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O silêncio na suíte master era profundo, quebrado apenas pelo som sutil da respiração compassada de Namjoon. Quando Karine abriu os olhos, a luz pálida da manhã de sexta-feira filtrava-se pelas imensas cortinas de linho cinza, desenhando linhas geométricas pelo chão de madeira.

Ela tentou se mover, mas o braço pesado de Namjoon ainda cercava sua cintura, prendendo-a contra o peito dele. Devagar, com uma cautela cirúrgica, ela deslizou por baixo do aperto dele. Karine sentou-se na borda do colchão e olhou para trás. Namjoon estava completamente adormecido. Sem a armadura do terno, com os fios escuros bagunçados contra o travesseiro e a expressão desarmada, ele não parecia o CEO implacável que comandava Seul. Parecia apenas um homem exausto, alguém que carregava o peso do mundo nas costas e que raramente se permitia baixar a guarda. Ela decidiu não acordá-lo. Ele precisava daquele descanso.

Vestindo apenas a camisa preta de botões dele — que agora, sem o edredom, cobria apenas até o início da polpa de sua bunda, deixando suas coxas totalmente expostas à brisa matinal —, Karine saiu do quarto na ponta dos pés para explorar o apartamento.

A cobertura parecia ainda maior sob a luz do dia. Ela caminhou até a imensa sala de estar, onde uma parede inteira era ocupada por uma estante que ia do chão ao teto. Karine aproximou-se, os dedos descalços tocando as lombadas dos livros. Havia volumes complexos de arquitetura e urbanismo, mas a grande maioria era de medicina. Tratados de neurocirurgia, neurologia avançada e bioética preenchiam as prateleiras mais altas, muitas com anotações densas nas margens — vestígios da vida que ele fora forçado a abandonar cinco anos atrás.

Continuando seu passeio pelo corredor que levava ao escritório privativo, os olhos de Karine pousaram em uma pequena prateleira de nicho perto da entrada. Ali, repousava um pequeno objeto decorativo de cerâmica fosca, esculpido à mão.

Ela travou. O coração deu um salto bizarro no peito.

A mente de Karine voou imediatamente para o passado, para os dias em que Kim Taehyung ainda fazia parte de sua vida. Ela se lembrava perfeitamente de ter comprado um objeto exatamente igual a aquele em uma feirinha de antiguidades para dar de presente a Taehyung. Sentindo um frio repentino na espinha, ela estendeu a mão, mas hesitou antes de tocar na cerâmica.

“Não”, pensou, balançando a cabeça negativamente para afastar o calafrio. “Isso é ridículo. Eu comprei aquilo em uma feirinha popular em Daegu. Qualquer um pode ter comprado um igual. É só uma coincidência. Não tem nada a ver.”

Forçando-se a ignorar o nó que se formou em sua garganta, ela deu as costas ao objeto e seguiu em direção à cozinha americana. O chão de mármore estava frio sob seus pés, mas a mente dela precisava de foco. Olhando para a geladeira industrial de aço escovado, Karine decidiu que faria o café da manhã para os dois. Era uma forma de retribuir o cuidado da noite anterior.

Ela abriu os armários, localizando os grãos de café, o moedor e os ingredientes para preparar algo prático, mas reconfortante. Em poucos minutos, o som suave da água esquentando e o aroma rico do café recém-moído começaram a preencher o espaço minimalista, trazendo uma lufada de vida para a cobertura silenciosa.

No quarto principal, os olhos de Namjoon se abriram de súbito.

O solavanco no peito foi físico. Ao estender o braço e encontrar o lado direito da cama completamente vazio e frio, o pânico instintivo de sua mente hipervigilante disparou. Ela foi embora. O pensamento de que Karine havia fugido de volta para o dormitório ou para longe dele fez seu sangue gelar. Ele sentou-se na cama de uma vez, a respiração curta, os olhos correndo pelo quarto escuro até notar a ausência da blusa preta que havia deixado na pia.

Sem se importar em calçar sapatos ou vestir uma camisa, Namjoon levantou-se apenas de calça de moletom cinza e caminhou a passos largos e pesados pelo corredor. A tensão em seus ombros era visível, os punhos cerrados prontos para o confronto.

No entanto, assim que ele cruzou o portal da sala de estar, seus passos vacilaram.

O cheiro de café atingiu seu olfato primeiro. E então, ele a viu.

Karine estava de costas para ele, inclinada sobre o balcão da cozinha, observando a prensa francesa. A luz da manhã batia de lado em seu corpo, iluminando a curva exposta de suas coxas e o contorno suave de sua bunda, onde a barra de sua própria camisa preta subia sutilmente a cada movimento que ela fazia com os braços. Ela parecia perfeitamente integrada ao ambiente dele, uma imagem de domesticidade que Namjoon nunca, em toda a sua vida calculada, achou que testemunharia dentro daquela cobertura.

