosamente pelo carpete e, sem dizer uma palavra, contornou o sofá e o abraçou por trás. Ela enterrou o rosto na curvatura do pescoço dele, sentindo o calor da pele de Jungkook e o cheiro de café e madrugada que emanava dele.

Sentiu os músculos dele se contraírem sob o seu toque, mas ele não se afastou. Ele apenas fechou os olhos, soltando um suspiro longo e pesado.

— Você está arrependido? — A pergunta saiu em um sussurro falho, carregada de uma curiosidade que doía. — Por ter sido… pego? Por ter deixado o Minjae ver a gente assim?

Ela apertou os braços ao redor dele, sentindo o coração dele batendo num ritmo surdo. O medo da resposta era um nó na garganta de S/N. Se ele dissesse que sim, a noite anterior se transformaria em um erro trágico; se dissesse que não, o perigo apenas aumentaria.

Jungkook permaneceu em silêncio por um tempo que pareceu uma eternidade. Ele largou a xícara na mesa de centro e levou as mãos às dela, desentrelaçando o abraço apenas para puxá-la para a sua frente, forçando-a a encará-lo entre suas pernas enquanto ele continuava sentado.

O olhar dele estava sombrio, as olheiras denunciando que ele não havia pregado o olho desde que saíra do quarto dela.

— Eu não me arrependo de um único segundo do que fiz com você naquela cama, S/N — ele disse, a voz rouca e vibrante, os dedos subindo para contornar o queixo dela com uma possessividade que a deixou sem fôlego. — Mas eu sinto um terror absoluto de pensar no que eu faria se ele tivesse entendido o que estava acontecendo.

Ele a puxou para mais perto, o rosto a centímetros do dela.

— Eu não me arrependo de ter te tomado. Eu me arrependo de não poder te dar um lugar nessa casa que não seja escondido nas sombras de um pesadelo do meu filho. — Ele encostou a testa na dela, os olhos fechados com força. — A pergunta não é se eu estou arrependido, S/N. A pergunta é: quanto tempo a gente aguenta correr nessa pista sem bater no muro?

A vulnerabilidade dele era mais sedutora do que qualquer provocação. S/N percebeu que eles não estavam mais apenas brincando com fogo; eles eram o próprio incêndio, e a primeira faísca na inocência de Minjae tinha sido o aviso de que o oxigênio estava acabando.

— Eu entendo… — ela murmurou, a voz suave como um segredo compartilhado.

Suas mãos subiram, os dedos se entrelaçando nos fios escuros da nuca dele, onde a pele era quente e convidativa. Ela sentiu os músculos do pescoço de Jungkook relaxarem sob seu toque enquanto ela selava os lábios dele em um beijo lento, profundo, que carregava o gosto amargo do café e a doçura desesperada de uma despedida que nenhum dos dois queria aceitar.

Ela se afastou apenas alguns milímetros, a respiração dele batendo contra a sua, quente e pesada.

— Vamos pisar nesse freio, Jeon — ela continuou, os olhos fixos nos dele, que pareciam abismos de um castanho tempestuoso. — Precisamos aprender a dirigir nessa pista íngreme e perigosa sem derrapar. O Minjae é o que você tem de mais precioso… e nós não vamos deixar que nada, absolutamente nada que aconteça entre nós, atinja a inocência dele. Ele é a prioridade. Sempre.

Jungkook fechou os olhos por um segundo, a testa encostada na dela, absorvendo a força que emanava das palavras de S/N. Ele apertou as mãos na cintura dela, os dedos cravando-se levemente no roupão de seda, como se estivesse tentando se ancorar à realidade.

S/N inclinou-se mais, o corpo colado ao dele, e depositou mais um beijo, desta vez mais intenso, possessivo, sentindo o estremecimento que percorreu o corpo do piloto.

— Eu estou aqui… — ela sussurrou contra a boca dele, uma confissão que queimava sua garganta. — Você conseguiu me “ter”… Droga, Jeon… eu não deveria te dizer isso, meu lado profissional está gritando agora, mas… eu estou rendida a você. Completamente.

O silêncio que se seguiu foi cortado apenas pelo som do relógio na parede, marcando os segundos que os separavam da chegada de Minjae. Jungkook abriu os olhos, e o brilho ali não era mais de determinação sombria, mas de uma devoção crua. Ele soltou o ar, um riso baixo e rouco escapando de seus pulmões enquanto ele enterrava o rosto na curva do pescoço dela.

— Rendida, Doutora? — ele murmurou, a voz vibrando contra a pele de S/N. — Isso é um diagnóstico perigoso. Porque se você se rendeu, eu já perdi essa corrida há muito tempo. Eu só estava tentando não bater o carro antes de você aceitar ser meu copiloto.

Ele a puxou para cima, fazendo-a sentar em seu colo, ignorando por um instante o risco de serem vistos. Naquele momento, no centro daquela cobertura luxuosa que agora parecia pequena demais para o que sentiam, eles selaram um pacto silencioso: seriam o segredo um do outro, a cura um do outro, e o escudo que protegeria o pequeno Minjae da própria paixão que ameaçava consumi-los.

