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S/N não teve tempo nem de fechar a porta do quarto. Ela mal tinha cruzado o batente, sentindo a adrenalina da vitória ainda formigando em seus dedos, quando ouviu o som de passos pesados e rápidos atrás de si. Antes que pudesse se virar, a porta foi empurrada com firmeza, e a silhueta de Jungkook preencheu o vão, bloqueando qualquer saída.

O ar no quarto pareceu ser sugado para fora. O rosto dele não tinha mais aquele sorriso divertido; agora, havia uma determinação sombria, um brilho nos olhos que indicava que o modo “piloto” estava ativado. Ele não estava ali para negociar.

— O relatório está incompleto — ele disparou, a voz saindo em um tom baixo, quase um rosnado que reverberou no peito de S/N. — Você esqueceu de mencionar o que acontece quando o paciente decide revidar.

Ele deu um passo à frente, e S/N, por puro instinto, deu um para trás, até que o calcanhar dela bateu na lateral da cama. Jungkook não parou. Ele continuou avançando até que ela fosse forçada a sentar no colchão, ficando em uma posição de total desvantagem enquanto ele permanecia de pé, pairando sobre ela como uma tempestade iminente.

— Você acha que pode simplesmente ligar o motor e sair do carro antes da bandeirada, doutora? — Ele se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos dela, prendendo-a ali. — Na minha profissão, a gente aprende que brincar com o limite tem um preço. E você acabou de estourar o cronômetro.

S/N tentou manter a postura, mas a proximidade dele era sufocante de um jeito viciante. O calor que emanava do corpo de Jungkook era quase visível na penumbra do quarto.

— Eu estava apenas… estabelecendo limites terapêuticos — ela tentou dizer, mas a voz saiu sussurrada, traindo seu autocontrole.

Jungkook soltou um riso seco, desprovido de humor. — Limites? Você quase sentou no meu colo e sussurrou no meu ouvido sobre as minhas pupilas. Isso não é terapia, S/N. Isso é uma declaração de guerra.

Ele deslizou uma das mãos pelo braço dela, o toque firme e possessivo, até alcançar a nuca, onde seus dedos se entrelaçaram nos fios soltos do cabelo dela. Ele a puxou levemente para trás, forçando-a a olhar diretamente para ele.

— O jantar está muito longe — ele murmurou, aproximando o rosto até que seus hálitos se misturassem novamente. — E eu não sou conhecido pela minha paciência. Então, vamos atualizar esse seu relatório agora.

Desta vez, não houve “quase”.

Jungkook selou o espaço entre eles com um beijo que não tinha nada de gentil. Era um beijo carregado de toda a frustração acumulada, da exaustão do treino e do desejo que vinha sendo cozinhado em banho-maria desde o primeiro encontro. Era faminto, dominante, o tipo de beijo que deixava claro que, naquele momento, as teorias dela não valiam absolutamente nada.

S/N soltou um gemido baixo contra os lábios dele, as mãos subindo desesperadamente para os ombros largos de Jungkook, agarrando o tecido da camiseta dele como se fosse sua única âncora em meio ao caos.

Quando o ar se tornou uma necessidade urgente, eles se separaram apenas alguns milímetros, mas o estrago já estava feito. Os lábios de S/N estavam inchados, o batom borrado, e a mente dela, que costumava ser um santuário de lógica, parecia um campo de batalha.

Ela sentia o peito de Jungkook subindo e descendo contra o seu, o coração dele batendo tão forte que ela não sabia mais onde terminava o dele e começava o dela.

S/N apoiou as mãos no peito dele. Ela tentou empurrá-lo, mas seus braços pareciam feitos de gelatina, e o gesto acabou sendo mais um carinho desesperado do que uma rejeição real. Ela precisava recuperar a voz, a consciência e, acima de tudo, o chão que ele tinha acabado de tirar dela.

— Para… — ela sussurrou, a voz falha, os olhos focados na boca dele antes de subirem para encontrar o olhar sombrio e intenso do piloto. — Droga, Jeon…

Ela respirou fundo, tentando organizar o caos em sua cabeça enquanto ele permanecia ali, imóvel, prendendo-a contra o colchão com o próprio peso.

— Isso é loucura — ela continuou, a voz ganhando um pouco mais de firmeza, embora suas mãos ainda tremessem contra o peito dele. — Eu sou a psicóloga… a babá do seu filho. Eu sei como esse clichê funciona, Jungkook. Eu sei que deve ser excitante para você a ideia de transar com a babá, de quebrar as regras na sua própria casa… mas isso não vai dar certo.

Ela desviou o olhar para o lado, sentindo uma pontada de culpa ao lembrar do rosto de Minjae na cozinha.

