Capítulo 3 – Sombra no Asfalto
por FanfiqueiraEla ajustou a alça da mochila sobre o ombro. O peso dos livros acadêmicos machucava sua clavícula, mas ela mal sentia a dor física. Sua mente estava completamente focada em um mapa mental do bairro.
O pai já deve ter saído de casa para beber. Se eu cortar caminho pela rua comercial secundária, não cruzo com ele no bar principal. Eu consigo chegar.
Ela acelerou o passo. Suas solas de borracha batiam rápido contra o asfalto irregular. A iluminação ali era precária; apenas alguns postes antigos com lâmpadas amareladas que piscavam de tempos em tempos. As vitrines das lojas de calçados e armarinhos já estavam todas escuras, com as portas de ferro abaixadas.
S/N afundou o queixo na gola do casaco, enfiando as mãos nos bolsos. Seus dedos envolveram o chaveiro de metal, apertando-o com força.
Passo a passo. Faltam duas quadras. Você chega.
Ela estava na metade da segunda quadra quando vozes altas e desordenadas dobraram a esquina a cerca de vinte metros de distância.
S/N estancou no lugar.
Eram três homens. Caminhavam de forma trôpega, ocupando a calçada estreita. Riam alto, a linguagem arrastada da embriaguez pesada cortando o silêncio da rua. Um deles carregava uma garrafa de vidro verde de soju pela metade.
O do meio usava uma jaqueta gasta. Caminhava com a postura curvada, a cabeça pênsil e os pés arrastando no chão.
O estômago de S/N despencou.
O pai. Ele não estava no bar principal; ele estava caminhando na direção oposta, indo a caminho de outro botequim com os companheiros de bebida. E o trajeto deles colidira exatamente com o dela, no meio de uma rua vazia.
Instintivamente, S/N deu um passo para trás. Suas costas buscaram a parede fria de tijolos de uma loja fechada. Ela tentou encolher o corpo, alinhar-se à sombra da fachada, orando para que a penumbra a tornasse invisível.
Sua respiração tornou-se curta, rasa.
Por favor, não me veja. Passa direto. Por favor…
— Ei, olha lá! — o homem que segurava a garrafa verde parou, dando uma risada alta e apontando com o gargalo na direção da sombra. — Não é a sua garota ali?
O pai de S/N parou de andar. Ele piscou os olhos fundos e avermelhados, tentando focar a visão turva na figura encolhida contra a parede. A pouca lucidez que lhe restava transformou-se em uma irritação pura e instantânea.
— O que você tá fazendo na rua uma hora dessas? — ele rosnou, abandonando o apoio do amigo e dando dois passos largos e desordenados na direção dela.
S/N tentou dar mais um passo em marcha à ré, mas suas costas colidiram contra a porta de ferro da loja. Não havia para onde fugir.
— Pai… eu saí do trabalho agora — a voz dela saiu pequena, a firmeza habitual totalmente destruída pelo pavor. — Eu já tô indo pra casa.
— Trabalho? — ele gritou, encurtando a distância entre eles. O cheiro insuportável de soju barato e suor queimado atingiu o rosto dela. — Você tá achando que eu sou idiota? Perambulando pela rua enquanto não tem nada pronto em casa?
— Não, pai! Eu juro, eu tava trabalhando, eu—
Ela nem teve tempo de terminar a frase.
A mão pesada e calejada do pai se projetou para a frente com uma velocidade assustadora. Os dedos dele avançaram direto na parte de trás da sua cabeça, fechando-se com violência em um punhado largo do seu cabelo.
Um grito abafado e agudo escapou da garganta de S/N. O puxão seco e brutal jogou sua cabeça para trás com tanta força que a dor no couro cabeludo fez sua visão pontilhar em branco por um segundo.
— Me solta! Pai, por favor, me solta! — ela implorou, as mãos desesperadas subindo para agarrar o pulso grosso dele, tentando em vão aliviar a pressão absurda na raiz do cabelo.
— Soltar? Você acha que manda em alguma coisa, sua imprestável? — ele berrou, totalmente cego pela bebida. Os dois amigos ao fundo assistiam a cena, soltando risadinhas debochadas. — Cadê o dinheiro da sua bolsa, hein? Me dá isso aqui!
— Eu não tenho dinheiro! Me solta!
Com um movimento bruto, ele puxou o cabelo dela para baixo e usou a outra mão para arrancar a alça da mochila do ombro dela. O tecido rasgou com um estalo alto. O impacto e o desequilíbrio arremessaram S/N de lado.
Ela caiu de joelhos no asfalto áspero da calçada. A dor chocou-se direto contra o joelho esquerdo, rasgando o tecido do jeans e fazendo uma queimação intensa subir pela sua perna. O impacto fez seus cotovelos baterem no chão, e a mochila escorregou para longe.
S/N ficou ali, de joelhos, o peito subindo e descendo em espasmos de puro pavor, as lágrimas finalmente transbordando pelos olhos doloridos.