10 Comentários

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  1. Marcela
    Mar 29, '26 at 7:09 pm

    O corredor da cobertura parecia quilométrico naquela madrugada. A adrenalina do quase flagra ainda fumegava em suas veias, misturada com o eco das confissões que ele despejara sobre S/N minutos antes. Ele caminhou de volta ao quarto dela, a nudez escondida apenas pelo edredom que ele arrastara consigo, sentindo o frio do ar-condicionado na pele tatuada.

    Nessa hora, nem ele tava sabendo o que pensar primeiro.

  2. Marcela
    Mar 29, '26 at 7:22 pm

    [quote]Jungkook se abaixou lentamente, pegando sua calça de moletom e a camiseta jogadas no chão. Ele se vestiu sem pressa, cada movimento sendo uma transição dolorosa de volta para a realidade. Ele não queria ir embora. Queria deitar ali, sentir o calor dela e acordar com o sol batendo nos lençóis, mas a voz de Minjae — “A Noona também teve um pesadelo?” — ainda ecoava em seus ouvidos como um aviso de segurança.

    Ele ainda tá assutado do filho quase te visto tudo que ele queria “esconder “

  3. Marcela
    Mar 29, '26 at 7:33 pm

    [quote]— Eu não me arrependo de ter te tomado. Eu me arrependo de não poder te dar um lugar nessa casa que não seja escondido nas sombras de um pesadelo do meu filho. — Ele encostou a testa na dela, os olhos fechados com força. — A pergunta não é se eu estou arrependido, S/N. A pergunta é: quanto tempo a gente aguenta correr nessa pista sem bater no muro?

    Se um dia Minjae desconfiar, o pai dele endoida

  4. Marcela
    Mar 29, '26 at 7:39 pm

    [quote]— Eu não me arrependo de ter te tomado. Eu me arrependo de não poder te dar um lugar nessa casa que não seja escondido nas sombras de um pesadelo do meu filho. — Ele encostou a testa na dela, os olhos fechados com força. — A pergunta não é se eu estou arrependido, S/N. A pergunta é: quanto tempo a gente aguenta correr nessa pista sem bater no muro?

    Se um dia Minjae desconfiar, o pai dele endoidaa

  5. Marcela
    Mar 29, '26 at 7:40 pm

    [quote]Ele a puxou para cima, fazendo-a sentar em seu colo, ignorando por um instante o risco de serem vistos. Naquele momento, no centro daquela cobertura luxuosa que agora parecia pequena demais para o que sentiam, eles selaram um pacto silencioso: seriam o segredo um do outro, a cura um do outro, e o escudo que protegeria o pequeno Minjae da própria paixão que ameaçava consumi-los.

    Nessas horas, NGM tem medo de nada, né? Kkkkk

  6. Iasmine
    Apr 1, '26 at 9:23 am

    S/N tinha se rendido. A exaustão emocional de ser psicóloga, babá, amante e cúmplice em uma única tarde finalmente cobrara seu preço. Ela estava mergulhada em um sono profundo, o corpo enroscado nos lençóis bagunçados, uma das mãos repousando sobre o travesseiro onde, até pouco tempo, a cabeça de Jungkook estivera.

    São fortes emoções pra coitada kkkk

  7. Iasmine
    Apr 1, '26 at 9:24 am

    — Eu não me arrependo de um único segundo do que fiz com você naquela cama, S/N — ele disse, a voz rouca e vibrante, os dedos subindo para contornar o queixo dela com uma possessividade que a deixou sem fôlego. — Mas eu sinto um terror absoluto de pensar no que eu faria se ele tivesse entendido o que estava acontecendo.

    Pensei que ele ia falar que tava arrependido, ja ia dar uns tapa

  8. Iasmine
    Apr 1, '26 at 9:25 am

    — Vamos pisar nesse freio, Jeon — ela continuou, os olhos fixos nos dele, que pareciam abismos de um castanho tempestuoso. — Precisamos aprender a dirigir nessa pista íngreme e perigosa sem derrapar. O Minjae é o que você tem de mais precioso… e nós não vamos deixar que nada, absolutamente nada que aconteça entre nós, atinja a inocência dele. Ele é a prioridade. Sempre.

    Duvido que vocês vão pisar no freio, duvido muito

  9. Iasmine
    Apr 1, '26 at 9:26 am

    — Rendida, Doutora? — ele murmurou, a voz vibrando contra a pele de S/N. — Isso é um diagnóstico perigoso. Porque se você se rendeu, eu já perdi essa corrida há muito tempo. Eu só estava tentando não bater o carro antes de você aceitar ser meu copiloto.

    Oloco bicho kkkkk se ele fala isso pra mim não sei o que fazer

    1. Luana
      @Iasmine • Apr 21, '26 at 10:57 am

      Como não se render ? Aaaaaaaaaa kkkkk

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