Capítulo 23 – O Reflexo nas Sombras do Passado
por FanfiqueiraO asfalto de Seul ainda estava úmido, refletindo as luzes neon da cidade como um espelho quebrado sob os pneus do táxi. Karine apoiava a testa contra o vidro frio da janela, observando o borrão de cores que passava em alta velocidade. O som rítmico do motor era o único ruído que competia com a batida ainda acelerada de seu coração. Ela estava a caminho da faculdade — a rotina exigia sua presença, os prazos não esperavam por crises existenciais —, mas sua mente estava estagnada em uma sala de reuniões com cheiro de café derramado e segredos revelados.
O toque dele ainda queimava em sua pele. Se ela fechasse os olhos, ainda podia sentir a textura da mesa de carvalho sob suas costas e a força avassaladora de Namjoon reivindicando cada centímetro de sua alma.
“O que nós fizemos?”, ela se perguntava, enquanto um flashback a puxava de volta para os minutos finais daquela madrugada.
Flashback:
O silêncio na sala era denso, quase sagrado. Karine estava sentada no colo de Namjoon, aninhada contra o peito dele enquanto a cadeira de couro do CEO os abraçava. O calor de seus corpos era a única defesa contra o ar-condicionado que voltava a esfriar o ambiente. Os dedos de Namjoon traçavam círculos preguiçosos nas costas dela, um movimento possessivo e, ao mesmo tempo, estranhamente terno.
Karine quebrou o silêncio com um suspiro que pareceu carregar o peso de Seul inteira. — Foi rápido demais… — ela sussurrou, a voz rouca, os olhos fixos na camisa dele que ela mesma ajudara a desalinhada. — Tudo isso. A briga, o café, o beijo… nós.
Namjoon não respondeu imediatamente. Ele inclinou a cabeça para trás, observando-a. Seus olhos não eram mais os do “monstro de aço” que a aterrorizara nos primeiros dias; eram os olhos de um homem que estava desarmando uma bomba relógio. Ele analisava cada detalhe: o tremor leve nos lábios dela, a forma como ela evitava seu olhar direto, a hesitação que agora substituía a entrega voraz de minutos atrás.
— Você está se arrependendo? — A pergunta dele foi direta, sem vestígios de pânico ou insegurança. Namjoon era um observador nato. Ele estava lendo a linguagem corporal dela, tentando decifrar se aquele silêncio era o prelúdio de uma fuga ou apenas o choque do pós-combustão.
Karine finalmente levantou o rosto, encontrando a escuridão profunda das pupilas dele. — Não… não me arrependo. Eu queria isso. Talvez mais do que eu estivesse disposta a admitir para mim mesma. — Ela fez uma pausa, buscando as palavras. — Mas, Namjoon… como eu vou olhar para você amanhã? Na frente de todos? No meio daquela faculdade, com os projetos, com o peso do meu sobrenome e da sua posição? Até ontem, você parecia me odiar. Você me olhava como se eu fosse uma praga. E agora…
Ela se afastou levemente, tentando recuperar um pouco da autonomia que havia perdido entre os braços dele. — Eu preciso colocar a cabeça no lugar. Eu preciso entender quem é você fora desse escritório, e quem eu sou quando não estou sendo consumida por você.
Namjoon a segurou pela cintura, impedindo que ela se levantasse totalmente. Ele não a forçou, mas seu toque era um lembrete de que ele ainda estava ali. — Eu entendo — ele disse, a voz baixa e firme. — Eu não sou um homem que corre atrás de sombras, Karine. Eu respeito o seu espaço. Mas não confunda meu ódio passado com a realidade presente.
— E qual é a realidade presente? — ela questionou, desafiando-o. — Por que o ódio acabou tão de repente?
Namjoon desviou o olhar para o painel de vidro que ainda estava fosco, escondendo-os do mundo. Ele parecia travar uma batalha interna sobre quanto da sua armadura deveria cair. — Houve… um mal-entendido. Longo. Doloroso. Por cinco anos, eu cultivei uma imagem de você que não correspondia à mulher que está sentada no meu colo agora. Eu pensei que você era a pessoa que tinha me descartado em uma cama de hospital quando eu mais precisei. Mas a peça que faltava no quebra-cabeça apareceu.
