Capítulo 10 – Detalhe por Detalhe
por FanfiqueiraO sol de Seul não teve piedade. Ele atravessou as cortinas de linho fino do quarto de hóspedes, atingindo o rosto de S/N como um flash de largada. Ela franziu o cenho, sentindo uma leve pulsação nas têmporas e a maciez de lençóis que definitivamente não eram os seus.
S/N sentou-se na cama de sobressalto, o coração disparando. Olhou ao redor: o quarto era minimalista, sofisticado, com o cheiro inconfundível da cobertura de Jungkook. Mas o choque real veio quando ela olhou para baixo.
Ela não estava com o conjunto de moletom areia que usara no dia anterior. Ela vestia uma camiseta de algodão preta, enorme, que descia até o meio de suas coxas. O tecido era macio e exalava o perfume cítrico e amadeirado de Jungkook, como se ela estivesse envolvida em um abraço dele.
— O que… — a voz dela saiu rouca, quase um sussurro.
Ela fechou os olhos com força, tentando forçar sua mente treinada a recuperar os arquivos da noite passada. As memórias vinham em flashes desconexos, como fotos borradas de um acidente: O brilho do whisky no copo de cristal… A confissão dele sobre o vazio após a morte da esposa… A própria voz contando sobre a solidão nos bastidores dos shows dos pais… E, por fim, o toque. Os dedos quentes de Jungkook roçando os dela no balcão da cozinha.
Depois disso? Nada. Um vácuo completo.
S/N sentiu o rosto esquentar em um nível alarmante. Como ela, uma psicóloga que se orgulhava do autocontrole, tinha “apagado” daquela forma? E mais importante: como ela tinha acabado naquela cama e com aquela roupa?
— Pensa, S/N, pensa… — ela murmurou, puxando a gola da camiseta para cobrir o rosto, sentindo o cheiro dele impregnado em cada fibra. — Nós bebemos… conversamos… ele tocou minha mão e…
Uma onda de pânico misturada com uma curiosidade proibida a atingiu. Será que a tensão da noite tinha explodido? Será que ela tinha perdido a linha profissional de forma tão drástica que nem conseguia lembrar?
Ela se levantou, sentindo as pernas ainda um pouco bambas. Caminhou até o espelho do banheiro e viu seu reflexo: o coque de ontem estava totalmente desfeito, o cabelo bagunçado e os lábios um pouco inchados. Ela parecia alguém que tinha sido muito bem cuidada — ou muito bem amada.
Lá fora, ela ouviu o som de risadas baixas vindo da cozinha. A voz de Minjae e a risada rouca de Jungkook.
S/N engoliu em seco. Ela tinha duas opções: fugir pela janela ou enfrentar o “homem imprudente” que, aparentemente, agora era o dono de suas memórias perdidas.
Ajeitando a camiseta enorme, que parecia pesar toneladas pelo significado que carregava, ela abriu a porta do quarto e caminhou em direção à cozinha, pronta para exigir uma explicação ou para pedir demissão imediatamente de tanta vergonha.
S/N caminhou até a cozinha com o coração martelando contra as costelas, sentindo o tecido da camiseta de Jungkook roçar em suas coxas a cada passo. O plano era ser firme, profissional e direta, mas assim que ela cruzou o arco da sala, toda a sua pose de psicóloga desmoronou.
Jungkook estava de pé, servindo um suco para Minjae. Ele já estava vestido para o treino, com uma regata que deixava os braços tatuados totalmente à mostra. Quando ele ouviu os passos dela, virou-se devagar.

O olhar dele começou nos pés descalços de S/N, subiu pelas pernas expostas e parou na camiseta preta que ficava enorme nela, antes de finalmente encontrar os olhos arregalados da garota. Um sorriso lento, ladino e perigosamente charmoso surgiu no rosto dele.
— Bom dia — ele disse, a voz ainda com aquele tom grave de quem não acordou há muito tempo. — Dormiu bem? Você estava… bem agitada ontem à noite.
O mundo de S/N pareceu girar. “Agitada” era uma palavra muito ampla. Poderia significar que ela teve pesadelos, que ela falou dormindo… ou algo que faria seu diploma de psicologia ser rasgado ali mesmo.
— Eu… — ela começou, mas a voz falhou. Ela pigarreou, tentando recuperar a dignidade enquanto puxava a barra da camiseta para baixo. — Sr. Jeon, eu gostaria de saber o que exatamente aconteceu. Eu não me lembro de ter trocado de roupa e, certamente, não me lembro de ter decidido passar a noite aqui.
