You have no alerts.
Header Background Image

Jung kook não costumava ir a bares.

Não era por falta de convites ou por não apreciar a estética da noite; na verdade, ele até gostava da música alta que vibrava nos ossos, do cheiro de álcool caro e do rastro de perfumes doces que as mulheres deixavam ao passar. O problema era a exposição. No mundo da velocidade, ele era um ídolo; na vida real, era um homem marcado pela perda. Ser reconhecido significava ser puxado para conversas vazias sobre tempos de volta, ou pior, ver sua vida privada estampada em tabloides que poderiam afetar a infância de Minjae.

Desde que sua esposa falecera, há três anos, o isolamento tornou-se sua armadura. O luto tinha um peso denso, uma gravidade que o puxava para longe das luzes da ribalta e o trancava na rotina segura de “trabalho e filho”. As poucas vezes em que tentou sair, os boatos maldosos surgiram no dia seguinte, questionando que tipo de pai ele era. Então, ele parou. Deixou de ser o jovem audacioso para ser apenas o piloto número 1 e o pai de Minjae.

Mas naquela noite, Yugyeom foi implacável.

— Você está ficando velho antes da hora, Jeon — Yugyeom dissera entre risos, jogando uma jaqueta de couro preta sobre os ombros do amigo enquanto ele ainda hesitava diante do espelho. — Seus reflexos na pista estão ótimos, mas sua vida social está em ponto morto. Vamos só tomar uma dose e ir embora. Eu prometo: se alguém pedir um autógrafo, eu digo que você é meu segurança.

Relutante, Jung kook cedeu.

O lugar escolhido era um bar exclusivo em Gangnam, iluminado por néons em tons de azul elétrico e roxo profundo. A música pulsava sob o piso de mármore e o cheiro de cerveja artesanal e fumaça de narguilé impregnava o ar. Jung kook se acomodou no balcão, pedindo um whisky puro. Ele girou o gelo no copo, observando a pista de dança com o mesmo olhar analítico que usava para estudar telemetria de corridas. Gente demais. Barulho demais. Máscaras demais.

Foi quando ela passou.

Ela não usava brilhos exagerados ou roupas que gritavam por atenção. Estava com o cabelo solto, ondas escuras caindo sobre os ombros, e um vestido preto simples que se movia com ela de um jeito perigoso — uma combinação de elegância e desleixo planejado. Ela não estava em um grupo grande, apenas com duas amigas, rindo de algo que uma delas sussurrou. O riso dela não era estridente como o da maioria; era calmo, quente, um som que parecia cortar a batida eletrônica da música.

Jung kook, o homem que mantinha o foco a 300 km/h, não conseguiu desviar o olhar.

Ela percebeu.

Por um breve segundo, o olhar dela encontrou o dele. Houve uma faísca — pequena, mas tão intensa quanto um curto-circuito. Instintivamente, Jung kook deu um meio sorriso, aquele quase imperceptível que costumava derreter câmeras de TV. Mas, para sua surpresa, ela apenas desviou o rosto, indiferente, como se ele fosse apenas mais um banco de bar.

Jung kook sentiu o ego, há muito tempo adormecido, ser levemente cutucado. Ele não estava acostumado a ser invisível, muito menos a ser ignorado. Terminar o whisky não parecia mais suficiente. O instinto de competidor, que ele jurou deixar na garagem, deu um sinal de vida.

Quando a viu sozinha no balcão — as amigas haviam sumido na multidão em direção ao banheiro — ele se aproximou.

— Quer beber alguma coisa? — perguntou ele, a voz rouca se sobrepondo à música.

Ela se virou devagar, medindo-o de cima a baixo. Não havia brilho de fã nos olhos dela, nem a hesitação de quem está diante de uma celebridade. Havia apenas uma curiosidade cética.

— Não, obrigada — respondeu ela. O tom era educado, mas o “não estou interessada” estava escrito em letras garrafais em sua postura.

