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Vilarejo — Madrugada fria

O céu estava nublado. As estrelas, escondidas.
Masaki esperava próximo ao celeiro antigo onde os agricultores guardavam ferramentas. Não parecia ansioso, apenas confiante de que estava prestes a concluir algo importante.
Quando o jipe preto com vidros escuros estacionou em silêncio na entrada de terra batida, ele se ajeitou, limpando as mãos na calça.

O presidente desceu primeiro. Usava um sobretudo escuro, o olhar frio como uma lâmina. Dois seguranças vieram atrás, discretamente armados.

— É aqui? — perguntou ele, olhando ao redor.

— Sim. Eles moram naquela casa no alto — apontou Masaki, tentando não parecer nervoso. — Ele trabalha todos os dias.

— Perfeito — murmurou o presidente, ainda sem olhar diretamente para ele.

— Eu só queria ajudar. Trazer sua filha de volta. Receber a recompensa… senhor.

— Vai ter sua parte — disse seco. Então, virou-se para os seguranças:
— Montem tudo. O campo será o ponto da emboscada. Ele começa a trabalhar às cinnco. Preparem-se para pegá-lo sozinho. Quero silêncio. Nada de alardes.

— Sim, senhor.

— E quando a Amanda acordar… — os olhos dele endureceram — eu mesmo vou buscá-la.

Masaki sentiu um leve calafrio com o tom daquelas palavras.
“Ele não disse ‘trazer’, disse ‘buscar’. Como se ela fosse uma coisa. Não uma filha.”

Campo de arroz — Horas depois, pouco depois das 7h da manhã

Campo de arroz — Horas depois, pouco depois das 7h da manhã

Sorry, não resisti kkkkk

Min Joon estava com as mangas arregaçadas, abaixado entre os canteiros. O corpo já suado, as mãos cobertas de terra. Respirava fundo enquanto fixava os apoios das novas mudas. O sol mal havia subido, e o cheiro de barro molhado ainda enchia o ar.

Foi quando ouviu os passos.
Vários.

Levantou o olhar e viu dois dos homens caminhando pelo campo. A princípio, pensou que fossem locais — até notar os casacos pretos, os rostos impassíveis. Sentiu o estômago apertar.

Quando os cercaram, outros dois colegas de trabalho também perceberam algo estranho. Daisuke e Haruto tentaram interferir, mas foram rapidamente dominados e imobilizados.

— Min Joon! — gritou Daisuke, se debatendo. — O que tá acontecendo?!

— Quem são esses caras?! — Haruto rugiu, tentando se soltar.

Jungkook já se preparava para lutar quando reconheceu o homem que caminhava com as mãos para trás, devagar, como um juiz entrando em cena.

O pai de Amanda.

— Então é aqui que você estava se escondendo — disse, parando a poucos metros dele.

— Ela está em paz, vivendo bem. Por que você tá aqui? — respondeu Jungkook, o maxilar tenso.

— Porque você roubou a minha filha. 

Os olhos de Jungkook se estreitaram, mas ele não disse nada. O presidente deu um passo para o lado e fez um sinal com o dedo.

Os seguranças partiram para cima dele.

Jungkook  revidou. Lutava como um animal encurralado. Derrubou o primeiro com um golpe no estômago, girou e acertou o segundo no queixo. Por um momento, pensaram que ele fosse conseguir.

Mas então, vieram mais cinco. Um golpe no flanco. Outro nas costas. Ele cambaleou. Ainda assim, acertou outro no ombro. Resistia.

Até que o número venceu a força.

Foi derrubado com um chute no joelho, depois socos no rosto. Ele caiu de lado, arfando, tentando se levantar. Um dos seguranças o chutou no estômago. Outro o segurou pela gola e o golpeou de novo.

Masaki, que havia seguido a comitiva por curiosidade e ainda acreditava que tudo era apenas para “recuperar a filha”, viu a cena e entrou em pânico.

— Ei! Ei! Chega! Não era isso! O acordo era só trazer a menina de volta! — gritou, se aproximando.

— Você não entendeu nada — murmurou o presidente. — Sai da frente.

Masaki se colocou entre Jungkook e os seguranças.

— Vocês vão matar o cara! Isso não tava combinado!

— Tire esse inútil do caminho.

Um dos seguranças deu-lhe um soco direto na boca. Masaki caiu de joelhos. Tentou levantar, mas foi empurrado e chutado duas vezes. Ficou ali, gemendo, ensanguentado no chão.

Casa na colina — ao mesmo tempo

Amanda colocava a mesa para o café da manhã. O cheiro de arroz quente, chá e pão recém-assado se espalhava pela cozinha. A barriga de quase cinco meses já dava sinais nítidos por baixo do vestido leve.

Foi quando a porta se abriu com força e Yumi apareceu, ofegante.

— Ha-eun!

Ela se virou assustada.

— Yumi? O que foi?

— É o Min Joon. Eu vi… eu fui levar comida pro Haruto e… — a voz dela falhou. — Ele tá sendo espancado! Tem homens… eles estavam de terno preto. Não são daqui!

Amanda sentiu o sangue deixar o rosto. O prato que segurava escorregou das mãos e se espatifou no chão.

— Como assim?! Onde?!

— No campo… o campo do sul! Eu… eu ouvi algo sobre levá-lo. Um dos homens parecia o presidente da Coreia.  Vi o seu marido… apanhando. Ha-eun, ele tá em perigo!

Amanda levou a mão à barriga.

