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O sol entrava pela janela do apartamento, iluminando a cozinha onde todos já estavam reunidos. O cheiro de café fresco, pão e frutas pairava no ar. Tae e Jungkook já estavam prontos, Yoo-na também. Lia e Jihye ainda mexiam nos celulares, trocando risadas baixas.

Jungkook se espreguiçou na cadeira, bocejando. Olhou para Yoo-na e falou baixo:
— Tenho aula só mais tarde, mas quero te levar para a entrevista.

Ela sorriu com um leve arrepio.
— Eu já deveria ter saído.

Jungkook riu, puxando-a para mais perto.
— Não se apresse, seu chefe está bem aqui… ele sabe muito bem o que você andou fazendo a madrugada toda. — murmurou, apertando a bunda dela e roubando um beijo intenso.

Lia ergueu a cabeça, observando os dois com um sorriso divertido. Depois de pensar um instante, comentou:
— É… eu tava querendo… achar uma academia nova. Não conheço muito por aqui, mas como minha amiga vai dar aula lá… me sinto mais confortável e tenho companhia para pelo menos ir pra lá.

Tae sorriu largo, animado.
— Ótima ideia! Isso vai ser muito bom.

Jungkook riu, apoiando os cotovelos na mesa.
— É isso aí. Vocês iniciam hoje, como sabem, e depois a gente alinha os exercícios de vocês.

Ele virou o rosto para Yoo-na e, num tom baixo e safado, deixou a mão deslizar pela coxa dela:
— Você nem precisava ir pra academia… só meia hora comigo no quarto já resolvemos tudo. — disse, apertando novamente a bunda dela e selando seus lábios em outro beijo.

Ela riu, um pouco sem jeito, desviando o olhar.
— EEEi… não na frente dos outros. — provocou, empurrando o ombro dele de leve.

Todos caíram na risada, e logo começaram a se preparar para sair.

Já no carro, Lia se abaixou no banco de trás, esticando o braço para pegar o gloss que tinha caído. Quando voltou, erguia nos dedos um pedaço delicado de renda preta.

— De quem é isso, Jungkook? A quanto tempo isso tá aqui? — perguntou, erguendo a sobrancelha.

Jungkook franziu a testa na hora, o corpo ficando rígido no banco do motorista. Os olhos dele foram direto para a peça íntima entre os dedos da amiga. Antes que ele conseguisse dizer algo, Yoo-na se inclinou um pouco para frente, os olhos arregalados.

— Ahh! Onde você achou isso? É minha… — ela pegou da mão de Lia com rapidez, rindo nervosa. — Procurei em tantos lugares, mas não sabia onde tinha deixado.

As mãos de Jungkook apertaram o volante com força. Na mesma hora, a lembrança daquela noite explodiu na cabeça dele. O banco do carro, o cheiro dela, a calcinha sendo puxada de lado, o corpo dela descendo nele sem piedade, o carro balançando com os movimentos intensos. A voz dela ecoou na memória: “Goza pra mim…”. O gemido dele, rouco e quebrado, ainda parecia estar preso na garganta.

Jungkook respirou fundo, tentando se recompor. Mas o olhar dele já tinha escurecido, os lábios entreabertos como se o corpo ainda reagisse à lembrança.

Yoo-na também ficou em silêncio por alguns segundos, com a calcinha fechada na mão. Seus olhos encontraram os dele pelo retrovisor. A respiração dela acelerou sem querer, como se tivesse sentido o mesmo flash.

Ela mordeu o lábio, inclinando-se um pouco mais perto dele.
— Tá lembrando, né? — sussurrou baixinho, só para ele ouvir.

Jungkook desviou o olhar rápido para a estrada, mas não conseguiu esconder o sorriso de canto.
— Difícil esquecer… ainda mais agora. — murmurou, a voz grave, carregada.

Lia pigarreou no banco de trás, guardando o gloss na bolsa, fingindo não perceber a tensão no ar.
— Se essa calcinha falasse… — ela provocou, mas logo riu sozinha.

Yoo-na segurou a peça escondendo no colo e sussurrou de novo, só para ele:
— Você quase me matou aquele dia.

Jungkook virou o rosto devagar para ela, os olhos fixos, intensos, perigosos.
— Quase? — ele disse, num tom rouco. — Então é bom você se preparar, porque eu ainda pretendo terminar o que comecei.

Yoo-na mordeu o sorriso, o corpo inteiro arrepiado. Lia olhou a cena pelo retrovisor e revirou os olhos.
— Vocês dois… sério, controlem-se. Ainda nem chegamos.

Tae e Jihye estavam no carro dele, indo juntos. Quando chegaram, a energia mudou de imediato. Era visível o clima de curiosidade no ar.

Tae e Jihye entraram primeiro, lado a lado, conversando baixinho. Jihye usava roupa de academia, postura confiante. Jungkook foi até a recepção, acertou tudo para Yoo-na com calma.

Quando ele se voltou, pegou a mão dela sem cerimônia — e entraram juntos, de mãos dadas.

Lia soltou uma risadinha provocativa:
— Ai que fofo! Quero ser a madrinha quando casarem!

