Capítulo 9 – Sob o Teto Dele
por FanfiqueiraEra Jungkook.
Ele não hesitou uma fração de segundo. Em dois passos largos, ele alcançou o pai de S/N, agarrou o cabo de vassoura ainda no ar e, com um único movimento mecânico e brutal, arrancou o objeto das mãos do homem, partindo a madeira ao meio no joelho e jogando os pedaços no chão.
Com a outra mão, Jungkook cravou os dedos no colarinho da camisa do pai dela e o empurrou com uma força devastadora contra a parede oposta. O impacto fez os quadros da sala tremerem.
— Tenta encostar nela de novo — a voz de Jungkook ecoou na sala, não em um grito, mas em um tom grave, rasgado e perigosamente calmo, capaz de congelar a espinha de qualquer um. — Tenta.
O pai de S/N, reconhecendo imediatamente o rosto do rapaz que o havia nocauteado na calçada dias atrás, empalideceu no mesmo instante. Os olhos do velho arregalaram-se em um pavor sobressaltado; a memória da dor física do soco fez toda a sua arrogância evaporar. Ele encolheu os ombros contra o tijolo, a boca aberta, sem ousar emitir um único som.
No canto, Min-jae deu dois passos involuntários para trás, recuando para a penumbra da cozinha. Diante de um homem que exalava uma violência real e desmedida, Min-jae travou, engolindo em seco.
Jungkook soltou o colarinho do pai de S/N com um desprezo palpável. Ele não desferiu nenhum soco. Não precisava. A ameaça impregnada em cada músculo de seu corpo já havia imposto o terror absoluto naqueles dois.
Ele virou o corpo lentamente e baixou os olhos para o chão.
S/N estava encolhida no assoalho, o casaco rasgado no ombro, o rosto banhado em lágrimas e o corpo trêmulo em tremores incontroláveis.
A expressão dura de Jungkook desmoronou ligeiramente. Ele se ajoelhou sobre o piso de madeira, ficando na altura dela. Suas mãos grandes aproximaram-se com uma hesitação tátil, tocando com extrema delicadeza a pele exposta do ombro dela, onde o tecido se rasgara, checando o nível dos machucados.
— Você tá bem? — ele perguntou, a voz baixando para um sussurro tenso e preocupado, os olhos escuros rastreando cada arranhão no rosto e nos braços dela.
S/N apenas chorava. O choro era compulsivo, um descarrego de meses de terror represado.
E então, pela primeira vez desde que se conheceram, a barreira de S/N ruiu por completo. Ela não o empurrou. Não o xingou. Em meio ao desespero e ao tremor de suas mãos, S/N estendeu o braço trêmulo na direção dele. Seus dedos finos e gélidos tocaram com leveza o tecido grosso da jaqueta de couro dele, bem na curva do ombro, perto do peitoral. O contato era uma súplica silenciosa, um toque de pura vulnerabilidade e busca por amparo.
Jungkook sentiu a pressão pequena dos dedos dela contra o seu ombro. Ele olhou para a mão dela ali, pousada em seu peito, e depois para os olhos marejados de S/N.
— Não precisa falar nada — ele disse, o tom baixo e resoluto.
Sem esperar por autorização, ele passou um dos braços por baixo dos joelhos dela e o outro firme ao redor de suas costas, erguendo-a do chão sem qualquer esforço. S/N enterrou o rosto contra a curva do pescoço dele, escondendo-se do ambiente horrendo daquela sala enquanto chorava baixinho.
Jungkook caminhou para fora da casa carregando-a no colo.
Na calçada, parado junto ao meio-fio, estava um carro preto de grande porte — uma exceção à sua rotina habitual de moto. Ele usara o veículo naquela manhã para transportar algumas caixas de papelão compridas que ainda ocupavam o banco traseiro.
Com cuidado absoluto, Jungkook abriu a porta do passageiro na parte da frente e acomodou S/N no banco de couro.
