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Namjoon desceu para a área de musculação com a expressão fechada. Vestia a regata preta colada ao corpo, a toalha jogada no ombro e os fones esquecidos no bolso. Ele não estava ali para ouvir música. Estava ali para extravasar.

Pegou a barra carregada, aumentou os pesos sem pensar duas vezes. Cada repetição de supino era feita com os dentes cerrados, o maxilar marcado de tensão. O suor logo começou a escorrer, pingando no peito, mas ele não parava. Quanto mais o músculo queimava, mais ele empurrava, como se estivesse castigando o próprio corpo pela frustração.

Nas passadas pesadas pelo chão de borracha, dava para sentir a raiva transbordando. Alguns alunos até olharam de longe, cochichando que o “chefe” parecia disposto a quebrar o ferro em duas partes. Namjoon, no entanto, não ligava para nada. Só contava na cabeça: um, dois, três… dez.

Na sala ao lado, o contraste era gritante. Jungkook estava cercado por oito crianças de 5 a 7 anos, todas com luvas pequenas e protetores na boca. Ele sorria largamente, agachado na altura delas, explicando com paciência cada movimento.

— Isso, certinho, Mia! Gira o pezinho e dá o soco no ar. Um, dois! — ele mostrava, exagerando o movimento para que os pequenos acompanhassem.

As crianças riam, algumas errando os golpes, outras se empolgando demais e quase caindo. Jungkook corria para segurar, ajeitava a postura, levantava as luvinhas com delicadeza. Não havia mães nem pais observando naquele horário, só ele e a turma infantil. Mas o cuidado era tanto que parecia que cada um daqueles pequenos era seu protegido.

— Mais um round! Vamos lá! Quero ver a energia! — ele dizia, batendo palmas, incentivando-os.

No meio da confusão de risadinhas e luvas coloridas voando, Taehyung apareceu na porta, já sem o uniforme de Muay Thai, depois de se despedir da última turma. Encostou no batente, observando a cena por alguns segundos, até abrir um sorriso.

Esperou o treino terminar, quando Jungkook organizou a fila para os cumprimentos finais, cada criança batendo a luva na dele e indo embora. Quando a última saiu, Tae entrou, batendo no ombro dele.

— Cara, a Jiso tava aqui. — soltou direto.

Jungkook suspirou fundo, já entendendo. Era um padrão: toda vez que ela aparecia, Namjoon saía dali transformado.
— Eu sei… e como é que ele tá?

— O de sempre. — Tae riu de leve, mas logo mudou o tom, mais sério. — Tava pensando aqui… o que você acha de nós três irmos lá em casa hoje à noite? Beber, jogar alguma coisa, bater papo, comer besteira. Amanhã é sábado, a gente não precisa estar aqui. No máximo, passar rapidinho, mas nada demais.

Jungkook passou a mão na nuca, respirando fundo.
— Pô, eu queria malhar perna amanhã… mas bora. Também tô precisando, vai ser bom.

Tae abriu um sorriso maior.
— Ah, e parece que tá pra chegar um vizinho novo lá no andar. O apartamento do lado tá cheio de caixas, gente indo e vindo. Acho que no máximo amanhã já se muda. Se ele chegar hoje e for homem, a gente chama pra beber junto, fazer amizade. Conversar de coisa que não seja coisa da nossa rotina.

Jungkook deu uma risada curta.
— Se for mulher a gente chama do mesmo jeito. — riu, mas logo completou com um suspiro — Tô precisando desestressar.

Taehyung arqueou a sobrancelha, com aquele sorriso provocador.
— Tá pensando na garota do apartamento de novo? Na Yoo-na?

Na mesma hora, Jungkook fechou a cara.
— Ah, vai embora. — empurrou Tae em direção à porta. — Te vejo mais tarde.

Tae ria alto, se deixando empurrar, sem perder a chance da provocação:
— Cara, relaxa! Eu nunca te vi desse jeito! Ela te pegou direitinho, hein?

— Some daqui, Taehyung. — Jungkook resmungou, quase batendo a porta.

