Capítulo 21- Sob o Olhar do Inimigo
por FanfiqueiraInterior do Japão – Quatro meses depois
O vilarejo era pequeno, escondido entre colinas cobertas por arrozais e trilhas de terra vermelha. Pouca gente sabia da existência dele, e era exatamente isso que Min Joon queria: anonimato, paz, e tempo.
Quando chegaram ali, foram recebidos com estranhamento — mas bastaram poucas semanas para que Amanda, agora como Ha-eun, com seu jeito carinhoso e a habilidade de ouvir, conquistasse as vizinhas; e Jungkook, agora como Min Joon, com sua força e disciplina, ganhasse respeito entre os homens da vila.
O casal passou a viver em uma pequena casa de madeira com telhado baixo, perto do campo onde Min Joon começou a trabalhar como agricultor. Ele saía cedo, antes do sol nascer, para plantar, irrigar e colher junto com outros homens da região. À tarde, voltava suado, com terra nos braços, mas com um sorriso diferente no rosto — algo que Ha-eun nunca tinha visto antes: “ele parecia em paz”.
As noites eram calmas. Às vezes, ouviam grilos. Outras vezes, as cigarras. E quando havia festa na vila, eles estavam lá — com roupas simples, sandálias gastas e os rostos iluminados pelas lanternas de papel que balançavam com o vento.
Festival da Colheita – Quarta noite de outubro
Min Joon estava sentado em um banco de madeira, com uma cerveja artesanal na mão, rindo das piadas de Daisuke, seu colega de trabalho. Ha-eun estava a poucos passos dali, dançando com as crianças da vila e tentando equilibrar uma torta de arroz nas mãos.
Ele a observava com aquele olhar que ela já conhecia. Um olhar que dizia: “você é tudo o que eu precisava e nem sabia”.
— Quer dançar? — ela se aproximou, sorrindo.
— Eu tô suado — ele riu, batendo na camisa de algodão.
— Todo mundo tá. A graça é essa.
Min Joon segurou a mão dela e a puxou para perto. Os dois dançaram devagar, mesmo com a música animada. Os pés se moviam no ritmo do coração — leve, sem pressa. Um casal que não precisava provar nada para ninguém.
— A gente construiu algo aqui, né? — ele disse no ouvido dela.
— Sim… “e tem mais coisa vindo”, pensou, com as mãos no ventre ainda plano.
Ela sentia os sintomas há dias. Náuseas, tonturas, sono constante. No início, pensaram que era alguma virose — já tinham ficado doentes semanas antes, o clima da vila era instável. Mas a menstruação atrasou. E as dores no peito começaram.
Foi Saki, esposa de Haruto, quem sugeriu:
— Você já pensou que pode estar grávida?
Dois dias depois – Casa de Saki
Ha-eun estava sentada no tatame, cercada por outras três mulheres: Saki, Yumi e Hana. Todas eram esposas ou namoradas dos colegas de Min Joon. Tinham se aproximado naturalmente — nas idas à feira, nas conversas após o trabalho, nos encontros de chá da tarde.
O teste estava nas mãos dela.
Duas linhas.
— Parabéns… — sussurrou Saki, emocionada.
Ha-eun levou a mão à boca, os olhos enchendo de lágrimas.
— Eu… eu tô mesmo?
— Dois meses, talvez mais. Isso é maravilhoso!
— Mas… eu ainda não contei pra ele. Ele vai surtar. Vai pensar em segurança, em risco…
— Min Joon te ama. Ele vai ficar feliz — disse Hana, segurando sua mão. — Você só precisa encontrar a forma certa de contar.
— E é aí que a gente entra! — Yumi sorriu, animada.
— Vamos preparar algo especial — disse Saki. — Algo que só ele vai entender.
Casa de Ha-eun e Min Joon – Noite seguinte
Ha-eun entrou com as sacolas cheias de papel colorido, caixinhas, barbante e pequenos recortes com símbolos coreanos e japoneses. Min Joon já dormia no sofá, com o cachorro de Saki ao lado (ele insistia em dizer que precisava de um, mesmo não podendo adotar).
Ela se ajoelhou ao lado dele, observando-o respirar. O rosto dele estava mais leve. Os cabelos crescidos caiam sobre os olhos. Um traço de paz se espalhava por sua expressão.
“Como eu conto que tem uma vida crescendo dentro de mim?”, pensou.
Mas não seria naquela noite.
Naquela noite, ela apenas o cobriu com uma manta e sussurrou:
— Eu te amo… mais do que consigo explicar.
Ele murmurou algo no sono, e, sem abrir os olhos, estendeu a mão para segurar a dela.
— Não vai embora — ele disse, baixinho.
— Nunca — respondeu Ha-eun, e beijou seus dedos.
Três dias depois – Amanhecer do anúncio
A mesa estava posta com arroz quente, ovos cozidos, kimchi e chá. Um pequeno bilhete repousava ao lado do par de hashis de Min Joon. Era simples, escrito à mão, em uma caligrafia que ele conhecia bem:
“Você sempre sonhou em construir algo com suas próprias mãos. Agora, vai ser pai de algo que nasceu do nosso amor. Te espero no campo de lavanda às 10h.”
Ele parou por um segundo. O coração disparou. Ele leu e releu. “Não… isso não pode ser… é real?” E então correu para fora de casa, sem nem tocar na comida.
