Capítulo 9 – A Arquitetura do Silêncio
por FanfiqueiraA última aula foi um borrão de conceitos sobre densidade populacional e infraestrutura, termos que soavam vazios enquanto sua mente repetia, em um loop torturante, a imagem de Namjoon rasgando seus cálculos.
Ao final da aula, o relógio marcou 13:40. O tempo de paz havia acabado.
Taehyung a esperava na saída do prédio principal. Ele havia trocado o moletom universitário por um blazer cinza bem cortado, assumindo novamente a persona de prodígio da administração. Ao ver Karine, ele não sorriu; apenas estendeu a mão para pegar a mochila dela, um gesto silencioso de proteção que ela aceitou com gratidão.
— Pronta? — ele perguntou, a voz baixa.
— Nunca estarei. Mas vou — Karine respondeu, ajeitando o terno preto que escolhera. Ela parecia uma viúva de seus próprios sonhos, mas havia uma rigidez em sua mandíbula que indicava que ela não cairia sem lutar.

O átrio da Kim Global brilhava sob o sol da tarde, uma estrutura de vidro que parecia zombar da escuridão que Karine sentia. Ao cruzarem a porta giratória, o ar condicionado os atingiu como uma bofetada estéril.
Taehyung seguiu para o elevador que levava ao setor de logística e gestão, no 42º andar. Antes das portas se fecharem, ele olhou para Karine.
— Nos vemos no café às dezesseis horas. Se ele fizer qualquer coisa… me ligue.
Karine assentiu e seguiu para o 55º andar. Ela esperava encontrar Namjoon no corredor, pronto para desferir mais um golpe verbal. Esperava ser levada imediatamente para a “sala de execução”. Mas o que encontrou foi uma normalidade perturbadora.
Namjoon estava em sua sala, a porta de vidro fumê fechada. Através da transparência escura, ela via apenas a silhueta dele ao telefone, gesticulando com uma calma imperial. Ele não olhou para fora. Não reconheceu a presença dela. Ele agia como se a noite anterior tivesse sido um delírio febril apenas dela.
— Senhorita Min, que bom que chegou — a voz estridente de Sra. Choi, a assistente sênior de Namjoon, a despertou.
Sra. Choi era uma mulher de cinquenta anos com um coque tão apertado quanto sua paciência. Ela depositou uma pilha de pastas — o dobro da que Karine vira no dia anterior — sobre a mesa da estagiária.
— O Sr. Kim revisou seu horário. Como você… — a assistente fez uma pausa dramática, olhando para as olheiras de Karine — …teve dificuldades com o gerenciamento de tempo ontem, ele decidiu que você precisa de uma carga maior de exercícios práticos para “ajustar seu ritmo”.
— Exercícios práticos? — Karine olhou para as pastas. — Isso são projetos de arquivamento de 2010.
— E análise de solo do projeto de Busan, e a digitalização dos registros térmicos da ala norte. Tudo para hoje, antes das dezoito horas. O Sr. Kim não quer ser interrompido. Ele tem reuniões internacionais seguidas e deixou claro que você deve se reportar apenas a mim.
Karine olhou para a porta fechada de Namjoon. Ele estava ali, a poucos metros, mas parecia estar em outro continente. Ela sentiu uma mistura de alívio e humilhação. Ele a estava punindo com a invisibilidade. Ele a reduzira a uma operária de dados, tirando dela o que ela mais amava: o desenho e a criação.
As horas seguintes foram um teste de resistência psicológica. Karine trabalhava freneticamente, seus dedos voando pelo teclado, os olhos ardendo pela luz do monitor. Cada vez que a porta da sala de Namjoon se abria, seu coração saltava, mas ele nunca saía sozinho. Ele saía acompanhado de diretores, investidores árabes ou engenheiros seniores.
Ele passava por ela como se Karine fosse parte do mobiliário. Nenhuma palavra. Nenhum olhar. Nem mesmo o brilho de ódio que ela vira na madrugada. Era como se ele a tivesse apagado da existência.
No escritório privativo, porém, o clima era diferente. Namjoon estava em uma luta interna brutal. Ele vira Karine chegar pelas câmeras de segurança. Vira como ela estava pálida, como o terno preto a deixava parecendo uma boneca de porcelana quebrada.
