Capítulo 12 – O Arquivo das Sombras
por FanfiqueiraO prédio da Kim Global parecia mais imponente sob a luz dura do início da tarde. Karine passou pela recepção com passos automáticos, o olhar fixo no horizonte de aço e vidro. Ela não era mais a estagiária nervosa do primeiro dia; agora, ela era uma mulher que havia decidido transformar sua dor em produtividade.
Namjoon estava parado perto da janela de sua sala, com uma xícara de café preto na mão, quando viu o elevador se abrir. Ele consultou o relógio: 13:20. Ela estava quase uma hora adiantada.
Ele a observou através do vidro. Karine não olhou para os lados. Ela se sentou, ligou o computador e abriu as pastas de arquivos com uma eficiência mecânica. Havia algo diferente nela. A fragilidade que ele explorara na noite anterior fora substituída por uma rigidez blindada. Seus olhos, embora levemente inchados, carregavam uma determinação gélida que Namjoon não esperava.
“Ela parou de sangrar”, ele pensou, sentindo uma pontada de irritação e, estranhamente, de curiosidade. “Ou decidiu esconder a ferida onde eu não possa alcançar.”
Ele viu quando ela começou a digitar, a postura impecável, ignorando o mundo ao redor. Ela não parecia mais uma presa; parecia um soldado preparando-se para a guerra.
Às 14:00 em ponto, Taehyung saiu do elevador. Ele caminhou apressado, os olhos buscando Karine desesperadamente. Quando a viu, ele diminuiu o passo, tentando formular uma frase, um pedido de desculpas, qualquer coisa que pudesse derrubar o muro entre eles.
— Karine… — ele começou, parando ao lado da mesa dela.
Ela não parou de digitar. Nem sequer levantou o olhar do monitor.
— O relatório térmico da ala norte está quase pronto, Sr. Kim Taehyung. Se precisar de algo para o setor de logística, por favor, envie por e-mail para que eu possa organizar minha fila de tarefas — a voz dela era profissional, desprovida de qualquer afeto ou histórico.
Taehyung sentiu o golpe. Era pior do que um grito. Era a indiferença técnica.
— Karine, por favor, não faça isso aqui… só me ouça por cinco minutos.
— Eu tenho um prazo, Taehyung. E como o Sr. Kim disse, eu não posso me dar ao luxo de distrações. Com licença.
Ela finalmente olhou para ele, mas seus olhos eram estranhos. Não havia o brilho do amor secreto, apenas um vácuo profissional que o deixou sem chão. Ela pegou um fone de ouvido, colocou-o e voltou ao trabalho, cancelando a existência de Taehyung naquele espaço.
Namjoon assistiu a tudo da sua sala. Ele viu a expressão de derrota no rosto de Taehyung e a muralha que Karine erguera. Aquilo não estava no roteiro. O “porto seguro” dela deveria ser o ponto fraco que ele usaria para controlá-la, não algo que ela descartaria por conta própria.
Ele apertou o botão do interfone.
— Taehyung. Na minha sala. Agora.
Quando Taehyung entrou, Namjoon estava sentado em sua poltrona, as mãos entrelaçadas sobre a mesa de mármore. O ambiente estava pesado, carregado com o cheiro de café e poder.
— Feche a porta — Namjoon ordenou, a voz saindo como um trovão baixo.
Taehyung obedeceu, mantendo a cabeça baixa.
— O relatório que você me enviou ontem à noite foi… incompleto — Namjoon começou, levantando-se e caminhando ao redor da mesa até ficar frente a frente com o subordinado. — Você disse que ela estava “destruída”. Mas o que eu vejo lá fora não é uma mulher destruída. É uma mulher que cortou laços.
Ele se aproximou mais, invadindo o espaço de Taehyung.
— O que aconteceu, Taehyung? O que você deixou escapar?
— Nada, senhor. Eu apenas a deixei no campus, como o senhor ordenou — Taehyung mentiu, mas sua voz falhou milimetricamente.
