Capítulo 10 – Isso vai acabar!
por FanfiqueiraDá o Play
As duas horas pareceram uma eternidade. Namjoon manteve o rosto impassível, os comentários calculados, as respostas firmes. Por fora, ninguém imaginaria o caos dentro dele.
Quando os executivos agradeceram, ele inclinou a cabeça, guardou as anotações e levantou-se. O segurança já o esperava perto da saída lateral.
— Senhor Kim, o carro está pronto.
— Ótimo — respondeu rápido, sem olhar.
Seguiu pelo corredor, passos firmes, até que parou de repente.
— Onde ela está? — a voz saiu mais baixa, quase áspera.
O segurança hesitou.
— A senhorita pediu para ser levada ao médico esta manhã. Está em repouso, no hotel.
Namjoon fechou os olhos por um instante, pressionando a ponte do nariz. Então era isso mesmo. E eu… pensei o pior.
— Quero voltar imediatamente. — a ordem soou fria, mas o nó na garganta o traía por dentro.
No carro, não conseguiu se segurar. Tirou os óculos, apoiou o cotovelo na janela e passou a mão no rosto. Um peso esmagador se acumulava em seu peito. Ontem eu a feri. Hoje ela adoeceu. E eu… deixei que meu orgulho falasse mais alto. Estúpido.
Quando chegaram ao hotel, não esperou ninguém abrir a porta. Ele mesmo desceu, o casaco caindo sobre os ombros. Caminhou rápido pelos corredores até a cobertura, as mãos enfiadas nos bolsos para esconder o tremor.
Parou diante da porta do quarto dela.
O silêncio do corredor amplificava os batimentos do próprio coração. Por alguns segundos, hesitou. Se entrasse, corria o risco de enfrentar de novo o olhar magoado dela, ou pior, o olhar distante de quem não queria mais vê-lo. Mas se não entrasse… a culpa o devoraria por inteiro.
Respirou fundo. Levantou a mão e bateu, firme, mas não agressivo.
— …Sou eu. — a voz saiu baixa, quase rouca. — Abre a porta.
O silêncio persistiu.
Ele fechou os olhos, encostou a testa na madeira fria.
— Eu sei que não tenho direito de pedir nada… mas me deixa ver você.
Namjoon esperou alguns segundos depois da batida. Nenhuma resposta.
O maxilar dele tensionou. O silêncio era tão denso que chegava a incomodar.
— …SN? — chamou outra vez, mais baixo.
Nada.
Ele girou a maçaneta devagar. Não estava trancada. Empurrou a porta e entrou, fechando-a logo atrás de si. O quarto estava escuro, só a luz filtrada pelas cortinas semiabertas iluminava o ambiente.
Os olhos dele foram direto para a cama.
Ela estava encolhida entre os lençóis, o rosto virado para o travesseiro, respiração pesada e irregular pelo efeito dos remédios. A pele ainda corada pela febre.
Namjoon parou na beira do quarto. Sentiu o ar preso no peito.
Ela realmente está mal… e eu nem estava aqui.
A passos lentos, aproximou-se. Sentou-se na cadeira encostada à mesa, mas não conseguiu ficar distante por muito tempo. Logo se levantou e foi até a cama, ajoelhando-se ao lado.
— Yah… — murmurou quase sem som, como se o quarto inteiro fosse escutá-lo. — O que você está fazendo comigo, hein?
Esticou a mão, hesitou no ar… e acabou afastando antes de tocá-la. Passou os dedos pelos próprios lábios, pressionando-os. Não posso. Não devo.
Mas ver as lágrimas secas ainda marcando a pele dela… ver os cílios grudados, como se tivesse chorado até adormecer… aquilo o quebrou por dentro.
Com cuidado, ajeitou a manta sobre o corpo dela, cobrindo melhor os ombros. Depois puxou a cadeira para mais perto e ficou sentado, apenas observando.
As horas começaram a pesar. Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e o queixo nas mãos. A cada vez que ela mexia levemente, ele se erguia, atento. Mas não tinha coragem de acordá-la.
No fundo, uma luta constante: o líder calculista que deveria manter distância, e o homem que só queria segurá-la e dizer que não deixaria mais ninguém tocá-la.
Por fim, baixou a cabeça, a voz num sussurro quase inaudível:
— Me desculpa…
Namjoon ficou em silêncio, observando o peito dela subir e descer num ritmo irregular. O quarto só tinha o som baixo do ar-condicionado e da respiração dela.
De repente, ela se mexeu entre os lençóis. O corpo revirou levemente, os lábios se abriram num murmúrio frágil, quase um sopro.
— …Namjoon…
Ele congelou. O coração disparou no mesmo instante. O nome dele, saindo da boca dela assim, tão suave, quase suplicante, o atingiu como um soco no estômago.
Ela se remexeu de novo, franzindo a testa, como se estivesse presa a um sonho ruim. A febre fazia sua pele brilhar, os cabelos grudados na testa.
— …não… me deixa… — sussurrou, a voz embargada, como se estivesse chorando por dentro. — …por favor… não me deixa…
Namjoon fechou os olhos com força. A mão dele, que estava apoiada no joelho, se ergueu sem que ele controlasse. Quase tocou o rosto dela. Mas parou no ar, tremendo.
O líder, o homem que sempre sabia manter a compostura, de repente se viu frágil diante de duas palavras ditas em meio a delírio febril.
Ele respirou fundo, tentando se recompor, mas a garganta estava seca. O maxilar dele travou, os dedos se fecharam num punho ao lado do corpo.
— Você não sabe o que está pedindo… — murmurou, a voz baixa, quase um lamento.