Jungkook deixou a jarra de suco na mesa e caminhou em direção a ela, parando a uma distância que a fazia sentir o calor do corpo dele. Ele se inclinou levemente, diminuindo o espaço, e sussurrou para que Minjae, que estava distraído com um desenho no tablet, não ouvisse:
— Você não lembra de nada? Nem de quando disse que eu era “muito mais que um piloto”? Ou de quando segurou minha gola e disse que não queria que a noite acabasse?
S/N sentiu o sangue fugir do rosto. Ela fez isso? Ela realmente disse aquilo? O pânico em seus olhos era tão evidente que Jungkook não conseguiu segurar uma risada baixa e rouca.
O silêncio que se seguiu à risada de Jungkook era carregado, uma mistura de eletricidade estática e o mais puro pânico psicológico por parte de S/N. Ela tentava buscar no fundo de sua memória qualquer rastro daquela suposta audácia — ela segurando a gola dele? Ela pedindo para a noite não acabar? A ideia parecia absurda, mas o modo como os olhos dele brilhavam, fixos nos dela, fazia sua segurança vacilar.

Jungkook deu mais um passo, reduzindo o espaço a quase nada. O cheiro de café fresco misturado ao perfume dele era uma combinação inebriante. Ele inclinou a cabeça, os lábios perigosamente próximos ao ouvido dela.
— Sabe, S/N… — ele murmurou, a voz vibrando baixo o suficiente para ser um segredo compartilhado apenas entre os dois. — Para alguém que analisa a mente dos outros, você é surpreendentemente honesta quando baixa a guarda. Talvez você devesse beber whisky comigo mais vezes. Ou talvez… eu devesse ter gravado o que você sussurrou antes de eu te carregar para o quarto.
— Eu… eu não acredito em você — ela retrucou, embora a voz tivesse saído sem nenhuma convicção. — Você está se aproveitando da situação para me desestabilizar. Isso é… é jogo sujo, Sr. Jeon.
— É? — Ele arqueou uma sobrancelha, o sorriso se alargando. — Ou talvez eu esteja apenas sendo o “homem imprudente” que você conheceu no bar. Aquele que você disse que era irresistível quando não estava tentando ser um personagem.
S/N sentiu as bochechas queimarem. Ela queria sumir. Queria que o chão daquela cobertura caríssima se abrisse e a engolisse. Mas, antes que ela pudesse formular uma resposta mordaz para recuperar o que restava de sua dignidade, uma vozinha vinda da mesa de jantar quebrou a bolha de tensão.
— Papai! — Minjae chamou, deixando o tablet de lado e descendo da cadeira com um pulo. — Por que a Noona está com a sua blusa da sorte?
Jungkook se afastou lentamente de S/N, mas não antes de lançar um último olhar provocador sobre ela. Minjae correu até eles, parando na frente da babá e olhando para a camiseta preta que chegava quase aos joelhos dela. O menino parecia genuinamente confuso.
— Eu não vi a Noona.ç chegar hoje cedo — Minjae continuou, cruzando os bracinhos e olhando para o pai com uma expressão de julgamento que era a cópia fiel de Jungkook. — Eu acordei e fui no quarto de visitas procurar meu caminhão azul, e ela estava lá… dormindo igual a Bela Adormecida.
S/N fechou os olhos por um segundo, desejando que Minjae parasse de falar, mas o menino estava apenas começando. Ele esticou a mão e tocou o tecido da camiseta.
— Papai, essa é a blusa que você não me deixa usar! — ele protestou, olhando para Jungkook com indignação. — Você disse que ela era grande demais e que eu ia tropeçar. Mas a Noona também é pequena! Por que ela pode usar a sua roupa e eu não? Ela é especial, papai?
Jungkook pigarreou, e pela primeira vez naquela manhã, ele pareceu levemente desconcertado. Ele passou a mão pela nuca, evitando o olhar vitorioso — e agora acusador — de S/N.
— Bem, Minjae… é que… — Jungkook começou, buscando as palavras. — A Noona teve um probleminha com o casaco dela ontem. E como somos bons anfitriões, nós emprestamos uma roupa limpa. É uma questão de educação.
— Mas você nunca emprestou roupa nem pra Vovó! — Minjae rebateu, implacável na sua lógica infantil. — E ela dormiu aqui! A Noona vai morar com a gente agora? Eu quero que ela more aqui. Ela sabe o segredo do sorvete e ela não ronca como o senhor.
S/N sentiu seu coração amolecer, apesar do constrangimento. Ela se abaixou, ficando na altura de Minjae, tentando ignorar o fato de que a camiseta de Jungkook subia um pouco mais quando ela se agachava.
