You have no alerts.
Header Background Image

O sol mal atravessava a cortina quando Yoo-na abriu os olhos. Ela sentia  que cada músculo parecia em chamas, a pele ainda sensível, e, lá embaixo, a dor latejava a cada pequeno movimento. Um gemido baixo escapou dos lábios dela quando tentou se esticar.

— Ai… — murmurou, fechando os olhos outra vez.

— Eu sabia… — a voz rouca de Jungkook soou ao lado dela.

Ela virou a cabeça devagar e o encontrou apoiado no cotovelo, observando-a com um meio sorriso preocupado.

— Já tava acordado? — ela perguntou, tentando ajeitar-se no travesseiro.

— Desde antes de você se mexer — respondeu ele, deslizando a mão pela cintura dela. — Achei que você ia acordar reclamando. Ontem… — ele suspirou, e um sorriso safado escapou. — Eu exagerei.

Ela riu baixinho, mas logo fez uma careta de dor.

— Exagerou mesmo… eu tô toda quebrada. Até pra respirar dói.

Ele a puxou com delicadeza, encaixando-a contra o peito.

— Não se mexe. Eu cuido de você.

Beijou a testa dela e começou a fazer pequenos carinhos, massageando os ombros e a lombar, tentando aliviar a tensão do corpo dela. Yoo-na fechou os olhos, rendida, enquanto ele murmurava:

— Hoje você descansa. Prometo não abusar de você hoje.

Tarde na academia

A tarde chegou e a rotina os levou à academia. Yoo-na tinha acabado de terminar uma de suas aulas, ainda com a respiração acelerada e o corpo úmido de suor. Jungkook estava de bobeira naquele horário, já havia feito os treinos dele. Tae malhava mais ao fundo, acompanhado por Jihya e Lia. Já Namjoon, que tentava evitara aquele lugar, estava de volta — não por escolha, mas porque um instrutor de musculação havia faltado, e ele precisava cobrir.

Ele mantinha a postura profissional, circulando entre os aparelhos, ajustando posturas, corrigindo respirações. Foi nesse momento que os olhos dele pousaram em Lia. Ela lutava com o peso no agachamento, o corpo tremendo na descida.

Namjoon se aproximou instintivamente.

— Assim você vai acabar se machucando — disse, a voz calma, mas firme.

Ele se posicionou atrás dela, colocou a mão suavemente na lombar dela e, com o outro braço, guiou o movimento.

— A coluna precisa ficar reta. Olha pra frente… olha pra mim. Isso. Segura. Agora desce devagar.

Lia o encarou por um instante, surpresa. Desde que ele havia reatado com Jisoo, ele praticamente fingia que ela não existia. Evitava contato, evitava conversa, evitava qualquer troca de olhar. E agora estava ali, próximo, delicado, quase carinhoso.

O toque na cintura dela trouxe lembranças imediatas: o sofá do Tae, a respiração ofegante, a intensidade do corpo dele contra o dela naquela noite que nunca saía da memória. O calor subiu pelo rosto dela, e ela desviou o olhar.

— Concentra, Lia — ele disse baixinho, como se não tivesse percebido a tensão que surgia. — Olha pra mim.

Ela obedeceu, mesmo sem querer. O coração dela acelerou. Namjoon sentiu o corpo reagir contra a própria vontade, lembranças invadindo como flashes rápidos. O cheiro dela, os gemidos, o gosto. Seu corpo traiu a mente, endurecendo ali mesmo, em plena academia.

Ele respirou fundo, tentando manter a máscara profissional. Mas o olhar dele ficou preso ao dela mais tempo do que deveria. Lia percebeu. 

Foi nesse instante que a voz estridente cortou o ar:

— PUTA!

Todos os olhares viraram ao mesmo tempo. Jisoo atravessava a academia com o celular na mão, os olhos faiscando de raiva.

— Amante! — ela gritou, o dedo apontado diretamente para Lia. — Eu devia ter imaginado… você, sempre se oferecendo, sempre se metendo!

O silêncio tomou conta do lugar. Lia empalideceu, as mãos trêmulas ainda segurando a barra.

Namjoon fechou os olhos por um segundo. O estômago dele revirou. Ele queria preservar o relacionamento dele, queria lutar contra os próprios sentimentos que insistiam em trair sua escolha. Mas também não suportava ouvir Jisoo esculachar Lia daquela forma.

— Jisoo, chega — disse ele, a voz mais firme.

Ela não parou.

— Você não passa de uma vadia barata! Se oferecendo pro meu namorado na frente de todo mundo!

— Jisoo — ele repetiu, mais sério, colocando-se entre ela e Lia. — Vamos subir. Agora.

Ele não a defendeu, mas também não permitiu que Jisoo avançasse. Segurou a mão dela, tentando tirá-la dali, o corpo tenso, o olhar fugindo de Lia para não se entregar.