Namjoon soltou uma risada seca e sem humor. Ele agarrou o colarinho de Taehyung, forçando-o a olhar para ele.
— Não minta para mim. Eu conheço o cheiro da traição. Ela está agindo como se você fosse um estranho, e você está agindo como um cão chutado. O que aconteceu? Você, na sua estupidez emocional, tentou ser o herói?
— Ela… ela se declarou — Taehyung confessou, a voz trêmula. — E eu não respondi. Eu segui as suas ordens, Namjoon! Eu a deixei sozinha no escuro!
Namjoon soltou o colarinho de Taehyung com um empurrão. Ele se virou de costas, processando a informação. Karine Min amava Taehyung. E Taehyung a rejeitara por medo dele. O plano de isolamento fora tão bem-sucedido que agora Karine estava se tornando uma arma sem mestre, focada apenas no trabalho.
— Então é por isso que ela está assim… — Namjoon sussurrou para si mesmo. — Ela trocou o coração pela ambição.
Ele olhou para Taehyung com um desprezo renovado.
— Você cumpriu seu papel, Taehyung. Mas sua incompetência em lidar com ela após a rejeição criou um novo problema. Ela não está mais buscando conforto em você, o que significa que eu perdi minha alça de controle sobre ela através de você.
Namjoon caminhou até a parede de vidro, observando Karine trabalhar intensamente. Ela era magnífica naquela frieza.
— Saia daqui — Namjoon ordenou. — E fique longe dela. Se você tentar “consertar” as coisas e der a ela um motivo para voltar a sorrir, eu mesmo farei questão de que sua família sinta o peso da sua falha.
Quando Taehyung saiu, Namjoon ficou sozinho. Ele pegou o brinco de pérola no bolso e o colocou sobre a mesa. A dinâmica mudara. Karine não era mais a menina que precisava de proteção. Ela era uma força que precisava ser domada.
O relógio de parede marcava 15h30 quando o som rítmico dos sapatos de Namjoon ecoou pelo corredor. Ele não chamou por ela; ele simplesmente parou ao lado da mesa de Karine, projetando uma sombra longa sobre o teclado onde ela digitava freneticamente.
Karine não se assustou. Ela apenas parou o movimento das mãos e olhou para cima, mantendo a máscara de profissionalismo que havia adotado desde que o sol nascera.
— Senhorita Min — Namjoon disse, a voz baixa e vibrante. — Percebo que você tem uma energia considerável para o trabalho mecânico hoje. Como as análises de solo de 2010 já foram catalogadas, decidi que você é a pessoa ideal para um projeto de “reestruturação de memória”.
Ele fez um sinal com a cabeça para que ela o seguisse. Karine levantou-se em silêncio, ignorando o olhar suplicante de Taehyung, que assistia à cena de sua estação de trabalho, a poucos metros de distância. Ela não olhou para trás nem uma vez.
Namjoon a levou para o elevador de serviço, descendo até os níveis mais profundos do prédio, onde o brilho do mármore dava lugar ao concreto frio e à iluminação fluorescente e oscilante. Eles pararam diante de uma porta metálica pesada, que ele abriu com um cartão magnético preto.
Ao entrarem, o cheiro de papel velho, poeira acumulada e mofo atingiu as narinas de Karine. Era uma sala imensa, um labirinto de prateleiras de aço que chegavam ao teto, transbordando de caixas de papelão desintegrando-se e plantas de arquitetura enroladas e amareladas pelo tempo.
— O arquivo histórico da Kim Global — Namjoon anunciou, caminhando entre os corredores estreitos. — Está tudo fora de ordem. Projetos de fundação misturados com registros fiscais, croquis originais perdidos em pastas sem etiqueta. É um caos que eu não tolero mais.
Ele parou diante de uma mesa de metal solitária no centro da sala, iluminada por uma lâmpada pendente que criava sombras dramáticas nas paredes.
— Quero que você organize cada folha. Por data, por setor e por relevância estrutural. Quero um inventário digital completo.