— No momento em que isso acontecer, tudo muda. A dinâmica, a confiança, o meu trabalho com ele. Eu não posso ser a pessoa que cuida do que você tem de mais precioso e, ao mesmo tempo, ser a mulher que você usa para… para aliviar a tensão dos seus treinos.

Jungkook não se afastou. Ele permaneceu ali, observando-a com uma paciência que era quase mais assustadora do que a sua agressividade de minutos atrás. Ele pegou uma das mãos dela, que ainda o empurrava fracamente, e a pressionou contra o próprio coração.

— Você realmente acha que isso é sobre “aliviar a tensão”? — ele perguntou, a voz grave e carregada de uma seriedade que a fez voltar a olhá-lo. — Você acha que eu olharia para as câmeras de segurança a noite toda, que eu voltaria de outra cidade no meio da madrugada e que eu te carregaria até a cama com esse cuidado se você fosse só “a babá”?

Ele se inclinou mais, o rosto a centímetros do dela, mas desta vez sem a intenção de beijá-la, apenas de forçá-la a enxergar a verdade.

— Não me use como desculpa para o seu medo, S/N. Se você quer parar, a gente para agora. Mas não diga que é sobre o meu filho ou sobre o meu “fetiche”. Porque nós dois sabemos que o que está acontecendo aqui é muito mais perigoso do que qualquer clichê.

S/N sentiu o impacto das palavras dele como se tivesse colidido contra uma barreira de proteção na pista. O peso do corpo de Jungkook, a mão dela pressionada contra o coração dele e a intensidade daquele olhar eram demais para processar. Em um reflexo puramente nervoso, um vício que ela tentava esconder sempre que se sentia acuada, ela mordeu o lábio inferior, afundando os dentes na carne macia enquanto tentava desesperadamente encontrar uma saída lógica.

O olhar de Jungkook desceu instantaneamente para a boca dela. Ele acompanhou o movimento dos dentes prendendo o lábio e um brilho de desejo cru, quase selvagem, atravessou suas íris escuras.

— Eu… eu preciso buscar o Minjae na escola — ela soltou, a voz saindo atropelada, a primeira desculpa que seu cérebro em pânico conseguiu formular para escapar daquele quarto. — A rotina dele é sagrada, Jeon. Eu não posso me atrasar para…

Jungkook soltou um riso baixo, uma vibração que S/N sentiu contra as palmas das mãos. Ele não se moveu um centímetro. Pelo contrário, aproximou o rosto, os olhos fixos na forma como ela ainda maltratava o próprio lábio.

— S/N… — ele murmurou, a voz perigosamente doce. — Eu acabei de levar o menino. Ele não vai sair de lá pelas próximas quatro horas.

Ele estendeu o polegar e, com uma delicadeza que contrastava com a tensão do momento, tocou o queixo dela, forçando-a a soltar o lábio.

— Para de fazer isso — ele ordenou baixinho, o polegar agora acariciando o lugar que ela acabara de morder. — Você não tem ideia do que isso faz com o meu autocontrole. E nós dois sabemos que você não tem lugar nenhum para ir agora.

S/N fechou os olhos por um segundo, derrotada pela própria mentira e pela presença esmagadora dele. Ela soltou um suspiro trêmulo, a cabeça caindo levemente para trás no travesseiro.

— Droga, Jeon… — ela sussurrou, abrindo os olhos e encontrando os dele, que pareciam devorá-la. — Você não está me ajudando a te ajudar. Como eu supostamente devo manter a sua saúde mental e o equilíbrio da sua casa se você é o primeiro a causar um incêndio no meio da sala?

Jungkook deu um sorriso de lado, mas não era o sorriso de provocação de antes. Era algo mais real, mais faminto.

— Quem disse que eu quero ser ajudado, doutora? — Ele deslizou a mão da nuca dela para a lateral do seu pescoço, sentindo a pulsação frenética de S/N sob seus dedos. — Talvez eu só queira que você queime junto comigo.

Ele se inclinou, selando o pescoço dela com um beijo quente e demorado, logo abaixo da orelha, fazendo S/N arquear o corpo involuntariamente.

— O Minjae está seguro. A casa está vazia. E o seu relatório… — ele subiu os beijos até o canto da boca dela — ainda tem muitas páginas em branco.

13 Comentários

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  1. Iasmine
    Mar 8, '26 at 10:48 pm

    — O Minjae está seguro. A casa está vazia. E o seu relatório… — ele subiu os beijos até o canto da boca dela — ainda tem muitas páginas em branco.