A respiração dela continuava entrecortada por soluços profundos. Ele se inclinou sobre ela, puxando o cinto de segurança e afivelando-o.
— Tem mais alguma coisa sua la dentro? — ele perguntou, com o rosto a poucos centímetros do dela.
S/N apenas balançava a cabeça negativamente, incapaz de articular palavras, o choro ruidoso impedindo sua fala.
— Fica aqui — ele ordenou baixinho.
Jungkook bateu a porta do passageiro. No segundo seguinte, a lembrança da teimosia dela e de sua tendência crônica a fugir veio à mente dele. Sem hesitar, ele tirou o alarme do bolso, pressionou o botão para travar e trancar todas as portas do veículo, guardou a chave e caminhou a passos largos de volta para a casa.
Lá dentro, o pai e o irmão de S/N haviam acabado de fechar a porta arrombada, tentando encostar a madeira partida no batente.
Jungkook não perdeu tempo. Ele desferiu outro chute violento no meio da porta, fazendo a madeira voar para o interior da sala novamente.
— Suas moscas mortas! — Jungkook esbravejou, a voz ecoando como um trovão. Ele apontou o dedo na cara de Min-jae e depois na do pai. — Peguem essas caixas de papelão e encham com tudo o que for dessa garota! Cada roupa, cada livro, cada folha de papel! Agora!
O pai, trêmulo e ainda sob a memória do soco anterior, nem pensou em reagir. Agarrou o filho pelo braço e os dois saíram em direção ao quarto de S/N, jogando desesperadamente suas roupas, sapatos e materiais de estudo para dentro do papelão, temendo por suas vidas a cada segundo que aquele homem permanecia dentro da casa.
Cinco minutos depois, o próprio Jungkook carregou as duas caixas abarrotadas de pertences nos braços, jogando-as no porta-malas do carro com um baque abafado.
Ele destravou o veículo, entrou no banco do motorista e bateu a porta.
Ao lado dele, S/N continuava encolhida contra o banco, o rosto coberto pelas mãos, a pele do braço e das costas ardendo pelos machucados do confronto. Quando ouviu o som das travas se abrindo, ela abaixou as mãos, os olhos vermelhos e inchados encarando-o através das lágrimas.
— Por que… por que você trancou o carro? — a voz dela saiu rasgada, em um fio de choro indignado e confuso.
Jungkook não olhou para ela imediatamente. Ele ajustou o espelho retrovisor, enfiou a chave na ignição e girou o motor, que roncou alto na rua silenciosa.
— Porque você ia fugir — ele respondeu de forma seca e direta.
Ele engatou a marcha e acelerou, tirando o carro do meio-fio.
S/N recostou a cabeça no banco, tentando se reorganizar mentalmente enquanto o veículo ganhava velocidade. Ela olhava pela janela, acompanhando o trajeto conhecido da avenida. No entanto, quando o carro se aproximou do cruzamento que levava ao portão principal da Universidade St. Jude, Jungkook simplesmente não dobrou à esquerda. Ele manteve o volante reto, ultrapassando a entrada do campus e seguindo direto pela rodovia principal.
O pânico de S/N acendeu novamente.
— Peraí… — ela disse, ajeitando-se no banco com dificuldade, a voz trêmula de dor e alarme. — Você passou da faculdade! Me deixa ali! Eu vou ficar no dormitório agora, minhas coisas tão lá…
— Cala a boca — Jungkook cortou, sem alterar o tom de voz, mantendo os olhos fixos no asfalto à frente.
— Eu não tenho pra onde ir! Me deixa desc—
— Eu mandei calar a boca — ele repetiu, a voz carregada de uma autoridade indiscutível que fez as palavras dela morrerem na garganta. Ele deu uma breve olhada de canto de olho para as roupas rasgadas dela e para os arranhões sangrentos em seus braços. — Você não vai pisar em um dormitório universitário nesse estado. Não hoje.
