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S/N parou na porta do escritório. O som do metal da bandeja vibrando em suas mãos era o único ruído no corredor silencioso. Ao olhar para dentro, o impacto foi físico. Taehyung estava curvado sobre a mesa, cercado por papéis, mas ele não parecia o CEO implacável de sempre. O terno estava amassado, o cabelo desalinhado e, sob a luz da luminária, as olheiras eram sulcos profundos de exaustão. Os olhos vermelhos denunciavam que ele não via o sono há muito tempo ou havia chorado.

“O que aconteceu com ele?”, S/N pensou por um segundo, sentindo uma pontada involuntária de preocupação que a paralisou. “Ele parece… quebrado. Como se o mundo tivesse caído sobre os ombros dele enquanto eu dormia.”

Mas o choque passou rápido. Ela endureceu a mandíbula, forçando a máscara de gelo a voltar ao lugar. Ela entrou e, com um baque seco e metálico, soltou a bandeja na mesa dele, bem em cima dos documentos.

— Isso foi você? — ela perguntou, a voz cortante como uma lâmina. — Não tente me comprar com truques baratos, Taehyung. Não caio mais nessa.

Taehyung levantou o olhar lentamente. Ele parecia processar as palavras dela com dificuldade, como se estivesse sob o efeito de um entorpecente.

— Você limpou o quarto para apagar o que eu fiz — ela continuou, cada palavra cuspida com veneno —, ou porque não suportava ver que o Jimin é mais homem que você?

Antes de se virar para sair, os olhos dela desceram para as mãos dele. A mão direita estava envolta em uma faixa improvisada, uma tala que já estava manchada de sangue fresco. Havia respingos de sangue no chão, ela olhou ao redor e não identificou o que ele havia quebrado, talvez já tivesse jogado fora.

“Meu Deus, ele se machucou.” O instinto de S/N, aquela parte dela que ainda o amava apesar de tudo, gritou para que ela corresse, pegasse um kit de primeiros socorros e cuidasse dele. “Pare com isso, S/N! Ele não cuidou de você quando você estava morrendo por dentro. Deixe que ele sangre.”

Ela girou os calcanhares para sair, mas Taehyung foi mais rápido. Em um movimento brusco, ele se levantou e fechou a porta que estava entreaberta, bloqueando a saída dela. S/N deu um passo atrás, o coração martelando contra as costelas. Ela esperava um surto, um grito, uma explosão de fúria por ela ter transado com o Jimin.

Taehyung estendeu a mão para tocá-la, mas hesitou no meio do caminho. Seus dedos tremeram no ar antes de ele recolher o braço, como se temesse que o toque dela o queimasse.

— O que foi? — S/N sibilou, com uma arrogância defensiva. — Está com nojo de mim agora? Está com nojo do que o seu melhor amigo deixou marcado na minha pele?

A resposta dele não foi uma palavra. Foi um colapso.

Taehyung desabou. Ele caiu de joelhos na frente dela, as mãos agarrando a barra da saia de S/N enquanto o choro rompia sua garganta — um som abafado, sofrido, como o de um garotinho perdido. S/N ficou estática. Ela nunca, em todo tempo de convivência e contrato, o vira tão vulnerável.

— Acha que um chorinho vai me fazer mudar de ideia? — ela disse, embora sua voz tivesse vacilado por um milésimo de segundo. — Acorda, Kim Taehyung! Eu já disse que não vou contar seus segredos para ninguém. E o que rolou ontem…

— Não… — ele a interrompeu, a voz embargada. Ainda de joelhos, ele tateou a mesa e pegou uma pasta de couro preta, estendendo-a para ela com a mão ferida. — Pegue. Por favor.

S/N hesitou, mas pegou a pasta. Ao abrir, seus olhos percorreram os documentos. Eram escrituras, transferências de ações, termos de posse.

— Eu passei a casa para o seu nome… minhas ações na empresa… tudo o que eu tenho de valor pessoal está aí. Nada faz sentido sem você do meu lado. Me desculpa por… — Ele travou. A palavra “traição” parecia grande demais para sair. O choro tomou conta dele novamente, os ombros sacudindo violentamente. — Só por favor… não me olhe como se eu fosse um cadáver. Eu não suporto esse olhar.

S/N sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. Ela precisou apertar a pasta contra o peito para não vacilar.

— Eu não limpei a casa por mim, S/N — ele continuou, soluçando. — Eu já estou fodido. Eu só não queria que você entrasse nesse buraco comigo quando acordasse. Eu não queria que você visse o caos que estava aquela sala… e como você bebeu tanto ontem, eu achei que…

— Eu não bebi nenhuma gota ontem, Taehyung — ela o interrompeu, a frieza voltando com força total. — Aquelas garrafas eu tinha comprado para beber com a Hana, antes de… Eu estava sóbria o tempo todo. Cada segundo com o Jimin… eu senti cada segundo.

Taehyung parou de soluçar por um instante. O impacto daquela informação foi como um tiro. “Ela não bebeu. Ela fez tudo aquilo consciente.” Ele fechou os olhos, mas não havia raiva nele. Havia apenas a aceitação de que ele merecia cada grama daquela dor.

