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Ela ajustou a alça da mochila sobre o ombro. O peso dos livros acadêmicos machucava sua clavícula, mas ela mal sentia a dor física. Sua mente estava completamente focada em um mapa mental do bairro.

O pai já deve ter saído de casa para beber. Se eu cortar caminho pela rua comercial secundária, não cruzo com ele no bar principal. Eu consigo chegar.

Ela acelerou o passo. Suas solas de borracha batiam rápido contra o asfalto irregular. A iluminação ali era precária; apenas alguns postes antigos com lâmpadas amareladas que piscavam de tempos em tempos. As vitrines das lojas de calçados e armarinhos já estavam todas escuras, com as portas de ferro abaixadas.

S/N afundou o queixo na gola do casaco, enfiando as mãos nos bolsos. Seus dedos envolveram o chaveiro de metal, apertando-o com força.

Passo a passo. Faltam duas quadras. Você chega.

Ela estava na metade da segunda quadra quando vozes altas e desordenadas dobraram a esquina a cerca de vinte metros de distância.

S/N estancou no lugar.

Eram três homens. Caminhavam de forma trôpega, ocupando a calçada estreita. Riam alto, a linguagem arrastada da embriaguez pesada cortando o silêncio da rua. Um deles carregava uma garrafa de vidro verde de soju pela metade.

O do meio usava uma jaqueta gasta. Caminhava com a postura curvada, a cabeça pênsil e os pés arrastando no chão.

O estômago de S/N despencou.

O pai. Ele não estava no bar principal; ele estava caminhando na direção oposta, indo a caminho de outro botequim com os companheiros de bebida. E o trajeto deles colidira exatamente com o dela, no meio de uma rua vazia.

Instintivamente, S/N deu um passo para trás. Suas costas buscaram a parede fria de tijolos de uma loja fechada. Ela tentou encolher o corpo, alinhar-se à sombra da fachada, orando para que a penumbra a tornasse invisível.

Sua respiração tornou-se curta, rasa.

Por favor, não me veja. Passa direto. Por favor…

— Ei, olha lá! — o homem que segurava a garrafa verde parou, dando uma risada alta e apontando com o gargalo na direção da sombra. — Não é a sua garota ali?

O pai de S/N parou de andar. Ele piscou os olhos fundos e avermelhados, tentando focar a visão turva na figura encolhida contra a parede. A pouca lucidez que lhe restava transformou-se em uma irritação pura e instantânea.

— O que você tá fazendo na rua uma hora dessas? — ele rosnou, abandonando o apoio do amigo e dando dois passos largos e desordenados na direção dela.

S/N tentou dar mais um passo em marcha à ré, mas suas costas colidiram contra a porta de ferro da loja. Não havia para onde fugir.

— Pai… eu saí do trabalho agora — a voz dela saiu pequena, a firmeza habitual totalmente destruída pelo pavor. — Eu já tô indo pra casa.

— Trabalho? — ele gritou, encurtando a distância entre eles. O cheiro insuportável de soju barato e suor queimado atingiu o rosto dela. — Você tá achando que eu sou idiota? Perambulando pela rua enquanto não tem nada pronto em casa?

— Não, pai! Eu juro, eu tava trabalhando, eu—

Ela nem teve tempo de terminar a frase.

A mão pesada e calejada do pai se projetou para a frente com uma velocidade assustadora. Os dedos dele avançaram direto na parte de trás da sua cabeça, fechando-se com violência em um punhado largo do seu cabelo.

Um grito abafado e agudo escapou da garganta de S/N. O puxão seco e brutal jogou sua cabeça para trás com tanta força que a dor no couro cabeludo fez sua visão pontilhar em branco por um segundo.

— Me solta! Pai, por favor, me solta! — ela implorou, as mãos desesperadas subindo para agarrar o pulso grosso dele, tentando em vão aliviar a pressão absurda na raiz do cabelo.

— Soltar? Você acha que manda em alguma coisa, sua imprestável? — ele berrou, totalmente cego pela bebida. Os dois amigos ao fundo assistiam a cena, soltando risadinhas debochadas. — Cadê o dinheiro da sua bolsa, hein? Me dá isso aqui!

— Eu não tenho dinheiro! Me solta!

Com um movimento bruto, ele puxou o cabelo dela para baixo e usou a outra mão para arrancar a alça da mochila do ombro dela. O tecido rasgou com um estalo alto. O impacto e o desequilíbrio arremessaram S/N de lado.