O pai deu mais um passo à frente, parando sobre ela como uma sombra monstruosa. A mão direita dele se ergueu bem acima da cabeça, a palma aberta, pronta para descer com todo o peso do seu corpo contra o rosto dela caído no chão.
— Você vai aprender a me respeitar! — ele gritou.
S/N encolheu os ombros, abaixou a cabeça e fechou os olhos com quanta força tinha, esperando a dor física do golpe inevitável.
O estalo veio.
Mas não foi na pele dela.
Um som seco, pesado e surdo de osso colidindo contra carne ecoou na rua vazia, seguido instantaneamente por um estampido sufocado de ar sendo arrancado de um pulmão.
S/N não sentiu nada no rosto. O silêncio caiu sobre a rua por um segundo que pareceu uma eternidade.
Lentamente, com o coração martelando contra as costelas, S/N abriu os olhos.
Seu pai estava caído de lado no asfalto, a dois metros de distância. Ele contorcia o corpo, a mão cobrindo a lateral do rosto de onde um filete grosso de sangue escuro já começava a escorrer da boca. Ele tentava emitir um som, mas apenas rosnados de dor saíam de sua garganta. Os dois amigos bêbados haviam dado vários passos para trás, a embriaguez evaporando instantaneamente diante do choque.
Parado bem à frente de S/N, bloqueando a pouca luz do poste amarelado, estava um homem.
Ele era alto — devia ter por volta de um metro e setenta e sete de altura —, com uma postura perfeitamente ereta e ombros largos que projetavam uma sombra enorme sobre ela. Vestia uma jaqueta de couro preta de corte ajustado sobre roupas escuras.
S/N ergueu os olhos devagar, a visão ainda levemente embaçada pelas lágrimas.
A luz fraca da rua recortava o perfil afiado do rosto dele: a linha da mandíbula travada com uma força extrema, um piercing discreto de prata brilhando no lábio inferior e outros na orelha, e fios de cabelo escuro caindo suavemente sobre a testa. O punho direito dele ainda estava cerrado ao lado do corpo, os nós dos dedos avermelhados pelo impacto violento do soco que acabara de desferir.
A aura ao redor dele não era de um herói de resgate; era de um perigo controlado, uma força bruta e silenciosa que fazia o ar ao redor parecer rarefeito.
O desconhecido nem sequer se deu ao trabalho de olhar para o homem retorcido no chão ou para os outros dois que fugiam a passos apressados pela travessa.
Ele simplesmente deu um passo lento em direção a S/N.
O homem se agachou diante dela até ficar exatamente na altura dos seus olhos.
O cheiro repulsivo de álcool e fumaça que dominava a calçada desapareceu, substituído por um perfume marcante, amadeirado e frio. Ele estendeu a mão esquerda em direção a ela — uma mão grande, de dedos longos, com tatuagens detalhadas em tinta preta cobrindo a pele do pulso e subindo pelas costas da mão.
Seus olhos, incrivelmente pretos, profundos e atentos, desceram para o joelho rasgado do jeans de S/N, subiram pelo pescoço avermelhado pelo puxão de cabelo e finalmente se fixaram nos olhos dela.
— Você tá bem? — a voz dele veio grave, baixa e arrastada, cortando o silêncio da noite com uma calma fria e assustadora.
S/N continuou caída
Não é possível mano, qual a chance?
Aiiii cala boca seu bêbado idiota… ja me irritou aqui na minha casa
Essa sn tbm não sabe se defender não? Eu saia no soco
Meu finalmente o prota apareceu
Porraa ele mal apareceu e ja acaba o capítulo, agora mais 3 anos pra saber o resto da história ne dona escritora
Que pai é esse SN?! Estou com raiva!!!
E aí dona escritora, vamos conhecer melhor esses homem?! Ou irá demorar a vida?! Kkkk
Isso ai, rebenta esse veio nojento!!! Kkkk
Homem perfeito existe?! Claro que sim!!! Kkkk
[quote]O pai já deve ter saído de casa para beber. Se eu cortar caminho pela rua comercial secundária, não cruzo com ele no bar principal. Eu consigo chegar.
A vida dela é um campo minado
Pqp
[quote]— Ei, olha lá! — o homem que segurava a garrafa verde parou, dando uma risada alta e apontando com o gargalo na direção da sombra. — Não é a sua garota ali?
Olha que FDP… Presta pra nada
[quote]Um grito abafado e agudo escapou da garganta de S/N. O puxão seco e brutal jogou sua cabeça para trás com tanta força que a dor no couro cabeludo fez sua visão pontilhar em branco por um segundo.
Desgraçado, fdp, que raaaiva
[quote]— Você vai aprender a me respeitar! — ele gritou.
Aaai que ODIIIOOO
QUE VONTADE DE JA CHEGAR COM UMA VOADORA NESSE DESGRACADO
[quote]Ele era alto — devia ter por volta de um metro e setenta e sete de altura —, com uma postura perfeitamente ereta e ombros largos que projetavam uma sombra enorme sobre ela. Vestia uma jaqueta de couro preta de corte ajustado sobre roupas escuras.
Ô coisa BOOOOA
Chegou pra botar ordem nesse veio nojento