S/N encarou o perfil rígido dele, a mandíbula travada e as mãos apertando o volante de couro. Ela tentou protestar novamente, mas a exaustão extrema e a dor física fecharam sua boca.
O carro acelerou pela estrada, afastando-se do bairro e da universidade, levando-os diretamente para a casa dele.
O carro desacelerou em um condomínio de alto padrão, a poucos quarteirões da Universidade St. Jude. O prédio imponente de fachada envidraçada ficava em uma área nobre da região.
Jungkook estacionou no subsolo e, sem dar margem para protestos, pegou S/N nos braços novamente. Ele atravessou o hall e acionou o elevador privativo que os levou direto ao último andar.
Quando as portas se abriram, revelando a cobertura, S/N paralisou nos braços dele. O apartamento era enorme, com pé-direito alto, paredes de vidro que mostravam o horizonte da cidade e uma decoração moderna e ampla. Ela nunca tinha visto nada parecido. Seus olhos percorriam cada metro do lugar, e sua boca abriu-se em um choque genuíno.
Jungkook notou a reação. Um sorrisinho de lado surgiu em seus lábios.
— Pode fechar a boca, seu queixo tá quase caindo — ele provocou, baixinho.
S/N fechou a boca no mesmo instante, corando enquanto tentava se recompor ainda no colo dele. Jungkook a levou até o sofá de couro da sala e a acomodou com cuidado.
— Você tá agindo como se nunca tivesse visto um lugar assim — ele disse, analisando-a.
— E nunca vi mesmo — S/N admitiu com a voz fraca.
Ele deu outro sorriso discreto, impressionado com a honestidade dela.
— Vou trazer suas coisas lá de baixo. Fica aqui. E dessa vez, se você tentar fugir, eu vou atrás de você.
S/N acenou com a cabeça devagar, concordando em ficar comportada.
Jungkook desceu ao subsolo e voltou carregando as duas caixas de papelão e a mochila de S/N de uma só vez. Enquanto ele subia pelo elevador, ela continuou olhando ao redor, fascinada pelo espaço. Ao chegar, Jungkook bateu a porta com um pouco mais de força para sinalizar sua presença. S/N deu um pulinho no sofá e travou o corpo todo, como se tivesse sido pega fazendo algo errado.
Acomodou as caixas no canto e pegou um kit de primeiros socorros. Ajoelhou-se ao lado dela, examinando os hematomas e os cortes em suas costas e braços. Limpou os ferimentos superficiais com cuidado, mas a palidez dela o preocupava. Ele pegou o celular e ligou para o médico particular que costumava atendê-lo, pedindo que fosse até a cobertura para avaliar se o pai dela não havia quebrado nenhum osso ou causado algo interno.
Em seguida, Jungkook foi até seu quarto, pegou uma blusa grande e uma calça moletom sua e entregou a ela.
— Toma um banho quente. O banheiro é ali — ele indicou. — Depois pode ir pro quarto de hóspedes. O médico já tá vindo pra dar uma olhada nesses inchaços.
S/N pegou as roupas e assentiu. O banho quente aliviou a rigidez de seus músculos, embora a dor dos golpes continuasse latente. Ao sair, vestindo as roupas dele que ficavam enormes em seu corpo, ela caminhou até o quarto de hóspedes indicado. A cama macia e o silêncio do apartamento foram avassaladores.
Exausta pelo trauma e pela dor, S/N deitou-se na cama e, minutos antes de o médico bater à porta, adormeceu profundamente.
Meu deus isso que significa ser amada aos berros?
Dois fdp que odio.. deveria apanhar tbm moleque folgado
Ele é muito o herói da vida dela fala serio
Ta vendo as vezes as coisas funcionam na violência sim
Kkkkkkk a sinceridade dela… a bichinha vivia num moquifo
Sinto que algo dentro dela mudou no instante que ele invadiu a casa dela e salvou ela