Yoo-na corou levemente, tentando puxar a mão.
— Ai, não precisa disso…

Jungkook sorriu malicioso, firme.
— Claro que precisa. Eu quero mostrar pra todo mundo a mulher incrível — e gostosa — que eu tenho do lado. E se algum homem chegar perto de você, eu acabo com ele.

O rubor de Yoo-na aumentou. A academia inteira parou para olhar. Não era comum ver Jungkook assim. Ele sempre pegava mulheres e sumia, nunca deixava pistas. Agora, aquela exposição pública gerava cochichos.

Algumas, que já haviam ficado com ele, se mostravam indignadas. Uma delas, em especial, o encarava com raiva contida. Ele era meu… e agora? Mas ficou em silêncio.

Foi nesse momento que Namjoon desceu as escadas. O olhar sério encontrou a cena, e ele franziu a testa.
— O que tá acontecendo aqui?

Jungkook sorriu, quase provocando.
— Sobe vocês dois… estão parando a academia.

Namjoon respondeu seco:
— Vamos logo, antes que a entrevistada chegue e ache que isso aqui é uma bagunça.

Jungkook riu, tranquilo:
— Ela já tá aqui.

Namjoon o olhou confuso.
— Afinal… era ela mesmo?

Jungkook confirmou com um sorriso satisfeito:
— Sim. Coincidência não? Ou melhor… destino. Encontrar a mulher da minha vida, seja no trabalho ou na balada.

Namjoon riu de leve.
— Diferença é que, no trabalho, você ia ter que suar muito mais por ela. Porque com a fama que você tem aqui…

Jungkook largou a mão de Yoo-na, apressado, subindo dois degraus de uma vez para alcançar o amigo.
— Shhhhhh.

Yoo-na riu e comentou:
— Quer esconder o quê, se já me contou tudo?

Ele coçou a nuca, meio sem graça.
— Ah, é mesmo… verdade.

Todos riram, quebrando um pouco da tensão. Mas então Namjoon percebeu Lia parada, muda, com os olhos fixos nele.

De forma educada, ele a cumprimentou:
— Bom dia, Lia.

E virou-se para subir, fugindo do olhar dela.

O coração dela se apertou como se tivesse levado um soco. Por dentro, se destroçava. Seria melhor  ele continuar fingindo que não estou aqui. Ai que merda… o que eu tô fazendo aqui?

Jungkook e Yoo-na perceberam o clima. Antes de entrarem, Yoo-na puxou Lia discretamente para o lado de fora.
— O que tá acontecendo?

Lia tentou disfarçar, mas a amiga conhecia cada detalhe dela.
— Ah, não é nada demais… só transamos naquele dia, e nada mais.

Yoo-na a encarou firme, sem acreditar.
— Isso não acabou. Quero respostas de verdade. Se ele te magoou, eu acabo com ele.

Lia forçou um sorriso. Yoo-na não podia perder aquela chance que parecia feita sob medida para ela.
— Aaah, deixa de ser besta. Já disse que tá tudo bem.

Yoo-na não engoliu, mas fingiu por enquanto. As duas entraram juntas.

Enquanto Namjoon entrevistava e contratava Yoo-na, Jungkook e Lia ficaram no canto. 

Quando tudo terminou, Namjoon se voltou para Lia:
— Fica. Quero falar com você.

Jungkook e Yoo-na saíram, deixando-os sozinhos.

Namjoon respirou fundo antes de falar.
— O que houve entre a gente… não vai mais acontecer. Você não deve mais me mandar mensagens. E ninguém pode saber do que aconteceu. Agora que você vai frequentar essa academia… e a minha noiva também vem aqui todos os dias, além do fato de você ser a cabelereira dela…

Lia ouviu calada, segurando com todas as forças para que os olhos não se enchessem de lágrimas.

Ele a encarou, esperando alguma reação.
— Não vai dizer nada?

Ela puxou o ar, tentando manter a voz intacta, mas saiu trêmula. Ainda assim, sorriu com ironia leve:
— É claro, senhor Namjoon. Mas… contar o quê? Não entendo. Nunca aconteceu nada.

O olhar dele pesou. Por dentro, pensava: Ela não merecia ouvir isso dessa forma… O tom dela carregava uma mágoa que ele não queria admitir que sentia também. Um peso se instalou no peito.

Mas abriu a boca e disse apenas:
— Obrigado.

Lia engoliu o choro. Saiu da sala erguendo o queixo. Ao abrir a porta, viu a amiga esperando. Forçou um sorriso enorme:
— Vamos malhar? Quero conhecer os gatinhos dessa academia…

Yoo-na franziu a testa, desconfiada. Mas, como Lia sempre foi assim, achou que estava apenas animada. Sorriu de volta:
— Então vamos lá.

Jungkook, que tinha ouvido a frase, estreitou os olhos.
— Gatinhos, é? Só pra você saber, se você ficar olhando demais… eu boto todos eles pra fora daqui.

 eu boto todos eles pra fora daqui

Yoo-na riu, provocando-o.
— Então por que não fica comigo o treino inteiro?

Jungkook mordeu o lábio, pensou rápido e respondeu:
— Boa ideia. Assim eu garanto que ninguém chega perto de você.

E desceram juntos, ela sorrindo divertida, ele já preparado para vigiar cada passo.

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