Ele temia se aproximar.
A lembrança do momento em que quase tocou o cabelo dela na madrugada o assombrava. Ele sentira a guarda baixar por um milésimo de segundo, e para um homem como ele, isso era fatal. Se ele chegasse perto agora, se sentisse o cheiro do perfume dela novamente ou visse a mágoa em seus olhos, ele temia que a máscara de CEO implacável rachasse.
“Foque no plano, Namjoon”, ele repetia mentalmente enquanto assinava papéis sem ler. “Ela é a filha do homem que te destruiu. Ela não merece sua piedade. Ela merece o cansaço. Merece sentir que é insignificante.”
Ele deu ordens à Sra. Choi para triplicar o trabalho dela. Queria mantê-la ocupada, mantê-la com a cabeça baixa, para que ele pudesse observá-la sem que ela percebesse. Ele passava pela mesa dela durante as trocas de reunião e, embora não olhasse, seus sentidos estavam aguçados. Ele ouvia o som da respiração dela, o estalar de seus dedos, o suspiro de frustração.
Era uma forma distorcida de posse. Ele a tinha ali, sob seu teto, sob seu comando, sofrendo por sua causa.
No intervalo combinado, Karine desceu ao café do 10º andar. Suas costas doíam e sua mente estava exausta de catalogar dados inúteis. Taehyung já estava lá, com um chá de camomila e um muffin de mirtilo esperando por ela.
— Ele falou com você? — foi a primeira coisa que Tae perguntou.
— Nem um “bom dia”. Ele me ignora como se eu fosse invisível, Tae. Ele mandou a assistente me soterrar em arquivos de quinze anos atrás. Eu sinto que estou sendo punida por ter sobrevivido à noite passada.
Taehyung apertou a mão dela sob a mesa redonda do café.
— É isso o que ele faz. Ele isola as pessoas. Karine, talvez isso seja um sinal para você pedir demissão. Eu posso falar com o RH, dizer que você recebeu uma oferta melhor…
— Não — Karine interrompeu, o orgulho brilhando novamente. — Se eu sair agora, ele ganha. Ele quer que eu admita que sou fraca. Ele quer que eu peça para ir embora. Eu vou terminar cada uma daquelas pastas. Vou entregar tudo com perfeição. Se ele quer me enterrar em trabalho, eu vou construir um monumento com ele.
Taehyung olhou para ela com uma mistura de admiração e pavor. Ele sabia que a determinação de Karine era o que Namjoon mais queria quebrar. Quanto mais ela lutava, mais Namjoon apertava o laço.
— Só tome cuidado — Taehyung sussurrou. — O silêncio dele é mais perigoso que os gritos.
Karine voltou para sua mesa e finalizou o último arquivo. Seus olhos estavam vermelhos, e a ponta de seus dedos doía de tanto digitar e manusear papéis antigos. Ela organizou tudo em pilhas simétricas, exatamente como a Sra. Choi exigira.
Eram 17:55. A luz do pôr do sol de Seul tingia o escritório de um laranja sangrento.
A porta da sala de Namjoon se abriu. Os últimos executivos saíram, deixando o andar em um silêncio sepulcral. A Sra. Choi já havia ido embora, deixando Karine sozinha com o homem que era seu maior pesadelo e seu mestre oculto.
Namjoon saiu da sala. Ele não usava mais a gravata, e os primeiros botões da camisa estavam abertos. Ele caminhou em direção ao elevador, mas parou a alguns metros da mesa de Karine.
Ele não se virou para ela. Ficou de perfil, observando as pilhas de trabalho concluído.
— Senhorita Min — a voz dele saiu profunda, vibrando no peito de Karine como um trovão distante.
Karine levantou-se, o coração martelando contra as costelas.
— Sim, Sr. Kim. Tudo o que a Sra. Choi pediu está concluído.
Houve um silêncio tenso. Namjoon olhou para as mãos dela — as mãos que ele vira tremendo de sono horas antes, e que agora estavam firmes, apesar de tudo. Ele sentiu uma vontade súbita de dizer algo sobre os cálculos perfeitos que ele enviara para a engenharia em seu nome. Queria dizer que ela era melhor do que todos os arquitetos seniores que ele consultara hoje.