Ela caiu de joelhos no asfalto áspero da calçada. A dor chocou-se direto contra o joelho esquerdo, rasgando o tecido do jeans e fazendo uma queimação intensa subir pela sua perna. O impacto fez seus cotovelos baterem no chão, e a mochila escorregou para longe.

S/N ficou ali, de joelhos, o peito subindo e descendo em espasmos de puro pavor, as lágrimas finalmente transbordando pelos olhos doloridos.

O pai deu mais um passo à frente, parando sobre ela como uma sombra monstruosa. A mão direita dele se ergueu bem acima da cabeça, a palma aberta, pronta para descer com todo o peso do seu corpo contra o rosto dela caído no chão.

— Você vai aprender a me respeitar! — ele gritou.

S/N encolheu os ombros, abaixou a cabeça e fechou os olhos com quanta força tinha, esperando a dor física do golpe inevitável.

O estalo veio.

Mas não foi na pele dela.

Um som seco, pesado e surdo de osso colidindo contra carne ecoou na rua vazia, seguido instantaneamente por um estampido sufocado de ar sendo arrancado de um pulmão.

S/N não sentiu nada no rosto. O silêncio caiu sobre a rua por um segundo que pareceu uma eternidade.

Lentamente, com o coração martelando contra as costelas, S/N abriu os olhos.

Seu pai estava caído de lado no asfalto, a dois metros de distância. Ele contorcia o corpo, a mão cobrindo a lateral do rosto de onde um filete grosso de sangue escuro já começava a escorrer da boca. Ele tentava emitir um som, mas apenas rosnados de dor saíam de sua garganta. Os dois amigos bêbados haviam dado vários passos para trás, a embriaguez evaporando instantaneamente diante do choque.

Parado bem à frente de S/N, bloqueando a pouca luz do poste amarelado, estava um homem.

Ele era alto — devia ter por volta de um metro e setenta e sete de altura —, com uma postura perfeitamente ereta e ombros largos que projetavam uma sombra enorme sobre ela. Vestia uma jaqueta de couro preta de corte ajustado sobre roupas escuras.

S/N ergueu os olhos devagar, a visão ainda levemente embaçada pelas lágrimas.

A luz fraca da rua recortava o perfil afiado do rosto dele: a linha da mandíbula travada com uma força extrema, um piercing discreto de prata brilhando no lábio inferior e outros na orelha, e fios de cabelo escuro caindo suavemente sobre a testa. O punho direito dele ainda estava cerrado ao lado do corpo, os nós dos dedos avermelhados pelo impacto violento do soco que acabara de desferir.

A aura ao redor dele não era de um herói de resgate; era de um perigo controlado, uma força bruta e silenciosa que fazia o ar ao redor parecer rarefeito.

O desconhecido nem sequer se deu ao trabalho de olhar para o homem retorcido no chão ou para os outros dois que fugiam a passos apressados pela travessa.

Ele simplesmente deu um passo lento em direção a S/N.

O homem se agachou diante dela até ficar exatamente na altura dos seus olhos.

O cheiro repulsivo de álcool e fumaça que dominava a calçada desapareceu, substituído por um perfume marcante, amadeirado e frio. Ele estendeu a mão esquerda em direção a ela — uma mão grande, de dedos longos, com tatuagens detalhadas em tinta preta cobrindo a pele do pulso e subindo pelas costas da mão.

Seus olhos, incrivelmente pretos, profundos e atentos, desceram para o joelho rasgado do jeans de S/N, subiram pelo pescoço avermelhado pelo puxão de cabelo e finalmente se fixaram nos olhos dela.

— Você tá bem? — a voz dele veio grave, baixa e arrastada, cortando o silêncio da noite com uma calma fria e assustadora.

S/N continuou caída

14 Comentários

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  1. Iasmine
    Sep 4, '26 at 11:35 pm

    Eram três homens. Caminhavam de forma trôpega, ocupando a calçada estreita. Riam alto, a linguagem arrastada da embriaguez pesada cortando o silêncio da rua. Um deles carregava uma garrafa de vidro verde de soju pela metade.

    Não é possível mano, qual a chance?

  2. Iasmine
    Sep 4, '26 at 11:36 pm

    — Trabalho? — ele gritou, encurtando a distância entre eles. O cheiro insuportável de soju barato e suor queimado atingiu o rosto dela. — Você tá achando que eu sou idiota? Perambulando pela rua enquanto não tem nada pronto em casa?

