Capítulo 1 – O Brinde de Vidro
por FanfiqueiraO sol de Seul filtrava-se pelas pesadas cortinas de veludo da suíte master, desenhando linhas douradas sobre os lençóis de seda egípcia. S/N esticou o braço, tateando o lado esquerdo da cama king size, mas tudo o que encontrou foi o vazio. O lençol ali já estava frio.
Kim Taehyung nunca ficava para o café na cama.
Ela se levantou, sentindo um misto de ansiedade e esperança. Hoje não era um dia qualquer. Era o aniversário de um ano de um contrato que, para o mundo, chamava-se casamento. Lavou o rosto, observando no espelho as marcas de uma noite de sono interrompida pela expectativa. Ela queria estar perfeita.
Ao descer a escadaria de mármore, o silêncio da mansão Kang-Kim era quase ensurdecedor, quebrado apenas pelo som baixo de louça vindo da sala de jantar.
Lá estava ele.

Taehyung estava impecável em uma camisa social branca, com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas, revelando o relógio que custava mais do que um apartamento de luxo. Mas não foi o traje que paralisou S/N na porta. Foi o rosto dele. Ele olhava para o celular com um sorriso genuíno, os olhos brilhando de uma forma que ela raramente via. Era um brilho de cumplicidade, de algo íntimo.
“Deve ser o novo contrato com a Europa“, ela pensou, tentando convencer a si mesma. “Ele finalmente conseguiu o que queria nos negócios.“
Ao sentir a presença dela, a transformação de Taehyung foi instantânea. O sorriso desvaneceu, dando lugar à máscara de polidez gélida que ele usava como armadura. Ele bloqueou o celular e, com um movimento ágil, puxou o tablet que estava ao seu lado, fingindo ler gráficos financeiros.
— Bom dia — a voz dele saiu profunda, mas sem rastro do calor de segundos atrás.
— Bom dia, Tae… — S/N aproximou-se, o coração batendo forte. — Você acordou cedo.
— Tenho muito o que resolver antes da noite — ele disse, sem desviar os olhos da tela. — Uma caixa chegará à tarde. Quero que use o que está dentro no jantar de hoje. Esteja pronta às sete em ponto. Não se atrase.
S/N sentiu uma onda de euforia. Um presente? Um vestido? Ele tinha planejado algo. Ela contornou a mesa e inclinou-se sobre ele, as mãos pousando suavemente em seus ombros largos.
— Você lembrou… — ela sussurrou, aproximando o rosto do dele.
Ela fechou os olhos, buscando um beijo que selasse aquela promessa de uma noite especial. Taehyung não se afastou, mas também não se inclinou. O selar de lábios foi tão breve que, quando S/N finalmente fechou as pálpebras para sentir o momento, ele já estava se afastando, limpando o canto da boca com o guardanapo de linho.
— Preciso ir. O motorista já está esperando.
Ele se levantou bruscamente, pegando o paletó. S/N ficou ali, estática, sentindo o gosto metálico da rejeição disfarçada de pressa. Mas ela sorriu assim mesmo. Otimista por natureza, ou talvez desesperada por uma migalha de afeto, ela pensou: Ele só está nervoso. Ele preparou uma surpresa.
Assim que a porta da frente bateu, S/N pegou o celular e abriu o grupo com suas duas melhores amigas: Mina e Hana.
S/N: Meninas! O Taehyung acabou de confirmar o jantar. Ele comprou um vestido para mim! Acho que finalmente vamos ter a nossa noite.
A resposta de Mina veio em segundos, carregada de um ceticismo que cortava como faca: Mina: Ele disse que fariam algo real ou é só mais um jantar de negócios disfarçado? Vocês estão juntos há um ano e nunca rolou nada, S/N… Você acha mesmo que um vestido vai mudar alguma coisa?
S/N sentiu o estômago murchar, mas logo a notificação de Hana subiu na tela. Hana, sua confidente desde o jardim de infância, a pessoa que sabia de todos os seus segredos.
Hana: Não ouça a Mina, ela está em um dia ruim! S/N, isso é maravilhoso! O primeiro ano é o mais difícil em casamentos arranjados. Se ele comprou o vestido, ele quer te ver linda. Vamos ao shopping agora? Você precisa de uma lingerie que combine com a importância da noite. Te encontro às 11h?
S/N: Obrigada, Hana. Você é a única que me entende. Vejo vocês lá!
Enquanto se preparava para o shopping, S/N deixou a mente viajar para seis meses atrás. Eles tinham um evento na cidade natal dos pais dela e, devido a uma tempestade, precisaram pernoitar na antiga casa da família Kang.
O quarto era menor que o da mansão, o que os obrigou a uma proximidade incomum. Naquela noite, Taehyung tinha bebido um pouco mais de vinho que o normal. Ele a ajudou a abrir o zíper do vestido e, por um momento, as mãos dele hesitaram na pele nua das costas dela.
Ele a virou de frente, os olhos escuros e nublados. O beijo que seguiu foi diferente de tudo: foi faminto, quente, quase desesperado. Por alguns minutos, não havia contratos, empresas ou sobrenomes. Havia apenas Taehyung e S/N. Ele foi cuidadoso, quase romântico, sussurrando que ela era a mulher mais paciente que ele já conhecera.
No dia seguinte, porém, o muro de gelo estava de volta, mais alto do que nunca. S/N agarrava-se àquela lembrança como um náufrago agarra-se a uma tábua. Ela precisava que o Taehyung daquela noite voltasse.
Enquanto isso… O Outro Lado de Seul
Longe das vitrines luxuosas do shopping, o carro preto de Taehyung não seguiu direto para a sede da Kim Corp. Ele dobrou em uma rua arborizada de um bairro residencial de elite, parando diante de um prédio discreto, mas extremamente caro.
Taehyung subiu o elevador privativo, usando sua própria chave para abrir a cobertura. O ambiente cheirava a flores frescas e um perfume feminino caro que definitivamente não era o de S/N.
Assim que a porta se fechou, braços delicados envolveram seu pescoço por trás.
— Você está atrasado — uma voz doce e familiar sussurrou contra a nuca dele.
Taehyung relaxou os ombros de uma forma que nunca fazia em casa. Ele se virou, segurando a cintura da mulher com uma intimidade que beirava a possessão.
— O jantar de hoje vai ser longo — Taehyung disse, sua voz agora carregada de um cansaço real, mas também de uma ternura perigosa. — Tive que garantir que ela estivesse distraída o suficiente para não fazer perguntas.
A mulher riu, um som cristalino que ecoou pelo apartamento vazio. — Você é péssimo, Taehyung. Mas é por isso que eu amo o nosso pequeno acordo.
Ele a puxou para mais perto, escondendo o rosto no pescoço dela. — Só mais um pouco. O contrato tem cláusulas, mas o meu desejo não.
Vagabundos
Kkkkkkkkk
Coitada da Bela
Safado, o Tae exala esse tipo mesmo
Siiim
Simm
Ate revirei os olhos aqui