— Minjae, querido… eu só fiquei porque estava muito tarde e seu pai foi muito gentil — ela explicou com sua melhor voz de “psicóloga centrada”. — Mas eu tenho minha própria casa, lembra?
O biquinho que se formou nos lábios de Minjae foi instantâneo. Jungkook observou a cena e algo em seu peito se apertou. Ele olhou para S/N, e a brincadeira em seus olhos deu lugar a uma seriedade que ela ainda não conhecia.
— Na verdade… — Jungkook interveio, fazendo S/N levantar o olhar para ele. — Eu queria falar com você sobre isso, S/N.
Ele caminhou até o balcão, pegando um tablet que mostrava sua agenda lotada de treinos, viagens e sessões de fotos.
— As próximas semanas serão caóticas. Eu vou começar a preparação intensiva para o GP da próxima semana e, além disso, fechei uma série de campanhas publicitárias que vão me exigir o dia todo, às vezes até a madrugada. Vai ter dias que eu nem vou conseguir voltar para casa para ver o Minjae acordado.
S/N levantou-se lentamente, sentindo o peso do tom dele.
— Eu estou fazendo isso por um motivo — Jungkook continuou, olhando para o filho que agora tentava equilibrar um biscoito no nariz. — Eu prometi ao Minjae que o levaria para a Disney este ano. Ele vem pedindo isso há meses, desde que viu aquele desenho do castelo. E eu quero dar isso a ele. Quero tirar férias de verdade e ser apenas o pai dele por duas semanas seguidas, sem motores, sem câmeras. Mas para isso, preciso finalizar tudo agora.
Ele voltou a olhar para ela, e havia uma vulnerabilidade genuína em seus olhos escuros.
— Eu queria pedir que você passasse alguns dias morando aqui. Pelo menos até o fim das campanhas. O Minjae confia em você. Ele se sente seguro com você. E, honestamente… — ele fez uma pausa, a voz baixando — eu também me sinto mais tranquilo sabendo que é você quem está cuidando da nossa casa enquanto eu estou fora “vencendo o vento”.
S/N ficou em silêncio por um longo tempo. O convite era profissional, mas a atmosfera entre eles dizia o contrário. Estar naquela casa significava estar no mundo de Jungkook 24 horas por dia. Significava usar suas camisetas, ver seu rosto ao amanhecer, dividir jantares tarde da noite e, talvez, descobrir o que realmente aconteceu naquelas horas perdidas da noite anterior.
— Você está me pedindo para me mudar para cá? — ela perguntou, tentando manter a voz firme.
— Estou pedindo para você ser o porto seguro do meu filho enquanto eu tento construir esse momento para ele — Jungkook respondeu, dando um passo à frente e estendendo a mão, não para tocá-la, mas como quem oferece um pacto. — O que me diz, S/N? Você aceita o desafio de cuidar de dois Jeons imprudentes por um tempo?
Minjae, percebendo a seriedade, correu e segurou a mão de S/N, olhando para ela com aqueles olhos que eram a perdição de qualquer um.
— Fica, S/N. Eu deixo você usar as blusas do papai que eu não posso.
S/N olhou para o pequeno, depois para o homem à sua frente — o piloto audaz, o pai solo exausto, o homem que a provocava e a desarmava na mesma medida. Ela sabia que, ao aceitar, estava cruzando uma linha de chegada da qual não haveria retorno.
— Tudo bem — ela disse, finalmente deixando um sorriso de rendição surgir. — Mas com uma condição: o Sr. Jeon vai ter que me explicar, detalhe por detalhe, cada palavra que eu supostamente disse ontem à noite.
Jungkook soltou uma risada baixa, um som que vibrou no peito dele e, de alguma forma, pareceu ressoar na pele de S/N. Ele não se afastou imediatamente; pelo contrário, aproveitou a proximidade para estender a mão e ajustar, com uma lentidão deliberada, a gola da camiseta preta que ela vestia. O toque dos dedos dele roçando o pescoço dela — agora desprovido de qualquer barreira — foi um lembrete físico de que ela estava usando a roupa dele, no apartamento dele, rendida à vontade dele.
— Detalhe por detalhe? — Ele repetiu, a voz caindo para um tom perigosamente aveludado enquanto seus olhos desciam rapidamente pela camiseta dele que ela usava, antes de voltarem para os lábios dela. — Cuidado com o que deseja, S/N. Algumas memórias podem ser… perturbadoras para uma mulher tão centrada quanto você.
