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A academia estava cheia, mas o clima estava diferente. Todos os seis já estavam espalhados, malhando. O barulho dos pesos, o som ritmado das máquinas, mas também… a sensação de que a maioria estava apenas olhando, sem coragem de comentar alto.

Jungkook e Yoo-na chamavam a atenção. Entre um exercício e outro, riam, conversavam, trocavam pequenos beijos. Ele ajeitava o cabelo dela, segurava a cintura enquanto ela terminava a série. Coisas que nunca tinha feito com nenhuma outra ali.

Os cochichos começaram, inevitáveis:

— Não pode ser sério, né? — murmurou uma das meninas no canto.
— Ele nunca fez isso… tá estranho. —
— Será que é só mais uma? —
— Duvido. Olha o jeito que ele olha pra ela… ele tá apaixonado. —

Namjoon, que passava perto, ouviu. Parou seco e lançou um olhar firme.
—  Voltem a malhar.

As garotas se entreolharam, constrangidas, e voltaram pros aparelhos, fingindo que não tinham falado nada.

Alguns minutos depois, Lia tentava se concentrar no treino. Forçava um sorriso largo, falava alto, fazia piadinhas com Yoo-na. Mas, de vez em quando, mesmo sem querer, os olhos a traíam. Ela olhava na direção de Namjoon. E toda vez… ele já estava olhando. Ela disfarçava, fingia que não via.

Foi então que um dos instrutores se aproximou. Alto, forte, bonito, com aquele sorriso fácil de quem sabia que chamava atenção. Lia estava tentando ajustar o equipamento, mas parecia com dificuldade. Namjoon, do outro lado, percebeu de imediato. Deu um passo na frente, quase indo até ela — mas parou. Deu outro pra trás, se contendo.

E nesse instante, o instrutor já estava ao lado dela.
— Deixa eu te ajudar aqui… tá usando o peso errado.

Ela abriu um sorriso risonho, exagerado. Ela estava… desesperadamente mascarar. Fingindo que estava tudo bem. Que não estava abalada desde que soube que Namjoon tinha voltado pra a noiva dele. 

— Ah, obrigada! — disse ela, rindo. — Achei que era só puxar e pronto. —

O instrutor sorriu de volta, ajustando a máquina. Ela mantinha o riso largo, animado, teatral. Namjoon, de longe, via tudo. O peito apertado.

Poucos minutos depois, a porta se abriu. A noiva de Namjoon entrou.

Jisoo.

Ela nem olhou em volta — foi direto até ele.
— Oi, meu amor. — Agarrou-o pelo pescoço, beijando-o ali mesmo.

Namjoon travou por um instante, mas correspondeu, tentando agir natural.
— Oi, amor. —

Eles trocaram algumas palavras rápidas, o tom dela doce, grudento. Enquanto isso, Lia forçava ainda mais seu sorriso, olhando para o aparelho, como se não tivesse visto nada.

Mas Jisoo, de repente, notou Lia.
— Liiiia! — disse, como se fossem melhores amigas.

Lia franziu a testa, surpresa. Aquilo nunca tinha acontecido.
— Oi… — respondeu, quase seca.

Jisoo se aproximou, segurando o braço dela.
— Que bom te ver! Eu quero te apresentar meu noivo.

Lia abriu um sorriso quase fraco, mas o forçou maior.
— É, eu já conheço. —

Jisoo arregalou os olhos.
— Ah é? —

Lia soltou uma risada breve.
— Ele é o dono da academia, né? Junto com o namorado da minha amiga. —

Namjoon relaxou levemente ao ouvir isso.
— Vamos, Jisoo. Vem, vamos pro seu treino. —

Mas Jisoo fez questão de beijá-lo mais uma vez na frente de Lia, prolongando. Lia sustentou o sorriso, imóvel.

Do outro lado, Yoo-na percebeu tudo. E, como se fosse coincidência, fingiu tropeçar, esbarrando em Jisoo e derramando um pouco de água na roupa dela.
— Ai, meu Deus, como eu sou desastrada! Me desculpa, me desculpa! —

Lia logo percebeu a jogada. Um sorriso de canto escapou.

Jungkook olhou a cena, depois olhou para Namjoon, confuso. Ainda não entendia o que, de fato, estava acontecendo.

Namjoon respirou fundo e falou baixo para Jisso :

— Vem comigo. Vamos no meu escritório, resolver isso.

Segurou a mão dela e a levou, tentando manter o controle da situação.

Jisoo subia os degraus agarrada ao braço de Namjoon. Beijava o bíceps dele, apoiava o rosto no ombro, como se fosse uma adolescente apaixonada.

— Meu amor… você tá cada vez mais forte, sabia? — dizia entre risinhos, beijando a manga da camiseta dele.

Namjoon caminhava em silêncio, engolindo seco. Aquilo não era comum nela. Ela não é assim… nunca foi. Mas ele não protestou. Não disse nada.