— Eu sei… — ele sussurrou, ainda de joelhos. — Eu mereço. Eu mereço que você faça o que quiser comigo. Use o Jimin, use quem você quiser para me ferir, se isso aliviar o que eu fiz você passar. Eu só… eu queria uma oportunidade de mostrar que posso ser diferente. Se você decidir ficar, eu passarei o resto da vida tentando reconstruir o que eu quebrei. Mas se você quiser ir… tudo o que é meu já é seu. Até o acordo entre nossas famílias. Eu assumo a culpa por tudo diante do seu pai.

S/N olhou para o topo da cabeça dele, para o homem que um dia ela amou com toda a sua alma e que agora estava ali, oferecendo seu império em troca de um olhar menos frio. O silêncio se arrastou por minutos.

Ela não respondeu. Não aceitou, nem recusou. Ela apenas fechou a pasta, deu a volta por ele e saiu do escritório sem dizer uma única palavra, deixando-o ali, de joelhos no chão manchado de sangue e arrependimento.

Depois que a porta do escritório se fechou, Taehyung não se levantou. Ele permaneceu de joelhos, o rosto enterrado nas mãos, sentindo o peso do silêncio de S/N. O fato de ela não ter dito “eu te perdoo” ou “eu te odeio” era o que mais o torturava.

“Ela estava sóbria”, ele repetia mentalmente. “Ela viu cada detalhe. Ela sentiu o Jimin para apagar o meu rastro.” Ele olhou para a própria mão enfaixada. A dor física era um alívio, um lembrete de que ele ainda estava vivo, embora se sentisse morto por dentro. Ele sentia que merecia sangrar.

S/N estava no corredor, a poucos passos da porta do escritório, segurando a pasta contra o peito. Seus pés pareciam colados ao chão. Ela queria ir embora, mas algo a prendia ali. Foi quando o celular de Taehyung, jogado sobre a mesa de carvalho, começou a vibrar freneticamente.

Taehyung não atendeu as primeiras três vezes. Mas o número desconhecido insistia com uma agressividade que o fez atender, apenas para dar um fim àquilo. Ele colocou no viva-voz, as mãos trêmulas demais para segurar o aparelho.

— O que você quer? — a voz de Taehyung saiu gutural, sem um pingo de paciência.

— Taehyung, querido, por que você está me bloqueando? — Era a voz de Hana, doce e venenosa, vindo de um número que ele não reconhecia. — Eu sei que você estava nervoso na garagem ontem, mas aquela encenação de “marido fiel” foi ridícula. Você sabe que a S/N nunca vai te satisfazer como eu. Ela é sem graça, Tae. Por que você está tentando consertar algo que já nasceu quebrado?

S/N, do lado de fora, congelou. Ela sentiu o estômago revirar ao ouvir a voz de Hana. Mas então, ela ouviu a resposta de Taehyung.

— Cala a boca, Hana. Nunca mais ouse falar o nome dela — Taehyung sibilou, e S/N pôde sentir o ódio puro na voz dele. — O que eu fiz com você foi o maior lixo da minha vida. Eu sinto nojo de cada segundo que passei ao seu lado. Eu a dispensei ontem e vou dispensar você todos os dias até eu morrer. Eu não quero os negócios do seu pai, eu não quero o seu corpo, eu não quero nada que venha de você. Se você ligar de novo, eu entrego todas as provas das suas manipulações para o conselho da sua família. Você acabou comigo, e eu vou garantir que você não tenha mais ninguém para destruir.

— Você está escolhendo ela? Depois do que eu te dei? — Hana gritou do outro lado, a voz agora histérica.

— Eu não estou escolhendo ela, Hana. Eu estou tentando recuperar o que um dia foi meu, embora eu saiba que nunca mais terei. Adeus.

Taehyung desligou o celular e o arremessou contra a parede oposta, estilhaçando o aparelho. O silêncio voltou a reinar, mas agora era interrompido pelos soluços pesados dele, que voltou a cair sobre a mesa.

S/N ouviu tudo. Ela se encostou na parede do corredor, fechando os olhos. Ele a tinha dispensado na garagem. Enquanto ela estava em casa, planejando sua vingança com Jimin, Taehyung estava lá fora, finalmente tomando a postura de homem casado, tentando — tarde demais — protegê-la de Hana.

Uma onda de sentimentos conflitantes a atingiu. Ela sentiu uma satisfação amarga ao saber que Hana fora humilhada, mas sentiu um aperto doloroso no peito ao perceber que o “novo Taehyung” decidira aparecer justamente quando ela tinha acabado de cruzar a linha sem volta com o Jimin.

“Ele tentou…”, ela pensou, sentindo uma lágrima solitária escorrer. “Ele tentou ser um bom marido ontem. Mas ele esqueceu que o incêndio que ele começou não se apaga com uma única gota de arrependimento.”

Ela olhou para a pasta em suas mãos. Ele deu tudo a ela. Casa, ações, fortuna. Ele estava se despojando de tudo, ficando “nu” diante dela, sem defesas, sem o escudo do dinheiro ou do nome Kim.