Karine olhou ao redor. A sala era um túmulo de ideias esquecidas, mas para ela, parecia um santuário. Ali embaixo, o sinal de celular era inexistente. Ali, Taehyung não poderia alcançá-la com seus olhares de culpa, e Jennie não poderia tentar ser a ponte para uma amizade que Karine já considerava morta.
— É um trabalho para uma equipe inteira, Sr. Kim — ela disse, finalmente encontrando os olhos dele. — Mas eu aceito.
— Você não entendeu, Senhorita Min — Namjoon deu um passo em direção a ela, o ar entre eles tornando-se rarefeito. — Você não “aceita”. Você executa. E fará isso sozinha. Sem ajudantes, sem estagiários de apoio e, principalmente, sem a “consultoria” do Sr. Taehyung.
Ele se aproximou tanto que Karine pôde ver o reflexo das luzes industriais nas pupilas dele.
— Este será o seu escritório pelos próximos dias. Ou semanas. Dependendo da sua competência. Se você quer provar que o seu foco é inabalável, este é o lugar. Aqui não há distrações. Apenas você e o peso da história desta empresa.
Karine sentiu um calafrio, mas não de medo. Era um desafio.
— Entendido. Quando começo?
— Agora — ele entregou a ela um tablet para o inventário e um par de luvas de proteção. — Eu virei pessoalmente verificar o progresso. Se eu encontrar um único erro de catalogação, você começa tudo do zero.
Namjoon caminhou até a saída, mas parou com a mão na maçaneta. Ele olhou para trás, vendo Karine já se aproximando da primeira pilha de caixas com uma determinação quase assustadora. Ela parecia disposta a se enterrar naquela poeira apenas para não ter que enfrentar o mundo lá fora.
— Karine — ele chamou, usando o nome dela pela primeira vez naquele dia.
Ela parou, mas não se virou.
— O silêncio aqui embaixo pode ser enlouquecedor para alguns — ele disse, sua voz suavizando milimetricamente. — Mas para quem está fugindo de si mesma, talvez seja o único lugar honesto que resta.
Dito isso, ele saiu e a porta se fechou com um estrondo metálico que ecoou por todo o arquivo.
Karine ficou sozinha. Ela respirou fundo, sentindo a poeira queimar levemente seus pulmões, e começou a abrir a primeira caixa. Cada planta que ela desenrolava, cada cálculo que ela revisava, era um escudo que ela construía contra o que sentia.
Enquanto isso, lá em cima, Namjoon subia pelo elevador sentindo uma satisfação sombria. Ele a tinha colocado exatamente onde queria: em uma cela de papel onde ele era o único carcereiro autorizado a entrar.
[quote]— Eu tenho um prazo, Taehyung. E como o Sr. Kim disse, eu não posso me dar ao luxo de distrações. Com licença. [
Chamou ele de distração kkkk
Ela pegou ar
[quote]— Taehyung. Na minha sala. Agora.
Pronto, deu merda kkkkkk
[quote]— Você cumpriu seu papel, Taehyung. Mas sua incompetência em lidar com ela após a rejeição criou um novo problema. Ela não está mais buscando conforto em você, o que significa que eu perdi minha alça de controle sobre ela através de você.
A frieza dele é surreal
Enquanto isso, lá em cima, Namjoon subia pelo elevador sentindo uma satisfação sombria. Ele a tinha colocado exatamente onde queria: em uma cela de papel onde ele era o único carcereiro autorizado a entrar.
Tentando de tudo, pra ter ela sob o controle total dele
Putz
Ooh coitado
Aaah lazarento
Aah para de falar abobrinha vai pra lá
Agora ela virou uma muralha.. pqp acabou pra ele vei
Agora fodeooo… esse homem é esperto
Ou seja ele ja não é mais útil pra ele
Que grande filho da mãe… a pior atitude dele sempre sera a proxima
Era tudo que ela queria e precisava nesse momento
Não me faz te odiar não