Karine sentiu um calafrio. As peças começaram a girar em sua mente. — O jantar… o que a Ji-a disse… — ela murmurou, a ficha caindo. — Você está falando sobre o encontro que deveria ter acontecido há cinco anos? O encontro com “a filha do Sr. Min”?
Namjoon voltou a olhar para ela, e desta vez, havia uma vulnerabilidade crua em seu rosto. — Eu só aceitei aquele encontro porque eu vi você primeiro.
Karine piscou, confusa. — Como assim? Você nunca tinha me visto antes de eu entrar nesta empresa como estagiária.
Um sorriso amargo e quase imperceptível surgiu nos lábios de Namjoon. — Em uma festa de gala da indústria médica, cinco anos atrás. Você estava usando um vestido verde esmeralda. Você parecia deslocada, como se preferisse estar em qualquer lugar, menos ali. Eu era um neurocirurgião em ascensão, arrogante e focado, mas não consegui tirar os olhos de você. Perguntei quem você era, e alguém me disse: “É a filha do Sr. Min”.
Ele suspirou, a mão subindo para tocar o rosto dela, o polegar acariciando sua bochecha. — Alguns dias depois, quando o Jackson sugeriu um encontro entre eu e a filha do Sr. Min, eu aceitei na hora. Eu não sabia que o Sr. Min tinha outra filha. Eu não sabia da existência de Ji-a. Eu fui para aquele encontro esperando encontrar a mulher do vestido esmeralda. Mas quem apareceu foi ela. E o resto… o resto foi o inferno que me trouxe até aqui.
Karine sentiu o ar sumir de seus pulmões. A revelação era como um soco no estômago. — O vestido esmeralda… — ela sussurrou, a memória vindo à tona. — Eu me lembro dessa festa. Meu pai me obrigou a ir. Eu odiava aqueles eventos. Eu fiquei exatamente vinte minutos, o tempo suficiente para ele me apresentar a alguns acionistas, e fugi pelos fundos para voltar para o dormitório da faculdade. Eu nem sequer sabia quem você era, Namjoon. Eu nunca te vi naquela noite. Eu só ouvi falar da sua família e da sua presidência anos depois, pouco antes de você assumir a Kim Corp.
Namjoon fechou os olhos por um segundo, absorvendo a ironia trágica da situação. — Então, enquanto eu passava anos planejando uma vingança contra a mulher que eu achava que tinha me traído, você nem sabia que eu existia. Eu odiei um fantasma, Karine. E quando você apareceu na minha frente na entrevista, eu projetei toda aquela dor em você, acreditando que você estava fingindo não me conhecer para me torturar ainda mais.
O silêncio que se seguiu não era mais tenso; era melancólico. A compreensão de que cinco anos de sofrimento e ódio foram baseados em uma troca de identidades era quase insuportável.
Karine tocou o rosto dele, sentindo a mandíbula tensa. O contraste entre a pele quente de Namjoon e a frieza das revelações que acabavam de surgir era quase insuportável.
— Ji-a se aproveitou do fato de ter o sobrenome do meu pai para construir a vida que ela quer ter… — Karine sussurrou, a voz embargada pela percepção da maldade da própria irmã. — Não é a primeira vez que ela faz isso. Ela sempre soube como usar o que é meu, ou o que deveria ser nosso, em benefício próprio. Sinto muito, Namjoon… sinto muito por você ter sido o alvo dela.
Namjoon segurou a mão dela contra seu rosto, fechando os olhos por um breve segundo, como se estivesse finalmente deixando o peso de cinco anos de rancor evaporar. Ele beijou a palma da mão dela com uma reverência que Karine nunca imaginou receber de um homem como ele.
— Nós dois pagamos — ele afirmou, a voz vibrando com uma clareza absoluta. — Mas a madrugada acabou, Karine. E as sombras estão se dissipando.
Presente:
O toque metálico de uma notificação quebrou o silêncio do táxi, arrancando Karine de suas lembranças. Ela piscou, afastando a imagem do rosto de Namjoon na penumbra para encarar a tela do celular.
Havia uma mensagem nova. O nome no topo da tela fazia seu estômago dar voltas.
Namjoon: Já chegou no dormitório? Você deveria ter me deixado te levar. O trânsito de Seul a esta hora é implacável, e eu não gosto da ideia de você sozinha em um carro de estranhos depois de uma noite tão longa.