    Pqp agora ele não para mais… que homem maravilhoso

  2. Iasmine
    Mar 8, '26 at 10:47 pm

    — Eu… eu preciso buscar o Minjae na escola — ela soltou, a voz saindo atropelada, a primeira desculpa que seu cérebro em pânico conseguiu formular para escapar daquele quarto. — A rotina dele é sagrada, Jeon. Eu não posso me atrasar para…

    Perdeu a linha mulher? Kkkkk eu tbm perderia.. o menino acabou de ir pra escola

  3. Iasmine
    Mar 8, '26 at 10:45 pm

    Jungkook selou o espaço entre eles com um beijo que não tinha nada de gentil. Era um beijo carregado de toda a frustração acumulada, da exaustão do treino e do desejo que vinha sendo cozinhado em banho-maria desde o primeiro encontro. Era faminto, dominante, o tipo de beijo que deixava claro que, naquele momento, as teorias dela não valiam absolutamente nada.

    Aaaaaaaaaah finalmente nossa esperei muito por isso. Eita que homem

  4. Iasmine
    Mar 8, '26 at 10:43 pm

    — O relatório está incompleto — ele disparou, a voz saindo em um tom baixo, quase um rosnado que reverberou no peito de S/N. — Você esqueceu de mencionar o que acontece quando o paciente decide revidar.

    Eitaaaa que agora ele decidiu parar a brincadeira Ã-MO

  5. Marcela
    Mar 8, '26 at 9:01 pm

    [quote]— Você realmente acha que isso é sobre “aliviar a tensão”? — ele perguntou, a voz grave e carregada de uma seriedade que a fez voltar a olhá-lo. — Você acha que eu olharia para as câmeras de segurança a noite toda, que eu voltaria de outra cidade no meio da madrugada e que eu te carregaria até a cama com esse cuidado se você fosse só “a babá”?

    Aqui, ele deixou claro que já sentia algo por ela

  6. Marcela
    Mar 8, '26 at 8:59 pm

    [quote]— O jantar está muito longe — ele murmurou, aproximando o rosto até que seus hálitos se misturassem novamente. — E eu não sou conhecido pela minha paciência. Então, vamos atualizar esse seu relatório agora.

    Ele tava querendo era a sobremesa logo

  7. Marcela
    Mar 8, '26 at 6:32 pm

    [quote]— Você acha que pode simplesmente ligar o motor e sair do carro antes da bandeirada, doutora? — Ele se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos dela, prendendo-a ali. — Na minha profissão, a gente aprende que brincar com o limite tem um preço. E você acabou de estourar o cronômetro.

    Sinal verde, baby
    Ele só vai querer “acelerar” as coisas agora hahaha

  8. Marcela
    Mar 8, '26 at 6:25 pm

    [quote]— O relatório está incompleto — ele disparou, a voz saindo em um tom baixo, quase um rosnado que reverberou no peito de S/N. — Você esqueceu de mencionar o que acontece quando o paciente decide revidar.

    No caso, essa é a melhor parte kkkk

  9. Sheila
    Mar 8, '26 at 5:41 pm

    — Quem disse que eu quero ser ajudado, doutora? — Ele deslizou a mão da nuca dela para a lateral do seu pescoço, sentindo a pulsação frenética de S/N sob seus dedos. — Talvez eu só queira que você queime junto comigo.

    Ai, SN, vai e queime com esse homem!!! Por favor!!! Kkkk

  10. Sheila
    Mar 8, '26 at 5:41 pm

    — Quem disse que eu quero ser ajudado, doutora? — Ele deslizou a mão da nuca dela para a lateral do seu pescoço, sentindo a pulsação frenética de S/N sob seus dedos. — Talvez eu só queira que você queime junto comigo.

    Ai que delícia!!! SN, vai e queime com esse homem!!! Por favor!!! Kkkk

  11. Sheila
    Mar 8, '26 at 5:39 pm

    — Para de fazer isso — ele ordenou baixinho, o polegar agora acariciando o lugar que ela acabara de morder. — Você não tem ideia do que isso faz com o meu autocontrole. E nós dois sabemos que você não tem lugar nenhum para ir agora.

    Nossa o que foi isso?!
    Que autocontrole é esse Jk?!
    Que loucura tudo isso?! Kkkk

  12. Sheila
    Mar 8, '26 at 5:38 pm

    — Você acha que pode simplesmente ligar o motor e sair do carro antes da bandeirada, doutora? — Ele se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos dela, prendendo-a ali. — Na minha profissão, a gente aprende que brincar com o limite tem um preço. E você acabou de estourar o cronômetro.

    Que homem perfeitamente perigoso!!! Delícia!!! Kkkk

  13. Sheila
    Mar 8, '26 at 5:37 pm

    Jungkook selou o espaço entre eles com um beijo que não tinha nada de gentil. Era um beijo carregado de toda a frustração acumulada, da exaustão do treino e do desejo que vinha sendo cozinhado em banho-maria desde o primeiro encontro. Era faminto, dominante, o tipo de beijo que deixava claro que, naquele momento, as teorias dela não valiam absolutamente nada.

    Aí sim!!! Aconteceu o beijo … é que beijo foi esse?! Quente muito quente!!!

Nota

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