A sensação era de um vazio imenso. A vingança com Jimin tinha sido quente, intensa e necessária, mas agora que o fogo tinha baixado, o que sobrava era apenas o frio das verdades reveladas tarde demais. S/N percebeu que, embora tivesse o poder agora, ela não sabia o que fazer com ele. Ela tinha o império de Taehyung nas mãos, e o coração dele… o homem que ela nunca tinha visto, nunca conhecera de joelhos a querendo de volta.

Ela não entrou para confortá-lo. Ela não podia. O cheiro de Jimin ainda estava nela, e o sangue de Taehyung ainda estava no chão. Ela apenas caminhou em direção ao quarto, trancando-se novamente, mas a pasta não foi jogada no chão. Ela a colocou sobre a cama, sentando-se ao lado dela, encarando o nada, enquanto o sol da manhã iluminava as cinzas do que um dia foi um casamento.

12 Comentários

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  1. Karine
    Jan 3, '26 at 11:46 pm

    Taehyung desabou. Ele caiu de joelhos na frente dela, as mãos agarrando a barra da saia de S/N enquanto o choro rompia sua garganta — um som abafado, sofrido, como o de um garotinho perdido. S/N ficou estática. Ela nunca, em todo tempo de convivência e contrato, o vira tão vulnerável.

    Mereceu

  2. Karine
    Jan 3, '26 at 11:50 pm

    — Taehyung, querido, por que você está me bloqueando? — Era a voz de Hana, doce e venenosa, vindo de um número que ele não reconhecia. — Eu sei que você estava nervoso na garagem ontem, mas aquela encenação de “marido fiel” foi ridícula. Você sabe que a S/N nunca vai te satisfazer como eu. Ela é sem graça, Tae. Por que você está tentando consertar algo que já nasceu quebrado?

    Mas gente, virou sarna é? Pra não largar mais, eu hein!

    1. @KarineJan 3, '26 at 11:53 pm

      ele é a obsessão dela.. desde sempre caçando ele..

  3. Anne
    Jan 4, '26 at 12:39 pm

    Ela aguentou muito as traições sem saber . Agora ele vai ter que correr muito atrás dela

  4. Thamiris Gomes
    Jan 4, '26 at 4:32 pm

    “O que aconteceu com ele?”, S/N pensou por um segundo, sentindo uma pontada involuntária de preocupação que a paralisou. “Ele parece… quebrado. Como se o mundo tivesse caído sobre os ombros dele enquanto eu dormia.”

    O chifre que pesou kkkk

  5. Thamiris Gomes
    Jan 4, '26 at 4:34 pm

    — Você limpou o quarto para apagar o que eu fiz — ela continuou, cada palavra cuspida com veneno —, ou porque não suportava ver que o Jimin é mais homem que você?

    Eita,essa doeu no fundo da alma kk

  6. Thamiris Gomes
    Jan 4, '26 at 4:40 pm

    Taehyung desabou. Ele caiu de joelhos na frente dela, as mãos agarrando a barra da saia de S/N enquanto o choro rompia sua garganta — um som abafado, sofrido, como o de um garotinho perdido. S/N ficou estática. Ela nunca, em todo tempo de convivência e contrato, o vira tão vulnerável.

    Dá pena,mais é bem feito

  7. Thamiris Gomes
    Jan 4, '26 at 4:41 pm

    Ainda foi pouco,foi só o Jiminshiiiiiii
    Foi eu sério o restante tudinho

  8. Thamiris Gomes
    Jan 4, '26 at 4:44 pm

    — Eu não bebi nenhuma gota ontem, Taehyung — ela o interrompeu, a frieza voltando com força total. — Aquelas garrafas eu tinha comprado para beber com a Hana, antes de… Eu estava sóbria o tempo todo. Cada segundo com o Jimin… eu senti cada segundo.

    Terminou de matar o coitado

  9. Thamiris Gomes
    Jan 4, '26 at 4:48 pm

    — Cala a boca, Hana. Nunca mais ouse falar o nome dela — Taehyung sibilou, e S/N pôde sentir o ódio puro na voz dele. — O que eu fiz com você foi o maior lixo da minha vida. Eu sinto nojo de cada segundo que passei ao seu lado. Eu a dispensei ontem e vou dispensar você todos os dias até eu morrer. Eu não quero os negócios do seu pai, eu não quero o seu corpo, eu não quero nada que venha de você. Se você ligar de novo, eu entrego todas as provas das suas manipulações para o conselho da sua família. Você acabou comigo, e eu vou garantir que você não tenha mais ninguém para destruir.

    Até que enfim

  10. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Jan 16, '26 at 11:54 pm

    “O que aconteceu com ele?”, S/N pensou por um segundo, sentindo uma pontada involuntária de preocupação que a paralisou. “Ele parece… quebrado. Como se o mundo tivesse caído sobre os ombros dele enquanto eu dormia.”

    Qm se importa?

  11. IASMINE
    Feb 4, '26 at 1:12 am

    O cara preferiu a “amiga” traidora do que assumir que tava apaixonado pqp… isso que dá pensar com a cabeça debaixo

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