Lia ajeitou a barra no suporte e respirou fundo, encarando Jisoo com um olhar afiado. A academia inteira parecia suspensa naquele instante. Então, ela abriu um sorriso debochado e soltou:

— Ai, pelo amor de Deus, Jisoo… você tá mesmo achando que uma transa meia boca  de uma noite só, ia me fazer querer ele? — deu uma risada curta, venenosa. — Se fosse por isso, você já tinha perdido ele faz tempo, não acha?

O deboche caiu como gasolina no fogo. Jisoo perdeu a linha, avançou sem pensar, pronta pra bater em Lia. Mas antes que conseguisse encostar um dedo, Yoo-na surgiu como uma tempestade: agarrou Jisoo pelos cabelos e a puxou com força, jogando-a contra um dos equipamentos de ferro.

— Tá maluca? — Yoo-na cuspiu, os olhos faiscando.

Namjoon correu instintivamente para socorrer a noiva, mas Jungkook entrou na frente, segurando-o pelo braço com firmeza.

— Nem se atreve, hyung. — a voz dele era grave, séria.

Tae também correu pra segurar Namjoon do outro lado, tentando conter a força dele.

— Calma, cara! Você não tá vendo o que tá acontecendo?

Jisoo, mesmo caída perto do equipamento, não parou de gritar.

— SUA VADIA! VOCÊ VAI SE ARREPENDER DE MEXER COMIGO!

Jungkook deu um passo à frente, a voz trovejando:

— Tá falando da minha mulher por quê? Hein? — o maxilar dele travado, os punhos cerrados.

Enquanto isso, Jihye se jogou ao lado de Lia, abraçando-a pela cintura, protegendo-a com o corpo. Lia tremia, mas mantinha o queixo erguido, como se não fosse recuar.

— Vem, vem bater então! — Lia gritou, mesmo sendo contida por Jihye.

Yoo-na partiu pra cima novamente, o tapa estalou alto contra o rosto de Jisoo, fazendo até os poucos alunos murmurarem em choque.

Nesse momento, Namjoon conseguiu se soltar das mãos de Tae e Jungkook. Mas antes que ele pudesse chegar perto, Yoo-na apontou o dedo na cara dele, os olhos em brasa:

— VOCÊ NÃO CHEGA NEM PERTO DESSA VADIA!

Namjoon parou, ofegante, os olhos arregalados de pura revolta.

— Como vocês têm coragem de falar assim dela?! Ela é minha NOIVA! — a voz dele tremeu de raiva.

Yoo-na apenas lançou um olhar rápido para Jungkook. Ele entendeu na hora. Pegou o celular, apertou alguns botões, e de repente, todas as TVs da academia — das maiores às pequenas nas paredes — se acenderam ao mesmo tempo.

E lá estava Jisoo.

Vídeos gravados na balada: beijando diferentes caras, rebolando no colo de um deles, gargalhando como se não houvesse amanhã. E, por fim, subindo de mãos dadas com o dono da boate, sumindo para o camarote VIP.

A academia inteira congelou.

— O quê…? — Namjoon murmurou, o rosto ficando branco de choque.

Os murmúrios começaram, aumentando como uma onda.

— Não pode ser ela… —
— Olha isso, mano… —
— Isso é traição na cara dura! —

Namjoon sentiu o chão sumir. A respiração dele falhou. Toda vez que ela o acusava, toda vez que ela se fazia de vítima, toda vez que ela jogava Lia contra ele… tudo desmoronava diante daquelas imagens.

— Você… você mentiu pra mim esse tempo todo… — a voz dele saiu rouca, quase um sussurro.

— NÃO É O QUE PARECE! — Jisoo gritou, se levantando, os olhos vidrados de ódio, mas ninguém parecia acreditar.

Ela virou-se para Lia de novo, descontrolada:

— Foi você! Eu mandei você não falar nada pra ele! EU MANDEI!

Ela partiu pra cima, mas Yoo-na segurou seus cabelos novamente, como se segurasse um cachorro bravo pela coleira.

— Você não vai encostar UM DEDO nela. — Yoo-na rosnou, empurrando a cabeça dela para trás.

Jisoo se debateu, gritando.

— SUA DESGRAÇADA!

Lia, ainda abraçada por Jihye, olhou confusa.

— Eu não… eu não sabia de nada disso… — a voz dela saiu trêmula.

Yoo-na puxou ainda mais os cabelos de Jisoo e disse, debochada:

— Claro que não, Lia. Porque quem gravou… fui eu, amiguinha. — sorriu venenosa, olhando Jisoo de cima a baixo. — Fiz até um clipezinho especial. Só não consegui escolher a música perfeita ainda… Tava pensando em algo tipo “Vadia” ou “Cafetina”… mas posso postar no YouTube e pedir pro público escolher o título. Que tal?