— Meu Deus… Min Joon…

Ela saiu correndo, sem nem calçar os sapatos. Os pés descalços batiam no chão de terra batida. O vento frio cortava sua pele, mas ela mal sentia.
Corria com uma das mãos na barriga, tentando protegê-la, a outra no peito, segurando o medo que ameaçava sufocá-la.

— Aguenta, por favor, meu amor… aguenta! — murmurava entre lágrimas, ofegante, tropeçando no caminho.

As pernas doíam. O peito queimava.
“Mas nada a faria parar.
Nem a dor. Nem o medo.
Seu marido estava em risco.
E ela correria até o inferno por ele.”

Campo do sul — minutos depois

Jungkook estava de joelhos, o rosto inchado, sujo de sangue e poeira. Tentava se levantar, mas seu corpo não respondia mais com firmeza. As mãos estavam cortadas, os olhos semicerrados por conta dos golpes.

O som de passos sobre a grama molhada era abafado, mas ele sentiu.
Sentiu quando um dos seguranças recarregou a arma.
Sentiu quando o cano da pistola foi levantado… mirando diretamente em sua cabeça.

O tempo pareceu parar.

Até que ele ouviu.

— Jungkook!

A voz dela.

Ele virou o rosto em choque. E ali estava Amanda… correndo.
O cabelo solto voando atrás do corpo, os pés descalços, a barra do vestido rasgada, a mão apoiada na barriga.

“Não, não, não… ela não… não pode estar aqui!”

Os olhos dele se arregalaram.

— Amanda, NÃO!

Mas ela correu mais rápido.

E quando o segurança firmou o dedo no gatilho… Amanda se lançou.

O tiro ecoou.

Um som seco. Cruel. Final.

O impacto atingiu o ar e, em seguida, o corpo dela.
Amanda caiu com força, entre Jungkook e o segurança, exatamente onde ele estava ajoelhado. O mundo pareceu congelar.

— AMANDA! — gritou Jungkook, segurando o corpo dela antes que tocasse o chão por completo. — Não, por favor… não!

O segurança baixou a arma, chocado. Os outros recuaram.

— O que… o que você fez?! — gritou Masaki, de longe, se apoiando nas paredes do celeiro, sangrando.

O presidente, até então impassível, ficou pálido.
Viu a filha caída, o sangue tingindo a barra do vestido.
Mas algo o atingiu com ainda mais força: a curva nítida na barriga dela.
Uma barriga de quase cinco meses.

“Ela… ela tá grávida…”

Amanda arfou, tossindo com dificuldade. Jungkook a segurava nos braços, desesperado.

— Fica comigo, por favor! Por favor, aguenta!

Ela levantou os olhos com esforço… e viu o pai.

Estendeu a mão, trêmula, ensanguentada.

— Pai… — sussurrou.

Ele deu um passo à frente, os olhos fixos na filha.

— Por… que…? — a voz dele vacilou.

— Eu amo o Jungkook… mais que a minha própria vida.
E você queria tirar isso de mim…

Ela levou a mão à barriga, manchada de sangue.

— Você ia matar o pai… do seu neto.
O seu neto… pai. Eu tô esperando um filho. Um filho dele…

Os olhos do presidente se encheram de lágrimas.
Pela primeira vez… ele viu. Viu a barriga. Viu a mulher que sua filha havia se tornado.
Não uma menina rebelde.
Mas uma mãe. Uma esposa. Uma lutadora.

Amanda voltou o rosto para Jungkook.
Os olhos turvos, mas ainda com um brilho suave.

— Você é… tudo.
Se eu tivesse que morrer… pra te salvar, eu faria mil vezes.

Jungkook chorava, apertando a testa contra a dela.

— Não fala isso, por favor… não me deixa. Não agora.

Ela sorriu… um sorriso fraco, mas cheio de amor.

— Te amo… pra sempre.

E então, fechou os olhos.

O corpo cedeu.

Silêncio.

O presidente deu um passo para a frente, cambaleando.
Os olhos presos na filha inerte nos braços de Jungkook.

— Amanda…

— VOCÊ IA MATAR A PRÓPRIA FILHA! — gritou Jungkook, a voz rasgando o ar. 

O presidente caiu de joelhos, atordoado, o rosto sem cor.

Um dos seguranças olhou para o outro. Ninguém dizia nada.

A respiração de Amanda estava fraca… mas ainda havia.

Jungkook a segurava como quem segura o mundo.
Como se o amor dele pudesse mantê-la viva.

“Fica comigo, por favor. Fica comigo.”

O destino agora… estava suspenso.

4 Comentários

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  1. Iasmine
    Jun 11, '26 at 10:14 pm

    — Sim. Eles moram naquela casa no alto — apontou Masaki, tentando não parecer nervoso. — Ele trabalha todos os dias.

    Olha esse judas.. apesar de que sempre foi lazarento

  2. Iasmine
    Jun 11, '26 at 10:17 pm

    — Ei! Ei! Chega! Não era isso! O acordo era só trazer a menina de volta! — gritou, se aproximando.

    Ue filho tava esperando o que? Flores ?

  3. Iasmine
    Jun 11, '26 at 10:18 pm

    O impacto atingiu o ar e, em seguida, o corpo dela. Amanda caiu com força, entre Jungkook e o segurança, exatamente onde ele estava ajoelhado. O mundo pareceu congelar.

    Noossa acertou a Ameinda pqp

  4. Iasmine
    Jun 11, '26 at 10:19 pm

    A respiração de Amanda estava fraca… mas ainda havia.

    Mas acertou aonde? Na barriga da Ameinda?

Nota

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