Capítulo 23 – Jisso: O Nome da Esperança
por FanfiqueiraCAMPO DE ARROZ — ALGUNS MINUTOS DEPOIS DO TIRO
O silêncio que se seguiu ao disparo era quase irreal. O vento havia parado. O mundo havia parado.
Jungkook, ajoelhado com Amanda em seus braços, sentia o sangue quente escorrer entre seus dedos. O rosto dela estava pálido, os lábios abertos num suspiro silencioso. Ele tentou encontrar o pulso em seu pescoço, nos pulsos… mas era tão fraco. Quase inexistente.
Ele encostou o rosto no dela, os olhos arregalados de desespero.
— Amanda… — sussurrou, a voz embargada — Amor… por favor, não faz isso comigo…
Nada. Nenhuma reação.
— NÃO! — gritou, um rugido que partiu a alma do campo inteiro. — NÃO, VOCÊ NÃO VAI ME DEIXAR!
Ele pousou o corpo dela suavemente no chão e se levantou. Os olhos negros agora estavam injetados de raiva. Raiva crua. Fria. Mortal.
“Vocês tiraram ela de mim. Vocês tiraram minha vida.”
Os seguranças deram um passo para trás, mas era tarde demais. Jungkook partiu pra cima como um animal selvagem.
Com um soco direto, quebrou o nariz do primeiro homem. Antes que o segundo sacasse a arma, ele girou o corpo, chutando com força a mão do homem, fazendo a pistola voar. Pegou a arma no ar e atirou direto na perna dele.
— AAAH! — gritou o homem, caindo de joelhos.
O terceiro tentou imobilizá-lo por trás, mas Jungkook girou o corpo com força e o derrubou no chão, pisando no ombro dele com firmeza.
— EU AVISEI! — gritou Jungkook. — EU AVISEI QUE NINGUÉM TOCASSE NELA!
Os outros dois seguranças recuaram, mas não houve tempo de sacar. Jungkook correu em direção a eles com a arma ainda em punho, desferiu dois tiros precisos: um no ombro de um, outro na perna do outro. Os dois caíram de imediato.
Os amigos de trabalho de Jungkook, antes contidos, agora livres, correram até Amanda.
— Ela ainda respira! — gritou Haruto. — Rápido, temos que levá-la ao hospital!
Daisuke e Yumi chegaram à cena. Yumi caiu de joelhos ao ver a amiga ensanguentada.
— Pega ela com cuidado! A cabana médica da vila é a cinco minutos daqui!
Eles levantaram Amanda com delicadeza. O vestido branco estava tingido de vermelho, os olhos fechados, mas os lábios mexiam levemente.
Jungkook, coberto de sangue e terra, respirava ofegante. A arma em sua mão tremia. Ele estava suado, machucado, mas de pé. Um a um, havia colocado todos no chão.
E agora… restava o homem diante dele.
O pai de Amanda.
O presidente.
Ele estava ajoelhado, tremendo, vendo os homens caídos ao seu redor. O olhar antes soberano agora era só assombro.
Jungkook caminhou em direção a ele.
Devagar.
Passo por passo.
Ergueu a arma e a encostou na testa do homem.
O presidente arregalou os olhos.
— Você queria a sua filha de volta, não é? Pois ela está no chão, morta. Porque você… você mandou matá-la sem saber. Porque seu orgulho era maior que seu amor.
O dedo de Jungkook encostou no gatilho. Seu corpo inteiro tremia.
— Eu devia te deixar sentir o que é perder a pessoa que você ama. Eu devia…
— MIN JOON! — gritou Yumi, de longe, correndo pelo campo — ELA TÁ VIVA! TÁ VIVA!
Ele piscou, a arma ainda apontada.
— Está em cirurgia! Ela chegou respirando! O médico disse que tem chance!
O gatilho ainda sob o dedo.
“Ela tá viva… Ela tá viva…”
O choro rasgou a garganta dele. Um soluço sufocado. O corpo dele vacilou.
Ele largou a arma, que caiu com um som seco no chão.
Sem olhar mais para o presidente, ele se virou e correu.
Corria como se a vida inteira estivesse na frente dele. Corria com o corpo em pedaços, mas cheio de esperança. Corria como se a morte fosse alcançá-lo se ele não chegasse rápido o suficiente.
Corria por ela.
Por Amanda.
Por sua vida.
CAMPO — MINUTOS DEPOIS
O presidente permaneceu ajoelhado, agora sozinho, cercado pelos corpos feridos de seus homens. O sangue da filha ainda manchava suas mãos. Os olhos fixos no chão onde ela caiu. Onde ela sangrou. Grávida.
Ele caiu sentado, as mãos tremendo. Tirou o celular do bolso.
Gravou a si mesmo.
— Eu sou o presidente de um país. Um homem temido. Poderoso. Mas matei minha própria filha… Por orgulho. Por querer controlar a vida dela. Eu a matei… e o neto que eu não sabia que tinha. Eu não mereço viver. Isso é tudo culpa minha.
Desligou.
Pegou a arma que antes Jungkook segurava…
Sem mais palavras.