Jung kook arqueou uma sobrancelha, surpreso com a barreira imediata. — Tem certeza? Não vou insistir, prometo. — Então é melhor não insistir agora — ela deu um sorriso rápido, quase de desdém, pegou sua própria bebida e voltou para a pista sem olhar para trás.

Ele ficou parado ali por um segundo, sentindo-se um iniciante que errou a marcha na largada. “Ela é… diferente”, pensou, uma mistura de irritação e curiosidade genuína borbulhando no peito.

Jung kook voltou para a mesa onde Yugyeom o esperava, mas seus olhos continuavam rastreando o vestido preto. Ele a viu se reunir com as amigas. Elas cochichavam, e uma delas olhou diretamente para Jung kook, soltando uma risada abafada. Ele viu a mulher do vestido preto balançar a cabeça, gesticulando com as mãos como quem diz: “Acreditem se quiser, ele tentou”.

— Não acredito… — Yugyeom murmurou, seguindo o olhar do amigo e começando a rir. — Jeon Jung kook, o ‘Príncipe do Asfalto’, acabou de levar um fora monumental no meio de Gangnam? Eu deveria ter filmado isso!

— Cala a boca, Yugyeom — Jung kook resmungou, virando o restante do whisky. — Ela só está se fazendo de difícil. Ou talvez nem saiba quem eu sou.

— E isso é o melhor de tudo! — Yugyeom bateu no ombro dele, genuinamente chocado. — Olha para ela, Jung kook. Ela está… decente demais para esse lugar, não acha? O vestido é elegante, a postura é de quem prefere uma biblioteca a uma balada. Ela parece o tipo de mulher que lê o contrato antes de assinar, e você, meu amigo, parece um problema que ela não quer ler.

Jung kook bufou, mas não parou de observar. De vez em quando, ela lançava um olhar por cima do ombro em direção à mesa deles. Quando seus olhos se cruzavam, ela não desviava com timidez; ela o encarava por um segundo a mais, como se o estivesse desafiando a tentar novamente, apenas para rir de sua derrota outra vez.

A bexiga de Jung kook finalmente protestou contra o álcool e o nervosismo. Ele se levantou e caminhou em direção ao corredor estreito que levava aos banheiros, uma área com iluminação mais baixa e menos barulho.

No momento em que ele ia dobrar o canto da parede de drywall, alguém saiu apressadamente. O impacto foi inevitável.

O perfume dela — algo que lembrava lavanda e um toque cítrico, muito diferente dos perfumes pesados da pista — o atingiu antes mesmo do contato físico. Jung kook estendeu as mãos para segurar os ombros da pessoa e evitar que ela caísse. Era ela.

— Parece que o destino quer que a gente se esbarre, mesmo que você não queira — ele disse, mantendo as mãos nos ombros dela por um segundo a mais do que o necessário.

Ela se recuperou rapidamente, ajeitando o vestido. No corredor apertado, a diferença de altura entre eles tornava tudo mais íntimo. — Ou talvez você só precise de aulas de direção fora da pista, já que não consegue desviar de um obstáculo parado no corredor — ela rebateu, com um brilho divertido e afiado nos olhos.

Jung kook soltou uma risada curta, genuína. — Então você sabe quem eu sou. — Sei quem você finge ser nas entrevistas — ela corrigiu, cruzando os braços. — O piloto focado, o homem de gelo. Mas aqui, você parece apenas alguém que não sabe ouvir um ‘não’.

— Eu ouço muito bem. Só tenho dificuldade em aceitar quando sinto que a pessoa está mentindo para si mesma. Você não para de me olhar desde que cheguei.

Ela soltou um suspiro nasalado, um sorriso de lado brincando em seus lábios. — Você é convencido, Jeon. Isso deve ser o excesso de adrenalina. Agora, se me der licença, minhas amigas estão me esperando. Temos planos melhores do que inflar o ego de pilotos famosos.