    Aiiii cala boca seu bêbado idiota… ja me irritou aqui na minha casa

  3. Iasmine
    Sep 4, '26 at 11:37 pm

    Com um movimento bruto, ele puxou o cabelo dela para baixo e usou a outra mão para arrancar a alça da mochila do ombro dela. O tecido rasgou com um estalo alto. O impacto e o desequilíbrio arremessaram S/N de lado.

    Essa sn tbm não sabe se defender não? Eu saia no soco

  4. Iasmine
    Sep 4, '26 at 11:38 pm

    Ele era alto — devia ter por volta de um metro e setenta e sete de altura —, com uma postura perfeitamente ereta e ombros largos que projetavam uma sombra enorme sobre ela. Vestia uma jaqueta de couro preta de corte ajustado sobre roupas escuras.

    Meu finalmente o prota apareceu

  5. Iasmine
    Sep 4, '26 at 11:39 pm

    — Você tá bem? — a voz dele veio grave, baixa e arrastada, cortando o silêncio da noite com uma calma fria e assustadora.

    Porraa ele mal apareceu e ja acaba o capítulo, agora mais 3 anos pra saber o resto da história ne dona escritora

  6. Sheila
    Sep 5, '26 at 5:51 pm

    Ela caiu de joelhos no asfalto áspero da calçada. A dor chocou-se direto contra o joelho esquerdo, rasgando o tecido do jeans e fazendo uma queimação intensa subir pela sua perna. O impacto fez seus cotovelos baterem no chão, e a mochila escorregou para longe.

    Que pai é esse SN?! Estou com raiva!!!

  7. Sheila
    Sep 5, '26 at 5:52 pm

    — Você tá bem? — a voz dele veio grave, baixa e arrastada, cortando o silêncio da noite com uma calma fria e assustadora.

    E aí dona escritora, vamos conhecer melhor esses homem?! Ou irá demorar a vida?! Kkkk

  8. Sheila
    Sep 5, '26 at 5:53 pm

    Seu pai estava caído de lado no asfalto, a dois metros de distância. Ele contorcia o corpo, a mão cobrindo a lateral do rosto de onde um filete grosso de sangue escuro já começava a escorrer da boca. Ele tentava emitir um som, mas apenas rosnados de dor saíam de sua garganta. Os dois amigos bêbados haviam dado vários passos para trás, a embriaguez evaporando instantaneamente diante do choque.

    Isso ai, rebenta esse veio nojento!!! Kkkk

  9. Sheila
    Sep 5, '26 at 5:54 pm

    Ele era alto — devia ter por volta de um metro e setenta e sete de altura —, com uma postura perfeitamente ereta e ombros largos que projetavam uma sombra enorme sobre ela. Vestia uma jaqueta de couro preta de corte ajustado sobre roupas escuras.

    Homem perfeito existe?! Claro que sim!!! Kkkk

  10. Marcela
    Sep 6, '26 at 7:09 pm

    [quote]O pai já deve ter saído de casa para beber. Se eu cortar caminho pela rua comercial secundária, não cruzo com ele no bar principal. Eu consigo chegar.

    A vida dela é um campo minado
    Pqp

  11. Marcela
    Sep 6, '26 at 7:10 pm

    [quote]— Ei, olha lá! — o homem que segurava a garrafa verde parou, dando uma risada alta e apontando com o gargalo na direção da sombra. — Não é a sua garota ali?

    Olha que FDP… Presta pra nada

  12. Marcela
    Sep 6, '26 at 7:12 pm

    [quote]Um grito abafado e agudo escapou da garganta de S/N. O puxão seco e brutal jogou sua cabeça para trás com tanta força que a dor no couro cabeludo fez sua visão pontilhar em branco por um segundo.

    Desgraçado, fdp, que raaaiva

  13. Marcela
    Sep 6, '26 at 7:14 pm

    [quote]— Você vai aprender a me respeitar! — ele gritou.

    Aaai que ODIIIOOO
    QUE VONTADE DE JA CHEGAR COM UMA VOADORA NESSE DESGRACADO

  14. Marcela
    Sep 6, '26 at 7:17 pm

    [quote]Ele era alto — devia ter por volta de um metro e setenta e sete de altura —, com uma postura perfeitamente ereta e ombros largos que projetavam uma sombra enorme sobre ela. Vestia uma jaqueta de couro preta de corte ajustado sobre roupas escuras.

    Ô coisa BOOOOA
    Chegou pra botar ordem nesse veio nojento

Nota