Mas o monstro dentro dele foi mais forte.
— A reunião para decidir sua permanência foi adiada para amanhã — ele disse, sem emoção. — Eu tenho um jantar com investidores. Vá para casa. E tente não desmaiar no caminho. A imagem da empresa ficaria manchada se uma estagiária fosse encontrada desacordada na calçada.
Ele voltou a caminhar sem esperar resposta.
Karine ficou ali, parada, observando as portas do elevador se fecharem. Ela estava exausta, humilhada e ignorada, mas havia algo na voz dele — uma leve hesitação, um tom que não era de ódio puro — que a fez franzir o cenho.
Ela pegou sua mochila e saiu do prédio, onde Taehyung a esperava no carro dele para levá-la de volta ao campus.
Dentro do elevador privativo, Namjoon encostou a cabeça no espelho frio. Ele fechou os olhos e respirou fundo. O cheiro dela ainda parecia estar em suas narinas, o perfume de baunilha e cansaço. Ele levou a mão ao bolso e sentiu o pequeno brinco de pérola.
— Amanhã — ele sussurrou para o próprio reflexo. — Amanhã eu termino isso.
Mas no fundo, Namjoon sabia que estava mentindo para si mesmo. Ele não estava terminando nada. Ele estava apenas construindo as fundações de um desastre que, desta vez, não haveria cálculo estrutural no mundo capaz de evitar.
Karine, no carro com Taehyung, olhava para as luzes da cidade passando pela janela. Ela estava apaixonada pelo homem ao seu lado, o amigo que a protegia, mas sua mente, de forma traiçoeira e doentia, não conseguia parar de pensar no homem de terno cinza que a tratava como lixo, mas cujos olhos pareciam esconder um abismo onde ela temia, e ao mesmo tempo desejava, cair.
O efeito colateral do ódio estava começando a se transformar em algo muito mais perigoso: obsessão mútua.
[quote]— Nunca estarei. Mas vou — Karine respondeu, ajeitando o terno preto que escolhera. Ela parecia uma viúva de seus próprios sonhos, mas havia uma rigidez em sua mandíbula que indicava que ela não cairia sem lutar.
Habla msm, ele tá merecendo ouvir
[quote]— E análise de solo do projeto de Busan, e a digitalização dos registros térmicos da ala norte. Tudo para hoje, antes das dezoito horas. O Sr. Kim não quer ser interrompido. Ele tem reuniões internacionais seguidas e deixou claro que você deve se reportar apenas a mim.
Filho da puta!! Elle vai acabar matando essa mulher de cansaço
[quote]“Foque no plano, Namjoon”, ele repetia mentalmente enquanto assinava papéis sem ler. “Ela é a filha do homem que te destruiu. Ela não merece sua piedade. Ela merece o cansaço. Merece sentir que é insignificante.”
Falando uma coisa, sentindo outra
[quote]— É isso o que ele faz. Ele isola as pessoas. Karine, talvez isso seja um sinal para você pedir demissão. Eu posso falar com o RH, dizer que você recebeu uma oferta melhor…
Tae, com sua porcentagem de culpa altíssima
[quote]Karine, no carro com Taehyung, olhava para as luzes da cidade passando pela janela. Ela estava apaixonada pelo homem ao seu lado, o amigo que a protegia, mas sua mente, de forma traiçoeira e doentia, não conseguia parar de pensar no homem de terno cinza que a tratava como lixo, mas cujos olhos pareciam esconder um abismo onde ela temia, e ao mesmo tempo desejava, cair.
Iiiiiiiii rpz, n me diga que ela tá começando a “gostar” dessa palhaçada toda??
Ele é perturbador
Tu vai comer na minha mão ainda vgbd
Iiiiiiirrrrrrooooowww
Ele se perdeu total no personagem tbm ne kkkkk
Mano que fdp enchendo ela de coisa inútil
Ele ta arrependido de entrar nesse jogo, ainda mais que agora ela gosta dela
Meu deus agora ela ta começando a ficar dividida pqp
A gata arrasando no look
Quem vai morrer é ele
Mais que satanás de asa
Pior que ela é igualzinha a ele
2 orgulhosos
Jeito educado de dizer que se preocupa
O pobi gosta mesmo é de sofrer