Ela passou por ele, o ombro roçando levemente no peito dele. Jung kook ficou ali, parado no corredor escuro, sentindo o coração bater mais rápido do que em qualquer volta de classificação.

Depois de mais meia hora tentando se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse o rastro do perfume de lavanda daquela mulher, Jung kook sentiu que seu limite havia chegado. O barulho, que antes era apenas um fundo musical, agora parecia martelar em suas têmporas. O jogo de gato e rato no corredor o deixara inquieto, uma sensação de “combustão incompleta” que ele odiava sentir.

— Yug, vou nessa. Meu tempo de pista acabou por hoje — disse ele, dando um tapinha no ombro do amigo.

— Já? Cara, a noite está só começando! — Yugyeom protestou, mas ao ver a expressão exausta e os olhos distantes de Jung kook, ele apenas suspirou e levantou as mãos em rendição. — Tudo bem, tudo bem. Vá descansar, papai do ano. A gente se fala na segunda.

Jung kook saiu do bar, sentindo o ar frio da noite de Seul atingir seu rosto como um choque térmico necessário. Ele caminhou até a calçada e acenou para um táxi que se aproximava. Enquanto esperava o carro estacionar, seus olhos captaram um movimento à direita.

Eram elas. A mulher do vestido preto e suas duas amigas estavam descendo a rampa de saída. Uma das amigas ria alto, apoiando-se no ombro da outra, claramente alterada pelo álcool. Mas ela… ela caminhava com uma postura impecável. Jung kook notou que ela segurava as chaves com firmeza e guiava as outras com uma paciência silenciosa. Parecia sóbria demais para quem estava em uma balada àquela hora. Havia uma lucidez nela que contrastava com todo o caos de Gangnam.

Por um segundo, ela olhou na direção dele antes de entrar em um carro estacionado. Não houve sorriso, apenas um reconhecimento silencioso antes de ela fechar a porta.

— Senhor? Vai entrar ou não? — O taxista chamou sua atenção, tirando-o do transe.

Jung kook balançou a cabeça, soltou um suspiro pesado e entrou no banco de trás.

Chegar em casa foi o momento mais difícil. O apartamento, que costumava ter o som de brinquedos sendo arrastados ou os pequenos pés de Minjae correndo, estava mergulhado em um silêncio sepulcral. Seu filho já estava na casa da avó, e a ausência daquela energia vibrante fazia as paredes parecerem maiores e mais frias.

Ele jogou a jaqueta de couro no chão, desatou os primeiros botões da camisa e se jogou no sofá de couro. O teto parecia girar levemente — o whisky finalmente cobrando seu preço. O pensamento da sra. Han indo embora voltou a assombrá-lo. A instabilidade de não ter ninguém para cuidar de seu bem mais precioso era o seu maior medo.

Em um impulso de ansiedade misturado com o álcool, ele pegou o celular e discou para a sra. Han. Sabia que era tarde, mas a urgência em seu peito falava mais alto.

— Alô? Sra. Han? — a voz dele saiu mais baixa e arrastada do que pretendia. — Desculpe a hora… eu só… eu precisava perguntar.

— Sr. Jeon? Aconteceu algo com o Minjae? — A voz da senhora soou preocupada do outro lado.

— Não, não… ele está com a minha mãe. É que eu não paro de pensar na sua saída. Senhora, por favor… pode me indicar alguém de confiança? Eu não sei mais para onde recorrer. Eu não quero meu filho com qualquer pessoa. Você viu as últimas… eu não confio em ninguém.

Houve um breve silêncio do outro lado da linha. A sra. Han, que o conhecia bem o suficiente para notar o tom alterado pela bebida, suspirou com carinho maternal.

— Sr. Jeon, o senhor está bebendo? — ela perguntou, mas sem julgamento. — Escute, vá tomar um banho e vá dormir. O senhor precisa de descanso, não de decisões desesperadas no meio da noite.