O relógio da sala marcava exatamente dez horas quando o riso fácil de Namjoon e Jungkook ainda preenchia o ambiente da casa do Taehyung. O clima estava leve, descontraído, como se as horas anteriores nunca tivessem existido. Até que um barulho abafado, vindo do apartamento ao lado, chamou a atenção dos dois.

Namjoon ergueu a cabeça primeiro, franzindo a testa.
— Você ouviu isso?

Jungkook parou de rir na mesma hora, virando o rosto em direção à parede. Os sons de vozes femininas ecoavam baixinho, mas estavam ali. Claros.

— São mulheres… — ele disse, quase em um sussurro, os olhos escurecendo com curiosidade.

Antes mesmo que Taehyung tentasse interromper, Jungkook já estava de pé, e caminhou até a porta com passos decididos, abriu, e em segundos já estava diante do apartamento ao lado.

Jungkook tocou a campainha, uma vez. Depois outra, mais insistente. O som ecoou lá dentro.

— Deve ser a pizza! — a voz de Lia soou lá dentro, risonha, totalmente alheia ao que estava prestes a acontecer.

Foi então que passos leves se aproximaram da porta. Yoo-na resmungou algo baixo, girou a maçaneta e abriu.

O mundo pareceu parar.

Ela congelou. Literalmente travou no batente, o olhar imediatamente sendo sugado pelo de Jungkook. O ar escapou de seus lábios sem que ela percebesse, como se o simples ato de respirar tivesse se tornado difícil.

Jungkook, demorou um segundo para reagir. Primeiro piscou, descrente, depois deixou escapar um suspiro pesado, quase de alívio.
— Não… não pode ser… — murmurou, baixo demais para qualquer um ouvir com clareza.

Os olhos se arregalaram, a respiração falhou, e ele deu um passo à frente, como se precisasse garantir que era real. A tensão percorreu cada linha de seu corpo.
— Yoo-na? — a voz dele saiu rouca, arranhada, carregada de incredulidade.

Os olhos dela piscaram rápido, a expressão endureceu em segundos.
— Foi errado… não é ninguém. — disse seca, forçando o corpo para frente, tentando empurrar a porta de volta.

O gesto foi rápido, mas Jungkook foi mais rápido ainda.

A mão dele voou para o batente, segurando com força, impedindo que ela fechasse. O coração martelava no peito, os olhos queimavam em frustração.
— Como assim não é ninguém? — ele soltou, a voz grave, arrastada, tomada pela incredulidade.

Jungkook inclinou o corpo contra a porta, se aproximando de Yoo-na o suficiente para que ela pudesse sentir a respiração dele, quente, irregular.
— Você acha mesmo… que pode fingir que eu não tô aqui? Fingir que eu não tô te vendo?

Os dedos dele se fecharam com mais força no batente, os olhos cravados nos dela como se pudessem atravessá-la. A dor, o choque e a raiva se misturavam de um jeito que o deixava à beira de perder o controle.

— Olha pra mim, Yoo-na. — a voz dele quebrou no final, quase um pedido.

— Como você me achou? — Yoo-na perguntou, os olhos semicerrados, a voz carregada de indignação e um certo receio de estar cara a cara com ele.

Jungkook respirou fundo, ainda firme no batente da porta.
— Meu amigo mora aqui do lado… — apontou com o queixo, sem tirar os olhos dela. — A gente ouviu umas risadas… e viemos chamar vocês pra… pra beber com a gente.

Ela arqueou a sobrancelha e soltou um riso curto, debochado.
— É claro… não pode ouvir voz de mulher que já quer tentar alguma coisa, né? — disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Não estamos interessadas.

Antes que Jungkook respondesse, Jihye apareceu por trás, curiosa, encostando o ombro na porta.
— Aquele gatinho tá ali?

Jungkook suspirou e logo abriu um sorriso largo.
— Tá sim. É a casa dele. O apartamento dele.

Lia deu um sorriso travesso.
— Eu topo. Tem alguém pra mim?

Ele riu de lado, ainda segurando a porta antes que Yoo-na fechasse na cara dele.
— Mais ou menos… Ele tem noiva, mas precisa ser consolado. — falou em tom de brincadeira.

