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As semanas na Kim Global transformaram-se em um ciclo de tensão velada e produtividade febril. O escritório da presidência, outrora um lugar de silêncio sepulcral, agora vibrava com uma frequência estranha. Karine estava cada vez mais imersa nos projetos, usando o trabalho como um anestésico para a saudade constante de Taehyung, enquanto Namjoon… Namjoon estava perdendo o controle sobre as fronteiras que ele mesmo estabelecera.

O que começou como uma estratégia de isolamento estava se transformando em uma série de impulsos involuntários. Eram gestos que nasciam na periferia da sua consciência, ações que suas mãos executavam antes que seu cérebro pudesse processar a ordem de “pare”.

Era uma reunião de emergência na terça-feira. A mesa de conferência estava coberta de plantas, tablets e xícaras de café vazias. O ar estava pesado com a pressão do prazo final do complexo em Busan. Karine, sentada à direita de Namjoon como sua “assistente técnica”, estava focada em encontrar um documento específico em sua pasta de couro que havia escorregado para debaixo da mesa.

No exato momento em que ela se abaixou, movendo-se com a pressa de quem não quer ser notada, Namjoon, que estava no meio de uma explicação técnica sobre a fundação, não parou de falar. Seus olhos não saíram do gráfico na parede, mas sua mão direita, que descansava sobre a mesa, moveu-se com a rapidez de um reflexo de luta.

Ele estendeu a palma da mão, protegendo a quina afiada de metal da base da mesa exatamente no lugar onde a cabeça de Karine iria bater quando ela subisse.

Karine sentiu o roçar do cabelo contra algo macio e firme. Ela emergiu debaixo da mesa com o documento na mão e viu a mão de Namjoon ali, a centímetros de sua têmpora. No segundo em que seus olhos se encontraram, Namjoon recolheu a mão como se tivesse tocado em brasa. Ele fechou o punho sobre a mesa e pigarreou, a pele do pescoço subindo um tom de vermelho quase imperceptível.

— …como eu dizia, a densidade do solo exige reforço — ele continuou, a voz saindo um pouco mais ríspida do que o necessário.

Karine franziu o cenho por um segundo. “Ele colocou a mão ali para eu não me machucar?”, pensou ela, o coração dando um salto estranho. Mas logo ela balançou a cabeça internamente. “Não seja ridícula, Karine. Ele provavelmente estava apenas gesticulando e eu quase bati na mão dele. Ele me detesta demais para ser um cavaleiro.”

Ela voltou a anotar os dados, enquanto Namjoon, mentalmente, se repreendia. “O que você está fazendo? Deixe que ela bata a cabeça. Ela não é sua responsabilidade.”

Três dias depois, a equipe de arquitetura foi convocada para uma virada de noite. O 55º andar estava iluminado apenas pelas luzes de emergência e pelos brilhos das telas de computador. O cansaço era uma névoa física.

Namjoon saiu de sua sala por volta das 02h00 da manhã. Ele observou o grupo de seis pessoas exaustas em torno da mesa central. Seus olhos pousaram em Karine; ela estava massageando as têmporas, a expressão de fadiga clara em seu rosto pálido.

— Parem por dez minutos — ele ordenou, caminhando em direção à pequena copa do andar.

Minutos depois, ele voltou carregando uma bandeja com bebidas geladas.

— Bebam isso. Açúcar e cafeína para os próximos três rounds — ele disse, colocando as latas e copos sobre a mesa.

Para o arquiteto sênior, ele entregou um café forte. Para os outros, chás energéticos. Mas, quando chegou a vez de Karine, ele colocou diante dela um copo alto de Strawberry Latte com uma camada extra de creme — exatamente o que ela costumava pedir nos intervalos com Taehyung, quando achava que ninguém estava olhando.

Karine olhou para o copo, surpresa.

— Sr. Kim… como o senhor sabia?

Namjoon congelou por um milésimo de segundo. Ele não havia pensado. Ele simplesmente passara pela máquina de bebidas e seus dedos haviam selecionado os botões por puro instinto de observação acumulada.

— Eu não sabia — ele rebateu, a voz gélida para mascarar o pânico interno. — Era o que sobrou no estoque da copa. Se não quiser, jogue fora.

Ele se virou e caminhou rapidamente para sua sala, mas no caminho, ele acabou tropeçando levemente no pé de uma cadeira que ele mesmo havia arrumado minutos antes. O tropeço foi desastroso para sua dignidade; ele precisou se apoiar na parede para não cair.