Ha-eun já estava lá, vestida de branco, os cabelos presos com flores secas. Atrás dela, Saki, Yumi e Hana observavam à distância.
Ela segurava uma caixinha feita de madeira, pintada à mão. Dentro, um par de sapatinhos minúsculos, feitos de crochê.
Min Joon parou, ofegante, os olhos arregalados.
— Isso é…?
Ela assentiu, emocionada.
— Nosso filho… ou filha. Ainda não sei. Mas é nosso.
Ele caiu de joelhos, levou as mãos ao rosto e começou a rir e chorar ao mesmo tempo.
— A gente fez isso… mesmo fugindo, mesmo com tudo… a gente criou uma vida. ( Obs da autora: Claro transavam a cada respiração).
Ha-eun se abaixou e o abraçou por trás, encostando o rosto no ombro dele.
— E agora… essa vida vai ser livre desde o primeiro dia.
Dois meses depois do anúncio – Nova casa no vilarejo
O novo lar ficava no alto de uma pequena colina, com vista para o campo de lavanda e uma árvore grande que Ha-eun dizia parecer um guarda-chuva verde. A casa era modesta, mas mais espaçosa que a anterior. Agora, havia um quarto a mais, pintado de um tom suave de amarelo, com móveis simples que Min Joon mesmo ajudou a construir.
Durante o dia, ele trabalhava dobrado. Ia para o campo antes dos outros e voltava depois do pôr do sol. Ha-eun insistia que ele descansasse, que não precisava se matar de trabalhar.
— A gente tá bem assim, Jungkook. Não precisa se sobrecarregar.
Mas ele sempre respondia com um beijo na testa e um sorriso firme:
— Eu quero que nosso bebê chegue em um mundo bonito, seguro… com tudo que eu não tive.
“Eu nunca imaginei construir uma vida assim, com chão firme… e ela. E agora, uma nova vida vindo aí. É como se o mundo tivesse me dado uma segunda chance”, pensava, cada vez que via Ha-eun dormindo com a mão sobre a barriga.
À noite, ele chegava suado, cheirando a terra e lavanda. Tomava banho e encontrava Ha-eun na cama, geralmente lendo ou organizando ideias para o enxoval. E, quase sempre, ela o puxava para debaixo das cobertas antes mesmo que ele terminasse de se secar.
— Você tem energia pra isso depois de um dia inteiro no campo? — ela perguntava, provocando.
— Eu tenho energia pra você. Sempre — respondia, colando o corpo no dela.
O sexo entre eles era mais intenso, mais íntimo. Os toques eram cuidadosos. As mãos de Min Joon sempre passavam primeiro pela barriga dela, como se pedissem licença ao bebê antes de transar com a mãe. Ha-eun ria disso.
— Você tá todo sentimental agora.
— Não é sentimental… é só que agora eu entendo o que importa.
Eles faziam planos no escuro. Falavam sobre nomes. Sonhavam com o primeiro choro, o primeiro sorriso, o primeiro passo.
— E se for menino? — ela perguntava, deitada no peito dele.
— Eu ensino a plantar. A lutar. A proteger você.
— E se for menina?
— Eu ensino a plantar. A lutar. A proteger ela. E você.
Ha-eun sorria, os olhos brilhando mesmo no escuro.
— Você vai ser um pai incrível, sabia?
Ele beijava o topo da cabeça dela e fechava os olhos com gratidão.
“Se eu tiver que morrer por essa família, eu morro. Mas vou fazer isso durar até o fim.”
No campo – alguns dias depois
Entre os homens que trabalhavam com ele, havia um em especial que Min Joon nunca conseguiu confiar por completo. O nome dele era Masaki. Não era hostil, mas também não era exatamente acolhedor. Fazia o trabalho, dava risada de vez em quando, mas sempre observava mais do que conversava.
Um dia, enquanto regavam as plantações, Min Joon percebeu que Masaki olhava fixamente para ele.
— Tá tudo certo aí? — perguntou, sem deixar de trabalhar.
— Só tava pensando… você é bom nisso. Nunca pensei que um coreano se sairia tão bem com terra japonesa.
— A terra não escolhe mãos. Só quer respeito.
Masaki riu, mas desviou o olhar.
“Ele é estranho. Tem algo ali. Mas talvez eu só esteja paranoico de novo”, pensou Min Joon, limpando o suor da testa.
Mas ele não sabia: Masaki já havia mandado três cartas. Todas destinadas a um endereço reservado na capital. E todas dizendo o mesmo:
“A garota está aqui. O homem que está com ela é Min Joon.”
Na capital – Gabinete Presidencial (clandestino)
O presidente segurava uma das cartas. Os olhos duros e frios como metal.
— Então ela decidiu mesmo fugir para longe de mim?
O ministro da segurança, à frente da mesa, permaneceu em silêncio. Ele sabia o que aquela expressão significava.
— Preparem a viagem. Discreta. Sem registros. Vou até esse vilarejo pessoalmente.
— Senhor… não acha arriscado?
— Ninguém toca nela. Ela é minha filha. Mas Jungkook… quero dizer, Min Joon — ele esfregou o polegar sobre o envelope. — Ele não vai sair vivo dessa. Não dessa vez.
Oxiii e o que aconteceu no barco?
Ja era de se esperar ne
Meu anjo vcs se comem direto
Gente ainda não entendi o que aconteceu no barco, tendi nada