— Eu só quero o melhor para ele — Jungkook murmurou, fechando os olhos, o rosto encostado na almofada fria.

— Eu sei que quer. E por isso mesmo, eu vou te ajudar. A filha de uma grande amiga minha se mudou para Seul recentemente. Ela é uma moça de ouro, muito educada, centrada e precisa de um emprego que lhe dê estabilidade para os estudos. Eu vou falar com ela amanhã e, se ela estiver disponível, eu ligo para o senhor. Combinado?

— Uma moça de confiança? — ele reforçou, a consciência já escapulindo.

— Absoluta. Agora, vá dormir. Amanhã conversamos com clareza.

— Obrigado, sra. Han… de verdade.

Jungkook desligou o celular, que escorregou de sua mão para o tapete. Ele nem sequer teve forças para chegar ao quarto. O cheiro daquela mulher do bar ainda parecia estar em sua mente, misturando-se com a promessa de uma nova babá. Ali mesmo, no sofá da sala vazia, ele se deixou vencer pelo cansaço e pelo álcool, caindo em um sono pesado e sem sonhos.

10 Comentários

Aviso! Seu comentário ficará invisível para outros convidados e assinantes (exceto para respostas), inclusive para você, após um período de tolerância. Mas se você enviar um endereço de e-mail e ativar o ícone de sino, receberá respostas até que as cancele.
  1. Luana
    Feb 5, '26 at 10:03 am

    Já prevejo o futuro dessa história

  2. IASMINE
    Jan 29, '26 at 11:06 pm

    Sinto que essa mulher vai ser a baba kkkkk

  3. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Jan 7, '26 at 7:40 pm

    — Eu sei que quer. E por isso mesmo, eu vou te ajudar. A filha de uma grande amiga minha se mudou para Seul recentemente. Ela é uma moça de ouro, muito educada, centrada e precisa de um emprego que lhe dê estabilidade para os estudos. Eu vou falar com ela amanhã e, se ela estiver disponível, eu ligo para o senhor. Combinado?

    Me espera, Sr Jeon

  4. Dani
    Jan 3, '26 at 10:34 pm

    [quote]— Eu sei que quer. E por isso mesmo, eu vou te ajudar. A filha de uma grande amiga minha se mudou para Seul recentemente. Ela é uma moça de ouro, muito educada, centrada e precisa de um emprego que lhe dê estabilidade para os estudos. Eu vou falar com ela amanhã e, se ela estiver disponível, eu ligo para o senhor. Combinado?

    Já até sem quem é, kkk, ansiosa para o próximo capítulo

  5. Karine
    Jan 3, '26 at 5:31 pm

    Também vou trabalhar de babá na Coreia kkkk

    1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
      @KarineJan 7, '26 at 7:41 pm

      Jungkook desligou o celular, que escorregou de sua mão para o tapete. Ele nem sequer teve forças para chegar ao quarto. O cheiro daquela mulher do bar ainda parecia estar em sua mente, misturando-se com a promessa de uma nova babá. Ali mesmo, no sofá da sala vazia, ele se deixou vencer pelo cansaço e pelo álcool, caindo em um sono pesado e sem sonhos.

      Óia

  6. Karine
    Jan 3, '26 at 5:25 pm

    Ela se virou devagar, medindo-o de cima a baixo. Não havia brilho de fã nos olhos dela, nem a hesitação de quem está diante de uma celebridade. Havia apenas uma curiosidade cética.

    Eu quando conhecer o Nam kkkk

    1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
      @KarineJan 7, '26 at 7:41 pm

      Çei…

  7. Sheila
    Jan 3, '26 at 5:19 pm

    Que delícia de fanfic… quero ver o final logo!!!

    1. Dani
      @SheilaJan 3, '26 at 10:35 pm

      Queria eu ter o privilégio de esbarrar com esse homem

Nota

Você não pode copiar conteúdo desta página