Karine releu as palavras, sentindo o cuidado possessivo que agora transbordava dele. Não era mais o chefe dando ordens; era o homem que, horas antes, a havia reivindicado sobre uma mesa de carvalho. Ela suspirou, os dedos hesitando sobre o teclado antes de começar a digitar.
Karine: Estou quase chegando, o motorista é cauteloso, não se preocupe. Eu precisava desses minutos sozinha… precisava pensar em tudo o que foi dito (e feito). Minha cabeça ainda está tentando processar como o mundo mudou em poucas horas.
Ela viu o “digitando…” aparecer quase instantaneamente.
Namjoon: Eu sei. O silêncio pode ser um bom conselheiro, mas não deixe que ele te afaste de mim. Descanse.
Karine sorriu involuntariamente para a tela, sentindo um calor que não vinha do sol da manhã.
Karine: Vou dormir por algumas horas, tentar reiniciar o sistema. Depois, volto para a empresa. Ainda temos aquele projeto de Busan para finalizar, lembra? O trabalho não para só porque… bem, você sabe.
Namjoon: Eu estarei esperando. Durma bem, Karine. E tente sonhar com algo que não envolva plantas arquitetônicas. De preferência, comigo.
Ela bloqueou o celular, sentindo o rosto esquentar. O táxi parou em frente ao prédio do dormitório. Enquanto pagava a corrida e descia, o ar fresco da manhã parecia diferente. A cidade era a mesma, a faculdade era a mesma, mas ela? Ela agora carregava o segredo de uma madrugada que havia transformado um inimigo em seu porto seguro.
Caminhando em direção à entrada, ela olhou para o próprio reflexo no vidro da portaria. Havia um brilho novo em seu olhar, uma confiança que nem mesmo o cansaço conseguia apagar. Ela ia dormir, sim. Mas sabia que, ao acordar, o caminho de volta para a Kim Corp seria o início de um capítulo onde ela não seria mais apenas a estagiária subestimada.
[quote]Karine finalmente levantou o rosto, encontrando a escuridão profunda das pupilas dele. — Não… não me arrependo. Eu queria isso. Talvez mais do que eu estivesse disposta a admitir para mim mesma. — Ela fez uma pausa, buscando as palavras. — Mas, Namjoon… como eu vou olhar para você amanhã? Na frente de todos? No meio daquela faculdade, com os projetos, com o peso do meu sobrenome e da sua posição? Até ontem, você parecia me odiar. Você me olhava como se eu fosse uma praga. E agora…
Agora ele ama essa praga kkkk
[quote]Namjoon a segurou pela cintura, impedindo que ela se levantasse totalmente. Ele não a forçou, mas seu toque era um lembrete de que ele ainda estava ali. — Eu entendo — ele disse, a voz baixa e firme. — Eu não sou um homem que corre atrás de sombras, Karine. Eu respeito o seu espaço. Mas não confunda meu ódio passado com a realidade presente.
“Eu respeito o seu espaço ”
Hurum, sei… Acredito nisso
[quote]Um sorriso amargo e quase imperceptível surgiu nos lábios de Namjoon. — Em uma festa de gala da indústria médica, cinco anos atrás. Você estava usando um vestido verde esmeralda. Você parecia deslocada, como se preferisse estar em qualquer lugar, menos ali. Eu era um neurocirurgião em ascensão, arrogante e focado, mas não consegui tirar os olhos de você. Perguntei quem você era, e alguém me disse: “É a filha do Sr. Min”.
Ele lembra de cada detalhe rpz
[quote]Caminhando em direção à entrada, ela olhou para o próprio reflexo no vidro da portaria. Havia um brilho novo em seu olhar, uma confiança que nem mesmo o cansaço conseguia apagar. Ela ia dormir, sim. Mas sabia que, ao acordar, o caminho de volta para a Kim Corp seria o início de um capítulo onde ela não seria mais apenas a estagiária subestimada.
É querida, tudo mudou
(O brilho do amor ) Kkkkk
É, agr já era, vc é propriedade dele
E queria faz um tempinho viu
Caraca ele abriu o jogo, finalmente
Finalmente eles se acertaram ne menines
A bicha ate esqueceu de Taehyung, ta flutuando
Creio não
Foi pro dormitório,podendo dormir com o Nam
Ele sabe ser romântico