Mesmo assim, aproximou a mão e afastou devagar a mecha de cabelo úmida que cobria parte do rosto dela. Não resistiu.
Ela suspirou, como se tivesse sentido o toque, e relaxou nos lençóis.
Namjoon ficou ali, imóvel, olhando para ela como se o mundo tivesse parado. O peito dele doía — e pela primeira vez em muito tempo, ele não tinha nenhuma estratégia, nenhuma resposta pronta. Apenas o coração batendo rápido demais, lembrando-o de que talvez já fosse tarde para manter qualquer distância.
Minutos se arrastaram. Namjoon continuava sentado ao lado da cama, imóvel, como se qualquer movimento pudesse acordá-la antes da hora. O rosto dela ainda estava corado pela febre, mas a respiração parecia um pouco mais estável depois dos remédios.
Ele não percebeu o tempo passar. Apenas ficou ali, observando-a, a mente em conflito entre o que ouvira dela dormindo e o que ele mesmo havia dito na noite anterior.
De repente, ela se mexeu. Os cílios bateram devagar, pesados, e os olhos se abriram, enevoados, como se ainda não distinguissem direito a realidade.
— Hm… — murmurou, levando a mão à testa, sentindo o calor ainda pulsar. A voz saiu baixa, arranhada.
Namjoon se endireitou na cadeira instintivamente, mas não disse nada.
Ela virou o rosto devagar para o lado e, ao ver a silhueta dele tão próxima, estremeceu de surpresa. Os olhos arregalaram, mesmo cansados.
— Nam… Namjoon? — a voz falhou. — O que… o que você está fazendo aqui?
Ele sustentou o olhar dela por alguns segundos, em silêncio. Não parecia saber o que responder.
A única coisa que conseguiu foi pigarrear, desviando os olhos, voltando a máscara de frieza.
— Você estava queimando de febre. Não achei seguro deixar você sozinha. — disse, baixo, quase brusco, como se precisasse se justificar.
Ela piscou algumas vezes, ainda confusa, o corpo pesado demais para reagir. Mas uma sombra de alívio passou pelo rosto dela.
Ela não sabia que ele tinha ouvido cada palavra que dissera dormindo. Não sabia que ele estivera ali o tempo inteiro.
Namjoon, por outro lado, não conseguia apagar o som da voz dela em delírio ecoando na própria cabeça: “por favor… não me deixa…”
Ele se levantou devagar, ajeitando o paletó como se nada tivesse acontecido.
— Descanse. Eu vou pedir mais água pra você. — disse, já caminhando até a porta, lutando contra a vontade de permanecer ao lado dela.
— Não precisa ficar com pena… — a voz dela saiu fraca, embargada, quase um sussurro.
Namjoon parou a dois passos da porta, a mão já no trinco, e se virou devagar.
Ela não o encarava. Os olhos estavam marejados, desviando como se fosse mais fácil falar para o vazio.
— Eu… — engoliu seco, prendendo a respiração antes de continuar. — Eu sei que estou patética… Mas… isso vai acabar.
As últimas palavras morreram no ar enquanto ela deixava a cabeça cair de volta no travesseiro, como se tivesse gastado as últimas forças só para dizer aquilo.
Namjoon ficou ali parado, imóvel. O maxilar dele se contraiu, os punhos se fecharam discretamente ao lado do corpo. Ele respirou fundo, tentando sufocar a reação que queria escapar.
Por alguns segundos, o rosto dele mudou — a dureza deu lugar a uma dor silenciosa, como se cada palavra dela tivesse atravessado sua barreira cuidadosamente construída.
Mas ele piscou devagar, recompondo-se, e voltou a erguer a muralha de frieza.
— Descansa. — foi tudo o que disse, a voz baixa, controlada.
Ele girou o trinco e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si com um clique suave, mas que para ela soou como um peso esmagador.
O silêncio tomou conta do quarto novamente. Ela respirou fundo, tentando segurar as lágrimas que ameaçavam cair. O corpo febril tremia, e a mente ecoava a imagem dele parado ali, observando, mas indo embora no fim.
Namjoon, do lado de fora, apoiou as costas na parede do corredor e fechou os olhos. A frase dela o perseguia como um golpe: “isso vai acabar”. Ele apertou os lábios, prendendo tudo dentro de si, e só então caminhou pelo corredor, cada passo mais pesado que o anterior.
[quote]Ele fechou os olhos, encostou a testa na madeira fria. — Eu sei que não tenho direito de pedir nada… mas me deixa ver você.
Ele tá complemente desorientado. Sem saber o que fazer com esse sentimento.
Quer ficar junto, quer manter distância klkkk
[quote]Esticou a mão, hesitou no ar… e acabou afastando antes de tocá-la. Passou os dedos pelos próprios lábios, pressionando-os. Não posso. Não devo.
Aí aí, difícil, MT difícil
Se torturando atoa
[quote]Ela não o encarava. Os olhos estavam marejados, desviando como se fosse mais fácil falar para o vazio. — Eu… — engoliu seco, prendendo a respiração antes de continuar. — Eu sei que estou patética… Mas… isso vai acabar.
Coitadaaa, morrendo de pena dela
[quote]Namjoon, do lado de fora, apoiou as costas na parede do corredor e fechou os olhos. A frase dela o perseguia como um golpe: “isso vai acabar”. Ele apertou os lábios, prendendo tudo dentro de si, e só então caminhou pelo corredor, cada passo mais pesado que o anterior.
Quero só ver oq ele vai fazer, se ela desistir
N te interessa,agora eu zanguei
O q?Um batimento de botas??
E daí q é você?
Vergonha,né? Pode n parecer mas eu tenho