Ao chegarem no corredor do escritório, Jisoo parou por um instante, virou o rosto para trás e lançou um último olhar para baixo, para o salão da academia. Lia ainda estava lá.

Jisoo, então, soltou o braço dele de leve, dando um passo à frente. Passou a andar primeiro, até entrar no escritório.

Assim que a porta se fechou, Namjoon a puxou de volta. Suas mãos deslizaram pelo corpo dela, tirando a blusa com pressa. Ele a encostou contra a parede e começou a beijá-la no pescoço.

Jisoo fechou os olhos, soltou um gemido rápido — mas falso, ensaiado. Fingindo rendição. Fingindo excitação.

Namjoon parou, a boca ainda próxima ao colo dela.
— O que tá acontecendo?

Ela estremeceu.
— Nada… não tá acontecendo nada. — puxou o rosto dele de volta para um beijo, tentando conduzir.

Namjoon afastou-se um pouco, olhando nos olhos dela.
— Eu te conheço, Jisoo. O que tá acontecendo?

Ela respirou fundo, oscilando entre raiva e insegurança.
— Da onde você conhece aquela garota? Porque eu nunca vi ela aqui.

Namjoon travou. Engasgou em silêncio. O ar entre eles pareceu pesar.

Jisoo riu com ironia.
— Eu não acredito… ela? E você deixa ela malhar aqui?

Ele passou a mão pela nuca, tentando encontrar uma saída.
— Essa academia não é só minha. Eu não trouxe ela.

— Não foi você, né? — ela rebateu, mordendo o lábio, furiosa. 

Ele respirou fundo.
— Eu tô com você. Se eu não tivesse escolhido você, só você, eu nem teria contado nada.

— Contado…? — ela riu sem humor, balançando a cabeça. — Você não me contou, Namjoon. Eu descobri.

A voz dela subiu.
— E agora ela tá aqui, na sua academia. Onde eu venho todos os dias e o seu local de trabalho.

— Jisoo… — ele tentou falar, mas ela o cortou.

— Tá, eu disse que tinha te perdoado, né? Eu perdoei, sim. — ela respirou fundo, os olhos faiscando. — Mas eu não quero ver você perto daquela mulher. Nunca.

O silêncio ficou denso. Até que ela mesma puxou ele de volta. A boca contra a dele, firme, como se quisesse calar qualquer resposta.

Namjoon deixou-se levar, mas o peso no peito era evidente. Ele tentou transar com ela tentando arrancar algo verdadeiro. Mas Jisoo reclamava. Reclamava quando ele pegava forte, quando acelerava demais.

— Ai, calma… não desse jeito… — ela dizia, revirando os olhos.

Ele insistia, mudava o ritmo, beijava com mais fome, buscando reação. Mas era como se ela não quisesse estar ali.

No fim, ela fingiu. Fingiu gemidos, fingiu tremores, fingiu até o orgasmo — apenas para encerrar logo.

Namjoon, acreditando, deixou-se levar. O corpo dele cedeu, o prazer explodiu de forma desordenada.

Quando terminou, respirava pesado, ainda sobre ela, tentando acreditar que aquilo tinha significado algo. Mas o olhar de Jisoo, distante, já dizia outra coisa.

Jisoo se afastou lentamente, deslizando as mãos pelo peito dele. Levantou-se, pegando sua roupa. Olhou para ele com um meio sorriso cansado.

— Eu tô tentando… — disse ela, ajeitando a blusa. — Mas tá difícil… você acha que eu vou esquecer o que você fez?

Namjoon fechou os olhos um instante, respirou fundo, e num tom mais ríspido, falou:

— Porra… você terminou comigo. Você tava numa balada ao invés de ficar comigo. E ainda terminou comigo. Você queria que eu fizesse o quê? Esperar sentado?.

Namjoon avançou um passo, a voz carregada:
— Mas você disse que não tava nem aí, que não queria, que não se importava… como é que eu ia… — ele parou, respirou fundo. — Tá… vamos parar com isso.

Jisoo concordou com um leve aceno, puxando a gola da blusa. Aproximou-se dele, beijou-o suavemente, num beijo breve, mas carregado.

— Desculpe amor… — ela sussurrou. — Eu vou preparar algo muito legal pra você lá em casa hoje. Eu te espero hoje à noite.

E saiu.

Desceu as escadas ajeitando a roupa e o cabelo, como se quisesse mostrar pra todos que eles tinham transado.

No canto da academia

Lia observava tudo. O olhar fixo em Jisoo, ajeitando as roupas ao sai do escritório dele. Ela segurava seu próprio choque interno, respirando fundo. Ainda não tinha terminado de processar tudo, então decidiu ir ao banheiro. Precisava se recompor — trocar a roupa suada, tomar um banho, limpar a mente.