— Eu não queria alguém comprometido. — Lia sorriu maliciosa. — Mas se for gato… eu posso consolar ele.

— Fechou. Vamos. — Jungkook respondeu rápido, aproveitando o embalo e já pegando no pulso de Yoo-na, que travou na hora.

Ela puxou o braço, firme, encarando-o.
— Eu só dormi com você uma vez. Eu não vou dormir de novo.

O maxilar de Jungkook se contraiu, e os olhos escureceram na mesma hora. Ele se inclinou mais perto, voz grave, baixa, carregada de ironia contida.

— Você acha mesmo… que eu tô batendo na sua porta por causa de uma transa? — ele soltou, o olhar fixo no dela, firme, quase desafiador.

Afrouxou a pressão no pulso dela, mas não largou de imediato, como se quisesse provar que ainda tinha o controle. Um meio sorriso torto surgiu em seus lábios, carregado de orgulho.

— Não se ache tanto, Yoo-na. — ele completou, como quem jogava de volta a provocação dela. — Eu só vim ser educado.

Ela piscou algumas vezes, como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir. Um riso curto, carregado de ironia, escapou de seus lábios.

— É mesmo? — rebateu, arqueando uma sobrancelha.

O sorriso que veio depois era malicioso, como se tivesse sido desafiada.

— Vamos, meninas… — ela disse por cima do ombro, chamando as amigas. — A noite acabou de melhorar.

E sem esperar resposta, Yoo-na passou por ele, saindo do apartamento como se tivesse acabado de ganhar o jogo que ele jurava estar controlando.

Jungkook ficou parado por um segundo, sentindo o perfume dela arrastar no ar, misturado à risada das amigas que seguiam logo atrás. Os dedos dele ainda formigavam da pressão no pulso dela, e seu orgulho, que antes parecia firme, agora lutava contra o desejo crescente de puxá-la de volta.

10 Comentários

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  1. Karine
    Jan 3, '26 at 3:09 pm

    — Mais um round! Vamos lá! Quero ver a energia! — ele dizia, batendo palmas, incentivando-os.

    Kkkk aah q bonitinho

  2. Karine
    Jan 3, '26 at 3:10 pm

    Jungkook deu uma risada curta. — Se for mulher a gente chama do mesmo jeito. — riu, mas logo completou com um suspiro — Tô precisando desestressar.

    Safado, cachorro, sem vergonha.

  3. Karine
    Jan 3, '26 at 3:14 pm

    — Você acha mesmo… que eu tô batendo na sua porta por causa de uma transa? — ele soltou, o olhar fixo no dela, firme, quase desafiador.

    Eu acho kkkk

  4. Karine
    Jan 3, '26 at 3:15 pm

    Coitado do meu Nam 🙁

  5. Sheila
    Jan 3, '26 at 5:23 pm

    Que mulher é essa?! Queria ser um pouquinho assim!!!

  6. Sheila
    Jan 3, '26 at 5:25 pm

    Que mulher é essa?! Maravilhosa!!!

  7. THAMIRIS
    Jan 16, '26 at 10:46 am

    Tae abriu um sorriso maior. — Ah, e parece que tá pra chegar um vizinho novo lá no andar. O apartamento do lado tá cheio de caixas, gente indo e vindo. Acho que no máximo amanhã já se muda. Se ele chegar hoje e for homem, a gente chama pra beber junto, fazer amizade. Conversar de coisa que não seja coisa da nossa rotina.

    Olha a surpresa kk

  8. THAMIRIS
    Jan 16, '26 at 10:50 am

    Os olhos dela piscaram rápido, a expressão endureceu em segundos. — Foi errado… não é ninguém. — disse seca, forçando o corpo para frente, tentando empurrar a porta de volta.

    Entendo o medo dela, mais não precisava disso

  9. THAMIRIS
    Jan 16, '26 at 10:53 am

    — Eu não queria alguém comprometido. — Lia sorriu maliciosa. — Mas se for gato… eu posso consolar ele.

    Gatissimo, gostosinho e carente

  10. THAMIRIS
    Jan 16, '26 at 10:54 am

    O sorriso que veio depois era malicioso, como se tivesse sido desafiada.

    Pronto,desafio aceito

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