Ela deu uma risadinha sarcástica.

A academia explodiu em um burburinho. Namjoon levou as mãos à cabeça, perdido entre a raiva, a vergonha e a decepção. Jungkook mantinha os olhos fixos em Yoo-na, pronto para intervir caso precisasse. Tae olhava a cena como se estivesse no meio de um incêndio impossível de apagar.

A recepcionista saiu quase correndo, segurando a bolsa contra o peito, enquanto Tae e Jungkook fechavam a porta por dentro e iam dispersando os poucos alunos restantes. O silêncio que se instalou na academia parecia ainda mais pesado que os gritos de minutos antes.

Namjoon respirou fundo, os olhos semicerrados, a mandíbula travada. Olhou para Jisoo, a mão passando pelos cabelos como se buscasse organizar os próprios pensamentos.

— Temos que conversar. — disse, firme, sem encarar mais ninguém.

— Conversar? — Jihye explodiu, a voz carregada de indignação. — Ainda quer conversar, Namjoon? Ela te trai descaradamente, você vê com os próprios olhos… e ainda quer conversar?

Tae foi rápido em segurar o braço dela, puxando-a com delicadeza, mas firmeza.
— Amor, deixa isso com eles… — murmurou, tentando contê-la.

Namjoon fechou os olhos por um instante, respirou fundo, e então os abriu, pousando-os sobre Lia. O olhar dele a atravessava — pesado, exigente, quase cruel.

— Você sabia disso? — a voz saiu rouca, grave. — Sabia que ela me traía… e nunca me disse nada? Por quê?

Lia sentiu o coração bater descompassado, as mãos tremendo levemente ao lado do corpo. Forçou a voz a sair, mas ela vacilava.
— Eu… eu ia fazer o quê? — murmurou, tentando manter a postura. — Por que eu deveria me meter na sua vida, Namjoon?

Ela deu um passo hesitante à frente, os olhos marejados, mas firmes nele.
— No mesmo dia que a gente… transou, você me deixou no meu salão e nunca mais respondeu minhas mensagens. — a voz falhou, mas ela respirou fundo, se obrigando a continuar. — Você mesmo me chamou só pra dizer que não queria nada comigo… que era pra fingir que nada tinha acontecido entre a gente.

Ela engoliu seco, apertando os lábios, quase cedendo às lágrimas.
— Eu não ia me meter na sua vida… até porque nunca fiz parte dela.

O silêncio que se seguiu foi como uma faca atravessando o ar. Namjoon ficou imóvel, os olhos piscando lentamente, como se cada palavra tivesse se alojado fundo demais. Sua respiração acelerou, e ele deu um meio passo em direção a ela, mas antes que qualquer coisa pudesse acontecer, a risada alta e debochada de Jisoo cortou o ambiente.

— Foi só mesmo uma noite, Namjoon? — ela disse, arqueando a sobrancelha, os braços cruzados em frente ao peito. — Se foi só uma noite, então por que chamava o nome dela enquanto dormia?

Namjoon congelou, o sangue sumindo de seu rosto.

Jisoo não parou. A voz dela soava venenosa, vibrando nas paredes da academia.
— E você acha que eu não percebi? Que eu não ouvi no dia em que a gente transava lá em casa? — ela riu de novo, cruel. — Eu ouvi você me chamar de Lia.

O choque estampou o rosto de Namjoon. O peito dele subia e descia em respirações rápidas, o olhar se desviando, como se estivesse tentando encontrar uma resposta onde não havia. Ele abriu a boca, mas não conseguiu soltar palavra alguma.

Já Lia… sentiu o chão desaparecer sob seus pés. As pernas quase fraquejaram, e se não fosse Jihye estar perto, ela teria caído. O coração dela se retorceu com a revelação — porque até aquele instante, acreditava que para Namjoon ela não passava de um erro, um detalhe apagado. Mas ouvir aquilo… ouvir que, mesmo ao lado da noiva, ele a chamava…

O choque se misturava à dor, à incredulidade. As lágrimas ameaçaram escapar, mas ela desviou o rosto, mordendo o lábio com força, como se pudesse conter a avalanche de sentimentos.

1 Comentário

Aviso! Seu comentário ficará invisível para outros convidados e assinantes (exceto para respostas), inclusive para você, após um período de tolerância. Mas se você enviar um endereço de e-mail e ativar o ícone de sino, receberá respostas até que as cancele.
  1. IASMINE
    Feb 3, '26 at 1:10 pm

    O choque se misturava à dor, à incredulidade. As lágrimas ameaçaram escapar, mas ela desviou o rosto, mordendo o lábio com força, como se pudesse conter a avalanche de sentimentos.

    Aiiiiii Lia que sofrimento meu deus

Nota

Você não pode copiar conteúdo desta página