Jisoo a seguiu, passos firmes. Aproximou-se dela no corredor e, com um tom baixo, quase sussurrado, botou Lia contra a parede.

— Eu sei. — disse ela, com voz carregada de ameaça. — Eu sei que você transou com o meu noivo. Eu vi. Eu vi ele te levando no dia seguinte lá no salão. Eu vi tudo. Vocês se beijando… eu vi tudo.

Lia engoliu seco, tentando não demonstrar. Jisoo continuou, feroz:
— Ele prefere a mim. Do que uma qualquer como você. Eu vou deixar muito claro… enquanto você se manter perto do meu noivo, eu vou fazer sua vida um inferno. Eu quero que você se afaste dele. Não quero mais você aqui.

Lia engoliu o choro. Não disse nada de imediato. Sua voz saiu baixa, quase indiferente, mas carregada de dor:
— Acabou?

Jisoo deu um sorriso curto, irônico.
— Não. Só está começando.

Lia respirou fundo.
— Por quê? Qual a diferença faz? Foi só uma noite. Não importou nada. Não teve sentimento. Não teve nada além disso.

Jisoo soltou-a com um empurrão suave, e Lia ao sair esbarrou com força no ombro de Jisoo, quase como um recado silencioso. Jisoo ficou parada, olhando para ela, antes de virar e seguir seu caminho.

Dias depois…

O dia estava tranquilo na academia até que um grito rompeu o ambiente.

— Ai! — Jisoo caiu no chão, segurando o joelho, chorosa, chamando a atenção de todos.

Namjoon largou os pesos imediatamente e correu até ela.
— O que aconteceu?

Jisoo fungava, lágrimas escorrendo rápido demais para quem tinha acabado de cair.
— A Lia… — disse, com a voz trêmula. — Ela… ela me empurrou…

Namjoon virou o rosto na hora, procurando por Lia. Ela estava alguns passos atrás, atônita, sem entender nada.

— O quê? — Lia piscou várias vezes, como se estivesse tentando se situar. — Eu… eu não fiz nada!

Namjoon estreitou os olhos, confuso, um tom de decepção na voz.
— Por que você fez isso?

Lia travou. O coração disparou, mas a voz não saiu. Ela ficou tão chocada com a desconfiança dele que não conseguiu se defender.

Nesse momento, Jihye, que estava ao lado, interveio:
— Nam, não! Eu vi tudo. A Lia não fez nada, ela tava só arrumando as coisas dela.

Mas Jisoo soluçou mais alto, abraçando o joelho, se encolhendo.
— Você não viu direito… ela… ela me odeia…

Namjoon fechou os olhos, respirou fundo. E, mesmo com a voz embargada, olhou para Lia como se acreditasse mais em Jisoo do que nela.

Alguns dias depois, Jisoo apareceu no salão de Lia. O ambiente, sempre elegante, ficou pesado de repente.

— Quero que você faça meu cabelo. — disse, como se fosse a cliente mais importante.

Lia cruzou os braços, a postura firme.
— Não. Sai daqui.

Jisoo arqueou a sobrancelha, fingindo surpresa.
— Nossa… que atendimento, hein?

Lia virou as costas, controlando a raiva.
— Eu não quero você aqui. Procura outro salão.

Minutos depois, Jisoo saiu. E no mesmo dia, já com o cabelo visivelmente danificado — por ela mesma, propositalmente —, foi chorosa até Namjoon.

— Olha o que ela fez comigo… — disse, mostrando os fios quebrados, a ponta ressecada, como se tivesse sido vítima de um erro grosseiro. — Aquela mulher me odeia…

Namjoon ficou furioso. A raiva estampada no rosto, ele foi atrás de Lia no salão.

— O que você fez? — perguntou, ríspido. — Você estragou o cabelo dela por vingança? Só porque não aguenta ver a gente junto?

Lia o encarou, e depois de alguns segundos de silêncio pesado, soltou uma risada curta, carregada de ironia.

— Você acha mesmo que eu ia estragar a reputação do meu salão… por causa de uma transa meia boca de um dia?

Foi como se ele tivesse levado um soco. O olhar dele se endureceu, o maxilar travado.

— Meia boca? — repetiu, com a voz baixa, quase um rosnado. O peito subia e descia rápido, a respiração pesada. — Então é assim que você fala do que aconteceu entre a gente?

Lia deu de ombros, sustentando o olhar com firmeza.
— Foi isso. Só uma noite. Nada demais. Você já esqueceu, né? Afinal, tem sua noiva perfeita.

Namjoon a encarou como se quisesse responder, mas a raiva e a confusão o engoliram. Ele só virou o rosto, respirando fundo, como se estivesse tentando acreditar que Lia realmente não significava nada.

Mas, no fundo, a frase ecoava nele como uma ferida aberta.

1 Comentário

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  1. IASMINE
    Feb 1, '26 at 3:41 pm

    Meu deus que babaca cego

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