Ele se aproximou tanto que S/N sentiu o calor vindo do corpo dele, o cheiro de sabonete e adrenalina pura. Jungkook esticou a mão e, com o polegar, roçou levemente o queixo dela, fazendo-a prender a respiração.
— Eu vou levar o Minjae para a escola agora — ele disse, com um sorriso de canto que gritava segundas intenções. — Mas eu tenho uma hora antes de me apresentar na pista. Vou deixá-lo na sala de aula e voltar correndo. Eu faço questão de refrescar sua memória antes de ir para o trabalho. Vou te contar tudo… e talvez até mostrar tudo sobre ontem a noite.
S/N sentiu o coração dar um solavanco. — Mostrar? O que você quer dizer com…
Jungkook não respondeu com palavras. Ele apenas deu uma piscadela lenta, uma expressão de puro divertimento e malícia que a deixou completamente desarmada. Ele se afastou, pegando a mochila de Minjae com uma agilidade leve, como se não tivesse acabado de lançar uma granada emocional no meio da cozinha.
— Vamos, amigão! O papai está com pressa hoje — Jungkook chamou, pegando o filho no colo e girando-o, enquanto Minjae ria alto.
S/N ficou parada no mesmo lugar, as mãos agarrando a barra da camiseta preta, tentando processar a promessa (ou ameaça) que ele acabara de fazer. Ela se sentia vulnerável, exposta e, acima de tudo, terrivelmente curiosa.
Jungkook caminhou até a porta com o filho, mas antes de sair, ele parou. Ele colocou Minjae no chão por um segundo para pegar as chaves e, sem se virar completamente, apenas inclinando o rosto sobre o ombro, ele lançou o golpe final. A voz dele saiu em um sussurro potente, que atravessou a sala e atingiu S/N como uma descarga elétrica.
— Me espera no quarto onde acordou… Eu não vou demorar.
O clique da porta fechando ecoou pelo apartamento silencioso. S/N soltou o ar que nem sabia que estava prendendo, suas pernas vacilando levemente. Ele não tinha apenas pedido para ela ficar; ele tinha acabado de marcar um encontro no território onde ela se sentia mais desprotegida.
O q será q esse homem vai dizer??
Kkkkk Socorro, q gafe
Q visão privilegiada essa
Realmente é o certo a se fazer
A história começou a ficar interesante
Que ameaça gostosa!!! Homem perigoso desse… só querooo!!! Kkkk
E agora em Jk?! A camiseta e a SN são especiais!!! Lindo!!!
Olha isso?! Raiva!!! E a SN caiu direitinho na dele… cadê a mulher forte?!
Vc não pode ser fácil mulher?! Kkkk
Nossa que raiva dele!!! Conseguiu o que queria… fazer a SN pensar bobeiras!!! Kkkk
E aí SN?! O que aconteceu!? Tortura maravilhosa!!! Kkkk
Pqp agora ta eu e ela curiosa kkkkkk o que aconteceu aqui?
Pois ate eu quero uma explicação do que rolou? Me perdi na parte do almoço
O que vocês aprontaram? Meu deus
Eita que diacho de whisky foi esse menina
Curiosa por essa explicação
Deixou a tensão no ar
Com pressa de voltar para casa e para ela
Eita! Que se ele estiver brincando vai matar ela do coração
[quote]— Detalhe por detalhe? — Ele repetiu, a voz caindo para um tom perigosamente aveludado enquanto seus olhos desciam rapidamente pela camiseta dele que ela usava, antes de voltarem para os lábios dela. — Cuidado com o que deseja, S/N. Algumas memórias podem ser… perturbadoras para uma mulher tão centrada quanto você.
Só por esse olhar, já dá pra saber um pouco do que aconteceu kkkk
[quote]— Papai, essa é a blusa que você não me deixa usar! — ele protestou, olhando para Jungkook com indignação. — Você disse que ela era grande demais e que eu ia tropeçar. Mas a Noona também é pequena! Por que ela pode usar a sua roupa e eu não? Ela é especial, papai?
Minjae tacando gasolina no incêndio kkkkkkk
[quote]— Você não lembra de nada? Nem de quando disse que eu era “muito mais que um piloto”? Ou de quando segurou minha gola e disse que não queria que a noite acabasse?
Eeeeeita cct, que a cachaça entra e a verdade sai kkkk
[quote]Ela não estava com o conjunto de moletom areia que usara no dia anterior. Ela vestia uma camiseta de algodão preta, enorme, que descia até o meio de suas coxas. O tecido era macio e exalava o perfume cítrico e amadeirado de Jungkook, como se ela estivesse envolvida em um abraço dele.
Eles dormiram juntos??? Seeerio? Aaaaaaa