A rigidez nos ombros dele desmoronou. O pânico deu lugar a um calor denso e possessivo. Namjoon encostou-se no batente do corredor, os braços cruzados sobre o peito nu, apenas observando-a trabalhar em silêncio, deixando que a visão dela limpasse os resquícios da exaustão de sua mente.

Karine terminou de pressionar o êmbolo da prensa francesa devagar, observando o líquido escuro e denso estabilizar-se no fundo do vidro. Satisfeita, ela pegou duas canecas de cerâmica preta no armário superior e, no momento em que se virou para organizar a bancada, o ar escapou de seus pulmões em um arquejo audível.

Ela deu um pequeno sobressalto, a mão indo instintivamente ao peito.

Namjoon estava parado bem ali, a poucos centímetros de distância, observando-a com aquele olhar escuro e letal que parecia ler seus pensamentos mais profundos. Ele não fez um único ruído ao se aproximar.

Antes que ela pudesse reclamar do susto, as mãos grandes dele se espalharam por sua cintura. Namjoon a puxou para a frente sem a menor cerimônia, colando o corpo dela ao seu peito nu e quente. O choque térmico da pele dele contra o algodão da camisa fez Karine arfar. Ele inclinou a cabeça e a calou com um beijo intenso, faminto e dominador, ditando o ritmo com a língua enquanto seus dedos afundavam na carne de seu quadril, reivindicando-a logo nas primeiras horas do dia.

Quando o beijo terminou com um estalido úmido, Namjoon não a soltou. Ele a empurrou mais um passo para trás, prensando o corpo dela contra a borda do balcão de mármore. Inclinando-se, ele roçou o quadril firmemente contra o dela, simulando o movimento de vai e vem do ato com uma crueza que fez as pernas de Karine vacilarem instintivamente.

— Eu deveria te carregar de volta para aquela cama ou te foder aqui mesmo, encostada nesse balcão… — ele sibilou contra os lábios dela, a voz barítona tão rouca e arrastada pelo sono que vibrou direto no ventre de Karine.

O movimento do quadril dele era lento, ritmado e torturante, deixando claro o quanto ele já estava rígido por baixo do moletom cinza.

— Eu acordei sem você do meu lado — Namjoon continuou, os olhos escuros fixos nos dela, brilhando com aquela possessividade que ela começava a reconhecer. — É a primeira vez que dormimos juntos e você foge de mim assim? Quer que eu te foda toda o suficiente para dormir de novo, só para garantir que eu vou te ver acordando nos meus braços?

A ameaça era explícita, safada e carregada de luxúria, mas a forma como ele despejou aquele ciúme territorial logo pela manhã bateu de um jeito diferente em Karine. Olhando para a carinha dele — aquele homem gigante, o CEO mais temido de Seul, resmungando porque não a encontrou no colchão —, ela não sentiu medo. Sentiu o coração aquecer.

Ela soltou uma risada baixa, achando a cena a coisa mais fofa do mundo.

Quebrando completamente a tensão sexual densa que ele tentava impor no ambiente, Karine esticou o pescoço e depositou um beijo carinhoso bem na ponta do nariz de Namjoon.

O empresário piscou, pego totalmente de surpresa pelo gesto de pura doçura, e o canto de sua boca ameaçou ceder.

— É claro… — ela disse, com um sorriso ladino e os olhos brilhando de diversão enquanto apoiava as mãos nos ombros largos dele. — Mas primeiro… o café.

5 Comentários

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  1. Marcela
    May 27, '26 at 5:28 pm

    [quote]“Não”, pensou, balançando a cabeça negativamente para afastar o calafrio. “Isso é ridículo. Eu comprei aquilo em uma feirinha popular em Daegu. Qualquer um pode ter comprado um igual. É só uma coincidência. Não tem nada a ver.”

    Quando ela descobrir toda a vdd, vai ser babado

  2. Thamiris
    Jun 1, '26 at 10:26 am

    A mente de Karine voou imediatamente para o passado, para os dias em que Kim Taehyung ainda fazia parte de sua vida. Ela se lembrava perfeitamente de ter comprado um objeto exatamente igual a aquele em uma feirinha de antiguidades para dar de presente a Taehyung. Sentindo um frio repentino na espinha, ela estendeu a mão, mas hesitou antes de tocar na cerâmica.

    Tava tudo muito bom,pra ser verdade

  3. Thamiris
    Jun 1, '26 at 10:30 am

    Ela deu um pequeno sobressalto, a mão indo instintivamente ao peito.

    O susto da gata kk

  4. Thamiris
    Jun 1, '26 at 10:32 am

    — Eu deveria te carregar de volta para aquela cama ou te foder aqui mesmo, encostada nesse balcão… — ele sibilou contra os lábios dela, a voz barítona tão rouca e arrastada pelo sono que vibrou direto no ventre de Karine.

    Bom dia pra ti também Namu

  5. Thamiris
    Jun 1, '26 at 10:35 am

    O empresário piscou, pego totalmente de surpresa pelo gesto de pura doçura, e o canto de sua boca ameaçou ceder.

    Ele todo machão,ela foi lá e descontruiu ele todo kk

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