Um único tiro ecoou pela mata.
Jungkook ouviu ao longe. Mas não olhou para trás.
Ele só queria chegar até Amanda.
HOSPITAL DA VILA — POUCO TEMPO DEPOIS
Jungkook chegou com os braços machucados e sangue seco no rosto. Os enfermeiros tentaram detê-lo.
— Senhor! O senhor precisa de atendimento!
Mas ele não parou. Foi direto até a porta da sala de cirurgia.
Sentou-se no chão, recostado na parede.
“Por favor… luta. Fica comigo. Não me deixa…”
Haruto e Yumi chegaram e sentaram perto dele. Daisuke colocou um cobertor em seus ombros. Mas ele não falou. Não chorou. Não se moveu.
Todos agora sabiam. Sabiam seus nomes verdadeiros. Sabiam que estavam fugidos. Mas ninguém ali ousou julgar.
ALGUMAS HORAS DEPOIS — 3:47 DA MANHÃ
A porta da sala se abriu. O médico saiu, coberto de suor. Respirava fundo.
Jungkook se levantou em um salto.
— Doutor?! Ela tá bem? E o bebê?
O homem olhou para ele e sorriu, cansado.
— Ela está viva. Lutou como uma guerreira. E a sua filha também.
Jungkook piscou, confuso.
— M-minha… filha?
O médico levou a mão à testa, surpreso com o próprio deslize.
— Ah… desculpe. Durante os exames de emergência, tivemos que checar o estado do bebê. É uma menina. Está bem… o tiro não atingiu a placenta. Ela está segura, por enquanto.
Jungkook levou as mãos ao rosto. Soluçava. Chorava como se estivesse libertando todos os sentimentos guardados desde o dia em que fugiram.
— Uma menina… — sussurrou. — Ela… elas estão vivas…
E desabou de joelhos, finalmente permitindo-se desmoronar ali, em frente à porta onde o amor da sua vida lutava para viver e proteger o futuro que crescia dentro dela.
DOIS MESES DEPOIS
As manchetes internacionais ainda falavam do caso que chocou a Ásia: “Presidente mata a filha e depois tira a própria vida em vilarejo do interior do Japão.” As circunstâncias do ocorrido ainda eram nebulosas para a imprensa, que especulava motivos, reconstruía versões e explorava imagens aéreas do local.
Mas nenhuma foto recente de Amanda ou Jungkook havia sido registrada.
Porque Amanda já não existia. E Jungkook também não.
Na vila, protegidos pelos moradores que os acolheram com afeto e lealdade, eles renasceram. Amanda agora era definitivamente Ha-eun. Jungkook, Min Joon. E ninguém ali questionava o passado de ambos — apenas protegiam o presente que estavam construindo.
— Por aqui não tem nenhum forasteiro — dizia o dono do armazém, toda vez que um jornalista aparecia.
— Todo mundo que mora aqui nasceu aqui — completava Yumi, com a expressão firme. — Não tem notícia pra vocês aqui.
Os moradores sabiam. E guardavam o segredo com carinho. Afinal, Min Joon e Ha-eun se tornaram parte da comunidade. Ele, trabalhando com agricultura em tempo integral, era conhecido como um dos mais esforçados e prestativos da vila. Ela, mesmo com a barriga crescendo, ajudava as mulheres com costuras e colhia flores para a pequena feirinha de domingo.
A gravidez de Ha-eun completava sete meses agora. Jisso, como já haviam decidido chamar a filha, era aguardada com ansiedade. Durante as noites, eles planejavam tudo: o berço que Min Joon estava construindo com as próprias mãos, as cores do quarto (tons de creme e lilás), os nomes compostos que discutiam entre risos.
— E se for Jisso Haneul? — sugeria Ha-eun, deitada na rede da varanda, enquanto Min Joon lixava uma das madeiras.
— Haneul? Céu? — Ele parou, olhou para ela e sorriu. — Combina. Ela vai ser o nosso céu depois de tudo que a gente viveu.
Às vezes, ele colocava as mãos sobre a barriga dela e falava com a bebê, contando o que tinha feito no campo, ou o nome das flores que tinham brotado. Ha-eun sorria.
— Ela vai ter o pai mais carinhoso do mundo…
— E a mãe mais corajosa — ele murmurava, beijando sua barriga com ternura.
Certa tarde, Min Joon chegou com uma surpresa nos braços. Um filhotinho e desajeitado, de olhos brilhantes e língua saltando.
— O que é isso? — perguntou Ha-eun, rindo, enquanto tentava se levantar com a barriga já pesada.
— Nosso novo filho — disse ele, colocando o cachorro no colo dela. — Se chama Bam. Vai ser o melhor companheiro da Jisso.
— Você está mesmo querendo me convencer com esses olhos grandes e fofos? — ela brincou, acariciando o filhote.
— Tô. E também porque eu sei que quando eu estiver no campo, ele vai proteger vocês duas.
Ela suspirou, emocionada, e concordou.
— Tá bom… só porque ele parece um urso minúsculo.
— E porque você me ama — ele completou, roubando um beijo.