— O senhor está bem, Sr. Kim? — um dos estagiários perguntou.

— Estou ótimo! — ele rosnou, entrando na sala e batendo a porta de vidro.

Lá dentro, Namjoon encostou a testa no vidro frio. “Um Strawberry Latte? Sério, Namjoon? Você parece um adolescente apaixonado. Controle-se.”

Karine, do lado de fora, deu um gole na bebida. Estava perfeita. “Deve ter sido coincidência”, pensou, ignorando o calor que subia pelo seu peito. “Ele é um homem de negócios, ele compra em lote. Foi sorte.”

A dinâmica de trabalharem frente a frente no escritório da presidência estava se tornando um campo de batalha de micro-gestos. Namjoon tentava manter a frieza, mas a proximidade de Karine era um teste constante.

Em uma tarde chuvosa, Karine estava lutando com a impressora de grande formato no canto da sala. Ela precisava trocar o rolo de papel de 900mm, que era pesado e desajeitado para alguém da estatura dela. Ela estava na ponta dos pés, tentando encaixar o eixo metálico, quando Namjoon se levantou de sua cadeira.

Ele caminhou até ela sem dizer uma palavra. Ele pretendia apenas observar para criticar a técnica dela, mas quando viu o braço dela tremer sob o peso, seu corpo agiu sozinho. Ele se posicionou atrás dela, seus braços longos cercando o corpo de Karine enquanto ele segurava a outra extremidade do eixo.

Por um segundo, o perfume dela — aquela mistura de baunilha e papel novo — o atingiu como um nocaute. Ele estava tão perto que conseguia sentir o calor das costas dela contra o seu peito.

Karine ficou imóvel, a respiração presa. Ela olhou por cima do ombro e viu o queixo quadrado de Namjoon, a pele impecável, o olhar fixo na máquina.

— Deixe que eu faço — ele disse, mas sua voz falhou, saindo mais baixa e rouca do que ele pretendia.

Assim que o rolo encaixou, ele percebeu o que estava fazendo: ele a estava abraçando, tecnicamente. Ele se afastou tão bruscamente que acabou batendo o cotovelo na quina da impressora.

— Droga — ele sibilou, segurando o braço com uma careta de dor.

— Sr. Kim, o senhor se machucou! Deixe-me ver…

— Não toque em mim! — ele exclamou, recuando como se ela fosse perigosa. — Eu só… a máquina estava mal calibrada. Volte para sua mesa.

Karine obedeceu, confusa e com o coração batendo na garganta. “Ele está agindo tão estranho ultimamente”, ela pensou, olhando-o pelo canto do olho enquanto ele massageava o cotovelo com uma fúria silenciosa. “Às vezes parece que ele quer me ajudar, mas depois ele me trata como se eu fosse contagiosa. Ele deve estar sob muita pressão.”

Namjoon, sentado em sua poltrona, olhava para as próprias mãos. Ele se sentia um traidor de seus próprios planos. Ele deveria estar quebrando Karine, mas, de alguma forma, seus reflexos estavam tentando mantê-la inteira.

Ele estava se tornando desastrado, perdendo a postura imperial porque sua mente estava ocupada demais tentando suprimir o fato de que ele sabia, com detalhes assustadores, exatamente como protegê-la sem que ela percebesse.

A “mediocridade emocional” que ele tanto criticara nela estava, lenta e silenciosamente, começando a infectar os alicerces do seu próprio coração de aço.

16 Comentários

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  1. Marcela
    Apr 27, '26 at 2:04 am

    [quote]Ele estendeu a palma da mão, protegendo a quina afiada de metal da base da mesa exatamente no lugar onde a cabeça de Karine iria bater quando ela subisse.

    O homem de vez de demonstrar o que sente, fica focando na coisa errada mae

  2. marela
    Apr 27, '26 at 2:07 am

    [quote]Karine franziu o cenho por um segundo. “Ele colocou a mão ali para eu não me machucar?”, pensou ela, o coração dando um salto estranho. Mas logo ela balançou a cabeça internamente. “Não seja ridícula, Karine. Ele provavelmente estava apenas gesticulando e eu quase bati na mão dele. Ele me detesta demais para ser um cavaleiro.”

    O homem tá perdendo é tempoo.
    Só faz merda

  3. Marcela
    Apr 27, '26 at 2:11 am

    Lá dentro, Namjoon encostou a testa no vidro frio. “Um Strawberry Latte? Sério, Namjoon? Você parece um adolescente apaixonado. Controle-se.”