Durante o dia, Min Joon trabalhava mais do que nunca. Mesmo com Ha-eun insistindo para que ele descansasse ou não pegasse tanto peso, ele ignorava como semrpe.
— Eu quero dar tudo pra vocês. Tudo o que eu puder. — dizia ele ao se deitar à noite, exausto, mas com os olhos brilhando de alegria. — Vocês são minha vida. Meu presente. Meu futuro.
Ha-eun o abraçava por trás, as mãos entrelaçadas em sua barriga.
— E você é tudo que a gente tem. Só não exagera… Jisso precisa de um pai inteiro.
— Então vou ser o pai mais inteiro que esse mundo já viu.
Bam latia do canto do quarto, como se concordasse.
Na vila, todos já esperavam ansiosos o nascimento da bebê. As amigas de Ha-eun preparavam os chás, as roupas, e organizavam uma pequena celebração para dali algumas semanas, com presentes feitos à mão e comidas tradicionais.
E por mais que a memória ainda doesse — as cicatrizes emocionais e físicas ainda estivessem ali —, eles sorriam.
Ha-eun e Min Joon haviam encontrado paz.
Um novo nome, uma nova vida, crescendo dentro dela e ao redor deles.
Jisso viria em breve.
MESES DEPOIS DO NASCIMENTO DE JISSO
Jisso estava com quase um ano agora, do tamanho de um pequeno coelho — o que fazia sentido, já que era por eles que a bebê era apaixonada. Os campos ao redor da casa onde viviam estavam sempre repletos desses animaizinhos, que corriam livres. Jisso batia palminhas e gritava de alegria toda vez que via um.
— ‘Coio!’ — dizia, encantada.
Ha-eun se derretia, sentada na varanda com a bebê no colo, enquanto Min Joon trabalhava ao fundo.
— Ela puxou seu encanto pelos bichos — disse Ha-eun.
— E a sua fofura. — Min Joon sorria, parando o que fazia para vir até elas.
Ele a pegava no colo, girava Jisso no ar e a ouvia rir alto, com aquele som cristalino que fazia o coração de qualquer um derreter.
— Minha coelhinha — ele dizia, beijando o nariz dela.
DOIS ANOS DEPOIS…
Min Joon penteava o cabelinho da pequena agora já com dois anos, sentada na pia — de novo.
— Min Joon! — gritou Ha-eun da porta da cozinha. — Pela milésima vez, não é pra colocar a Jisso na pia!
— Mas amor, ela gosta daqui! Olha esse espelho, ela adora se ver… — ele tentava argumentar, enquanto prendia o cabelo da filha num mini coque desajeitado.
— Appa, to linda? — perguntou Jisso, orgulhosa.
— Está perfeita, princesa.
Ha-eun entrou no banheiro com as mãos na cintura e um sorriso disfarçado.
— Eu desisto de vocês dois…
— Mas você ama a gente. — Min Joon piscou, pegando a filha no colo.
— Amo mesmo. — ela suspirou, beijando as duas testas.
MAIS ALGUNS ANOS DEPOIS…
A luz da manhã entrava pelas janelas de madeira da nova casa, agora no meio de uma clareira. Jisso, já com cinco anos, estava sentada na cama, com os cabelos compridos e bagunçados. Min Joon entrava devagar, batendo de leve na porta.
— Bom dia, meu raio de sol.
— Bom dia, appa. — ela sorriu sonolenta, esfregando os olhos.
Ele se aproximou, sentou na beirada da cama e acariciou seu cabelo.
— Dormiu bem?
— Sonhei com coelhos gigantes! Eles estavam me levando pra voar.
— Então você teve o melhor sonho do mundo. — Min Joon sorriu e deu um beijo em sua testa.
Ha-eun apareceu na porta logo depois, agora com Bam mais velho ao seu lado, deitado. Ela tinha um avental e o cheiro de pão fresco já preenchia o ambiente.
— Hora de levantar, coelhinha. O café tá pronto.
Jisso pulou da cama e correu até ela, abraçando sua mãe pela cintura.
Min Joon observava tudo com o coração cheio.
— “Essa é a vida que eu lutei pra ter.”
Era uma manhã comum, mas para eles… era um milagre vivo. Juntos. Livres. Com uma família.
A paz que construíram… era o final feliz que o mundo inteiro duvidou que existiria.
Mas existia, e estava ali — entre risos, coelhos e amor verdadeiro.

Saiu derrubando todo mundo
Achei pesado ein pqp o presidente se matou
Caraca mudaram o nome mesmo
Só o presidente que se lascou mesmo
Considerações finais…
Eu não comentei essa fic, porém achei incrível o desenrolar da mesma.
Eles mereceram ficar juntos, lutaram pra isso. E tiveram uma filha linda!!!
Fiquei com o ciúmes de ver fotos do meu marido com uma filhinha, mesmo que seja IA, fiquei… kkk
Até gritei, dizendo não aceito!!!
Enfim, o pai morreu, destino trágico, porém necessário, para que eles tivessem uma vida em paz.
Gostei escritora.