    Ainda beeem que ele sabe. Só falta parar de falar bosta pra ela

  4. Marcela
    Apr 27, '26 at 2:15 am

    [quote]— Não toque em mim! — ele exclamou, recuando como se ela fosse perigosa. — Eu só… a máquina estava mal calibrada. Volte para sua mesa.

    Nem um pouquinho grosso, jamais

  5. Karine
    Apr 27, '26 at 10:31 pm

    No exato momento em que ela se abaixou, movendo-se com a pressa de quem não quer ser notada, Namjoon, que estava no meio de uma explicação técnica sobre a fundação, não parou de falar. Seus olhos não saíram do gráfico na parede, mas sua mão direita, que descansava sobre a mesa, moveu-se com a rapidez de um reflexo de luta.

    Big boy

  6. Karine
    Apr 27, '26 at 10:35 pm

    Namjoon congelou por um milésimo de segundo. Ele não havia pensado. Ele simplesmente passara pela máquina de bebidas e seus dedos haviam selecionado os botões por puro instinto de observação acumulada.

    Iiih já era

  7. Karine
    Apr 27, '26 at 10:35 pm

    Ele se virou e caminhou rapidamente para sua sala, mas no caminho, ele acabou tropeçando levemente no pé de uma cadeira que ele mesmo havia arrumado minutos antes. O tropeço foi desastroso para sua dignidade; ele precisou se apoiar na parede para não cair.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  8. Karine
    Apr 27, '26 at 10:37 pm

    Ele caminhou até ela sem dizer uma palavra. Ele pretendia apenas observar para criticar a técnica dela, mas quando viu o braço dela tremer sob o peso, seu corpo agiu sozinho. Ele se posicionou atrás dela, seus braços longos cercando o corpo de Karine enquanto ele segurava a outra extremidade do eixo.

    Aaah esses braços

  9. Karine
    Apr 27, '26 at 10:38 pm

    — Deixe que eu faço — ele disse, mas sua voz falhou, saindo mais baixa e rouca do que ele pretendia.

    Eu gosto assim, com a voz aveludada e mansa

  10. Iasmine
    May 17, '26 at 8:47 pm

    Ele estendeu a palma da mão, protegendo a quina afiada de metal da base da mesa exatamente no lugar onde a cabeça de Karine iria bater quando ela subisse.

    Meu deus falei que tava ruindo essa máscara dele.. agora vai ficar cada vez pior

  11. Iasmine
    May 17, '26 at 8:48 pm

    — Sr. Kim… como o senhor sabia?

    Opa querido vc foi pego ein kkkkkk que deslize

  12. Iasmine
    May 17, '26 at 8:49 pm

    Lá dentro, Namjoon encostou a testa no vidro frio. “Um Strawberry Latte? Sério, Namjoon? Você parece um adolescente apaixonado. Controle-se.”

    Kkkkkkkkk mano ele tropeçou? Pqp kkkkkkkkkkk

  13. Iasmine
    May 17, '26 at 8:49 pm

    Por um segundo, o perfume dela — aquela mistura de baunilha e papel novo — o atingiu como um nocaute. Ele estava tão perto que conseguia sentir o calor das costas dela contra o seu peito.

    Jesus cada vez mais perigoso isso

  14. Iasmine
    May 17, '26 at 8:50 pm

    Karine obedeceu, confusa e com o coração batendo na garganta. “Ele está agindo tão estranho ultimamente”, ela pensou, olhando-o pelo canto do olho enquanto ele massageava o cotovelo com uma fúria silenciosa. “Às vezes parece que ele quer me ajudar, mas depois ele me trata como se eu fosse contagiosa. Ele deve estar sob muita pressão.”

    Ela confusa kkkkkk ele numa batalha espiritual fortíssima

  15. Thamiris
    May 18, '26 at 12:21 am

    Ele estendeu a palma da mão, protegendo a quina afiada de metal da base da mesa exatamente no lugar onde a cabeça de Karine iria bater quando ela subisse.

    Começando a dar sinais de humanidade

  16. Thamiris
    May 18, '26 at 12:23 am

    Ele se virou e caminhou rapidamente para sua sala, mas no caminho, ele acabou tropeçando levemente no pé de uma cadeira que ele mesmo havia arrumado minutos antes. O tropeço foi desastroso para sua dignidade; ele precisou se apoiar na parede para não cair.

    Pode até ser o CEO frio e calculista
    Mais ainda sim o Nam desastrado kk

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